28/12/2010
às 19:38Alckmin nomeia secretário do PSB, aliado de Dilma
Em movimento silencioso de aproximação com o PSDB, o PSB conquistou nesta terça-feira mais um trunfo no cenário nacional. O tucano Geraldo Alckmin chamou para compor seu secretariado em São Paulo o presidente do PSB no estado, deputado federal Márcio França. Há poucos dias, o socialista era cotado para nada menos que a equipe da presidente Dilma Rousseff, do PT. O acerto não avançou. O PSB indicou outros nomes para o Ministério da Integração Nacional e a Secretaria Nacional de Portos. França achegou-se aos tucanos.
Aos sorrisos, sentado bem ao lado do líder tucano, França não mostrou qualquer desconforto com a nova posição, oficializada em entrevista no centro da capital paulista. Será secretário de Turismo, pasta recém-criada, por desmembramento da Secretaria de Esportes.
“A gente não quer transformar nenhum lado em inimigo ou adversário. Na busca pela boa gestão, quando se tem a chance de colaborar, você colabora. O PSB apoia a liberdade”, disse um orgulhoso Márcio França. “Não acho contraditório. Acho honroso. É normal que o PSB lembre do meu nome quando há um cargo a ser disputado. Dilma queria alguém do Nordeste para o Ministério. Foi uma escolha regional. Não havia espaço para meu nome. Surgiu a oportunidade em São Paulo.”
Antes de fechar com Alckmin, Márcio França consultou a direção do partido. Aconselhou-se com o presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, e com o governador do Ceará, Cid Gomes. Paulo Skaf, derrotado na disputa pelo governo paulista, também foi ouvido. A conclusão foi que a participação no governo tucano seria benéfica para o PSB. E o será também para o PSDB.
Capital político – Sob a batuta de Eduardo Campos, eleito no primeiro turno com 82% dos votos, o PSB teve nas últimas eleições seu melhor desempenho. O partido elegeu seis governadores, três senadores e 34 deputados federais. A principal força está no Nordeste, onde o PSB governa Pernambuco, Paraíba, Ceará e Piauí.
Um dado ao menos deve preocupar a equipe de Dilma Rousseff: nas urnas, em 2010, o PSB firmou aliança com o PSDB em cinco estados, Paraná, Alagoas, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Paraíba. Em todos eles, os candidatos apoiados pela coligação venceram. Na esfera federal, a aliança do PSB foi com o PT.
Na avaliação do sociólogo e doutor em Ciências Políticas pela Universidade de São Paulo (USP) Humberto Dantas, o PSB está construindo um capital político que será decisivo nas eleições presidenciais de 2014. “O governo do PT está fazendo pouco caso do PSB. Não deveria. Campos tem bom fluxo no PSDB e uma relação de amizade com Aécio Neves. O PSB é tudo o que o PSDB quer ao lado, tem a força no Nordeste que falta aos tucanos”, diz o analista. “Nunca duvide da capacidade de articulação de Aécio. E de Campos.”
(Carolina Freitas)
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