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Estética e saúde

Lucia Mandel

Dermatologista | email: luciamandel.espelhomeu@gmail.com
Sexta-feira, 03 de Julho de 2009

Respostas a leitores

As perguntas abaixo foram selecionadas pela redação e enviados à colunista. Todas as questões selecionadas foram respondidas por Lucia Mandel. As respostas, porém, não eliminam em nenhum caso ou hipótese a indicação de uma consulta com seu médico de confiança.

Tenho 21 anos, já passei da fase horrível das acnes, porém agora me deparo com outro problema. Pelos encravados. Faço a barba no mesmo sentido na qual ela cresce, uso esfoliante recomendado por dermatologista, o quadro melhorou, porém algumas regiões insistem e ter pelo encravado, mesmo eu utilizando o esfoliante. Há algum outro modo de resolver este problema?
(Rafael)

O melhor, e muitas vezes único, modo de tratar os pelos da barba que insistem em encravar é a depilação a laser. Como na maioria dos casos o problema afeta apenas o pescoço, o tratamento não precisa ser feito no rosto todo, somente na área em que os pelos estão encravando. Realiza-se sessões mensais, numa média de 4 a 6 sessões por paciente. O resultado é muito bom. Outros métodos de controle desse problema têm baixa eficácia. Mas, se para você o laser não for uma opção, continue fazendo a barba no sentido do crescimento do pelo, continue esfoliando sua pele e use cremes à base de ácidos e antibióticos, que devem ser prescritos pelo dermatologista.

Eu gostaria de saber se posso tratar das estrias com o ácido retinóico. Como devo usar? Aonde comprar? Tive estrias da minha gravidez, gostaria de tratar sem muito custo.
(Josy)

O resultado do tratamento de estrias é variável: há pessoas que melhoram bastante, e há quem fique frustrado como o tratamento. O ideal é procurar ajuda médica logo no início do problema, quando as estrias ainda são avermelhadas. O ácido retinóico é uma opção simples e barata de tratamento. Usa-se o produto uma ou duas vezes ao dia, a critério do seu dermatologista, por tempo variável. Cremes à base do ácido são vendidos em farmácias comuns ou em farmácias de manipulação, sempre com receita médica. Eles não podem ser usados por mulheres grávidas, e não há comprovação da segurança do tratamento em quem esteja amamentando. Durante o tratamento, evite expor a pele ao sol. Embora seja um tratamento acessível e popular, na minha opinião o resultado é modesto.

Tratamentos mais eficientes são o laser fracionado, a luz pulsada, peelings químicos feitos em consultório, a microabrasão ou a intradermoterapia. Leia aqui (http://veja.abril.com.br/blog/estetica-saude/121122_comentario.shtml) sobre essas opções de tratamento para estrias.

Tenho sintomas parecidos com os relatados pela sarna, mas a região é uma só, na parte inferior das pernas. Tem um detalhe, a coceira volta quando mantenho o aquecedor próximo da região nos dias frios.
(Inês)

Pelo que eu entendi do seu e-mail, seu problema não parece ser sarna, mas sim ressecamento da pele. Pele ressecada coça, e muito. Use um bom hidratante nas pernas, uma ou duas vezes ao dia. Hidratantes potentes contêm ativos como uréia ou lactato de amônio, por exemplo. Além disso, preste atenção ao seu banho: tome banhos curtos, evite água quente e use pouco sabonete. Se você tomar todos esses cuidados por dez dias e a pele continuar a coçar, procure um dermatologista.

Por Lucia Mandel - 13:52 | Enviar Comentário  
Terça-feira, 30 de Junho de 2009

Sarna. Chega de se coçar


Como em praticamente toda infecção ou infestação por parasitas, a sarna pode atingir qualquer pessoa. E se você acha que o problema se associa exclusivamente à falta de higiene, enganou-se. Para se pegar sarna, basta ter contato com uma pessoa com o problema. O bichinho causador, um ácaro, se alimenta da pele e não de sujeira. Mas o mais frequente mesmo é a sarna ocorrer em lugares com precárias condições de higiene e onde muita gente vive junto.

Quando o ácaro encontra uma nova presa, ele se acasala na sua pele. A fêmea cava túneis na pele da vítima, onde deposita seus preciosos ovos. Depois de uns dez dias, eles eclodem e nascem novos parasitas. Sem tratamento, esse ciclo não acaba nunca, perpetuando o problema. Nossa pele desenvolve uma reação alérgica ao bichinho e isso causa a coceira característica. Além da coceira, que piora à noite, surgem bolinhas avermelhadas e cascas.

Como a sarna é muito contagiosa e como o ácaro sobrevive por horas ou dias também em roupas, sofás, cadeiras, toalhas, geralmente mais de um membro da família é atingido. É comum haver pessoas infectadas que ainda não manifestaram a coceira, mas estão incubando o ácaro. Os ovos ainda vão eclodir. Por isso, costuma-se pedir para todas as pessoas que moram na mesma casa tratarem a sarna, mesmo que só uma delas esteja se coçando. Caso contrário, a doença vira um verdadeiro inferno. O sujeito trata e cura. Depois, sua irmã pega. Passa para a mãe. Elas se tratam. Mas o irmão, aquela primeira vítima, já está incubando de novo. E assim vai. Não preciso nem dizer que isso causa enorme transtorno para todos os envolvidos.

O tratamento é feito com escabicidas, inseticidas que não fazem mal à pele humana. Aplica-se por três dias o produto em toda a pele, exceto no couro cabeludo e face, e deixa-se agir por um tempo. E, depois de uma semana, o mesmo tratamento é repetido para matar os ácaros que nasceram dos ovos e que não foram atingidos na primeira etapa. As roupas do corpo, roupas de cama e de banho devem ser trocadas todos os dias em que o escabicida for aplicado. Elas têm que ser lavadas com água quente e passadas com ferro. Além dos escabicidas, existe também um medicamento oral, mas a eficácia é menor.

Percebeu a dificuldade? Imagine uma casa sem varal para tanta roupa. Como assim, lavar tudo, todos os dias? E se forem quatro crianças? Ou cinco? E se a avó mora junto? É isso aí. Todo mundo tem que fazer o tratamento, ou ele fracassará. Uma das minhas lembranças da época de residência médica é de sentir estar falando algo impossível para aquela mãe de cinco filhos que foi ao Hospital das Clínicas por conta da coceira do caçula. Acho que a expressão 'arranjando sarna pra se coçar' vem justamente dessa trabalheira toda que dá para se livrar do problema. Ter sarna é bem chato.

E o cachorro da família nessa história? Não, ele não precisa de tratamento. A sarna humana é diferente da sarna do cachorro. Existe um ácaro específico para cada um. A gente até pode pegar a sarna do cachorro, mas o ácaro logo morre na nossa pele e o problema acaba. Do mesmo modo, a nossa sarna não vinga no cachorro.
Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Respostas a leitores

As perguntas abaixo foram selecionadas pela redação e enviados à colunista. Todas as questões selecionadas foram respondidas por Lucia Mandel. As respostas, porém, não eliminam em nenhum caso ou hipótese a indicação de uma consulta com seu médico de confiança.

Tenho herpes no queixo e este ano ela está aparecendo praticamente todo mês. Gostaria de saber se posso tomar algum complexo vitamínico que ajude a aumentar a minha resistência. A cada crise tomo uma caixa de Penvir (comprimidos 125mg), faço compressas de água boricada e quando a ferida está secando passo Penvir creme.
(Lívia)


Quando as crises de herpes são muito frequentes, havendo, por exemplo, mais de seis crises ao ano, o médico deve considerar a possibilidade de usar antivirais por via oral por tempo prolongado. Nesse caso, a dose de antiviral é menor que a usada para tratar uma crise de herpes, mas o tratamento se mantém por meses. Como o herpes pode atacar em momentos de fragilidade, convém investigar se alguma condição está diminuindo sua resistência imunológica. Polivitamínicos ajudarão se houver alguma carência de vitaminas, o que pode ser identificado na consulta médica. Procure um médico de sua confiança.

Tenho uma dúvida referente aos tipos de exames para constatar ou não um melanoma, minha sogra tem manchas na pele, aparecem sempre no mesmo local quando ela se expõe ao sol. Ardem, viram uma ferida e depois que secam, nascem de novo. Qual exame seria recomendado? Seria melanoma? Um exame de sangue pode constatar isso?
(Lucimara)


O melanoma é um câncer de pele que tem, geralmente, coloração escurecida. O diagnóstico é feito na consulta médica, através do exame dermatológico, e a confirmação é com o exame anatomopatológico, vulgarmente conhecido como biópsia. Não se diagnostica melanoma com exame de sangue. Como esse tipo de câncer é curável se detectado no início, todas as pessoas com pintas devem fazer periodicamente um check-up dermatológico. Além disso, todos devem estar atentos ao ABCDE indicador de risco para câncer de pele:

a - Assimetria. As pintas cancerosas são assimétricas, ao contrário das pintas benignas, que costumam ser simétricas

b - Bordas da pinta. Pintas perigosas têm bordas irregulares, com reentrâncias e saliências.

c - Cor da pinta. Pintas cancerosas costumam ter dois ou mais tons de cores, ao contrário das inofensivas.

d - Diâmetro. Suspeite de pintas com mais de 6 mm de diâmetro.

e - Expansão. Pintas não devem crescer.

Existem ainda outros sinais de risco: pintas sadias não doem, coçam nem sangram. Suspeite se isso acontecer. Pela sua descrição, sua sogra não parece ter melanoma, pois a lesão de melanoma não aparece e desaparece repetidamente. Mas, para confirmar um diagnóstico dermatológico, é fundamental a avaliação clínica. Consulte um dermatologista.

Tenho dúvidas sobre umas manchas que tenho no corpo (tronco e costas), pelo que eu vi é pitiríase versicolor. Queria saber como tratar essas manchas, pois elas me deixam desconfortável.
(João)

Pitiríase versicolor é o nome oficial da micose conhecida como pano branco. O fungo ataca principalmente no verão, em áreas de pele mais oleosa, como rosto, costas e ombros. O tratamento é à base de antifúngicos, tanto por via oral quanto de uso local.

Terça-feira, 23 de Junho de 2009

Herpes zoster


Embora os nomes sejam semelhantes, o herpes zoster e o herpes labial não são a mesma doença. Na realidade, são completamente diferentes. O herpes labial é causado por um vírus chamado herpes vírus. O herpes zoster, também conhecido como cobreiro, é causado por outro vírus, chamado varicela-zoster vírus. É o mesmo vírus que causa a catapora. Depois que a catapora passa, o varicela-zoster vírus não é eliminado do nosso corpo. Ele fica dormente, à espera de um momento para se reativar, refugiado dentro de terminais nervosos. Se houver oportunidade, ele volta a atacar, numa segunda versão: agora, causando o zoster.

Não se sabe ao certo o que determina a reativação do vírus. Ao que parece, ele se aproveita de um momento em que a proteção imunológica cai. A idade parece ser um fator importante: nos Estados Unidos, estima-se que haja 1 milhão de casos de zoster por ano, e metade desse número ocorre em quem passou dos 60. O zoster também ataca quem está debilitado, como pessoas em tratamento contra câncer ou pessoas com deficiências imunológicas. Até mesmo o stress psicológico pode desencadear uma crise.

Os sintomas

A pele fica avermelhada e inchada, e surgem pequenas bolhas. As feridas acometem apenas um lado do corpo, numa área de pele linear, como se fosse uma faixa. A dor é intensa. Por vezes é tão forte que mesmo o encostar da blusa ou o vento batendo na pele incomodam. Tamanha dor se justifica pelo fato de que, além da pele, o vírus também afeta o nervo que chega até a pele. O nervo inflama e pode ser danificado. Por isso, além de dor, o paciente pode sentir formigamento ou queimação na área afetada. Essas alterações de sensibilidade costumam aparecer poucos dias antes das feridas visíveis na pele.

As alterações da pele são auto-limitadas, e melhoram mesmo sem tratamento. O problema mais sério do herpes zoster é a lesão do nervo: a dor pode persistir por meses ou anos. Por isso, o zoster precisa ser tratado adequadamente, assim que os sintomas começarem.
Existem outras complicações possíveis, como o comprometimento da visão. Isso pode acontecer quando o zoster afeta a face, próximo ao olho. Nesse caso, além do acompanhamento dermatológico, o paciente também precisa ser tratado por um oftalmologista. Além disso, quando afeta a face, o zoster pode comprometer a audição, o equilíbrio e o movimento dos músculos faciais. Mais uma vez, o tratamento precoce diminui o sofrimento e os riscos de sequelas.

Prevenção

Todas as pessoas que tiveram catapora correm o risco de desenvolver o zoster. Existe uma vacina, administrada aos 60 anos de idade, que previne a crise ou suaviza muito os seus sintomas. Ela ajuda a reduzir a incidência da dor persistente pós-zoster. Essa vacina ainda não está disponível no Brasil e a previsão para sua chegada é 2010. Espera-se que as crianças vacinadas contra a catapora não desenvolvam o zoster quando ficarem mais velhas, uma vez que não contraem o vírus causador.

O que fazer se você estiver com zoster

Procure um dermatologista o quanto antes. Como eu já disse anteriormente, as lesões de pele passam sozinhas, mas a dor e o comprometimento neurológico podem ser persistentes. A chance de cura é maior se houver tratamento adequado e precoce. Além disso, o tratamento evita que as bolhas infeccionem.

As bolhas na pele são repletas do vírus causador do problema. Lembra que esse vírus causa catapora? Pois é: enquanto você estiver com bolhas na pele, pode transmitir catapora para as pessoas que não foram vacinadas ou que ainda não tiveram a doença.

Sexta-feira, 19 de Junho de 2009

Respostas a leitores

As perguntas abaixo foram selecionadas pela redação e enviados à colunista. Todas as questões selecionadas foram respondidas por Lucia Mandel. As respostas, porém, não eliminam em nenhum caso ou hipótese a indicação de uma consulta com seu médico de confiança.

Tenho uma filha de um ano e um mês. Durante a gravidez, apareceu um melasma horrível. Como estou amamentando queria saber se existe algum clareador que eu posso usar.
(Carolina)


É comum o melasma aparecer ou piorar na gestação. Durante a gravidez, o tratamento consiste no uso de um potente filtro solar e de um despigmentante suave como, por exemplo, o ácido azeláico. Ele é um ativo usado principalmente no combate às espinhas, mas que também tem certo poder clareador. Depois do parto, se a mãe estiver amamentando, usa-se ácido glicólico, kójico ou o azeláico. Não se recomenda o uso de hidroquinona ou tretinoína, clareadores mais potentes, durante a gestação, e não há dados que comprovem a segurança do uso durante a amamentação.

Uso minoxidil em fricção no couro cabeludo três vezes por semana. É o suficiente ? Meu cabelo é finíssimo e pouco.
(Denise)

Em primeiro lugar é preciso saber a causa da sua queda de cabelos. Só assim é possível avaliar se o minoxidil é mesmo a melhor opção de tratamento. De qualquer maneira, supondo que o minoxidil seja de fato a melhor conduta a tomar, não basta aplicar o produto três vezes por semana. Os bons resultados são com uso diário, duas vezes ao dia. Mas como o produto pode deixar o cabelo viscoso e difícil de pentear, é aceitável usar apenas uma vez ao dia, todos os dias.

Moro em Cuiabá, onde o sol é extremamente forte. Tenho usado nos últimos meses um protetor solar manipulado em uma farmácia homeopática aqui da cidade. Só que essa semana ao ler sobre alguns medicamentos falsificados, me veio a pergunta: é seguro usar protetor solar manipulado?
(Amanda)

Ao mandar manipular um filtro solar, procure uma farmácia confiável, bem administrada e que tenha um bom farmacêutico responsável.

Por Lucia Mandel - 14:13 | Enviar Comentário  

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