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candidatura

01/11/2010

às 18:47

Dilma recebe ligação de Obama e outros presidentes

O telefone da presidente eleita Dilma Rousseff (PT) não parou de tocar nesta segunda-feira. Presidentes de diversos países ligaram para a ex-ministra parabenizando-a pela eleição de domingo. Um dos telefonemas mais longos foi o do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Ele desejou manter a cooperação com o Brasil em questões de política internacional e referentes à energia.

Obama elogiou a conduta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e destacou o papel do Brasil para a reconstrução do Haiti. O presidente norte-americano também desejou encontrar-se com Dilma o mais breve possível.

Dilma também se estendeu na conversa com o presidente da França, Nicolas Sarkozy. Desejaram ainda boa sorte para a presidente eleita os presidentes da Venezuela, Colômbia, Uruguai, El Salvador, México e Chile. No domingo, Dilma conversou com a presidente da Argentina, Cristina Kirchner.

Segundo o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais e coordenador da campanha do PT, Marco Aurélio Garcia, todos os presidentes convidaram Dilma para visitar cada país. Ela agradeceu os convites, mas dificilmente irá atender aos pedidos antes de tomar posse, no dia primeiro de janeiro. A petista deferá preocupar-se primeiro com a transição do governo.

Garcia informou que Dilma acompanhará o presidente Lula na reunião do G20 em Seul, na Coreia do Sul. No encontro, poderá iniciar conversas com representantes internacionais sobre questões como protecionismo comercial e políticas de câmbio.

(Luciana Marques, de Brasília)

01/11/2010

às 18:44

Suplicy é barrado na porta da casa de Dilma

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) passou por um constrangimento na porta da casa da presidente eleita Dilma Rousseff nesta segunda-feira. Ele chegou ao local com um vaso de orquídeas para entregar à petista, mas foi impedido por seguranças. A visita surpresa acabou em frustação.

Os assessores de Dilma informaram ao senador que ela estava descansando e recolheram as flores com a promessa de entregá-las à petista. “Queria dar um abraço de parabéns à extraordinária vitória da presidenta Dilma Roussseff”, lamentou Suplicy.

(Luciana Marques, de Brasília)

01/11/2010

às 0:03

Bastidores: Dirceu e Pimentel fora do palco

Dilma Rousseff, a primeira mulher eleita presidente do Brasil, chegou sorridente, às 21h50 deste domingo, para discursar a militantes, imprensa e autoridades no hotel Naoum, em Brasília. Enquanto entrava acompanhada de seus três mosqueteiros – e outros aliados – José Eduardo Dutra, Antonio Palocci e José Eduardo Cardozo, a plateia cantava o hino nacional.

De terninho cinza claro, sapatos marrons com fivelas douradas e brincos de pérola, Dilma leu seu primeiro discurso como presidente eleita. Séria, não olhou para os lados enquanto virava as folhas revisadas pelo marqueteiro João Santana. Pela primeira vez em 119 dias de campanha, ficou emocionada ao falar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “A alegria da minha vitória se mistura com a emoção de sua despedida”.

Ao lado da mulher, Mônica, que usava um vestido vermelho, Santana assistiu de forma discreta – como gosta de ser – ao pronunciamento de 25 minutos. No palco, governadores e senadores eleitos disputavam um lugar ao lado de Dilma e da cúpula da campanha. A presidente eleita, ao ver o tumulto que estava se formando, falou no ouvido de Palocci: “Tem que tirar algumas pessoas. Aqui não cabe”.

Em poucos minutos, restaram apenas alguns no palanque, como o vice-presidente eleito Michel Temer (PMDB), a senadora eleita por São Paulo, Marta Suplicy, o governador eleito pelo Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), e outras figuras, como o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

O ex-ministro da Casa Civil e deputado cassado, José Dirceu, e o ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), chegaram junto com Dilma para o pronunciamento, mas ficaram fora do palco e permaneceram discretos até o fim. Nos bastidores, Dirceu afirmou que foi “um discurso perfeito”. Ele não subiu à suíte como os outros companheiros de partido e disse que precisava ir embora para ver o filho. Pimentel não foi visto após o pronunciamento.

Champanhe – Após o discurso, Dilma seguiu para a suíte reservada no hotel, acompanhada de assessores e aliados. A sequência discurso-suíte com champanhe-festa com militantes é a marca da vitória de candidatos sob a tutela de João Santana. Foi assim na vitória do Lula em 2006, quando o presidente discursou e comemorou com aliados no hotel Intercontinental, em São Paulo, depois seguiu para a festa na Avenida Paulista com milhares de petistas.

Dilma não é muito de festa. Após receber os cumprimentos de todos os assessores, governadores, senadores e deputados na suíte do hotel Naoum, a nova presidente eleita seguiu para o Palácio da Alvorada, para receber pessoalmente os cumprimentos do presidente Lula. Saiu à meia-noite, acompanhada de ministros e assessores, em uma comitiva de três carros. Não foi à festa na Esplanada – e frustrou a militância.

Antes do anúncio – Dilma comemorou a notícia de que tinha sido eleita presidente antes mesmo do final da apuração. Na casa da ex-ministra, estava o núcleo duro de sua campanha. Apelidados pelo PMDB de “Os Três Porquinhos” – devido ao excesso de peso – Dutra, Cardozo e Palocci deram o primeiro abraço em Dilma, assim como o marqueteiro João Santana, que também estava presente pouco antes das 21h.

(Marina Dias, de Brasília)

31/10/2010

às 18:41

No exterior, 62 países encerram votações

As votações para o segundo turno da eleição presidencial no Brasil estão encerradas em 62 países onde os cidadãos brasileiros cadastrados pela Justiça Eleitoral puderam votar. De acordo com o último levantamento divulgado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) – responsável pelas eleições no exterior – até o momento, Praia, capital de Cabo Verde, foi a última cidade a concluir a votação às 16h, horário de Brasília.

Das 126 cidades cadastradas – distribuídas por 86 países -, 43 ainda não finalizaram as votações para presidente e vice-presidente. Vinte e sete localidades concluíram a votação já às 14h, entre elas Berlim, Frankfurt, Munique, Praga, Paris e Milão. Outras oito cidades encerraram o pleito às 15h: Londres, Dublin, Lisboa Porto, Abidjã (Costa do Marfim), Bissau (Guiné Bissau), Rabat (Marrocos ) e Dacar (Senegal).

Eleitorado - Os mais de 200.000 eleitores cadastrados pela Justiça Eleitoral no exterior votam apenas para os cargos de presidente e vice-presidente da República. A votação acontece das 8h às 17h, sempre do horário local. O resultado da votação será divulgado apenas às 19h, horário em que o pleito se encerra no Brasil.

28/10/2010

às 21:05

Na TV: menos críticas e mais propostas

Durante o horário eleitoral da noite desta quinta-feira, os candidatos à Presidência da República apostaram em mais propostas e menos ataques. O programa da petista Dilma Rousseff exibiu imagens e depoimentos de beneficiados dos programas sociais do governo Lula. Entre eles, o Minha Casa Minha Vida e o Luz Para Todos foram destacados como a menina dos olhos da ex-ministra. Em seguida, o narrador afirma: “o Brasil está querendo fazer história de novo” – depois de eleger um operário, “é hora de eleger a primeira mulher presidente do país”.

O programa petista também apostou na biografia de Dilma, com imagens de sua infância e depoimentos da candidata que explica sua atividade política desde a época do combate à ditadura – como nos primeiros programas exibidos ainda no mês de agosto. Na sequência, Dilma afirma que tem “a chance de consolidar o processo de crescimento do Brasil, de inclusão social e de melhoria de vida dos brasileiros”. Como não podia faltar, o presidente Lula dá seu depoimento, pedindo votos para que não haja abstenção em grandes proporções, como no primeiro turno.

Somente no final do programa é que aparece um dos apresentadores afirmando que Serra “mente em sua propaganda” ao afirmar que Lula e Dilma entregaram o petróleo do Brasil a empresas estrangeiras. “Isso é desespero de quem está atrás nas pesquisas”.

A crítica é no mesmo tom que a exibida no direito de resposta de Dilma na propaganda de Serra, que marca o início do programa tucano. “Dilma jamais foi acusada de cometer ou compactuar com qualquer irregularidade”, diz o texto autorizado pelo TSE. O programa de Serra, porém, começa afirmando que “Lula e Dilma já entregaram a exploração do petróleo para várias empresas estrangeiras”, reforçando os ataques.

Depois disso, o programa volta seu tom para as propostas. O tucano afirma que o grande desafio do próximo presidente é a educação e é por isso que ele fez um “pacto nacional pela educação”. Há destaque também para a atuação de Serra nas áreas da saúde, como “o melhor ministro da Saúde que o Brasil já teve”, e os projetos do tucano para a segurança do país, com a criação do Ministério da Segurança.

27/10/2010

às 14:25

Tucanos e petistas fazem acordo para evitar conflito nas ruas de SP

Após os embates entre militantes do PT e do PSDB em alguns eventos de campanha neste segundo turno, petistas e tucanos em São Paulo levantaram a bandeira branca para esta sexta-feira. A ideia inicial dos dois partidos era a mesma: fazer uma caminhada no centro da capital paulista por volta do meio-dia, como um dos últimos atos de mobilização da militância antes do domingo de eleição. Para evitar qualquer possibilidade de conflito, porém, as cúpulas dos partidos precisaram entrar em acordo.

Integrantes da coordenação das campanhas de Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) em São Paulo trocaram informações precisosas sobre horário e local das caminhadas – informalmente, é claro. E, assim, foi decidida a agenda: tucanos farão o ato no centro da capital paulista a partir do meio-dia, com a presença de Fernando Henrique Cardoso. Os petistas tomarão o centro a partir das 16h desta sexta, com participação de Aloizio Mercandate (PT), Marta Suplicy, senadora eleita por São Paulo, e Netinho de Paula (PCdoB).

O fim da tarde foi escolhido pelo PT para o caso de o presidente Lula participar da caminhada. Ele só pode ser cabo eleitoral de Dilma – oficialmente – após às 19h ou em fins de semana, mas sua presença ainda não é confirmada.

Dilma e Serra não devem participar das caminhadas, pois estarão no Rio de Janeiro para o último debate desta eleição presidencial, que acontece também na sexta-feira, na Rede Globo.

(Marina Dias)

26/10/2010

às 1:52

Celular do marqueteiro: o melhor amigo dos petistas

Era do celular do marqueteiro João Santana que saía grande parte dos conselhos que José Eduardo Dutra e Antonio Palocci davam à candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, durante os três intervalos do debate desta segunda-feira, na Rede Record. O aparelho smartphone – consultado minuto a minuto – é uma mina de ouro para os petistas.

É nele que chegam as mensagens com avaliações de pesquisas qualitativas montadas pela campanha em todo o país, com grupos de pessoas que assistem ao debate e – sem saber que são observados com finalidade política – dão opiniões sobre o desempenho dos candidatos.

Pois bem. No último bloco, Dilma voltou a perguntar sobre a política de empregos que será desenvolvida por José Serra (PSDB), caso o tucano seja eleito em 31 de outubro. A petista já tinha falado sobre o assunto no segundo bloco e – de acordo com os resultados recebidos no celular de Santana – os eleitores gostaram da abordagem de Dilma. E, orientada pelos assessores, ela repetiu a performance.

O início do debate – como sempre – foi mais tenso para a petista, que geralmente começa nervosa. Enquanto Dilma enumerava as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em réplica a Serra no primeiro bloco, por exemplo, acabou se enrolando com alguns nomes. João Santana sacudia a cabeça negativamente e falava com Palocci, sentado a seu lado no palco – o marqueteiro não gostou da explicação.

Aos poucos, avaliaram petistas, Dilma foi ficando mais segura e didática e se saiu melhor do que no último debate do segundo turno, na RedeTV!. “Serra está muito agressivo. Acusar o adversário de mentir a toda hora não pega bem para os telespectadores, ainda mais quando se trata de acusar uma mulher”, explicou o deputado estadual Rui Falcão (PT-SP), coordenador de comunicação da campanha de Dilma.

Erenice e Paulo Preto – A candidata do PT só iria tocar no caso Paulo Vieira de Souza – ex-diretor do Dersa, conhecido como Paulo Preto, que teria desviado 4 milhões de reais de caixa dois da campanha tucana – se Serra falasse de Erenice Guerra, ex-ministra da Casa Civil acusada de comandar o tráfico de influência da pasta. E assim foi feito. Serra citou Erenice e Dilma disparou: “Ele [Paulo Vieira de Souza] te ameaça e vocês acobertam o que ele fez, não apuram nada”.

Para José Eduardo Cardozo, coordenador-jurídico da campanha de Dilma, “é muito difícil fazer imputações éticas sem ouvir respostas para quem tem o caso Paulo Preto nas costas. Enquanto afirmar que ele [Paulo Preto] é inocente, vai continuar a responder nossas questões”, afirmou.

Dilma declarou, ao fim do debate, que o encontro “foi bom para expor ideias”. Para ela, quem levantou o tema “escândalos” foi Serra, quando citou o caso Erenice. “Eu só quero deixar claro que há diferença entre o governo que investiga e pune e o governo que encobre, acoberta e esconde. E nós investigamos”. E completou: “senti um clima meio de soberba e desdém por parte do candidato Serra”. Mais um caso pensado. No celular de Santana veio a dica: muitos eleitores acharam o tucano arrogante em várias respostas, o que não pegou bem – e  foi explorado por Dilma, é claro.

(Marina Dias, de São Paulo)

26/10/2010

às 1:43

Debate: nova troca de acusações, velhos temas

No penúltimo embate antes do segundo turno das eleições, José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) preferiram apostar em temas já conhecidos e mencionados por ambos durante a campanha para partir para o ataque. Sem surpresas, a discussão sobre privatizações foi um dos assuntos mais recorrentes. Outrora protagonista, a polêmica sobre o aborto foi apenas citada desta vez. Acontecimentos mais recentes, como a agressão ao tucano, no Rio de Janeiro, e a denúncia, revelada por VEJA, de que o Ministério da Justiça recebeu e rechaçou pedidos de produção de dossiês contra adversários, ficaram de fora. O debate foi realizado na noite desta segunda-feira, em São Paulo.

O confronto já começou quente. Coube a Dilma abrir a rodada de perguntas da noite, indagando a Serra sobre o que ele pretende fazer com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), carro-chefe do governo Lula, no Nordeste. O tucano chamou o PAC de “lista de obras”. “É muito mais saliva e propaganda”. Dilma revidou o ataque, dizendo que o adversário estava “enrolando” e que as obras foram todas tiradas do papel. Uma amostra de que a troca de acusações iria permear todo o confronto. E um ensaio para o último debate, o mais esperado antes das eleições – da TV Globo, na sexta-feira.

Petrobras – A questão das privatizações entrou em pauta já no segundo bloco, por iniciativa de Serra. O tucano questionou a estratégia, amplamente explorada pela petista durante a campanha, de afirmar que ele vai privatizar a Petrobras e o pré-sal, caso seja eleito, e que queria mudar o nome da estatal para Petrobrax. Enquanto ela insistia, ele revidada, chamando-a de mentirosa. A discussão durou mais da metade do bloco.

“Estão querendo privatizar o filé mignon, a carne de pescoço era o que existia antes”, afirmou Dilma. “Dilma tem dito mentirosamente que eu quero privatizar a Petrobras. Ela é uma profissional dessa arte (da mentira). Quem está mentindo aqui?”, disparou Serra.

A saraivada de acusações mútuas passou por nomes já citados, ligados a escândalos. De um lado, Serra lembrou a ligação de Dilma com a ex-ministra Erenice Guerra, que caiu após a revelação, por VEJA, de um esquema de tráfico de influência e lobby do qual o filho de Erenice, Israel Guerra, fazia parte. De outro, a petista mencionou as acusações de que Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, desviou dinheiro de campanhas tucanas.

Dilma lembrou que Erenice prestou depoimento à Polícia Federal (PF). O tucano aproveitou para falar do ex-ministro José Dirceu, réu no processo do mensalão – o maior escândalo do governo Lula. Disse que a adversária testemunhou para ele.

Meio ambiente – Pela primeira vez nos debates pré-segundo turno, o meio ambiente entrou em pauta. A iniciativa foi de Dilma. Em uma clara estratégia de caça aos votos verdes, Dilma falou sobre as metas de Copenhage. “Eu tenho um compromisso claro com essas metas”, declarou. O compromisso já foi citado pela candidata derrotada Marina Silva (PV) como ponto favorável de Dilma.

A petista perguntava sobre desmatamento na Amazônia. O tucano prometeu desmatamento zero. Aproveitou para citar várias vezes o nome de Marina Silva e do PV. “A nossa Lei de Mudanças Climáticas é a melhor da América do Sul e a terceira melhor do mundo”, garantiu Serra. Dilma replicou: ‘Quero insistir na questão nacional, porque quando o assunto é Brasil o desafio é muito maior”.

Guerra de expressões – Os candidatos inovaram em algumas expressões adotadas ao longo do debate. Dilma disse várias vezes que Serra “está enrolando”. Diante da insistência, Serra respondeu: “Dilma está enrolada”.

Outros termos já citados em ocasiões anteriores, como “trololó”, foram mencionados de novo. Durante o debate, Serra pediu para que Dilma falasse de saúde. Exigiu propostas concretas e não “trololó”. Ela reagiu, dizendo que o tucano usava o termo quando estava nervoso. “Não digo que tem ‘trololó’ quando fico nervoso, mas quando acho engraçado”, retrucou Serra.

(Mirella D’Elia, de São Paulo)

25/10/2010

às 16:57

A estratégia de Dilma para os dois últimos debates

Na última semana de campanha, a candidata petista à Presidência, Dilma Rousseff, deve se dedicar aos debates da Rede Record, nesta segunda-feira, e da Rede Globo, na sexta. Agendas mais pesadas – como em Manaus (AM), prevista para quarta-feira – já foram canceladas e os comícios, que exigem discursos mais longos, também vão ter seu ritmo diminuído.

Dilma está visivelmente cansada. E afônica por conta do esforço na voz. O tornozelo, torcido em uma tentativa de se exercitar na esteira ergométrica, não está completamente recuperado e a petista ainda sente fortes dores. É por isso que, nesta segunda, Dilma chegou a São Paulo e não ficou mais de meia hora no lançamento de seu programa de governo.

Apressada, respondeu a perguntas de jornalistas mais séria e tensa do que o normal e seguiu para o hotel onde está hospedada para a preparação para o debate desta noite. “É TPD – Tensão Pré Debate”, brincou um assessor.  Nesta terça-feira, Dilma vai ao nordeste e cumprirá a agenda mais agitada da semana, com passagens em Fortaleza (CE), Caruaru (PE) e Vitória da Conquista (BA). Três estados em apenas um dia. A quarta-feira deve ser de descanso em Brasília e, na quinta e na sexta, Dilma se prepara para o embate na Rede Globo, no Rio de Janeiro.

Estratégias – A preparação de Dilma para o debate desta noite conta com repertório de ataques ao tucano José Serra e com a série de propostas e de realizações do governo Lula, que devem ser citada pela petista a cada tema. Se vai atacar mais ou menos seu adversário, depende “das condições de temperatura e pressão”, afirmam integrantes da coordenação. Caso Serra venha para cima, ela vai ter como rebater – e está preparada para isso. É o que dizem.

Já para o debate da Globo – temático e sem perguntas entre os candidatos – os petistas esperam um clima bem mais tranquilo. “Serra virá com tudo no debate da Record. Na Globo, a coisa vai ser mais leve”. É esperar para ver.

(Marina Dias)

25/10/2010

às 16:49

A cinco dias das eleições, Dilma lança programa de governo

Quando a candidata petista à Presidência, Dilma Rousseff, chegou ao hotel Mercure, na zona sul de São Paulo, às 13h10 desta segunda-feira, os principais representantes de partidos aliados já a esperavam há algum tempo. A ex-ministra permaneceu por pouco mais de vinte minutos no almoço em que a campanha do PT fez o lançamento oficial do programa de governo da candidata – a apenas cinco dias das eleições.

Batizado de “Os 13 compromissos programáticos para debate na sociedade brasileira”, o documento trata de forma bem genérica e sintética os principais pontos que, segundo Dilma, garantirão a governabilidade caso ela seja eleita em 31 de outubro. “O programa é fruto de um processo de discussão entre onze partidos e é a síntese do que pretendemos fazer pelo Brasil”.

Em uma entrevista coletiva de quinze minutos, Dilma destacou questões como a soberania e a sustentabilidade, além da qualidade dos serviços públicos. “São os nossos princípios, não quero fazer nada novo em relação à democracia”.

Polêmica – Lançar um programa de governo ainda no primeiro turno foi motivo de polêmica para os dois principais candidatos. Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) apresentaram versões questionáveis sobre suas intenções para o país nos próximos anos. Enquanto o tucano apresentou discursos de campanha, a petista registrou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o programa apresentado no 3º Congresso do PT, que continha itens como “controle social da mídia” e taxação sobre gandes fortunas. Logo depois, o texto foi retirado.

O caderno apresentado nesta segunda-feira passa ao largo de temas espinhosos, como aborto ou casamento gay. Na apresentação, o texto retrata realizações do governo Lula e cita programas sociais como o Minha Casa Minha Vida, o ProUni e o Bolsa Família, além da descoberta do pré-sal e do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), como as locomotivas dos últimos oito anos. Em seguida, as exposições apontam para o governo de continuidade que seria o de Dilma, com a reforma política, o controle da inflação, a ampliação dos programas sociais, a erradicação da miséria absoluta e a preservação do meio ambiente.

Agrado aos aliados – O programa de governo tem apenas 17 páginas e o evento para o que os petistas chamaram de “lançamento oficial” pode ser interpretado como um agrado aos partidos aliados, que passaram os últimos meses reclamando de pouca participação nas estratégias de campanha e de pouco acesso à candidata.

No entanto, pondera o presidente do PT, José Eduardo Dutra, o evento – e o programa – não são uma forma de satisfação aos partidos que compõe a base. “Não é bem assim. O programa foi uma conquista construída por todos”. O presidente do PCdoB, Renato Rabelo, endossa o caro. “Não é uma satisfação para o PCdoB. Nós não iríamos apoiar alguém sem programa de governo. Mas acho que isso já deveria ter saído. Demorou muito, mas estamos satisfeitos”.

Para o assessor especial da Presidência e coordenador do programa de governo de Dilma, Marco Aurélio Garcia, nem mesmo o tamanho do texto ficou aquém das expectativas. Segundo ele, a candidata discutiu todos os pontos do programa, inclusive no primeiro turno, quando participou de debates e entrevistas, além do que foi exibido nos programas do horário eleitoral. “Não há novidade. E o programa não difere do que fizemos nas outras campanha de Lula, por exemplo. Em 1998 e 2006, era um texto mais ou menos desse tamanho”.

Além dos 13 pontos, listados abaixo, ainda há 25 documentos chamados setoriais, que detalham as propostas de Dilma para cada área, como saúde, educação, juventude, meio ambiente, entre outros, e estão sendo apresentados durante a campanha.

Os 13 pontos:

1 – Expandir e fortalecer a democracia política, econômica e socialmente

2- Crescer mais, com expansão do emprego e da renda, com equilíbrio macroeconômico, sem vulnerabilidade externa e desigualdades regionais

3 – Dar seguimento a um projeto nacional de desenvolvimento que assegure grande e sustentável transformação produtiva do Brasil

4 – Defender o meio ambiente e garantir um desenvolvimento sustentável

5 – Erradicar a pobreza absoluta e prosseguir reduzindo as desigualdades. Promover a igualdade, com garantia de futuro para os setores discriminados na sociedade

6 – O Governo Dilma será de todos os brasileiros e brasileiras e dará atenção especial aos trabalhadores

7 – Garantir educação para a igualdade social, a cidadania e o desenvolvimento

8 – Transformar o Brasil em potência científica e tecnolõgica

9 – Universalizar a saúde e garantir a qualidade do atendimento do SUS

10 – Prover as cidades de habitação, saneamento, transporte e vida digna e segura para os brasileiros

11 – Valorizar a cultura nacional, dialogar com outras culturas, democratizar os bens culturais e favorecer a democratização da comunicação

12 – Garantir a segurança dos cidadãos e combater o crime organizado

13 – Defender a soberania nacional. Por uma presença ativa e altiva do Brasil no mundo

(Marina Dias, de São Paulo)

 

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