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Jefferson Moura

16/09/2010

às 23:04

No Rio, debate da RedeTV! só esquentou nos bastidores

Nem o calor do noticiário político desta quinta-feira, com a queda da ministra Erenice Guerra, foi capaz de esquentar o debate promovido na noite desta quinta-feira pela RedeTV! com os candidatos ao governo do Rio de Janeiro. Às  22h57m, o Ibope registrava a emissora em penúltimo lugar, com 1,6% de audiência, atrás apenas da TV Cultura. A Globo liderava com 26.6%, e a Record vinha em segundo com 12,7%.

O ânimo dos candidatos era semelhante ao dos espectadores. No primeiro intervalo, a principal preocupação de Sérgio Cabral era em relação ao resultado do jogo de seu time, o Vasco da Gama (que empatou, em São Januário, com o Avaí, de Santa Catarina). Ao se despedir, Fernando Gabeira agradeceu aos espectadores, lembrando que a maioria já deveria estar dormindo, ou com muito sono. E o candidato ao Senado Jorge Picciani, aliado de Cabral, saiu comentando que estava “dormindo em pé”.

O único momento de enfrentamento claro deu-se nos bastidores, entre a mulher do governador, Adriana Anselmo,  e o deputado estadual Marcelo Freixo, do PSOL, candidato à reeleição. Cabral afirmou no debate que fora elogiado por Freixo em reunião na qual o deputado lhe entregou um relatório sobre a atividade das milícias no Rio de Janeiro. Em bilhete entregue ao candidato Jefferson Moura, Freixo negou a existência da reunião. No ar, Cabral apenas reafirmou que o encontro existiu. Por trás das câmeras, Adriana chamou o deputado de mentiroso.

Cecília Ritto, do Rio de Janeiro

13/08/2010

às 13:49

O que dizem os fatos sobre o que foi dito no debate no Rio

No ringue em que se deu o debate entre os candidatos ao governo do Rio de Janeiro, houve mais bate-boca do que discussão de propostas. Não há muito o que destacar sobre o desempenho de cada um, e menos ainda em relação a quem ganhou ou perdeu. No primeiro bloco de debate (o primeiro foi de apresentação de cada um), Sérgio Cabral ficou acuado diante de acusações muito pesadas, que incluíram sua mulher, Adriana Ancelmo. Quase se descontrolou. Depois recuperou a calma e, entre ataques a Fernando Peregrino (PR, mesmo partido do ex-governador Anthony Garotinho) e Fernando Gabeira (PV, aliado ao ex-prefeito César Maia, do DEM), e a exposição de algumas realizações de seu governo, conseguiu sair do córner.

Mas os candidatos da oposição não fizeram apenas ataques pessoais. Em alguns (poucos) momentos, referiram-se ao desempenho de seu governo.  Cabral não escorregou nos números, mas saiu pela tangente em respostas relacionadas a seu passado político. Abaixo, alguns dos embates mais interessantes:

1) EDUCAÇÃO: Jefferson Moura, do PSOL, disse que o Rio de Janeiro é lanterninha no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica.
VERDADE: No Ideb 2009, o Rio fica em 10º lugar no ranking do ensino fundamental e na penúltima posição no do ensino médio, atrás apenas do Piauí e empatado com Alagoas, Amapá e Rio Grande do Norte.

2) HERANÇA: Sérgio Cabral diz que herdou de Rosinha Garotinho um estado falido, com menos de cem milhões de reais em caixa.
VERDADE: Rosinha Garotinho sucedeu a seu marido Anthony no governo estadual, o que resultou em um mandato familiar de oito anos, entre 1998 e 2006. O estado foi sucateado em todas as áreas.

3) HERANÇA1: Fernando Peregrino diz que Cabral é parcialmente responsável pela herança que recebeu de Rosinha, porque foi aliado do casal Garotinho.
VERDADE: como presidente da Assembléia Legislativa entre 1998 e 2001, Sérgio Cabral foi peça fundamental para aprovar os projetos do governador Anthony Garotinho.

4) ADRIANA ANCELMO: Fernando Peregrino diz que a mulher do governador é sócia de um escritório de advocacia que tem, entre seus clientes, concessionárias do serviço público estadual, e que isso encerra, no mínimo, um conflito de interesses.
MEIA VERDADE: O escritório não é o único contratado pelas concessionárias, o que permite que as questões que envolvem diretamente o governo estadual não sejam tratadas ali. No dia 11 de agosto, o Ministério Público estadual arquivou representação do deputado Marcelo Freixo (PSOL) contra o governo, por entender que não existe improbidade administrativa no fato de a mulher do governador ser sócia de um escritório com essa clientela. Mas é uma situação desconfortável para Cabral. A presença da primeira-dama entre os sócios é um cartão de visitas e tanto para empresas que têm relacionamento com o governo.

5) MEIO AMBIENTE: Fernando Gabeira diz que Sérgio Cabral assinou decreto permitindo novas construções na Ilha Grande, o que provocou a tragédia do último réveillon, quando morreram 54 pessoas na região de Angra dos Reis, sendo 33  na Ilha.
MEIA VERDADE: Ao personalizar a crítica, Gabeira perdeu uma boa oportunidade de fazer a análise correta. A região de Angra dos Reis é um dos exemplos mais escandalosos do Brasil de como a omissão de sucessivos governos e a corrupção dos órgãos de fiscalização podem devastar uma região e transformá-la numa grande área de risco quando chove. O decreto de Cabral regulariza construções já feitas, e não pode ser responsabilizado pelo que aconteceu em 2009.

5) FICHA-LIMPA: Cabral diz que Peregrino só é candidato porque Garotinho foi barrado pelo projeto Ficha-Limpa.
VERDADE: O ex-governador Anthony Garotinho foi barrado, recorreu e ganhou em primeira instância. Mas como a decisão final ficou para agosto, preferiu sair para deputado federal. Só por isso Peregrino é candidato.

(Lucila Soares, do Rio de Janeiro)

13/08/2010

às 0:40

O passado entrou em cena no debate do Rio

Os candidatos ao governo do Rio de Janeiro no debate da Band

As alianças políticas atuais e passadas dos candidatos ao governo do Rio de Janeiro foram personagens de peso no debate realizado pela Band, e aumentaram a temperatura do confronto. Já se esperava que Sérgio Cabral fosse a vidraça preferencial de Fernando Gabeira (PV), Fernando Peregrino (PR) e Jefferson Moura (PSOL). E o governador escolheu, como instrumento de defesa, a lembrança dos padrinhos e aliados políticos de seus adversários.

Além de ouvir críticas a sua gestão, Cabral foi alvo de acusações pesadas, que atingiram sua mulher, Adriana Ancelmo, sócia de um escritório de advocacia que tem, entre seus clientes, empresas concessionárias de serviços públicos no estado. No confronto mais agressivo da noite, Fernando Peregrino disse que “o poder concedente e o concessionário coabitam” no Rio de Janeiro, e que o governo estadual perdoou uma dívida milionária da Telemar, cliente do escritório onde a primeira-dama advoga.  Cabral defendeu-se partindo para o ataque.  Referiu-se a Fernando Peregrino, do PR, como “Garotinho”. E lembrou que a ex-governadora Rosinha Garotinho acabou de perder seu mandato na prefeitura de Campos. Peregrino acusou Cabral de estar “cuspindo no prato em que comeu”, referindo-se ao período em que Garotinho era governador e Cabral, presidente da Assembléia Legislativa. Sobrou para Fernando Gabeira, candidato do PV com apoio do PSDB e do DEM, que para Cabral virou “César Maia”, o ex-prefeito do Rio e atual candidato ao Senado pelo DEM.

Aliança cômica – Gabeira acabou provocando um parêntesis no embate entre Jefferson Moura, do PSOL, e Sérgio Cabral. Moura, o mais jovem e com menos estrada política, acabou fazendo coro a Cabral na provocação ao ex-guerrilheiro que anda visivelmente desconfortável no arco de apoio que angariou no estado e, até o momento, rendeu-lhe parcos 300 000 reais para a campanha.  O candidato do PSOL  o chamou de “ex-Gabeira”. Gabeira aceitou o rótulo. E justificou as alianças com o PSDB e o Democratas dizendo que amadureceu e não precisa mais agir como um adolescente, que precisa afirmar sua diferença em relação aos outros para marcar sua identidade. “As pessoas maduras se juntam para mudar a realidade”, argumentou, acrescentando que não é mais o mesmo homem que lutou pelo socialismo, que, segundo ele, só causou males por onde passou, citando países como Cuba e China.

Propostas - No surrado formato dos debates, as propostas de governo acabaram, como sempre, em segundo plano. E, verdade seja dita, compuseram os blocos menos animados para quem se dispôs a ficar acordado até tarde. Sintomaticamente, o tema da segurança, que sempre ocupou a maior parte das discussões no Rio de Janeiro, demorou a surgir. E surgiu de Sérgio Cabral, que tem nas Unidades de Polícia Pacificadoras (UPPs), o grande cartão de visitas de seu governo. Foi o único tema em que os adversários não tinham tanta munição. Assim como acontece com os programas sociais do governo federal, o máximo que os adversários dizem contra o modelo de ocupação de favelas levado à frente no estado é que é preciso melhorá-lo.

(Cecília Ritto e Rafael Lemos, do Rio de Janeiro)

12/08/2010

às 21:48

Todos os candidatos já chegaram à Band no Rio

O governador Sérgio Cabral acaba de chegar à sede da Band no Rio de Janeiro, completando a bancada de candidatos ao Palácio Guanabara que participará do debate previsto para começar às 22h. Os outros são  Fernando Peregrino, do PR, Fernando Gabeira, do PV, e Jefferson Moura, do PSOL. Quase ao mesmo tempo que Cabral, chegaram, escoltados, o vice-governador , Luiz Fernando Pezão, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, o senador Francisco Dornelles e o filho mais velho de Cabral, João Pedro. Foram recebidos aos gritos pela claque do PR, que faz barulho desde cedo em frente à emissora.

(Cecília Ritto, do Rio de Janeiro)

 

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