Blogs e Colunistas

operação mãos limpas

04/10/2010

às 13:38

Operação Mãos Limpas reverte cenário eleitoral no Amapá

A crise política no Amapá tornou ainda mais equilibrada uma disputa que já era indefinida. Os três primeiros colocados ficaram na casa dos 28%. Lucas Barreto (PTB) e Camilo Capiberibe (PSB) vão disputar o segundo turno. Jorge Amanajás (PSDB) ficou de fora por menos de dois mil votos.

Pedro Paulo Dias (PP), o governador que chegou a ser preso acusado de corrupção, viu seu apoio despencar. Antes da Operação Mãos Limpas, disputava o segundo lugar nas intenções de voto. Ao fim da apuração, ficou em quarto, com 13% – aproximadamente metade do que chegou a ter nas pesquisas.

Jorge Amanajás, presidente da Assembleia Legislativa do estado, também se viu envolvido no escândalo de corrupção. É citado diversas vezes nas investigações da Polícia Federal (PF), e chegou a ser levado à força para depor. A repercussão negativa tirou-o do segundo turno.

Camilo Capiberibe (PSB) foi o grande beneficiado. Praticamente dobrou o apoio que exibia nas pesquisas. E entra no segundo turno com cerca de 700 votos a menos do que Lucas Barbosa (PTB), que é o nome preferido do senador José Sarney

Reviravolta no Senado – Até então o favorito na disputa ao Senado, Waldez Góes (PDT) também viu a candidatura ruir depois de ser preso. Acabou assistindo à até então improvável eleição do candidato do PSOL,  Randolfe. Gilvam Borges (PMDB) ficou, ainda provisoriamente, com a segunda vaga, já que João Capiberibe (PSB), cuja candidatura está sub judice, pode acabar se elegendo se conseguir sua liberação na Justiça Eleitoral.

(Gabriel Castro, de Brasília)

16/09/2010

às 15:03

MP pede fim do sigilo do caso Amapá

O Ministério Público Federal pediu nesta quinta-feira o fim do sigilo nas investigações sobre desvios de recursos envolvendo o governador do Amapá, Pedro Paulo Dias (PP). Ele e outros cinco acusados continuam presos na Superintendência da Policia Federal, em Brasília. A suspeita é de que eles participavam de um esquema de corrupção que desviava verbas da área de educação e superfaturava até a merenda escolar. Ao todo, 18 pessoas foram presas quando a PF deflagrou a Operação Mãos Limpas, no último dia 10.

A solicitação foi encaminhada pelo subprocurador-geral da República, Francisco Teixeira, ao ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) João Otávio de Noronha, que está à frente das investigações. Para a procuradoria, só devem permanecer sob segredo de Justiça as gravações telefônicas e os documentos bancários e fiscais dos investigados.

Na quarta-feira, 12 suspeitos de envolvimento no caso foram soltos quando venceu o prazo de cinco dias da prisão temporária. Pedro Paulo Dias, o ex-governador e candidato ao Senado Waldez Góes (PDT), o presidente do Tribunal de Contas do estado, José Júlio Miranda, e outras três pessoas permaneceram detidas por ordem do STJ.

(Luciana Marques)

14/09/2010

às 17:36

PF divulga novas imagens da operação no Amapá

A Polícia Federal divulgou novas imagens do material apreendido pela Operação Mãos Limpas, que culminou na prisão do governador do Amapá, Pedro Paulo Dias (PP), e outras 17 pessoas. Documentos e computadores apreendidos chegaram à sede da Polícia Federal em Brasília no último sábado, depois que a PF concluiu os 94 mandados de busca e apreensão.

O material foi recolhido no Tribunal de Contas do estado, na sede do governo do Amapá, na Assembleia Legislativa e nas secretarias do executivo. O valor de um milhão de reais apreendido foi depositado em uma conta judicial na Caixa Econômica Federal, por medida de segurança. Na sexta-feira, a PF havia divulgado outro vídeo da operação. Nas imagens, os policiais apreendiam carros importados, dinheiro e armas na casa dos envolvidos.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) pode liberar os presos entre terça e quarta, caso não haja novos fatos a serem apurados. Mesmo solto, o governador ainda terá muitos problemas a resolver. A bancada de oposição ao governo na Assembleia Legislativa do Amapá protocolou, nesta terça-feira, um pedido de impeachment contra Pedro Paulo Dias.

(Luciana Marques, de Brasília)

12/09/2010

às 20:41

Aliados de governador preso veem influência de Sarney

A Operação Mãos Limpas deve ser um fator decisivo na reta final das eleições do Amapá. Na disputa pelo governo, quatro candidatos aparecem com chance de vitória. Lucas Barreto (PTB) é o primeiro colocado nas pesquisas, seguido pelo governador preso Pedro Paulo Dias (PP), por Jorge Amanajás (PSDB) e Camilo Capiberibe (PSB).

Como sempre, os envolvidos dizem que são vítimas de perseguição política. E, no Amapá, essa expressão comumente vem associada ao nome de José Sarney. Embora careça de evidências, a acusação é plausível. A influência política do senador no estado é ainda maior do que no Maranhão.

Pedro Paulo Dias decidiu se lançar candidato por conta própria, sem a bênção do presidente do Senado. Dias foi impulsionado pela popularidade de Waldez Góes (PDT), de quem era vice-governador. A candidatura de Jorge Amanajás (PSDB), presidente da Assembleia Legislativa, é resultado de um acordo político do qual o PMDB participou.

O escolhido - Mas José Sarney tinha outro candidato: Lucas Barreto (PTB) – justamente o maior beneficiado com as prisões. E essa união não vem de hoje. Barreto, derrotado na disputa para a prefeitura de Macapá, em 2008, foi beneficiado por um ato secreto do Senado. Por dois anos, ele recebia um salário de 7 mil reais para trabalhar como assessor na Casa. Mas vivia em Macapá, a 1800 quilômetros da capital federal.

Aliados de Pedro Paulo insinuam que o senador pode ter influenciado para que a Operação Mãos Limpas ocorresse a três semanas das eleições. Alegam que as denúncias já eram conhecidas há pelo menos três anos, e que as acusações se referem a crimes diferentes, sem relação entre si.  Um dos que defende essa hipótese é o prefeito da capital, Roberto Góes (PDT): “É muito estranho que as coisas tenham acontecido justamente agora”, afirma.

A operação da Polícia Federal não tirou votos só do candidato do PP: Jorge Amanajás também teve a imagem prejudicada com as investigações, já que foi levado à força para depor à Polícia Federal. Cenário que interessa a Lucas Barreto – e a Sarney.

As prisões, realizadas para desfazer um esquema de corrupção dentro do governo, foram motivadas por denuncias de empresários e funcionários públicos.Também é atribuído à atuação de Sarney o processo que levou à cassação do então senador João Capiberibe e da condenação da mulher dele, a hoje deputada federal Janete Capiberibe. Eles teriam comprado dois votos ao preço de 26 reais, nas eleições de 2002. O casal, filiado ao PSB, é adversário político de Sarney no estado.

O senador raramente é visto no Amapá. Mas, num estado com pouco mais de 20 anos de existência, instituições frágeis e uma economia dependente de recursos federais, a influência dele se mantém inalterada.

Detidos – A Operação Mãos Limpas prendeu 18 pessoas, entre elas o governador Pedro Paulo Dias, o ex-governador Waldez Góes (candidato ao Senado pelo PDT), a ex-primeira dama Marília Góes e o presidente do Tribunal de Contas do Amapá, José Júlio de Miranda. Segundo a Polícia Federal, o grupo participou de desvios da ordem de 300 milhões de reais. Todos os detidos estão em Brasília, onde devem ficar por até 10 dias antes de serem soltos.

(Gabriel Castro, de Macapá)

11/09/2010

às 21:39

Candidato a vice de governador preso: “Somos ficha limpa”

Nem parecia que os dois principais nomes da chapa estão presos sob gravíssimas acusações: um comicío na área mais movimentada de Macapá (AP) reuniu centenas de pessoas em apoio ao governador afastado Pedro Paulo Dias (PP), que pretende ficar mais quatro anos à frente do governo, e ao ex-governador Waldez Góes (PDT), candidato ao Senado.

Foi uma tentativa de reduzir o impacto negativo da Operação Mãos Limpas, que desmontou um esquema de corrupção dentro do governo e levou 18 pessoas à prisão. O comício ocorreu na noite deste sábado (11).

O palanque foi montado em frente ao Mercado Municipal, às margens do Rio Amazonas. Três trios elétricos tocavam os jingles de Dias e Waldez. Com o microfone nas mãos, aliados políticos repetiram um discurso padronizado: falaram em injustiça, denunciaram uma suposta perseguição política e conclamaram os eleitores a manter a militância.

Compreensível. Mas o candidato a vice de Pedro Paulo, o pedetista Alberto Góes (primo de Waldez e de Roberto Góes, o prefeito de Macapá), foi além: “Nós somos ficha limpa, sim senhor”. A esposa do governador afastado não parecia abatida. Denise Carvalho também usou a palavra e fez um apelo aos eleitores:”Vamos sair com todas as armas que a gente tem”. A campanha eleitoral no Amapá, que já estava equilibrada, caminha para uma tumultuada reta final.

(Gabriel Castro, de Macapá)

11/09/2010

às 16:12

Candidato preso continua usando imagem de Lula na TV

Waldez Góes, candidato do PDT ao Senado no Amapá, está na cadeia. Passou a última noite numa cela da carceragem da Polícia Federal, no complexo da Papuda, em Brasília. Ele é acusado de participar de um esquema que teria desviado 300 milhões de reais dos cofres públicos.Mas, aparentemente, sua campanha continua pensando apenas em angariar votos, sem explicar o escândalo.

Como se nada houvesse acontecido, Góes apareceu sorridente, em inserções veiculadas na TV neste sábado – e continua usando a imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Waldez é “Amigo do Lula e amigo da Dilma”, diz a peça publicitária.

Lula parece concordar. Aparece pedindo aos eleitores votos para o ex-governador do Amapá. Toda a propaganda aposta na parceria entre o candidato e os parceiros no plano federal. Promete que Góes vai trazer “Brasília para perto do Amapá”. Ao fundo, o jingle elenca as qualidades do candidato: “Homem decente e trabalhador”.

Protesto – Apoiadores do governador detido, Pedro Paulo Dias (PP) vão realizar um protesto na região central de Macapá, no fim da tarde. Carros de som percorrem a cidade convidando os militantes para o ato. Os eleitores de Pedro Paulo, que disputa a eleição para governador, acreditam que ele é vítima de perseguição.

(Gabriel Castro, de Macapá)

11/09/2010

às 13:10

Cela onde governador está preso é semelhante à de Arruda

Cela onde ex-governador do DF ficou preso durante dois meses. Governador do AP está em uma sala semelhante à de Arruda. (Foto: PGR/Divulgação)

As regalias para quem tem foro privilegiado contraditoriamente também estão presentes na cadeia. O governador do Amapá, Pedro Paulo Dias (PP), e o presidente do Tribunal de Contas do Estado, José Julio de Miranda Coelho, são os únicos presos da Operação Mãos Limpas que ficaram em uma cela especial da Superintendência da Polícia Federal em Brasília.

Os outros 16 acusados estão no sistema carcerário comum – conhecido como Papuda, em Brasília. Inclusive o ex-governador do Amapá e candidato ao Senado, Waldez Góes (PDT).

Foi na Superintendência que o ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda ficou preso no início do ano. A cela onde hoje o governador do Amapá está encarcerado é semelhante à que Arruda ficou durante dois meses. A assessoria da Polícia Federal não informou se as salas coincidem.    

A cela de Arruda tem dez metros quadrados e é mobiliada com uma beliche, mesa, cadeira, sofá, armário e até ar-condicionado. São em condições de ambiente semelhantes a essas que Dias e Coelho se encontram.

Depoimentos – Todos os 18 acusados pela operação já prestaram depoimentos entre a noite de sexta e a manhã deste sábado. O último grupo de presos chegou em Brasília às 22 horas de ontem. A previsão é que eles permaneçam na cadeia até terça-feira para evitar que atrapalhem as investigações.

Crimes – Os envolvidos no esquema de corrupção devem responder por formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, fraude em licitação, ocultação de bens e valores, tráfico de influência, corrupção ativa e passiva, entre outros crimes. 

(Luciana Marques, de Brasília)

11/09/2010

às 12:42

Governo liberou 800 milhões para órgãos no Amapá

A União liberou 800 milhões de reais entre 2009 e 2010 aos órgãos investigados pela Operação Mãos Limpas, que culminou na prisão do governador do Amapá, Pedro Paulo Dias (PP), e outras 17 pessoas.

Segundo a Controladoria-Geral da União (CGU), o dinheiro foi repassado ao Tribunal de Contas do Estado, à Assembleia Legislativa, e à Prefeitura de Macapá. A pedido da Polícia Federal, a CGU realizou auditorias em processos licitatórios e contratos envolvendo recursos federais aplicados em órgãos do estado.

Entre as irregularidades apontadas, estão sobrepreço, fraude em licitação e desvio de finalidade na aplicação dos recursos. Além da CGU e da PF, as apurações sobre o caso contam com o trabalho da Receita Federal e do Banco Central. Quem preside a investigação é o ministro João Otávio de Noronha, do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

(Luciana Marques)

11/09/2010

às 9:22

Depois de prisões, macapaenses lotam bancas de jornal

As bancas de Macapá (AP) nunca venderam tantos jornais quanto neste sábado (11), dia seguinte à operação que prendeu o governador do estado, Pedro Paulo Dias (PP), e mais 17 pessoas. Em alguns pontos de venda da região central, as edições dos três diários da cidade se esgotaram por volta das 8h30. Nos outros pontos de venda, formaram-se filas de clientes.

O Jornal do Dia foi quem deu mais destaque ao caso: “10 de setembro: Operação Mãos Limpas. Um dia que não será esquecido”, diz a manchete, escrita em fundo preto. O Diário do Amapá é comedido: “Operação Mãos Limpas da PF prende 18 em Macapá”. A capa mais curiosa é a do jornal A Gazeta, cujos diretores também são acusados de ligação com o esquema de desvio de recursos no estado. O periódico deu destaque apenas ao governador interino, o presidente do Tribunal de Justiça do Amapá: “Dôglas Evangelista assume governo”.

Nas ruas, o equilíbrio da disputa pode ser notado a cada quarteirão: grande parte das casas exibe cartazes e bandeiras dos principais candidatos. A campanha não parou: no início da manhã, um carro de som da candidata Dalva, que disputa uma vaga na Câmara Federal pelo PT, pedia votos no centro da cidade. O veículo ainda exibia adesivos de Pedro Paulo Dias, que é candidato ao governo. Uma van caracterizada com fotos do candidato levava também uma mensagem de protesto, pintada nos vidros: “Perseguição”.

(Gabriel Castro, de Macapá)

10/09/2010

às 20:13

PF libera imagens da Operação Mãos Limpas, no Amapá

A Polícia Federal divulgou no fim da tarde desta sexta-feira um vídeo da Operação Mãos Limpas, que desarticulou um esquema de corrupção no Amapá e prendeu 18 pessoas. Nas imagens, os policiais cumprem mandado de busca e apreensão em uma casa de luxo com piscina, cinco carros importados no estacionamento – uma Ferrari, uma Masserati, duas Mercedes e um Mini Cooper – e ainda um triciclo.

O vídeo ainda mostra um agente contando notas de cem reais apreendidas na casa, parte do total de 1 milhão de reais apreendido de toda a operação. Há também duas pistolas. Uma delas foi apreendida com o prefeito de Macapá, Roberto Góes (PDT), que foi detido por porte ilegal de arma, mas pagou fiança de 1.200 reais e foi liberado. A outra pistola não foi identificada.

Parte do total de 1 milhão de reais apreendido durante a Operação Mãos Limpas, no Amapá - Foto: PF/Divulgação

Entre os presos na operação estão o governador do Amapá, Pedro Paulo Dias (PP), o ex-governador do estado Waldez Góes (PDT) e o presidente do Tribunal de Contas local, José Julio de Miranda Coelho. Todas as pessoas detidas foram levadas para Brasília, onde ficarão por pelo menos cinco dias – Dias e Góes ficarão na Superintendência da PF e os demais no Complexo Penitenciário da Papuda.

(Adriana Caitano)


 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados