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21/05/2013

às 8:16 \ Tratamento

Banho com água sanitária

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Tenho medo de água sanitária. Já estraguei várias roupas com ela, que viraram blusas e calças hippies, cheias de manchas psicodélicas e bolinhas brancas (e eu nunca tive vocação para hippie). Mas uma notícia veio redimir o produto. É essa novidade que eu vou contar no post a seguir.

A Dermatite Atópica

Quem tem dermatite atópica moderada ou severa pode piorar sua condição pela ação de bactérias, em especial o Staphylococcus aureus. Ela é uma bactéria muito comum, frequentemente encontrada em nossa pele, narinas e vias aéreas. Pela estimativa, 20% da população sem dermatite convive com o Staphylococcus. Na maioria das vezes, essa convivência é pacífica. Mas, em portadores de dermatite atópica, a proliferação bacteriana é mais frequente e pode agravar a condição de pele. Estima-se que o Staphylococcus é encontrado em 80% ou mais dos pacientes com dermatite atópica moderada ou severa.

Banho antibacteriano

Um estudo com a ideia de adicionar água sanitária (hipoclorito de sódio, que tem ação antibacteriana) ao banho foi publicado em 2009 na revista especializada americana Pediatrics.

Neste estudo, 31 crianças e adolescentes com idade de 6 meses a 17 anos, com dermatite atópica moderada ou severa, foram divididos em dois grupos. O primeiro grupo tomava banhos de banheira com pequena quantidade de água sanitária diluída na água. Os banhos incluíam todo o corpo, exceto rosto e pescoço. E, para diminuir a chance de as bactérias das vias aéreas chegarem à pele, os banhistas aplicavam um creme à base de antibiótico dentro do nariz (como citei anteriormente, o nariz é um grande foco de bactérias). Os banhos aditivados com água sanitária foram realizados duas vezes por semana, e o antibiótico no nariz foi aplicado por cinco dias consecutivos, uma vez por mês. O segundo grupo não adicionou água sanitária aos banhos, e aplicou nas narinas um gel placebo (ou seja, sem efeito nenhum) à base de vaselina.

Depois de três meses houve melhora da dermatite no grupo dos banhos aditivados. A melhora foi grande em toda a pele do corpo, exceto no rosto e no pescoço, que tinham ficado de fora do banho.

Pois bem, a última edição do Jornal da Academia Americana de Dermatologia traz um extenso artigo chamado “O que há de novo em dermatologia pediátrica?”. Nele, um dos assuntos é justamente esse detalhe no tratamento da dermatite atópica: o banho com água sanitária. A Academia reconhece como válido e recomenda esse método.

Como preparar o banho

Não recomendo sair colocando água sanitária no banho por conta própria. Antes disso, converse sobre o assunto com seu dermatologista. De toda maneira, o modo de usar é esse: em uma banheira de uso adulto com água pela metade, adicione um quarto de xícara de água sanitária. Permaneça sob a água por 5 a 10 minutos.

Depois, enxágue o corpo com água do chuveiro. E, depois de se enxugar, aplique o hidratante como sempre. Repita o processo duas vezes por semana.

Por Lucia Mandel

14/05/2013

às 10:32 \ Doenças, Tratamento

Herpes labial

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Será que as bolhinhas que apareceram dois dias antes do casamento somem até lá? Tem o garoto que não quer aparecer com  lábios inchados na escola. E a namorada, pode beijar ou ela vai ser contaminada? Os e-mails que eu recebo revelam ansiedade e desorientação. Selecionei algumas dúvidas recorrentes sobre herpes labial que quero esclarecer.

De onde vem? Qual seu modo de transmissão?
O herpes labial é causado por vírus, em geral o herpes simplex tipo 1. A transmissão é por contato direto como beijo, ou indireto como copo ou batom infectado. A maioria das pessoas adquire o herpes na infância e as lesões aparecem só muitos anos depois.

Mesmo eu tomando todos os cuidados na fase das feridinhas, meu namorado pode pegar herpes labial?
Enquanto você estiver com as feridas, não beije seu namorado, mantenha suas mãos sempre lavadas, não empreste sua toalha, nem copo ou talher. Esses cuidados diminuem o risco de contágio. Mas o risco existe, pois para haver contágio não é necessário estar com as feridinhas. Ajuda saber que aproximadamente 90% das pessoas já foram contaminadas na infância, mesmo que muitas delas nunca tiveram e nunca terão qualquer sintoma de herpes.

O herpes aparece no meu lábio sempre que pego sol. O que faço para prevenir?
O sol pode de fato ativar o herpes que está dormente, e é o que acontece com você. Conhecendo sua reação, não se exponha demais ao sol e proteja seus lábios com filtro solar. 

Nunca tive nenhum sintoma de herpes, mas voltei da praia com essas feridinhas. É possível ter sido contagiada na infância e só aparecer agora que tenho 29 anos? E mais, por que de outras vezes que tomei sol até mais tempo não apareceu nada?
Em geral, quem foi contaminado na infância começa a ter as feridinhas na adolescência. Mas se elas aparecem só mais tarde é melhor, não é? Outra possibilidade, que não é frequente, é você ter sido contaminada na idade adulta. Quanto ao sol, pode ser que dessa vez seu organismo estava mais fragilizado e portanto mais vulnerável à ação nociva do vírus.

Sempre tenho herpes labial, mas agora apareceu herpes no meu nariz. Se nunca tive no nariz, porque só agora?
O nariz pode ter sido contaminado com o vírus que estava no lábio. Por exemplo, ao fazer a barba. Ou ao assoá-lo, o lenço pode ter esbarrado no lábio. Ou mesmo sua mão pode ter espalhado o vírus. Tome cuidado para não se auto-contaminar, seja com lenço, lâmina de barbear ou mão.

Tenho herpes nos lábios. De vez em quando aparecem nas minhas mãos as mesmas bolhas que aparecem nos meus lábios. Pode ser herpes?
Pode. Apesar de ser mais comum nos lábios, o herpes pode aparecer no rosto, mãos, ou em qualquer outra parte do corpo.

O que é indicado para o tratamento do herpes: pomada ou comprimido?
São indicados antivirais, tanto pomada quanto comprimidos. Os comprimidos são mais eficazes, principalmente se usados assim que você sentir queimação ou coceira, os primeiros sintomas anunciando a chegada do herpes.

Quanto tempo demora para sarar ? Amanhã tenho um casamento…
Pena, não vai sarar a tempo. Sem tratamento leva de 7 a 10 dias até as bolhas secarem. Com tratamento à base de pomada esse tempo diminui um pouco, e com tratamento via oral diminui ainda mais, mas mesmo assim serão necessários 3 a 5 dias para a recuperação. Se as bolhas já estão secas, experimente usar no casamento um corretivo para disfarçar.

O que faço para amenizar o inchaço e a dor? Passar gelo é correto?
Passar gelo diminui o incômodo, sim. Mas o modo mais efetivo de diminuir o inchaço e a dor é tomar medicamentos antivirais.

Tenho crises de herpes praticamente todos os meses. Existe algum tratamento preventivo para diminuir essas crises ?
Quem tem crises de herpes labial com muita frequência pode tomar preventivamente medicamentos antivirais. O tratamento de prevenção pode ser mantido por meses, e isso deve ser monitorado por um médico. Ao mesmo tempo, pesquise, junto com seu médico, se algum fator, como stress ou excesso de sol, pode estar contribuindo para desencadear seu herpes.

Por Lucia Mandel

07/05/2013

às 10:37 \ Doenças, Tratamento

Dermatite atópica

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Meu filho de 5 anos tem dermatite atópica. Ele pode fazer natação?

Crianças com dermatite atópica têm a pele sensível e propensa a alergias e irritações. Os fatores que desencadeiam as crises são vários. E muitos  fazem parte do dia a dia de qualquer criança. Ou seja, para quase toda criança com dermatite atópica, é quase impossível fugir totalmente dos fatores desencadeantes de crise.

Os desencadeantes

Contato com tecidos sintéticos, por exemplo, pode deflagrar a crise. Ou então, uso de perfumes ou de maquiagens, mesmo as infantis. Pó e ácaros também podem deflagrar ou agravar a dermatite. Existem fatores desencadeantes ainda mais difíceis de serem evitados. O suor, por exemplo, pode causar dermatite. E outro desencadeante muito presente na vida de qualquer criança é a piscina.

A piscina

Criança que faz natação entra em contato regular com produtos agressivos para a pele, como algicidas e cloro. Mas não é só isso. Depois da natação, a criança vai direto para um banho quentinho, com muito shampoo e sabonete, que é para tirar todo aquele cloro. E o excesso de sabonete e a água quente também piora a dermatite. Assim, fazer natação é desafiador para quem tem dermatite atópica.

Como em muitas situações na vida, também aqui devemos pesar prós e contras. E, no caso da natação, os prós são tão fortes que não é correto deixar de mandar uma criança atópica à natação.

Mas, depois da aula, a criança deve passar uns bons minutos debaixo de uma ducha morna ou fria. Neste banho, ela deve usar shampoo e sabonete adequados à pele atópica. Finalmente, antes de se vestir, a criança deve usar uma boa quantidade de hidratante no corpo todo.

Quando a criança está fora de uma crise, esses cuidados costumam ser suficientes. Em momentos de crise, além dos cuidados acima entram em cena medicações como cremes à base de cortisona ou uso de anti-histamínicos por via oral. Se mesmo com o tratamento não houver melhora da pele, pode ser o caso de interromper a natação por uma ou duas semanas. Isso deve ser discutido com o pediatra ou dermatologista.

De qualquer modo, para que uma criança atópica consiga frequentar a natação sem interrupções, é importante evitar outros fatores desencadeantes, manter a pele hidratada no dia a dia e as demais orientações recomendadas pelo dermatologista ou pediatra da criança.

Por Lucia Mandel

30/04/2013

às 11:31 \ Corpo, Respostas

Suor, Botox e poesia

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“A cura para qualquer coisa é água salgada: suor, lágrimas ou o mar.”

(Isak Dinesen, escritora)

O suor tem a sua beleza poética. Isso na literatura. Porque, na realidade, geralmente ele incomoda bastante. Pessoas que suam demais nas axilas acabam enfrentando constrangimentos no dia a dia. Um gesto simples como levantar os braços vira um problema. A roupa também: usar uma camisa só durante o dia inteiro pode não ser suficiente. O que fazer? Um poema sobre o sofrimento sem fim? Não precisa. Uma saída é aplicar desodorante antiperspirante algumas vezes ao dia. Também ajuda usar somente roupas de fibras naturais. E, se isso não for suficiente, existem outras soluções.

Investigue as causas do suor

Em pessoas que suam demais precisam ser investigadas doenças ou condições que aumentam o suor. E tratadas, se for o caso. É importante pesquisar alterações hormonais como doenças na tireoide. Excesso de peso também pode aumentar o suor, assim como certas doenças neurológicas ou o uso de alguns medicamentos.

O Botox como antiperspirante

Se o excesso de suor nas axilas é uma característica pessoal, o tratamento com Botox funciona bem. A aplicação é simples e rápida, feita em consultório médico. A toxina botulínica é injetada sob a pele, por toda a axila. A dor é tolerável e amenizada por cremes anestésicos. A aplicação bloqueia a atividade das glândulas de suor por seis meses, em média. Se der certo, você pode repetir o tratamento. É um tratamento caro, mas o resultado é bom.  

Quais outros tratamentos?

O antiperspirante à base de cloreto de alumínio é outra opção. Como funciona? Ele entope os dutos das glândulas de suor, impedindo que o suor chegue à pele. Esse antiperspirante deve ser usado uma ou duas vezes ao dia e funciona bem nos casos leves, mas não tem um resultado tão positivo nos casos de suor intenso. Há também medicamentos por via oral, que, por conta dos efeitos colaterais, são pouco indicados. Também existe uma alternativa cirúrgica, que deve ser avaliada com muito cuidado por causa de problemas como a compensação do suor, que pode acabar se intensificando em outras áreas do corpo.

Por Lucia Mandel

23/04/2013

às 10:47 \ Beleza

Acne na gravidez

 

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Estou grávida e parece que voltei à adolescência. Estou cheia de espinhas!  O que posso fazer? Creme anti-acne é perigoso durante a gravidez?
(Claudia)

Claudia, a mudança hormonal da gravidez pode aumentar a oleosidade da pele e causar espinhas. E aí vem essa dúvida sobre o que fazer, muito justificada, já que nem todos os tratamentos anti-acne podem ser usados nesta fase. O primeiro passo é procurar um dermatologista.

Produtos proibidos  e produtos permitidos

Dentre os ativos não recomendados, estão alguns dos mais usados contra espinhas. É o caso da isotretinoína e do ácido retinoico. Estão também nessa lista o ácido glicólico em altas concentrações e alguns antibióticos por via oral.

Mas existem alternativas, como o ácido azelaico e o peróxido de benzoíla. O ácido azelaico é um ativo mais suave, mas que também é útil como clareador de manchas. Isso pode ser interessante, pois as gestantes têm tendência a desenvolver manchas escurecidas na pele. Já o peróxido de benzoíla é mais potente, mas pode deixar a pele sensível no início do tratamento. Assim, a melhor indicação varia.

Medidas que ajudam

-Lave seu rosto com água fria ou morna duas vezes ao dia. Sabonetes à base de enxofre são permitidos e podem ser úteis no controle da oleosidade.

-Use um filtro solar em gel ou loção oil free, com FPS 30 ou mais, anti UVA e UVB. O filtro solar é item essencial durante o uso de cremes anti-acne, que sensibilizam a pele. Ele pode prevenir manchas, já que muitas gestantes têm tendência ao aparecimento de melasma.

-Se você gosta de maquiagem, use uma apropriada para peles oleosas e com tendência a acne.

-Relaxe. A gravidez é uma fase curta e essa mudança hormonal logo vai acabar. Não se aborreça com detalhes.

Por Lucia Mandel

16/04/2013

às 8:16 \ Beleza, Tratamento

Cuidados com o ácido retinoico

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Minha dermatologista prescreveu um creme com ácido retinoico para renovar a pele. No começo foi ótimo, mas depois tomei um pouco de sol e aí apareceram manchas na minha pele.  Por que aconteceu isso?
(Suelen)

 

O ácido retinoico é um ótimo tratamento de rejuvenescimento. Usado regularmente, traz benefícios a longo prazo: suaviza rugas, diminui a aspereza da pele, clareia manchas. Parando de usar, os resultados desaparecem com o tempo.

O ácido retinoico também ajuda outros procedimentos rejuvenescedores. Por exemplo, um peeling facial ou alguns laseres rejuvenescedores têm resultados melhores em quem já esteja usando ácido retinoico.

Mas ele tem seus pontos negativos: pode causar irritação na pele, vermelhidão, ressecamento, descamação. As camadas externas da pele são um filtro (insuficiente, claro) à radiação solar. A descamação ou o ressecamento provocados pelo ácido deixam a pele ainda mais vulnerável aos efeitos adversos do sol. Por isso, as medidas de proteção solar devem ser mais rigorosas. Evite o sol e, quando não der, use filtro solar e chapéu. Só assim você aproveitará os benefícios desse tratamento.

Por Lucia Mandel

09/04/2013

às 12:24 \ Doenças

Legionário Haddad

Crédito: Agência Estado

Há alguns dias vi essa foto no jornal. Domingo de Páscoa e ali está o prefeito, assistindo a um concerto ao ar livre no parque do Ibirapuera, regido pelo maestro John Neschling. Ótimo programa, eu queria ter ido também.

Mas o ponto que eu queria abordar sobre a foto é esse: o sol na cabeça. Provavelmente estava um calor de rachar, porque o concerto estava programado para começar às 11h.  Achei interessante ver muitas mulheres de chapéu com abas largas, protegendo-se do sol.  Não é um cenário usual nessa cidade. Tomara que essa moda pegue e que um dia vejamos pelas ruas ensolaradas do Brasil muitas mulheres e crianças com chapéu. Ainda por cima, na minha opinião, fica lindo.

Agora, quanto aos homens: na foto, alguns estão de boné e, entre eles, o prefeito Haddad. Aí me deu vontade de dizer a eles algumas coisas. Primeiro, melhor esse boné do que nenhum boné, como algumas cabeças que vemos na foto. Mas… não é suficiente, senhor prefeito e outros senhores de boné. Porque ele não está protegendo a nuca e outra região muito delicada, as orelhas. Será que os senhores passaram filtro solar nessas áreas? Espero que sim.

Então, qual boné seria melhor? Aquele conhecido como estilo legionário, bem mais apropriado para o sol, porque tem abas nas laterais e na nuca. Coisinha esquisita? Pode ser, mas também é por falta de costume. Com o tempo e costume, o boné legionário ficaria comum e menos estranho aos nossos olhos.

Se gente fotografável, como o prefeito, for flagrada usando boné legionário, aposto que isso irá diminuir a relutância que existe em usar esse modelo. E também irá popularizar o melhor método de proteção solar. Prefeito Haddad, o que acha de, no próximo concerto, aceitar a dica e ir de boné legionário?

Por Lucia Mandel

02/04/2013

às 10:08 \ Corpo, Doenças

Nossas crianças e o sol

Quando eu era criança, adorava o Cebolinha, o Cascão, a Mônica, o Louco (esse, apesar de coadjuvante, era meu preferido), todos os personagens da Turma da Mônica. Menos o Horácio, coitado, que achava meio chatinho. Por isso gostei de receber em meu consultório, dia desses, um novo gibi que trazia a Mônica e companhia em uma historinha com um tema específico: a proteção solar infantil.

O Dr. Paulo Ricardo Criado, presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Regional do Estado de São Paulo (SBD-RESP), foi um dos responsáveis por levar esse tema ao cartunista Maurício de Souza. Entrevistei o Dr. Paulo para ouvir sua opinião sobre o assunto.

Crianças devem evitar o sol?
Não. Crianças podem e devem se expor ao sol, porém de forma segura. O sol atua no bem estar físico e mental. Exposição segura significa se expor ao sol antes das 10h ou depois das 16h, desde que com filtro solar, óculos de sol, chapéu e roupa adequados. E o sol também é importante na produção de vitamina D, fundamental para o corpo. Para produzi-la em quantidade adequada, é suficiente a exposição solar sem filtro, por 15 minutos, duas vezes por semana, da face e antebraços ou antebraços e pernas, antes das 10h ou após as 16h.

As crianças brasileiras se protegem adequadamente contra o sol?
Em grande parte não. Tanto o horário quanto a roupa ou o filtro muitas vezes são inadequados. Mesmo quando a criança está com filtro, o FPS muitas vezes é baixo, ou com pouca proteção anti-UVA, ou a quantidade é insuficiente e a frequência de aplicação é fora do ideal. O filtro solar deve ter FPS no mínimo 30 e proteção anti-UVA de média a alta. A quantidade aplicada deve ser sem economia, ou seja, 2mg por centímetro quadrado da pele – o que equivale em um adulto a 30ml de filtro para o corpo todo, por aplicação. O filtro deve ser aplicado 30 minutos antes da criança se expor ao sol e reaplicado a cada duas horas, ou cada vez que ela sai da água. O grande perigo na infância são as queimaduras solares, com formação de bolhas, que aumentam o risco de melanoma na vida adulta.

Quais as consequências para o futuro da falta de proteção solar na infância?
Inúmeros estudos mostram relação entre exposição solar inadequada na infância e câncer de pele na vida adulta. De 25% a 50% da radiação ultravioleta que uma pessoa recebe durante a vida ocorre até os 21 anos de idade, sendo grande parte na infância. E se não ocorrer câncer de pele, no mínimo a exposição solar inadequada causa envelhecimento precoce da pele, com manchas e rugas.

É possível melhorar este panorama?
Acredito que sim. Na Austrália, na década de 1970, implantou-se um programa de educação nas escolas do ensino fundamental chamado SunSafe, com a finalidade de mudar o comportamento de exposição solar na infância e replicar estas informações nas famílias e na comunidade. Hoje, 40 anos depois, o programa rendeu bons frutos. A meta da SBD-RESP é sensibilizar as autoridades da educação no Brasil para que se adote um programa similar nas escolas brasileiras.

Os pais devem aplicar filtro solar em seus filhos a partir de que idade?
Devem evitar expor a criança ao sol até os 6 meses de vida. A partir daí, o uso de protetores de composição exclusivamente física, à base de dioxido de titânio ou zinco, são os preferidos até os 2 anos.

O filtro solar infantil deve ser usado até que idade?
Até pelo menos os 12 anos. Depois, ele pode ser substituído por filtros de composição química e física, sempre preferindo aqueles com maior proporção de filtros de composição física, que têm menor capacidade de causar alergias.

No calor, qual roupa é ideal para ira à escola?
É aquela que menos expõe o colo, os braços e as pernas. Devem ser evitadas roupas sintéticas, que aumentam a temperatura corporal, e as de cor escura, que absorvem a radiação ultravioleta. E deve-se optar por chapéus de abas largas, por protegerem rosto e pescoço.

Onde pode ser encontrado o gibi da turma da Mônica que eu recebi?
O grupo Maurício de Souza aderiu à nossa causa de forma espontânea e colaboradora. A partir de nossas orientações, criou esse gibi da Turma da Mônica intitulado A Pele e o Sol, com uma história divertida que ensina às crianças práticas em exposição solar segura. Foi enviado aos consultórios de dermatologistas para ser dado às crianças e foi distribuído em pedágios em São Paulo e nas balsas de São Sebastião e Guarujá durante o carnaval. Será entregue também nos principais hospitais públicos de São Paulo com atendimento em dermatologia. Foram impressos 500.000 exemplares com recursos da SBD-RESP e agora estamos à procura de parceiros para a impressão de mais exemplares para distribuição nas escolas.

Qual personagem da turma da mônica o senhor preferia quando criança?
Na infância eu preferia o Cebolinha com seus planos milabolantes!

Por Lucia Mandel

26/03/2013

às 12:59 \ Corpo, Doenças

Do sol no Brasil para o sol na Austrália

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Quem errar essa resposta é filhote de canguru: qual é a capital da Austrália? Errou.

Por que não saber um pouco mais sobre esse país que recebe tantos brasileiros, moradores e turistas, e é tão ensolarado quanto o nosso?

A Austrália foi colonizada, a partir de 1780, pelos ingleses, povo de pele muito clara. Hoje, mais de dois séculos depois, a maioria da população tem pele bem branca. E a combinação desse tipo de pele com sol intenso resultou na maior incidência de câncer de pele do mundo.

Achei interessante conversar com alguém que vive no país para contar um pouco como é estar debaixo de tanto sol. Desse jeito, podemos comparar a Austrália com a nossa realidade aqui no Brasil. Conversei com um amigo, Edilson Adib Antonio (o Beleza), um brasileiro que mora há 7 anos em Sydney, junto com a mulher Ursula e o filho pequeno Santiago.

O assunto câncer de pele é muito comentado aí na Austrália?
Bastante. Segundo as propagandas na TV, 2 em cada 3 pessoas vão ser diagnosticadas com câncer de pele quando estiverem na faixa dos 70 anos.

Como são as campanhas de esclarecimento sobre câncer de pele na Austrália?
São muitas ações de TV, campanhas na praia, cartazes em todos os locais públicos. Recebemos informações e dicas de proteção e prevenção no nosso dia a dia. E as crianças na escola também recebem informações.

Você e sua família usam filtro solar no dia a dia?
O uso de filtro solar é muito comum aqui na Austrália e se tornou uma coisa natural quando alguém sai de casa. Com minha família não é diferente: tenho um filho de 1 ano e 3 meses e antes de sair de casa o coitadinho já está todo brilhando. Usamos filtro com FPS 30, como a maioria das pessoas que conheço. 

Que tipo de proteção solar você usa, além do filtro?
Eu trabalho na rua, então preciso do kit completo: filtro solar, boné tipo legionário, óculos de sol e, muitas vezes, quando tenho que ficar várias horas exposto ao sol, uso uma camisa de manga comprida feita de um tecido leve, mas que protege do sol. Eu não tenho uma camisa especial com proteção UVA e UVB.

Vocês recebem alguma orientação quanto à proteção solar do seu filho?
Orientação direta não, mas ninguém aqui na Austrália pode dizer que não sabe sobre os problemas causados pelo sol, porque a quantidade de campanhas falando sobre a prevenção de câncer de pele é enorme. No primeiro dia de creche do meu filho nós recebemos uma lista com artigos que temos que providenciar. E alguns itens são obrigatórios, entre eles filtro solar e chapéu.

Sei que ali as professoras passam filtro nas crianças a cada duas horas quando elas estão brincado ao ar livre. Sempre que chegamos para buscar meu filho, as crianças do lado de fora da classe estão usando chapéu. Todos tomam muito cuidado com isso.

Com que roupa os australianos vão à praia?
Quando vão à praia, os australianos usam roupas bem parecidas com as dos brasileiros. Nada de especial ou diferente.

Alguma coisa interessante sobre esse assunto que você gostaria de acrescentar?
O governo australiano é bem dedicado ao assunto da proteção solar. Para se ter uma ideia: eu descobri há alguns anos que, se uma pessoa trabalha exposta ao sol, tem o direito de colocar na declaração de imposto de renda anual o gasto com filtro solar.

Ah, a capital? Camberra.

Por Lucia Mandel

19/03/2013

às 10:44 \ Beleza

Botox precoce

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Tenho 23 anos e sou vaidosa. Penso em usar botox para prevenir rugas. Minha dúvida é: quando começo a usar?
(Camila)

Rugas de expressão

Rugas de expressão são o resultado de movimentação facial repetida por anos e anos, somada com a perda de elasticidade da pele. O tratamento com botox relaxa os músculos de expressão facial, e com isso a pele deixa de ficar sobrecarregada. A consequência são rugas mais suaves. Mas, além de suavizar rugas, o botox funciona também para preveni-las.

Prevenção – quando começar?

Para alguém com pele jovem e sem rugas, como é o seu caso, recomendo cremes hidratantes, cremes antioxidantes, cremes à base de ácido, um bom filtro solar e óculos de sol. Não é  hora de botox.

Perto dos 30 anos começam a aparecer rugas suaves. Tão suaves que são imperceptíveis com o rosto relaxado. Só se fazem notar ao sorrir ou ao contrair a testa. Se a ideia é evitar a formação de rugas de expressão, essa é a hora: assim que aparecer um início de pés-de-galinha, de rugas entre as sobrancelhas ou na testa, inicie a prevenção com botox.

Fica bom?

Uma aplicação de botox bem dosada relaxa a expressão facial, sem prejudicar a naturalidade. Iniciar cedo as aplicações não prejudica futuras aplicações. O tratamento pode ser repetido inúmeras vezes, conforme o desejo ou a necessidade individual.

Por Lucia Mandel
 

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