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Transplante de cabelos

terça-feira, 3 de novembro de 2009 | 11:56

calvicie

Com o avançar dos anos, o homem com tendência à calvície vê no espelho uma progressão de eventos padronizada e temida: as entradas aumentam, os fios de cabelo da parte superior da cabeça vão afinando e o couro cabeludo vai aparecendo. Mais anos se passam, mais fiozinhos dão adeus e, sem tratamento, a calvície evolui até um grau que varia com a genética pessoal. Geralmente atinge fios que estão na frente, na parte superior e na coroa do couro cabeludo. Mas existe uma faixa de irredutíveis e heroicos fios, atrás e na lateral, que se mantém praticamente intacta, mesmo em quem tem grande tendência à calvície.

Pois é, nem todos os fios da mesma cabeça têm o mesmo comportamento. Uns estão destinados a cair, outros não. Quem decide o destino de cada fio é a sensibilidade de cada um aos hormônios masculinos. E essa sensibilidade fica na raiz que produz o fio. Uma raiz sensível é lentamente envenenada pelo hormônio masculino: ela diminui de tamanho, em um processo chamado de miniaturização. Consequentemente, produz um fio cada vez mais fino até simplesmente parar de funcionar. A raiz insensível, por outro lado, não se abala: produz seu fio pela vida toda. Justamente naquela faixa lateral e posterior do couro cabeludo, aquele bravo pelotão de fios que resistem à calvície, se concentram raízes insensíveis ao hormônio masculino.

A realocação de recursos

A ideia básica de um transplante de cabelos é a realocação de folículos, nome oficial das raízes. Quando uma raiz não sensível ao hormônio masculino é removida da faixa posterior do couro cabeludo e colocada em uma área calva, ela continua capaz de produzir seu fio de cabelo. O cabelo transplantado cresce normalmente, com a vantagem de ser insensível ao hormônio masculino. Ele não irá afinar ou cair com o tempo.

E o cabelo de boneca?

O efeito estético do transplante depende da técnica e do capricho do cirurgião. Se as raízes não forem separadas adequadamente antes do implante, os cabelos nascem em tufos, resultando em um efeito desastroso parecido com cabelo de boneca. Esse estilo de transplante já ficou no passado. Nos seus primórdios, rodelas de couro cabeludo com diâmetro de um lápis eram removidas da área doadora e enxertadas na área calva. Com o tempo, os enxertos foram ficando cada vez menores e o resultado melhorou sensivelmente.

O transplante baseado na unidade folicular

Através do microscópio, podemos enxergar que nosso cabelo nasce em grupinhos de um, dois, três ou quatro fios juntos. Cada um desses grupinhos é chamado de unidade folicular. As unidades foliculares ficam espalhadas por todo o couro cabeludo. Mas existem particularidades. Por exemplo, na linha da frente, há preferencialmente unidades foliculares de um fio só.

Hoje em dia um bom transplante de cabelos implanta unidades foliculares, e não rodelas de couro cabeludo. O passo a passo é assim: o cirurgião remove uma faixa de cabelos da área doadora. Com a ajuda de microscópios especiais, auxiliares isolam uma a uma as unidades foliculares dessa faixa. Ao final, o cirurgião tem nas mãos grupos de unidades foliculares com um, dois, três ou quatro fios. O cabelo é então implantado na área desejada, através de pequenas incisões feitas com uma lâmina de bisturi muito fina.

Em geral, as unidades foliculares de um fio são colocadas na linha de frente, próximas à testa. As unidades com maior número de fios vão preferencialmente para trás, conferindo maior densidade. Existem várias sutilezas na hora da colocação dos implantes, como o tamanho e a profundidade da incisão, sua angulação e seu direcionamento. Essas variáveis influenciam o resultado final. Um bom cirurgião, com uma equipe preparada, consegue imitar a natureza. Há casos em que é difícil perceber que o cabelo é transplantado, mesmo se olharmos de perto.

Se o que você mais deseja da vida é o seu belo topete de volta, procure um bom profissional e vá tirando da gaveta seus pentes e escovas.
Leia mais sobre calvície masculina.

Por Lucia Mandel

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Envelhecimento das mãos

terça-feira, 27 de outubro de 2009 | 9:38

maos-velhas

Tenho 43 anos e percebi que minhas mãos estão envelhecendo rapidamente, a pele ficou ressecada e estão surgindo manchas senis. Qual o melhor tratamento? Existe algum modo de prevenir que o problema se agrave?
(Roberta)

Roberta, muita gente se preocupa com o envelhecimento do rosto e esquece de outras áreas como pescoço, colo e mãos. Antes das dicas para cuidar das suas mãos, você precisa saber o que causa o envelhecimento da pele.

Os inimigos

Existem dois grupos de fatores que causam o envelhecimento da pele: os fatores internos e os externos.

Os internos são determinados pela genética. Independem do que a gente faça, e fogem ao nosso controle. Pela genética, a partir dos 30 anos diminui a produção de colágeno e elastina, proteínas que dão firmeza e elasticidade à pele. A hidratação natural da pele também é afetada. A pele das mãos vai ficando fina, menos elástica e ressecada. Como se não bastasse, com o tempo a quantidade de gordura sob a pele diminui. Por isso, veias e tendões das mãos ficam visíveis.

Os fatores externos são agentes do meio ambiente que aceleram o envelhecimento da pele. Nesse grupo, o estilo de vida conta muito. O principal agente externo de envelhecimento das mãos é o sol. Quer uma prova? Estique os braços para frente e olhe a pele do dorso das mãos e dos braços. Agora compare com a pele da parte interna dos braços. É menos manchada, não é? Essa diferença acontece porque um lado do braço toma sol enquanto o outro não.

No caso das mãos, outro fator externo é o contato com produtos químicos, como detergentes e sabões, que ressecam a pele. Por isso, muitas donas de casa têm mãos sensibilizadas. Se esse for seu caso, minimize o contato com detergentes. Use luva ao lidar com produtos de limpeza e hidrate constantemente as mãos com cremes potentes, que podem ser prescritos por um dermatologista.

Prevenindo o envelhecimento

Precisa falar? Evite se expor ao sol forte e passe diariamente nas mãos um filtro com FPS 30 ou mais. Como uma parcela dos raios solares ultrapassa o vidro das janelas, aplique o protetor mesmo se ficar dentro de casa. Uma dica que vale ouro: deixe um frasco com filtro solar no carro e passe o creme nas mãos antes de ligar o motor. Ou então, use luvas com tecidos especiais que bloqueiam os raios ultravioleta. Assim você previne manchas e preserva o colágeno da sua pele.

Os tratamentos

1.    Cremes. Além do filtro solar, use nas mãos hidratantes que contenham, por exemplo, um ou mais desses elementos: uréia, lactato de amônio, ácido hialurônico ou silicone. Você também pode usar cremes à base de ácido retinoico à noite, e isso deve ser prescrito por um dermatologista. O tratamento com cremes hidrata, melhora a textura da pele e retarda o envelhecimento, mas dificilmente remove manchas.

2.    Laser para manchas. O tratamento com laser ou luz pulsada para remover manchas senis é fantástico. Bastam algumas sessões e as manchas somem ou suavizam consideravelmente. O laser queima a mancha sem agredir a pele normal. Depois da sessão surgem casquinhas que caem em duas semanas.

3.    Laser para estimular o colágeno. Boas opções são os laseres fracionados, como o Fraxel ou o Pixel. Eles agridem a pele em pontinhos salteados e estimulam a formação de colágeno novo.

4.    Peelings químicos. Gosto do efeito dos peelings à base de ácido tricloroacético (ATA), que removem manchas e melhoram a qualidade do colágeno. Esse tratamento requer cuidados após a sessão, pois a pele fica muito sensível. O peeling de ATA funciona melhor em pessoas de pele clara. Quem tem pele negra ou morena não deve se submeter a esse tratamento, sob risco de as manchas se agravarem.

5.    Ácido hialurônico injetável. O ácido hialurônico (aquele que se usa nos preenchimentos faciais) absorve muita água. Por conta dessa característica, surgiram formulações com ele que, injetadas na pele, incrementam a hidratação local. O efeito é pele rejuvenescida e mais firme. Para o tratamento dar certo, é preciso repetir a aplicação algumas vezes por ano.

A decisão de qual tratamento é melhor para você vai depender da avaliação do seu dermatologista. Boa sorte.

Por Lucia Mandel

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Sol e lábios, uma perigosa combinação

terça-feira, 20 de outubro de 2009 | 13:57

labio

Caso 1

Passei uns dias em Santa Catarina. Para chegar ao hotel, só de jangada. O jangadeiro, descendente de alemães, tinha lábios inchados, vermelhos e descascando. Isso tem um nome, queilite actínica, uma alteração causada pela exposição ao sol. Não é bom ter queilite actínica, ela pode virar câncer. Saquei um protetor solar labial da bolsa e ofereci a ele, que recusou:  “Não uso essas coisas.” Insisti que ele fosse a um médico ver o que estava acontecendo com seus lábios.

Caso 2

Em agosto escrevi um post sobre como cuidar da saúde dos lábios, que mencionava a importância de se usar protetor solar labial. Minha leitora mais assídua, minha mãe, saiu-se com essa:  “Impossível. O protetor deixa um gosto ruim na boca”. Ela achou a recomendação pouco prática. Hoje, dois meses depois, mudou de ideia. Nesse meio tempo houve um caso de queilite na nossa família. O final da história não foi ruim, pois a lesão foi percebida no começo, quando ainda era milimétrica e curável com cirurgia.

O câncer de lábio

Você sabe que sol predispõe a câncer de pele, certo? E quanto ao câncer de lábio, já parou para pensar nesse detalhe? Provavelmente não, como a maioria das pessoas, que lambuzam (com razão) o corpo todo de filtro solar e se esquecem dos lábios. Isso é um erro. Lábios também são agredidos pelos raios ultravioleta, que predispõem ao câncer. Eles são muito sensíveis ao sol: têm pele fina e não contam com a ajuda da melanina, pigmento que protege contra o sol. Os raios ultravioleta alteram o DNA das células do lábio. O fumo também aumenta o risco de câncer de lábio.

O câncer de lábio atinge quem passou dos 40 e por isso mesmo já tomou bastante sol. Homens são mais afetados que mulheres, e há razões para essa diferença. Uma é que o batom comum, mesmo aquele que não inclui filtro solar na formulação, já funciona como barreira aos raios solares. Outra é que a taxa de incidência nos homens é engrossada por trabalhadores rurais que passam a vida ao sol, sem proteção.

O câncer afeta dez vezes mais os lábios inferiores do que os superiores. É mais uma evidência de que o sol está na origem do problema: o lábio inferior é anatomicamente mais exposto ao sol que o superior.

O tratamento

Quanto antes a alteração no lábio for identificada e tratada, melhor. Casos iniciais de queilite ou de câncer no lábio são facilmente resolvidos com cirurgia. Nos casos mais avançados, a remoção deve ser ampla e pode comprometer a estética labial ou mesmo a abertura da boca. E existe a possibilidade de que um câncer de lábio em estágio avançado se espalhe para outros órgãos, na forma de metástases.

Por isso, proteja sua pele sem esquecer seus lábios. Use protetor labial sempre que for à praia ou piscina e sempre que praticar esportes ao ar livre. Procure um médico se aparecer no lábio uma ferida, mancha ou casquinha que não cicatrize em 15 dias.

Por Lucia Mandel

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Como tratar o melasma

terça-feira, 13 de outubro de 2009 | 10:40

rosto-sol

Eu tenho 33 anos, não tenho filhos, mas há 6 anos tenho manchas de melasma. Devo usar bloqueador solar? Parei de tomar anticoncepcional. Existe algum que poderia tomar sem piorar as manchas? Qual o nome e onde posso comprar o remédio oral para tratar melasma? Pretendo engravidar este ano, teria algum problema em continuar usando? Melasma é o meu martírio.
(Daniela)

Daniela, sua angústia é compreensível. Infelizmente, o melasma causa grande sofrimento. Nas pessoas afetadas, manchas escuras invadem o rosto e atingem as bochechas, a testa, o nariz e a pele que fica logo acima do lábio superior. A intensidade e extensão das manchas variam caso a caso. Mas com um tratamento adequado e rigoroso, um pouco desta angústia pode ser amenizada. Antes de responder às suas perguntas e detalhar o tratamento, vamos ver os dois fatores principais que acentuam o escurecimento em quem tem tendência a melasma:

As mulheres são as principais vítimas. E a culpa é dos hormônios femininos

O melasma atinge especialmente as mulheres. Homens representam menos de 10% dos casos. É que um dos fatores agravantes são os hormônios femininos. Por isso, nos momentos em que a concentração de hormônios femininos no organismo aumenta, o melasma pode piorar. Isso acontece em mulheres que estejam tomando pílula anticoncepcional ou em gestantes.

O sol como inimigo

A exposição ao sol sem protetor solar piora as manchas. Mas, mesmo com filtro, elas podem escurecer. Por isso, toda a proteção é pouca. Quem tem melasma deve usar todos os dias um bom filtro solar, mesmo se o sol não estiver forte.

Agora, as respostas:

1. Filtro solar é fundamental. Portadores de melasma devem usar continuamente um filtro solar potente. Preste atenção aos seguintes itens:

a. Fator de Proteção Solar. Escolha FPS 30, no mínimo. O número indica a proteção contra os raios ultravioleta B, ou UVB.

b. Proteção anti-UVA. Os raios ultravioleta A (UVA) agravam o melasma. Procure um filtro que estampe no rótulo a informação de que é eficaz contra UVA. Hoje em dia, quase todos os bons filtros solares protegem contra UVA. Mas nem sempre foi assim: até há pouco tempo a proteção era preferencialmente anti-UVB. Um detalhe: os raios UVA atravessam o vidro das janelas. Assim, use o filtro mesmo se você ficar dentro de casa ou do carro. E mais: os raios UVA estão presentes desde a manhã até o final da tarde. Significa que você precisa aplicar o filtro logo cedo e reaplicar a cada 3 horas, até o final do dia.

c. Filtros físicos x Filtros químicos. Existem vários ingredientes ativos que podem compor um filtro solar. Eles se dividem em dois grupos básicos: os ingredientes físicos e os ingredientes químicos. Em geral, o protetor comprado na farmácia mistura os dois tipos na sua composição, em proporções variadas. Os ingredientes físicos refletem a luz do sol. Os químicos a absorvem e a transformam em calor. Para quem tem melasma, o mais indicado são protetores compostos por uma alta proporção de filtros físicos. O inconveniente é que dão um efeito branco e opaco e têm textura espessa. Mas alguns deles vêm com uma cor de base, para disfarçar o tom branco indesejável. Bons ingredientes físicos são o óxido de zinco e o dióxido de titânio.

2. A pílula anticoncepcional

Como o melasma se intensifica com hormônios femininos, a pílula nesse caso é um veneno para a pele. Mesmo pílulas de baixa dosagem agravam as manchas. Converse com seu ginecologista sobre outro método contraceptivo indicado para seu caso.

3. A gravidez

É comum que o melasma piore durante a gestação. Nessa fase, a atenção no uso do protetor deve ser redobrada. Quanto aos tratamentos, há clareadores especiais que podem ser usados durante a gravidez, mas a utilização deles precisa ser supervisionada por um dermatologista.

4. Os tratamentos

O melhor tratamento clareador para o melasma é à base de cremes. As respostas ocorrem após semanas ou meses de uso de cremes, como os à base de tretinoína, hidroquinona e cortisona. Uma boa medida é associar peelings clareadores e renovadores da pele ao tratamento domiciliar. Completado o clareamento das manchas, é fundamental que você siga com um tratamento de manutenção. Caso contrário, é quase certo que as manchas voltarão. As pessoas que não melhoram com cremes clareadores, podem recorrer ao tratamento com laser.

5. O tratamento por via oral

Cada vez mais se discute a utilização de comprimidos à base de anti-oxidantes contra os efeitos do sol. A vitamina C, a vitamina E e o picnogenol têm se mostrado promissores. O efeito de um tratamento por via oral, no entanto, ainda é controverso. Na minha opinião, casos mais complicados podem se beneficiar de um tratamento desses. Mas se você se submeter a um tratamento desse tipo, deve interrompê-lo durante a gravidez.

Por Lucia Mandel

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Alopecia areata e internet

terça-feira, 6 de outubro de 2009 | 15:06

cabeca-modelo

Há alguns anos participei de uma discussão sobre o tratamento de uma moça com alopecia areata universal. Nessa doença, todos os cabelos e pelos do corpo caem. A cabeça fica lisa, não sobram cílios, sobrancelhas, nem qualquer pelo. A garota, de 20 anos, já havia passado por vários tratamentos. O melhor resultado para o crescimento de cabelos foi com cortisona por via oral. Mas esse tratamento tem sérios efeitos colaterais, como hipertensão, diabetes, osteoporose. Quem toma cortisona por muito tempo ainda ganha peso, espinhas e estrias largas. Como essas complicações estavam começando a acontecer, o tratamento precisava ser suspenso. Ao escutar o diagnóstico, a garota chorou. Preferia qualquer coisa a não ter cabelos.

O que angustia quem tem alopecia areata, doença auto-imune que afeta pelos e cabelos, é que ela é visível. Não há nenhuma doença interna que ameace a saúde - apenas em uma minoria dos casos há associação com doenças como alterações de tireoide, por exemplo. Mas por estar à vista de todos, causa estranhamento e abala a auto-estima. Nessa hora, talvez ajude ouvir quem também está passando pela mesma situação. A internet pode unir essas pessoas.

Selecionei dois sites que reúnem pacientes e informações: o da National Alopecia Areata Foundation e o da Alopecia World. Infelizmente não encontrei um site tão completo na nossa língua. Esses sites explicam detalhadamente todos os tipos de alopecia areata: na forma de placas, quando surgem áreas ovaladas sem cabelos, na forma de alopecia total, quando todos os cabelos caem, e na forma de alopecia universal, quando cabelos e pelos caem.

Além de explicar as causas e opções de tratamento, eles criam solidariedade entre os pacientes. Há espaço para fóruns de discussão, onde cada um conta sua história, algumas muito emocionantes. Dá até para anexar fotos e vídeos. As discussões variam desde como conseguir permissão para o filho usar chapéu na escola (sabia que isso pode ser um problema?), qual o melhor jeito de usar lenço, até informações sobre pesquisas para a cura. Muita gente conta como consegue conviver bem com a doença e com os tratamentos. E há textos de pessoas que ainda não conseguiram superar suas inseguranças.
 
O apoio a quem tem uma doença visível e de difícil tratamento é fundamental. A sensação de conforto acaba ajudando na recuperação, uma vez que a evolução da alopecia é influenciada pelo emocional.

Os tratamentos

Em casos leves, quando a perda de cabelos é localizada, realiza-se infiltração com corticóide. Se for o caso, o tratamento é complementado com produtos de uso local à base de minoxidil, antralina, retinóides ou corticóides. Formas de alopecia areata localizada costumam responder bem ao tratamento.

Nos casos intensos, quando a maior parte dos cabelos cai, o tratamento fica mais complexo, e a resposta aos medicamentos nem sempre é favorável. São aplicadas substâncias de uso local que sensibilizam o couro cabeludo e que controlam o processo de auto-imunidade. A cortisona por via oral, prescrita para a garota cuja história contei, é cada vez menos usada. Apesar de ter bom efeito no crescimento dos cabelos, apresenta muitos efeitos colaterais. E, quando a cortisona é suspensa, o cabelo cai novamente.

Por Lucia Mandel

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Filtro solar e saúde da pele

terça-feira, 29 de setembro de 2009 | 11:19

57358317

Neste mês a Academia Americana de Dermatologia mudou sua orientação padrão sobre o uso dos filtros solares. Até hoje a recomendação era usar um filtro com fator de proteção solar (FPS) igual ou maior que 15. Agora, a recomendação é escolher um filtro com FPS 30 ou mais. Nesse texto, explico o porque da mudança.

O que significa FPS?

O FPS indica quanto tempo a mais você pode se expor ao sol antes de ficar vermelho. Por exemplo, se você fica vermelho depois de 10 minutos exposto ao sol sem proteção, ao aplicar um FPS 15 esse tempo se multiplica por 15. Nesse caso você pode ficar ao sol por 150 minutos antes de ficar vermelho. Usando FPS 30, serão 300 minutos. Mas o FPS indica a proteção somente contra os raios UVB. Os raios ultravioleta A (UVA) não contam na determinação do FPS. A medida da proteção anti-UVA é outra e também está indicada no rótulo dos filtros solares.

Modo de aplicar

A mudança na recomendação americana não se deve à ineficácia de um filtro com FPS 15. Se for bem aplicado, ele preserva a saúde da pele. O problema é que quase ninguém usa o filtro da maneira padronizada nos testes de medição do FPS. Isso porque a quantidade padrão usada no teste é muito maior que a aplicada na vida real. Para dar uma idéia: uma pessoa com 1,60m e 70kg precisaria aplicar 30g de filtro antes de ir à praia para garantir que o FPS seja aquele impresso no rótulo. Se levarmos em consideração a reaplicação depois de 3 horas de praia, são mais 30g. Assim, em dois ou três dias essa pessoa consumiria um tubo de 120ml de filtro para garantir o FPS do rótulo.

O bom senso diz que há algo errado nessa conta. Praticamente não existe quem use essa quantidade de filtro solar.

Usando menos filtro que a quantidade padrão, o grau da proteção cai. A pessoa acha que está com o FPS indicado no rótulo, mas na prática está com um FPS menor. Baseada nessas considerações, a Academia Americana de Dermatologia decidiu pela segurança. A orientação quanto ao valor mínimo do FPS aumentou para que as pessoas não se iludam com uma falsa sensação de proteção. Lembre-se: agora, praia só com FPS 30 ou mais.

Por Lucia Mandel

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Como tratar a celulite

terça-feira, 22 de setembro de 2009 | 7:00

No verão, um dos métodos mais utilizados contra a celulite é a canga amarrada na cintura. A boa notícia é que existem outros métodos, e essa coluna vai mostrar alguns deles. Mas antes, algumas considerações. Primeiro, lembre-se que quase toda mulher tem celulite (só as de revista não têm, mas aí o remédio milagroso é o Photoshop). Umas têm mais, outras menos. Pode-se dizer que a celulite praticamente faz parte da anatomia da mulher, é inevitável. Mas o grau varia conforme características genéticas, hormonais e hábitos de vida.

Outra consideração: o melhor modo de lutar contra a celulite é ter um estilo de vida saudável. Pouco adianta se submeter a tratamentos sofisticados e caros se você não se alimentar corretamente ou levar uma vida sedentária. O efeito do tratamento, nesse caso, não dura. Lembre-se que você tem que superar oponentes fortíssimos, que estimulam a formação da celulite, como tendência genética e presença de estrógeno, um hormônio feminino.

Agora sim. Considerações feitas, leia nesse texto quais são os melhores modos de combater sua celulite.

Você precisa ter força de vontade e tempo. Por exemplo, para fazer ginástica, já que levar vida sedentária é pedir para ter celulite. Também é importante planejar um bom cardápio, comprar os alimentos certos e prepará-los adequadamente. Não é fácil, a rotina corrida nos faz ceder aos alimentos prontos congelados ou à tentação das frituras. Outra dificuldade: quem é que gosta de beber mais água do que o necessário para matar a sede? Não é fácil. Mas para diminuir a celulite, são necessários aproximadamente 2 litros de água por dia. Coma frutas, verduras e legumes frescos. Inclua no cardápio alimentos integrais, com alto teor de fibras, que ajudam a digestão. Evite frituras e gorduras em excesso, doces, refrigerantes, e não exagere no sal e nas bebidas alcoólicas.

Se você fuma, pare. Isso aumenta o problema. E, para quem toma pílula anticoncepcional, um alerta: ela contribui para a celulite. Quanto maior a dosagem hormonal, pior. Mesmo pílulas de baixa dosagem dão sua contribuição indesejada.

Os tratamentos

Quando um problema tem muitas opções de tratamento, ou ele é muito fácil de resolver, ou muito difícil. No caso da celulite, a existência de várias opções indica que nenhuma é ideal. Não existe tratamento milagroso. Nada é 100% eficiente, e os resultados não são definitivos. Mesmo assim vale a pena investir em um tratamento, pois a celulite fica mais discreta. A escolha depende da avaliação do médico, e o resultado varia com as características individuais. Selecionei para este post os métodos que considero melhores.

Os tratamentos se baseiam em algumas premissas: diminuir o acúmulo de líquidos e gordura nas pernas, melhorar a circulação e melhorar a qualidade do colágeno que sustenta a pele da área afetada.

1. Drenagem linfática manual. É uma massagem suave com movimentos que vão dos pés para a cintura, acompanhando o caminho dos vasos linfáticos. A retenção de líquidos e o inchaço nas pernas diminuem e, nos casos leves de celulite, o resultado é bom. É simples, eficaz, barato e muito popular. Casos moderados ou severos de celulite requerem tratamentos mais intensos, mas a drenagem não deve ser abandonada porque serve como um complemento e ajuda a manter os resultados.

Conforme a indicação do médico, além da drenagem linfática, pode-se associar tratamentos mais intensos.

2. Intradermoterapia. É a injeção de medicamentos sob a pele, diretamente na área afetada pela celulite. Melhora a circulação e ajuda a quebrar e esvaziar células de gordura. O tratamento dói, mas funciona.

3. Ultrassom. Quebra e esvazia células de gordura. A aplicação pode complementar o tratamento à base de medicamentos injetáveis.

4. Radiofrequencia. Além de ajudar a esvaziar as células que armazenam a gordura, melhora a firmeza da pele das pernas e glúteos.

5. Radiofrequencia + Luz infravermelha + Massagem. Ataca a gordura, suaviza o inchaço das pernas e melhora a qualidade da pele.

6. Subcisão. Casos muito avançados e com grandes depressões na pele melhoram com a ruptura de fibras de colágeno que repuxam a pele para dentro. Isso é feito através da subcisão, que é um procedimento cirúrgico.

Por Lucia Mandel

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Respostas a leitores

sexta-feira, 18 de setembro de 2009 | 14:38

As perguntas abaixo foram selecionadas pela redação e enviados à colunista. Todas as questões selecionadas foram respondidas por Lucia Mandel. As respostas, porém, não eliminam em nenhum caso ou hipótese a indicação de uma consulta com seu médico de confiança.

Tenho 23 anos, muitas espinhas e muitos pelos na face. Já procurei vários médicos, fiz vários exames, e nada. Há algum tratamento?
(Talita)

Quando uma mulher tem acne após a adolescência e excesso de pelos na face deve-se investigar a existência de algum problema hormonal, como a síndrome dos ovários policísticos. Se isso se confirmar, o distúrbio hormonal deve ser tratado. Mas nem sempre existe uma alteração hormonal por trás dos sintomas na pele. Se seus exames são normais e as doenças hormonais foram excluídas, provavelmente o que você tem é mesmo constitucional. Nesse caso, o dermatologista irá tratar a acne e os pelos indesejados. As espinhas melhoram com produtos de uso local ou de uso oral, e isso fica a critério do seu médico. Os pelos no rosto costumam responder muito bem à depilação a laser. Procure um bom dermatologista.

Acabe com suas espinhas

Existe outro tratamento para espinhas e cravos que não seja com isotretinoína? Que seja tão eficaz, mas não tenha tantos riscos de efeitos colaterais? Outra coisa: comer chocolate piora a situação?
(Ingrid)

A decisão de tomar ou não isotretinoína é mesmo complicada. Apesar de ser um remédio muito bom para as espinhas, tem riscos e efeitos colaterais. Se você não quer enfrentar esses problemas, não desista de tratar sua pele. Existem outros bons tratamentos que controlam cravos e espinhas, como os antibióticos por via oral e os cremes à base de ácido retinoico ou peróxido de benzoíla. Se seu dermatologista julgar necessário, você ainda pode fazer peelings químicos ou limpezas de pele periódicas. Tudo isso é eficaz, mas não dá um efeito definitivo. Significa que você precisa manter o tratamento para evitar que as espinhas voltem. Quanto ao chocolate, não há provas científicas de que ele cause ou piore espinhas. Observe como sua pele se comporta depois que você comer chocolate ou outros alimentos gordurosos. Se ela piorar, evite o alimento.

Tenho 35 anos e adquiri estrias na barriga depois da gravidez. Minha pela é morena clara. O tratamento com Fraxel é bom para o meu caso? Se sim quantas sessões seriam necessárias?
(Ângela)

O Fraxel pode suavizar as estrias, mesmo as antigas e mais difíceis de tratar. A resposta ao tratamento varia de pessoa para pessoa. Há quem melhore muito, mas há quem se decepcione com o resultado. Em média realiza-se cinco sessões, uma por mês.

Estrias, as marcas do corpo

Por Lucia Mandel

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Espinhas aumentam o risco de depressão

terça-feira, 15 de setembro de 2009 | 9:43

espinha

Há algum tempo li um artigo científico que gostaria de discutir aqui. Foi publicado no Jornal da Academia Americana de Dermatologia e mostra como a presença de acne afeta a auto-estima e a satisfação com o próprio corpo entre adolescentes.

O artigo relata os resultados de uma pesquisa com 4.000 adolescentes noruegueses de 18 anos respondendo a um questionário sobre sua qualidade de vida. Algumas perguntas:  “Tenho orgulho de mim mesmo?”, “Existem momentos em que me sinto inútil?” Também foram feitas perguntas sobre o quanto o adolescente estava satisfeito com seu corpo. Sobre espinhas, uma única pergunta: “Você teve espinhas na semana passada?”, sendo as opções de respostas:  “não”, “um pouco”, “relativamente muita” ou “muita”.

Com as respostas, foram separados dois grupos. Quem respondeu que teve “relativamente muita” ou “muita”, entrou para o grupo de “adolescentes com acne”. Os outros ficaram no grupo “sem acne”. E foram feitas comparações.

No grupo afetado pelas espinhas, houve mais gente se sentindo inútil e com pouco amor-próprio. Os autores concluíram que houve maior taxa de depressão e baixa auto-estima entre os adolescentes com acne. Um detalhe: as garotas com espinhas mostraram maior índice de sentimentos depressivos que os garotos.

Mais profundo que a pele

Em meu consultório vejo muitos adolescentes sofrendo com suas constantes espinhas. Realmente não é nada fácil, apesar de muitas pessoas acharem que é natural, coisa de adolescente, um incômodo que vai passar logo. Porém, mais do que uma questão cosmética, espinhas podem causar depressão e ansiedade. Principalmente em uma fase da vida onde a auto-imagem ainda está se consolidando, quando relações pessoais são fortalecidas, e a insegurança é grande. Como se não bastasse, é nessa conturbada fase que o adolescente toma decisões importantes sobre seu futuro pessoal e profissional.

Procure tratamento

Quando encorajo o adolescente e seus pais a procurar solução para a acne, sei que estou cuidando não só da pele, mas de todo um estilo de vida dele e da sua família. As espinhas atormentam dia e noite o adolescente e podem deixar marcas profundas.

Fonte: Self-esteem and body satisfaction among late adolescents with acne: Results from a population survey (Journal of the American Academy of Dermatology, vol 59, pags 746-751).

Por Lucia Mandel

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Respostas a leitores

sexta-feira, 11 de setembro de 2009 | 14:04

As perguntas abaixo foram selecionadas pela redação e enviados à colunista. Todas as questões selecionadas foram respondidas por Lucia Mandel. As respostas, porém, não eliminam em nenhum caso ou hipótese a indicação de uma consulta com seu médico de confiança.

Tenho pelos já brancos na barba, estes também podem ser eliminados pelo procedimento a laser?Há algum tempo me informaram que pelos brancos não são removíveis a laser, espero que isto tenha mudado.
(Jovino)

 Jovino, isso ainda não mudou. Pelos brancos não respondem à depilação a laser. Cor branca não absorve a luz do laser. Assim sendo, as raízes dos pelos brancos não se aquecem o suficiente para serem destruídas. 

Existe algum perigo no uso do laser, ao fazer a barba, por exemplo, de aparecimento de queloides?
(Ricardo)

É possível fazer depilação a laser em pessoas com tendência a queloides. Mas a energia usada na sessão precisa ser dosada. Isso diminui a agressão à pele e, assim, o risco de se desenvolverem queloides é minimizado. Nesse caso, como a energia do laser é menor, o número de sessões necessárias para se completar o tratamento é maior que o habitual.

O laser para depilação pode ser aplicado nas sobrancelhas?
(Carlos)

O laser é capaz de eliminar os pelos das sobrancelhas, mas eu não indico esse tratamento. A maioria dos aparelhos de laser tem ponteiras grandes, incapazes de fazer com precisão o delicado desenho da sobrancelha. No entanto, se suas sobrancelhas são unidas, os pelos que ficam acima do nariz podem ser removidos com laser.

Por Lucia Mandel

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