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Arquivo de outubro de 2009

27/10/2009

às 9:38 \ Corpo

Envelhecimento das mãos

maos-velhas

Tenho 43 anos e percebi que minhas mãos estão envelhecendo rapidamente, a pele ficou ressecada e estão surgindo manchas senis. Qual o melhor tratamento? Existe algum modo de prevenir que o problema se agrave?
(Roberta)

Roberta, muita gente se preocupa com o envelhecimento do rosto e esquece de outras áreas como pescoço, colo e mãos. Antes das dicas para cuidar das suas mãos, você precisa saber o que causa o envelhecimento da pele.

Os inimigos

Existem dois grupos de fatores que causam o envelhecimento da pele: os fatores internos e os externos.

Os internos são determinados pela genética. Independem do que a gente faça, e fogem ao nosso controle. Pela genética, a partir dos 30 anos diminui a produção de colágeno e elastina, proteínas que dão firmeza e elasticidade à pele. A hidratação natural da pele também é afetada. A pele das mãos vai ficando fina, menos elástica e ressecada. Como se não bastasse, com o tempo a quantidade de gordura sob a pele diminui. Por isso, veias e tendões das mãos ficam visíveis.

Os fatores externos são agentes do meio ambiente que aceleram o envelhecimento da pele. Nesse grupo, o estilo de vida conta muito. O principal agente externo de envelhecimento das mãos é o sol. Quer uma prova? Estique os braços para frente e olhe a pele do dorso das mãos e dos braços. Agora compare com a pele da parte interna dos braços. É menos manchada, não é? Essa diferença acontece porque um lado do braço toma sol enquanto o outro não.

No caso das mãos, outro fator externo é o contato com produtos químicos, como detergentes e sabões, que ressecam a pele. Por isso, muitas donas de casa têm mãos sensibilizadas. Se esse for seu caso, minimize o contato com detergentes. Use luva ao lidar com produtos de limpeza e hidrate constantemente as mãos com cremes potentes, que podem ser prescritos por um dermatologista.

Prevenindo o envelhecimento

Precisa falar? Evite se expor ao sol forte e passe diariamente nas mãos um filtro com FPS 30 ou mais. Como uma parcela dos raios solares ultrapassa o vidro das janelas, aplique o protetor mesmo se ficar dentro de casa. Uma dica que vale ouro: deixe um frasco com filtro solar no carro e passe o creme nas mãos antes de ligar o motor. Ou então, use luvas com tecidos especiais que bloqueiam os raios ultravioleta. Assim você previne manchas e preserva o colágeno da sua pele.

Os tratamentos

1.    Cremes. Além do filtro solar, use nas mãos hidratantes que contenham, por exemplo, um ou mais desses elementos: uréia, lactato de amônio, ácido hialurônico ou silicone. Você também pode usar cremes à base de ácido retinoico à noite, e isso deve ser prescrito por um dermatologista. O tratamento com cremes hidrata, melhora a textura da pele e retarda o envelhecimento, mas dificilmente remove manchas.

2.    Laser para manchas. O tratamento com laser ou luz pulsada para remover manchas senis é fantástico. Bastam algumas sessões e as manchas somem ou suavizam consideravelmente. O laser queima a mancha sem agredir a pele normal. Depois da sessão surgem casquinhas que caem em duas semanas.

3.    Laser para estimular o colágeno. Boas opções são os laseres fracionados, como o Fraxel ou o Pixel. Eles agridem a pele em pontinhos salteados e estimulam a formação de colágeno novo.

4.    Peelings químicos. Gosto do efeito dos peelings à base de ácido tricloroacético (ATA), que removem manchas e melhoram a qualidade do colágeno. Esse tratamento requer cuidados após a sessão, pois a pele fica muito sensível. O peeling de ATA funciona melhor em pessoas de pele clara. Quem tem pele negra ou morena não deve se submeter a esse tratamento, sob risco de as manchas se agravarem.

5.    Ácido hialurônico injetável. O ácido hialurônico (aquele que se usa nos preenchimentos faciais) absorve muita água. Por conta dessa característica, surgiram formulações com ele que, injetadas na pele, incrementam a hidratação local. O efeito é pele rejuvenescida e mais firme. Para o tratamento dar certo, é preciso repetir a aplicação algumas vezes por ano.

A decisão de qual tratamento é melhor para você vai depender da avaliação do seu dermatologista. Boa sorte.

Por Lucia Mandel

20/10/2009

às 13:57 \ Doenças

Sol e lábios, uma perigosa combinação

labio

Caso 1

Passei uns dias em Santa Catarina. Para chegar ao hotel, só de jangada. O jangadeiro, descendente de alemães, tinha lábios inchados, vermelhos e descascando. Isso tem um nome, queilite actínica, uma alteração causada pela exposição ao sol. Não é bom ter queilite actínica, ela pode virar câncer. Saquei um protetor solar labial da bolsa e ofereci a ele, que recusou:  “Não uso essas coisas.” Insisti que ele fosse a um médico ver o que estava acontecendo com seus lábios.

Caso 2

Em agosto escrevi um post sobre como cuidar da saúde dos lábios, que mencionava a importância de se usar protetor solar labial. Minha leitora mais assídua, minha mãe, saiu-se com essa:  “Impossível. O protetor deixa um gosto ruim na boca”. Ela achou a recomendação pouco prática. Hoje, dois meses depois, mudou de ideia. Nesse meio tempo houve um caso de queilite na nossa família. O final da história não foi ruim, pois a lesão foi percebida no começo, quando ainda era milimétrica e curável com cirurgia.

O câncer de lábio

Você sabe que sol predispõe a câncer de pele, certo? E quanto ao câncer de lábio, já parou para pensar nesse detalhe? Provavelmente não, como a maioria das pessoas, que lambuzam (com razão) o corpo todo de filtro solar e se esquecem dos lábios. Isso é um erro. Lábios também são agredidos pelos raios ultravioleta, que predispõem ao câncer. Eles são muito sensíveis ao sol: têm pele fina e não contam com a ajuda da melanina, pigmento que protege contra o sol. Os raios ultravioleta alteram o DNA das células do lábio. O fumo também aumenta o risco de câncer de lábio.

O câncer de lábio atinge quem passou dos 40 e por isso mesmo já tomou bastante sol. Homens são mais afetados que mulheres, e há razões para essa diferença. Uma é que o batom comum, mesmo aquele que não inclui filtro solar na formulação, já funciona como barreira aos raios solares. Outra é que a taxa de incidência nos homens é engrossada por trabalhadores rurais que passam a vida ao sol, sem proteção.

O câncer afeta dez vezes mais os lábios inferiores do que os superiores. É mais uma evidência de que o sol está na origem do problema: o lábio inferior é anatomicamente mais exposto ao sol que o superior.

O tratamento

Quanto antes a alteração no lábio for identificada e tratada, melhor. Casos iniciais de queilite ou de câncer no lábio são facilmente resolvidos com cirurgia. Nos casos mais avançados, a remoção deve ser ampla e pode comprometer a estética labial ou mesmo a abertura da boca. E existe a possibilidade de que um câncer de lábio em estágio avançado se espalhe para outros órgãos, na forma de metástases.

Por isso, proteja sua pele sem esquecer seus lábios. Use protetor labial sempre que for à praia ou piscina e sempre que praticar esportes ao ar livre. Procure um médico se aparecer no lábio uma ferida, mancha ou casquinha que não cicatrize em 15 dias.

Por Lucia Mandel

13/10/2009

às 10:40 \ Tratamento

Como tratar o melasma

rosto-sol

Eu tenho 33 anos, não tenho filhos, mas há 6 anos tenho manchas de melasma. Devo usar bloqueador solar? Parei de tomar anticoncepcional. Existe algum que poderia tomar sem piorar as manchas? Qual o nome e onde posso comprar o remédio oral para tratar melasma? Pretendo engravidar este ano, teria algum problema em continuar usando? Melasma é o meu martírio.
(Daniela)

Daniela, sua angústia é compreensível. Infelizmente, o melasma causa grande sofrimento. Nas pessoas afetadas, manchas escuras invadem o rosto e atingem as bochechas, a testa, o nariz e a pele que fica logo acima do lábio superior. A intensidade e extensão das manchas variam caso a caso. Mas com um tratamento adequado e rigoroso, um pouco desta angústia pode ser amenizada. Antes de responder às suas perguntas e detalhar o tratamento, vamos ver os dois fatores principais que acentuam o escurecimento em quem tem tendência a melasma:

As mulheres são as principais vítimas. E a culpa é dos hormônios femininos

O melasma atinge especialmente as mulheres. Homens representam menos de 10% dos casos. É que um dos fatores agravantes são os hormônios femininos. Por isso, nos momentos em que a concentração de hormônios femininos no organismo aumenta, o melasma pode piorar. Isso acontece em mulheres que estejam tomando pílula anticoncepcional ou em gestantes.

O sol como inimigo

A exposição ao sol sem protetor solar piora as manchas. Mas, mesmo com filtro, elas podem escurecer. Por isso, toda a proteção é pouca. Quem tem melasma deve usar todos os dias um bom filtro solar, mesmo se o sol não estiver forte.

Agora, as respostas:

1. Filtro solar é fundamental. Portadores de melasma devem usar continuamente um filtro solar potente. Preste atenção aos seguintes itens:

a. Fator de Proteção Solar. Escolha FPS 30, no mínimo. O número indica a proteção contra os raios ultravioleta B, ou UVB.

b. Proteção anti-UVA. Os raios ultravioleta A (UVA) agravam o melasma. Procure um filtro que estampe no rótulo a informação de que é eficaz contra UVA. Hoje em dia, quase todos os bons filtros solares protegem contra UVA. Mas nem sempre foi assim: até há pouco tempo a proteção era preferencialmente anti-UVB. Um detalhe: os raios UVA atravessam o vidro das janelas. Assim, use o filtro mesmo se você ficar dentro de casa ou do carro. E mais: os raios UVA estão presentes desde a manhã até o final da tarde. Significa que você precisa aplicar o filtro logo cedo e reaplicar a cada 3 horas, até o final do dia.

c. Filtros físicos x Filtros químicos. Existem vários ingredientes ativos que podem compor um filtro solar. Eles se dividem em dois grupos básicos: os ingredientes físicos e os ingredientes químicos. Em geral, o protetor comprado na farmácia mistura os dois tipos na sua composição, em proporções variadas. Os ingredientes físicos refletem a luz do sol. Os químicos a absorvem e a transformam em calor. Para quem tem melasma, o mais indicado são protetores compostos por uma alta proporção de filtros físicos. O inconveniente é que dão um efeito branco e opaco e têm textura espessa. Mas alguns deles vêm com uma cor de base, para disfarçar o tom branco indesejável. Bons ingredientes físicos são o óxido de zinco e o dióxido de titânio.

2. A pílula anticoncepcional

Como o melasma se intensifica com hormônios femininos, a pílula nesse caso é um veneno para a pele. Mesmo pílulas de baixa dosagem agravam as manchas. Converse com seu ginecologista sobre outro método contraceptivo indicado para seu caso.

3. A gravidez

É comum que o melasma piore durante a gestação. Nessa fase, a atenção no uso do protetor deve ser redobrada. Quanto aos tratamentos, há clareadores especiais que podem ser usados durante a gravidez, mas a utilização deles precisa ser supervisionada por um dermatologista.

4. Os tratamentos

O melhor tratamento clareador para o melasma é à base de cremes. As respostas ocorrem após semanas ou meses de uso de cremes, como os à base de tretinoína, hidroquinona e cortisona. Uma boa medida é associar peelings clareadores e renovadores da pele ao tratamento domiciliar. Completado o clareamento das manchas, é fundamental que você siga com um tratamento de manutenção. Caso contrário, é quase certo que as manchas voltarão. As pessoas que não melhoram com cremes clareadores, podem recorrer ao tratamento com laser.

5. O tratamento por via oral

Cada vez mais se discute a utilização de comprimidos à base de anti-oxidantes contra os efeitos do sol. A vitamina C, a vitamina E e o picnogenol têm se mostrado promissores. O efeito de um tratamento por via oral, no entanto, ainda é controverso. Na minha opinião, casos mais complicados podem se beneficiar de um tratamento desses. Mas se você se submeter a um tratamento desse tipo, deve interrompê-lo durante a gravidez.

Por Lucia Mandel

06/10/2009

às 15:06 \ Doenças

Alopecia areata e internet

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Há alguns anos participei de uma discussão sobre o tratamento de uma moça com alopecia areata universal. Nessa doença, todos os cabelos e pelos do corpo caem. A cabeça fica lisa, não sobram cílios, sobrancelhas, nem qualquer pelo. A garota, de 20 anos, já havia passado por vários tratamentos. O melhor resultado para o crescimento de cabelos foi com cortisona por via oral. Mas esse tratamento tem sérios efeitos colaterais, como hipertensão, diabetes, osteoporose. Quem toma cortisona por muito tempo ainda ganha peso, espinhas e estrias largas. Como essas complicações estavam começando a acontecer, o tratamento precisava ser suspenso. Ao escutar o diagnóstico, a garota chorou. Preferia qualquer coisa a não ter cabelos.

O que angustia quem tem alopecia areata, doença auto-imune que afeta pelos e cabelos, é que ela é visível. Não há nenhuma doença interna que ameace a saúde – apenas em uma minoria dos casos há associação com doenças como alterações de tireoide, por exemplo. Mas por estar à vista de todos, causa estranhamento e abala a auto-estima. Nessa hora, talvez ajude ouvir quem também está passando pela mesma situação. A internet pode unir essas pessoas.

Selecionei dois sites que reúnem pacientes e informações: o da National Alopecia Areata Foundation e o da Alopecia World. Infelizmente não encontrei um site tão completo na nossa língua. Esses sites explicam detalhadamente todos os tipos de alopecia areata: na forma de placas, quando surgem áreas ovaladas sem cabelos, na forma de alopecia total, quando todos os cabelos caem, e na forma de alopecia universal, quando cabelos e pelos caem.

Além de explicar as causas e opções de tratamento, eles criam solidariedade entre os pacientes. Há espaço para fóruns de discussão, onde cada um conta sua história, algumas muito emocionantes. Dá até para anexar fotos e vídeos. As discussões variam desde como conseguir permissão para o filho usar chapéu na escola (sabia que isso pode ser um problema?), qual o melhor jeito de usar lenço, até informações sobre pesquisas para a cura. Muita gente conta como consegue conviver bem com a doença e com os tratamentos. E há textos de pessoas que ainda não conseguiram superar suas inseguranças.
 
O apoio a quem tem uma doença visível e de difícil tratamento é fundamental. A sensação de conforto acaba ajudando na recuperação, uma vez que a evolução da alopecia é influenciada pelo emocional.

Os tratamentos

Em casos leves, quando a perda de cabelos é localizada, realiza-se infiltração com corticóide. Se for o caso, o tratamento é complementado com produtos de uso local à base de minoxidil, antralina, retinóides ou corticóides. Formas de alopecia areata localizada costumam responder bem ao tratamento.

Nos casos intensos, quando a maior parte dos cabelos cai, o tratamento fica mais complexo, e a resposta aos medicamentos nem sempre é favorável. São aplicadas substâncias de uso local que sensibilizam o couro cabeludo e que controlam o processo de auto-imunidade. A cortisona por via oral, prescrita para a garota cuja história contei, é cada vez menos usada. Apesar de ter bom efeito no crescimento dos cabelos, apresenta muitos efeitos colaterais. E, quando a cortisona é suspensa, o cabelo cai novamente.

Por Lucia Mandel


 

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