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serra

01/11/2010

às 17:24

Guerra admite que campanha subestimou estrutura do PT

O presidente nacional do PSDB, senador Sergio Guerra, chegou pouco antes de 17h à casa do candidato à Presidência José Serra, na zona oeste da capital paulista. Em entrevista, Guerra admitiu que uma das falhas que levou à derrota do tucano foi o fato de o PSDB ter subestimado a campanha do PT. Para o senador, o uso de recursos e da estrutura de poder público a favor de Dilma Rousseff fez com que a campanha da adversária ganhasse uma dimensão muito maior do que os tucanos poderiam prever.

Na avaliação de Sergio Guerra, foi uma campanha desproporcional. “Só um cego não viu que houve uso da máquina por parte do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de forma ilegal. Um país em que o presidente acha graça de ser multado pela Justiça eleitoral não está num bom caminho”, disse. “O PSDB não tinha estrutura suficiente para disputar essa eleição. Talvez tenha subestimado a estrutura da adversária. Todos nos surpreendemos com a desenvoltura do governo e do PT em desrespeitar a lei”.

Questionado se, além dos erros dos adversários, enxergava algum entrave na desenvoltura do PSDB durante a disputa, o presidente do partido foi evasivo. “Todos os partidos erram, pessoas erram, instituições erram, candidatos erram, campanhas, necessariamente, erram.”

Finanças - Guerra disse ter conversado nesta segunda-feira com o coordenador das finanças da campanha tucana, Márcio Fortes, para saber como ficaram as contas após as eleições. “As finanças estão totalmente sob controle. Não vamos ficar com as dívidas que ficamos da outra vez”, disse o presidente tucano, referindo-se à disputa presidencial de 2006.

O pleito anterior serviu de referência para uma comparação também de estrutura do partido. “Em 2006, o PSDB não estava tão unido, nossas bases não funcionaram de maneira incisiva. Em 2010, não brigamos, estávamos unidos. Nosso pessoal trabalhou, mas fomos superamos por um poder bem maior do que o nosso”.

Aécio – Sergio Guerra desautorizou a crítica velada feita no domingo pelo coordenador de programa de Serra, Xico Graziano, ao senador tucano eleito por Minas Gerais Aécio Neves. Pelo Twitter, Graziano ironizou o fato de Serra não ter vencido no território mineiro: “Perdemos feio em Minas Gerais. Por que será? Estranhou-me o resultado em Minas, padrão do Nordeste. Mas não culpo o Aécio não. Todos somos responsáveis pela derrota”.

O presidente do PSDB reagiu. “Xico está completamente equivocado. Não foi assim. Não é justo o que ele disse. Aécio e todos nós trabalhamos com muita força e determinação pela eleição de Serra.” No estado mineiro, a diferença entre o tucano e a petista foi maior que o resultado nacional:. Enquanto no total Dilma teve 56,05% e Serra 43,95%, em Minas, a porcentagem foi de 58,45% para a eleita contra 41,55%.

José Serra passou o dia em casa, no alto de Pinheiros, e sua única manifestação pública nesta segunda foi por meio da internet. Em seu Twitter, o tucano agradeceu à mobilização dos jovens e repetiu o “até logo” dito em seu discurso no domingo.

Balanço - O presidente do PSDB disse que o partido fará, na próxima semana, uma reunião da executiva para elaborar um balanço das eleições 2010. A princípio, apesar da derrota na disputa presidencial, Sergio Guerra acredita que o PSDB cresceu como partido. Ele citou, além dos votos recebidos por Serra, a eleição de oito governadores do PSDB e dois do partido aliado DEM e a consolidação de bancadas fortes na Câmara e no Senado.

(Carolina Freitas, de São Paulo)

01/11/2010

às 11:36

Vitória de Dilma: o telefonema de Serra

Durante seu discurso televisionado ao vivo para todo o Brasil, a nova presidente eleita, Dilma Rousseff (PT), recebeu o telefonema do tucano José Serra. Como Dilma não poderia atender à ligação, o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci colocou um bilhete discretamente em cima do púlpito da candidata alertando sobre o contato do adversário. Atrás dele, Cid Gomes (PSB), governador eleito do Ceará, cochichou que não era a hora de avisar sobre o assunto e a nova presidente devolveu o bilhete ao ex-ministro.

Pessoas próximas a Dilma acharam deselegante da parte de Serra telefonar em um momento que, naturalmente, Dilma não poderia atender. “Ele estava vendo que ela fazia um discurso de vitória. Estava na TV, não era hora de ligar”, disse uma delas.

Após sua fala de cerca de 25 minutos, Dilma subiu para uma das suítes do hotel Naoum, em Brasília, para comemorar com aliados e integrantes do staff de sua campanha e pediu para que retornassem a ligação ao tucano. A conversa? Meramente protocolar.

(Marina Dias, de Brasília)

31/10/2010

às 19:46

Dirceu sobre governo Dilma: “Não quero, não posso e não devo participar”

O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (PT) negou neste domingo qualquer participação no futuro governo de Dilma Rousseff (PT). Ele, que atuou apenas nos bastidores da campanha, apareceu no hotel Naoum, – onde os petistas se concentraram para acompanhar o resultado das eleições.

“Não quero, não posso e não devo participar”, afirmou Dirceu. “Primeiro eu tenho que prestar contas à Justiça, em respeito à sociedade”, completou. O ex-ministro responde a processo no Supremo Tribunal Federal (STF), acusado de ter orquestrado o esquema do mensalão do PT em 2005. “Tenho certeza da minha inocência, que vou ser absolvido”, afirmou.

Dirceu negou ter sido consultado por Dilma durante a campanha presidencial, mas admitiu ter trabalhado por sua candidatura. “Eu fiz campanha em todo o Brasil desde fevereiro de 2009. Percorri todos os estados brasileiros fazendo campanha para Dilma, defendendo a continuidade do governo Lula com a eleição dela. Trabalhei pelas alianças, fiz palanques com aliados, fiz meu papel que é de dirigente do PT”.

O ex-ministro criticou o candidato derrotado José Serra (PSDB), dizendo que ele fez uma campanha de baixo nível e foi covarde ao usar sua imagem no programa eleitoral: “Eu particularmente me sinto agredido pela campanha que ele fez contra mim, desnecessária e descabida porque ele não ganhou nenhum voto por isso”.

(Luciana Marques, de Brasília)

31/10/2010

às 19:39

Site oficial de José Serra sofre ataque

A página oficial dedicada à campanha de José Serra (PSDB) à presidência da República sofreu um ataque na noite deste domingo. Durante a apuração de votos, o site Serra45.com.br exibia mensagens e animações contra o tucano.

Soninha Francine, responsável pela campanha de Serra na internet, lamentou a invasão do site da campanha e afirmou que a equipe de tecnologia que cuida do mesmo já tirou a página falsa do ar. Segundo a jornalista, uma mensagem de agradecimentos aos eleitores e uma retrospectiva em fotos da campanha de José Serra serão exibidas nas próximas horas.

Para Soninha, o ataque virtual parece “molecagem de fanáticos”. Desde o início da campanha, a página de José Serra sofreu tentativas de invasões, que se tornaram diárias nas últimas duas semanas. No último fim de semana, houve tentativas organizadas de derrubar o site de Serra por meio de excesso de visitas.

A página recebia 30 mil acessos a cada cinco horas em média, e passou a receber, nos últimos dias, 30 mil acessos por segundo. “Foi um aumento artificial, feito de forma maliciosa para tirar a página do ar”.

Soninha disse que ainda não foi possível identificar a origem da invasão deste domingo. “Este estilo combina bem com a campanha do PT. Lidamos com essas ameaças durante a campanha inteira. Honestamente, não precisava disso”.

(Carolina Freitas)

31/10/2010

às 16:13

Serra almoça com Goldman no Palácio dos Bandeirantes

O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, almoçou neste domingo com o governador de São Paulo, Alberto Goldman. O tucano votou por volta das 11h30 em um colégio na zona oeste da capital paulista e, depois, despistou a imprensa e dispensou seus assessores. Serra seguiu para o Palácio dos Bandeirantes acompanhado apenas de um ajudante de ordens. O almoço ocorreu na ala residencial da sede do governo paulista e foi organizado por Goldman e sua mulher, Delzeni.

Serra chegou ao Palácio dos Bandeirantes pouco depois das 13 horas. Assim como no primeiro turno, a agenda de Serra permanece um mistério. No dia 3 de outubro, o candidato tucano “sumiu” após a votação – roteiro que seguiu neste domingo. A expectativa é que ele se pronuncie somente após a apuração. O discurso de Serra deverá ser feito em frente a sua casa ou no comitê central de sua campanha, na região central da cidade.

(Carolina Freitas)

30/10/2010

às 1:10

“Espero ter convencido os eleitores”, diz Dilma

“Espero ter convencido os eleitores “. Foi essa a frase da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, nos bastidores ao final do último debate das eleições presidenciais, realizado pela Rede Globo nesta sexta-feira. Aos jornalistas, a ex-ministra não respondeu a perguntas e fez apenas um pronunciamento de menos de dois minutos. “Estou com o pé um tanto quanto robusto. Fiquei em pé por mais de duas horas”, explicou. Dilma está se recuperando de uma torção no tornozelo, o que provocou inchaço no pé. “Vou colocar no gelo”.

Sobre o debate, a candidata elogiou o formato. Temático, o embate não permitiu perguntas diretas entre os candidatos, mas apenas perguntas formuladas por eleitores indecisos. “Foi muito interessante porque os problemas que nós debatemos saem da vida real e ganham carne, osso e sentimento”. Segundo ela, o presidente da República “tem de tratar da vida real e concreta das pessoas e não apenas de números”.

De acordo com as pesquisas qualitativas do PT, Dilma foi mais convincente e convicta na hora de se posicionar e conquistou 60% dos indecisos avaliados nos grupos.

Após deixar os estúdios da Rede Globo, no Rio de Janeiro, Dilma seguiu para o hotel onde está hospedada, em Copacabana, acompanhada de integrantes da coordenação de sua campanha, como Antonio Palocci e José Eduardo Cardozo e os governadores eleitos Cid Gomes (PSB-CE) e Sergio Cabral (PMDB-RJ).

(Marina Dias e Cecília Ritto, do Rio de Janeiro)

30/10/2010

às 0:51

Movimentos precisos à caça de eleitores indecisos

Em uma campanha marcada pelo vazio de propostas e pelo tom elevado dos confrontos, notadamente na reta final da corrida ao Palácio do Planalto, os candidatos José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) aproveitaram o último e mais esperado debate antes do segundo turno para tentar laçar o eleitorado indeciso, deixando os embates mais acalorados em segundo plano. Nitidamente orientados por suas equipes de campanha, diminuíram o tom dos ataques. Mas não aproveitaram a última – e preciosa – oportunidade. A constatação que fica é que nenhuma ideia nova surgiu durante a corrida eleitoral para combater os graves problemas na qualidade da saúde e da educação e a escalada da violência. Promovido pela TV Globo, o debate foi realizado nesta sexta-feira, no Rio de Janeiro.

A estratégia foi milimetricamente calculada. Os candidatos aproveitaram o formato do programa, em que 12 eleitores indecisos, entre 80 selecionados pelo Ibope, fizeram as vezes de entrevistadores, para tentar cativá-los. Capricharam. Circularam o tempo todo pelo estúdio, sempre gesticulando – até mesmo Dilma, que machucou o pé em plena campanha. O tom de voz de ambos foi bem mais manso e baixo do que o adotado em outros confrontos. O tucano e a petista evitaram trocar olhares. Procuraram fitar os eleitores na hora de responder aos questionamentos. E fizeram questão de elogiar as dúvidas deles. Cada questionamento era classificado como “muito importante” ou “excelente”.

Os movimentos precisos à caça dos indecisos puderam ser notados já no primeiro bloco. E perduraram até o fim do confronto. Até mesmo a comparação entre as eras Lula e FHC ganhou contornos mais suaves. As críticas foram mais comedidas. A temperatura morna predominou, chegando a fazer com que alguns presentes tachassem o debate de uma grande entrevista. As réplicas e tréplicas seriam a oportunidade para apimentar o confronto. Mas, diante do risco de parecerem ofensivos ou demasiadamente agressivos perante os eleitores, ninguém quis arriscar. Serra e Dilma adotaram tom cauteloso até para trocar estocadas.

O primeiro item da pauta foi o funcionalismo público. Saúde, educação, segurança pública, economia e saneamento básico, entre outros, também foram discutidos. Os temas foram pré-selecionados pela TV Globo. Assuntos polêmicos, que esquentaram embates anteriores, não foram mencionados – nada de aborto ou privatização.

As perguntas objetivas, como a de uma eleitora que relatou “quase ter levado um tiro em um assalto”, obrigaram os candidatos a ser mais específicos. Sem acusações ou referências diretas entre os rivais, réplicas e tréplicas funcionaram, na verdade, como uma forma de intercalar argumentos da petista e do tucano.

Coube a Serra um dos ataques mais fortes. Indagado sobre o que fazer para combater a corrupção, atacou. Defendeu o fortalecimento de órgãos de controle, como o Tribunal de Contas da União (TCU), a Controladoria Geral da União (CGU), o Ministério Público. O tucano também disse que a imprensa não tem que ser atacada. Uma clara referência à conduta do presidente Lula, embora o nome dele não tenha sido mencionado. “Quando o chefe do governo passa a mão na cabeça, é terrível para a sociedade. Evidentemente, todo mundo pode pecar. Mas uma boa escolha minimiza pecados que podem ser cometidos”, disse o candidato.

Meio ambiente – A defesa do meio ambiente, principal bandeira da candidata derrotada Marina Silva (PV-AC), que teve quase 20 milhões de votos no primeiro turno, também foi abordada. Dilma aproveitou para dizer que considera a Amazônia um “grande orgulho” e que pretende, se eleita, intensificar o combate ao desmatamento e ampliar as áreas de preservação “para chegar cada vez mais próximo da tolerância zero ao desmatamento, que considero um crime”.

Serra não fez por menos e defendeu as pesquisas sobre biodiversidade. “Temos que fortalecer a pesquisa nessa área. Fazer alianças com empresários para explorar a área, sem destruir a natureza.”

Política social – Dilma aproveitou uma pergunta sobre programas sociais para enaltecer o Bolsa-Família. E provocou Serra: “Quem cuida de jovem em São Paulo é o governo federal”, disparou. “É muito importante perceber que a questão social, para mim e para o meu futuro governo, é uma questão central. O que importa é a vida das pessoas”, prosseguiu.

Serra, por sua vez, destacou que os benefícios sociais não podem ser “vitalícios”. Reiterou que pretende fortalecer o Bolsa-Família, mas criar uma bolsa adicional para que o jovem possa fazer cursos profissionalizantes. “O que adianta se o jovem não tiver emprego? Tem que ter qualificação”, declarou.

“Política social é transferência de renda, mas não é só isso”, afirmou, para em seguida dizer que tem convicção de que “no futuro” vai ser possível resolver o problema da desigualdade no Brasil.

Dilma lamentou, em seus comentários finais, o que chamou de calúnias pela internet, folhetos apócrifos e até telefonemas com ataques. A candidata do PT encerrou suas considerações defendendo que o Brasil seja um país em que “todos os brasileiros tenham acesso aos bens materiais da civilização”. José Serra optou por pedir diretamente o voto do eleitor, encarando a câmera, e defendeu “uma aliança pelo futuro e pelo Brasil”.

(Mirella D’Elia e João Marcelo Erthal)

30/10/2010

às 0:20

Dilma e Serra fazem ataques indiretos no terceiro bloco

No último bloco do debate da TV Globo, os presidenciáveis ensaiaram uma troca de ataques com frases indiretas, mas não chegaram a se aproximar dos confrontos aguerridos de edições anteriores. Enquanto Dilma Rousseff (PT) criticou o governo de São Paulo, comandado pelo PSDB há 16 anos, o tucano José Serra chamou de “voo de galinha” o crescimento do Brasil no governo Lula.

A primeira farpa foi solta com a pergunta, vinda de São Paulo, sobre como evitar que os programas sociais sejam vitalícios, desestimulando os benefícios a conseguir um emprego. Serra respondeu que a solução estaria no investimento em saúde e educação, principalmente o ensino técnico e profissionalizante. Na réplica, Dilma se dirigiu ao eleitor paulista com o comentário “quem cuida de pobre em São Paulo é o governo federal” e disse que, em seu governo, a questão social será tratada para além “do concreto e do cimento, pois o que importa é a vida das pessoas”.

Na resposta sobre contribuição de trabalhadores informais para a previdência, o tucano disparou a crítica. Quando se referia ao crescimento da economia no Brasil, o candidato disse que o desenvolvimento não deve ser “como um voo de galinha, que dá salto e não consegue se sustentar no ar”. Serra também sugeriu que o programa Microempreendedor Individual (MEI) seja colocado em prática.

Na sua vez de falar, Dilma reivindicou para o governo Lula a autoria do MEI, disse ser preciso dar condições para que os trabalhadores informais consigam contribuir com a previdência e que a economia está em crescimento. “Isso não é um voo de galinha, vem desde 2003”, retrucou.

Também entraram em pauta as ações para o meio ambiente, quando Dilma listou ações do governo Lula sem definir propostas futuras e Serra citou o desenvolvimento econômico sem desmatamento. O último assunto referiu-se à classe média e ambos os candidatos trataram da redução de impostos, defendendo a reforma tributária.

Nas considerações finais, a petista disse ter sido “vítima de um conjunto de calúnias” durante a campanha. “Mas não guardo mágoas porque quem guarda mágoa não tem a leveza de alma que eu quero para a minha vida”, comentou. “Me comprometo a criar um país cheio de oportunidade para todos”, concluiu Dilma. O tucano encerrou sua fala destacando a própria biografia. “Venho de família modesta e cheguei aonde cheguei graças ao ensino público”, disse, listando os cargos públicos que ocupou. Após pedir votos, Serra finalizou: “Vamos com o pé no chão e a cabeça voltada para o futuro”.

29/10/2010

às 22:54

O primeiro bloco do debate presidencial da Rede Globo

No primeiro bloco do debate presidencial da Rede Globo, os candidatos se ativeram à apresentação de propostas para o país. O formato do encontro, restrito a perguntas de eleitores dirigidas diretamente aos presidenciáveis, fez com que Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) não tivessem muitas chances de trocar acusações.

A primeira pergunta, vinda de uma eleitora de São Paulo, tratou de funcionalismo público no país. Serra disse ser favorável à realização de concursos e à aposentadoria integral aos servidores que atuam em regime de dedicação exclusiva. Na réplica, Dilma afirmou que vai valorizar a educação no país, com ênfase nos professores, e disse ser contra à terceirização na área pública.

O segundo questionamento tratou de propostas para manter os jovens na agricultura. A petista enfatizou feitos do governo Lula na área e destacou a importância da agricultura familiar, prometendo ampliar o programa. O tucano apontou obstáculos ao desenvolvimento da área, como a falta de infraestrutura para armazenamento de produtos agrícolas e os juros altos.

A indagação seguinte, feita por um eleitor do Distrito Federal, abordou o tema da corrupção. Para Serra, o assunto “chegou a níveis insuportáveis, tanto do ponto de vista dos recursos desviados como do amor próprio da sociedade ao ver maus exemplos que se repetem”. O tucano citou o episódio do “dossiê dos aloprados”, em que petistas tentaram comprar um dossiê falso contra os tucanos, como exemplo de impunidade – já que ninguém foi punido. Ele propôs ainda fortalecer os órgãos de fiscalização e a Justiça, para reduzir o problema. “O exemplo tem que vir de cima, o chefe do Poder tem que escolher bem sua equipe e punir quando alguma irregularidade acontecer.”

Para tratar do assunto, Dilma citou o caso dos sanguessugas, que envolvia o desvio de recursos da saúde, e afirmou que o governo reforçou a Polícia Federal, o que levou a mais prisões de suspeitos de corrupção. “Malfeito pode ter certeza que vai ocorrer em qualquer lugar que tenha impunidade, mas tem que investigar e punir. Doa a quem doer”, disse.

O último tema foi segurança pública. Dilma defendeu uma maior cooperação entre União e estados, visando melhorar as condições de trabalho de policiais civis e militares. Ela também propôs implantar a polícia comunitária em todos os estados. Já Serra voltou a propor a criação do Ministério da Segurança e o enfrentamento do contrabando de drogas e armas. “A luta contra o crime deve ser federal, para serem trocadas boas experiências. E deve haver um fichário nacional de crimes.”

29/10/2010

às 21:28

Último programa eleitoral foi ao ar nesta sexta

Foram 62 programas em 67 dias de campanha e, na noite desta sexta-feira, os candidatos à Presidência Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) encerraram as exibições na propaganda eleitoral na TV. Incluindo as inserções diárias, ao todo, o tucano teve 16 horas, 16 minutos, 6 segundos e 60 centésimos para apresentar suas propostas, atacar a adversária e se defender. Com a coligação maior, a petista teve mais tempo no primeiro turno, portanto pôde tornar-se mais conhecida dos eleitores e explorar sua imagem ao lado do presidente Lula em 18 horas, 45 minutos, 26 segundos e 60 centésimos.

Os programas da noite desta sexta foram os mesmos da tarde, em que Serra destacou sua biografia e trajetória política, falou de suas ações no governo de São Paulo e apareceu ao lado da família, além de listar as principais propostas de campanha. Dilma falou de sonhos, deu espaço a diferentes grupos de eleitores e apareceu menos que Lula, estrela do programa, que fez uma espécie de despedida da Presidência e pediu votos à candidata.

No primeiro turno, a propaganda eleitoral gratuita começou no dia 17 de agosto e terminou no dia 30 de setembro. No segundo, teve início no dia 8 de outubro e terminou nesta sexta. Ambos os presidenciáveis apostaram em grandes produções para convencer os eleitores de que poderiam assumir as rédeas do país. Agora, resta saber com o resultado das urnas, neste domingo, em quem os brasileiros acreditaram.

(Adriana Caitano)

 

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