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05/08/2010

às 17:06

Para especialistas, temperatura morna deve marcar debate

Em jogo de futebol, corrida ou luta livre, todo mundo tem um palpite, chega a participar de bolão e apostar em um resultado. Quem vai ser mais rápido, mais esperto, mais tranquilo, saberá usar a melhor estratégia ou o golpe certeiro no adversário? No dia do primeiro debate entre os candidatos à Presidência, VEJA.com ouviu especialistas que falaram das expectativas para o programa da TV Bandeirantes. Todos são unânimes em um ponto: quem espera ataques pessoais, agressividade e adrenalina à flor da pele, pode se decepcionar.

Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB), Marina Silva (PV) e Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) vão se enfrentar pela primeira vez. Durante duas horas, responderão a jornalistas da TV e farão perguntas uns aos outros, sempre de olho nos escorregões dos adversários. Para o cientista político da Universidade de Brasília (UnB) Leonardo Barreto, exatamente por ser o primeiro embate, não deverá haver tanta disparidade no resultado. “Pode ser que todos os candidatos saiam ganhando”, acredita.

O analista político e especialista em história da América Latina Alfredo da Mota Menezes observa que as regras rígidas engessam o formato da discussão e limitam uma possível análise dos eleitores. “Posso queimar minha língua, mas acho que será um debate morno, em que os candidatos vão se testar, se explorar, numa preparação para os seguintes”, diz o especialista, PhD em História da América Latina pela Tulane University (EUA).

Menezes ressalta que, apesar de ser importante  promover debates, os efeitos de eventos deste tipo podem não ser tão impactantes como se imagina na hora da escolha do voto. “É nesse momento que o eleitor vê de perto a reação dos candidatos, mas esperar que debate decida eleição é muito simplista, até porque a parcela da população trabalhadora que consegue assisti-lo tão tarde num dia de semana não deve ser tão significativa”, conclui.

Ofensiva menor – O primeiro mês de campanha foi marcado pela troca de farpas à distância principalmente entre Serra e Dilma. Mas a especialista em marketing político Gil Castilho espera que a ofensiva seja menor nesta noite. “Acredito que vai ser um debate propositivo, até porque ataques não caem muito bem, são ótimos para a militância, mas para o eleitor é desagradável”, aposta Gil,  diretora da Associação Brasileira de Consultores Políticos e editora do site marketingpolitico.com

O analista político Alfredo da Mota Menezes também acredita que o tempo de bate-boca no ar já passou: “Não será de baixo nível, acho difícil alguém soltar uma denúncia ou jogar algo novo no ar, como fez o Collor”.

Menezes refere-se ao debate de 1989, quando Fernando Collor, ex-presidente e atual candidato ao governo de Alagoas, disse que o hoje presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à época, tinha uma filha fora do casamento. No mesmo ano, o atual deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) bateu boca e chamou Leonel Brizola de “desequilibrado” durante o programa. Agora, os tempos são outros: pelas regras do debate desta quinta, ofensas pessoais geram direito de resposta.

Confira o que os especialistas esperam de cada candidato no debate desta quinta:

Dilma Rousseff (PT)

– terá que vencer o nervosismo da estreia e a fragilidade decorrente da inexperiência, evitando gaguejar, falar demais ou demonstrar agressividade.

- adotará uma tática mais conservadora, exaltando os feitos do governo Lula e tentando se esquivar de polêmicas. “A gente vai ver uma ‘Dilminha Paz e Amor’, que vai dizer que não quer baixar o nível do debate e vai tentar evitar os ataques”, aposta Leonardo Barreto.

José Serra (PSDB)

- poderá chegar com a intenção de constranger Dilma, fazê-la ficar nervosa, mas, se exagerar, prejudicará a própria imagem. “Ele vai passar a imagem de experiência e tentar mostrar que tem propostas concretas”, acredita Gil Castilho.

- se estiver mais confiante, apostará em uma estratégia mais conservadora e deverá falar mais das próprias ideias e realizações; se acreditar que precisa arrancar votos de Dilma, deverá criticar a política externa do Brasil e a inexperiência da petista.

Marina Silva (PV)

- vai tentar destacar a própria biografia, utilizando a tática de que é uma terceira alternativa para quem está descontente com os dois modelos de governo já conhecidos.

- por outro lado, terá que driblar questões que deixem insatisfeitos seus dois eleitorados mais específicos: os ambientalistas têm simpatia por questões progressistas, como o casamento entre homossexuais e o aborto, já os evangélicos, que são mais conservadores, defendem o contrário. “Esse é o calcanhar de Aquiles dela”, lembra Leonardo Barreto.

Plínio de Arruda Sampaio (PSOL)
– levantará pontos de maneira mais radical, sempre defendendo a bandeira socialista. “Ele serve mais como um contraponto folclórico, vai colocar questões dentro de um plano que as pessoas não compram”, afirma o cientista político.

(Adriana Caitano)

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2 Comentários

  1. Thiago Melo Teixeira

    -

    05/08/2010 às 21:05

    Bastante imparcial essa reportagem, só faltou o DA-LHE SERRA, DA-LHE SERRA, ESTAMOS COM VC!!!!!!!!!!!!!
    Quem vai gaguejar será o Serra quando a Ministra Dilma perguntar qual o plano dele para o Brasil.

  2. Carlos Gabrieli

    -

    05/08/2010 às 18:33

    As pesquisas, o comportamento do presidente Luiz da Silva, a desmoralização do judiciário, estão tornando as eleições sem sabor.
    Fossem preparados os candidatos e o debate seria caloroso e rico de idéias.
    Os institutos de pesquisa estão trabalhando para a infame candidata do PT, tal como trabalharam para eleição de Luiz da Silva e na avaliação de seu governo.
    TODOS ESTES INDICES SÂO MANIPULADOS.
    O Luiz da Silva se blindou. Ele é um incompetente, ridiculo, e a oposição tem emdo de critica-lo.
    Estas pesquisas estão promovendo a Dilma Poste. Mas são pesquisas fraudadas visivelmente.
    Espero que o Serra mostre todo o seu preparo e experiencia e coloque no lugar dela esta mediocre candidata do PT.


 

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