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Arquivo da categoria VEJA acompanha Marina Silva

31/10/2010

às 15:19

“O voto é do eleitor”, diz Marina Silva

A senadora pelo PV, Marina Silva votou duas vezes neste domingo: em seu candidato à Presidência e no referendo do fuso horário do Acre. Derrotada nas urnas no primeiro turno, ela preferiu não declarar em quem votou para presidente. Ela deve se pronunciar sobre o resultado das eleições apenas depois do anúncio do candidato eleito. “Vou repetir o que já havia dito no primeiro turno. O voto não é meu, nem do Serra, nem da Dilma. Ele é do eleitor. Cada um tem que votar de acordo com a sua consciência.”

Quanto ao referendo, Marina declarou votar pela volta do antigo fuso horário do Acre, no qual o estado fica a duas horas de diferença do fuso horário de Brasília. A senadora embarcaria para São Paulo por volta das 14 horas (no Acre) para acompanhar a apuração de votos ao lado de lideranças do Partido Verde. “Os brasileiros estão sendo responsáveis e as urnas revelam muito mais do que as pesquisas”, avaliou.

Nota da redação: Este post foi publicado às 15h19 com o título “Marina Silva só vai revelar seu voto após resultado final”. O título poderia levar à interpretação de que a ex-candidata faria um pronunciamento para anunciar em que candidato havia votado. A senadora reagiu e publicou o seguinte comentário no Twitter: “Acabo de chegar a Brasília e li a nota de Veja sobre a revelação do meu voto. A revista errou. Em nenhum momento, fiz tal afirmação”. Marina Silva está certa. O título foi alterado.

17/10/2010

às 8:30

PV decide em plenária apoio para segundo turno

Depois de duas semanas de conversas, especulações e um certo clima de suspense, o Partido Verde (PV) finalmente decide neste domingo que postura vai adotar durante os próximos 15 dias que antecedem o segundo turno. No fim desta manhã, cerca de 150 pessoas ligadas à legenda reúnem-se em um espaço cultural na Vila Madalena, em São Paulo, para escolher entre apoiar José Serra (PSDB), Dilma Rousseff (PT) ou nenhum dos dois.

Com a terceira colocação de Marina Silva no primeiro turno da corrida presidencial e a surpreendente conquista de quase 20 milhões de votos, o partido adquiriu capital político e teve todos os holofotes voltados para si. A senadora se tornou a noiva da disputa e passou a ser cortejada por ambos os lados. Serra e Dilma citaram a verde em discursos e programas na TV na tentativa de atrair seus eleitores.

Para valorizar ainda mais seu apoio, o PV resolveu basear a decisão nas próprias propostas. Elaborou uma lista de temas centrais relacionados ao programa de governo de Marina e enviou às duas candidaturas. Na última sexta-feira, após conversas de seus representantes com o vice-presidente verde, Alfredo Sirkis, PSDB e PT enviaram uma resposta ao partido. Ambos apoiaram alguns tópicos e trataram outros de maneira distante. Não convenceram. “Penso que ambas as cartas são vagas e algo pífias”, avaliou Sirkis.

Possibilidades - As cartas dos dois candidatos serão levadas em conta na plenária deste domingo. Mas dificilmente poderão mudar o cenário já desenhado. O grupo mais próximo a Marina Silva, inclusive a própria, tem demonstrado que a neutralidade, ou independência, como preferem chamar, é o caminho mais provável. Porém, como a direção do partido garantiu que haverá liberdade para que a minoria derrotada apóie quem quiser, alguns já assumiram uma posição publicamente, como Fernando Gabeira, que apóia Serra, e Leonardo Boff, que está do lado de Dilma.

A tendência, portanto, é que fique quase tudo como está: o tucano e a petista vão ter que correr atrás dos eleitores de Marina por conta própria e a verde, de olho em 2014, se mantérá isenta de qualquer crítica que possa receber caso decida apoiar um ou outro candidato.

Quem decide - Entre as 155 pessoas com direito a voto na plenária, estão, além de Marina e o empresário Guilherme Leal, que foi vice em sua chapa, integrantes do conselho nacional, deputados federais eleitos pela legenda, candidatos a senador e governador derrotados e representantes de grupos que apoiaram a candidatura da senadora à Presidência.

(Adriana Caitano, de São Paulo)

13/10/2010

às 20:02

PV seguirá posição de Marina Silva no dia 17

Apesar de ter durado mais de cinco horas, a reunião da executiva nacional do PV, ocorrida em Brasília nesta quarta-feira, não decidiu o que o país tanto espera: afinal, quem o partido apoiará no segundo turno? Os dirigentes da legenda insistem que essa resposta não será dada antes do encontro marcado para o dia 17. Mas um ponto já é unânime entre os integrantes da cúpula verde: deverá haver convergência entre a posição de Marina Silva, terceira colocada nas eleições presidenciais, e a do PV. A depender do que tem dito a senadora e seus principais aliados, o partido tende a ficar neutro, ou independente, como preferem dizer os verdes.

Marina foi recebida com aplausos na sede do PV em Brasília. Pela primeira vez desde as eleições a executiva nacional se encontrou para avaliar o desempenho do partido nas urnas. A conclusão foi que a força da senadora – que recebeu quase 20 milhões de votos – ainda não se refletiu nas disputas estaduais. Em nenhum estado houve governador ou senador eleito pelo PV e a bancada verde na Câmara dos Deputados só vai ocupar 15 das 513 cadeiras.

Os dados reforçam o capital político conquistado por Marina. Na opinião dos dirigentes do PV, o crescimento da senadora dentro do partido torna irresponsável qualquer possibilidade de ir contra o que ela acredita. Por isso a ideia de convergência foi tão defendida na reunião. “A conquista de Marina transcendeu as fronteiras do partido”, defendeu o vice-presidente da legenda, Alfredo Sirkis.

Tendência - Na plenária de domingo – que terá a presença de cerca de 150 pessoas ligadas ou não ao PV – haverá espaço para defesas das três hipóteses: apoio a José Serra (PSDB), Dilma Rousseff (PT) ou a nenhum dos dois. “Vai ter uma discussão antes, mas todos os caminhos vão levar à convergência com o que a Marina disser”, afirma o coordenador do PV nas regiões sul e sudeste, Maurício Brusadin. Como a opinião de Marina deve ter peso maior, a possibilidade da independência é a mais provável. “Não tenho a pretensão de ter a tutela do voto do eleitor. Vamos tomar uma posição, o que não significa apoio a um ou a outro”, costuma dizer a senadora. Pessoas ligadas a ela que terão poder de voto no dia 17, como Guilherme Leal, dizem o mesmo.

A neutralidade é também a saída que poderá agradar melhor aos lados divergentes. Isso porque os integrantes do PV continuam livres para apoiar quem quiserem. “Se por acaso nós operássemos pela independência, para não apoiar nem um nem outro, a sugestão é que aqueles que vão apoiar o candidato A ou o candidato B tenham cuidado de não utilizar os símbolos do partido”, comentou o candidato ao governo derrotado no Rio de Janeiro e membro da executiva verde, Fernando Gabeira.

(Adriana Caitano, de São Paulo)

13/10/2010

às 12:35

PV planeja a convenção do dia 17

A executiva nacional do PV está reunida nesta quarta-feira, em Brasília, para definir como será a convenção nacional, marcada para o próximo domingo, 17. Do encontro, que será em São Paulo, deve sair a posição que o partido adotará no segundo turno. Participam da reunião da executiva, que começou por volta de 11h, cerca de 60 pessoas, incluindo Marina Silva, a terceira colocada nas eleições presidenciais.

Outro assunto que deve entrar na discussão da legenda é o clima de insatisfação que tomou conta de parte da cúpula verde. Enquanto oficialmente o partido quer utilizar suas propostas como base para a escolha de um possível apoio a um dos candidatos a presidente, alguns integrantes insistem em um posicionamento político e até já manifestaram preferências. A maioria quer a aliança com José Serra (PSDB) e um grupo minoritário insiste na ligação com o PT de Dilma Rousseff.

Entre os filiados e simpatizantes do partido há uma posição que segue essa tendência. Uma pesquisa interna feita pela internet junto a filiados e simpatizantes do partido agradou a maioria. De acordo com o levantamento, concluído na terça-feira, 59% dos verdes defendem o apoio ao tucano, 11,9% favoráveis à petista e 29,1% que preferem a neutralidade.

Na convenção nacional de domingo, os 60 integrantes da executiva nacional terão direito a voto, além dos deputados federais recém-eleitos, os candidatos a governador e senador derrotados, cinco delegados escolhidos entre o grupo técnico que organizou o plano de governo de Marina, representantes de segmentos religiosos e do Movimento Marina Silva.

(Adriana Caitano, de São Paulo)

09/10/2010

às 15:03

Marina diz que pode divergir do PV na decisão sobre o segundo turno

A senadora Marina Silva sinalizou neste sábado que pode adotar uma posição diferente da decisão do Partido Verde em relação ao apoio político no segundo turno das eleições presidenciais. “É assegurada à minora o direito de manifestação de uma posição divergente. Se vai ser por unanimidade ou não vocês só vão saber no dia 17”, afirmou aos jornalistas. O PV se reúne nesse dia para decidir sua posição no segundo turno.

Marina admitiu que seria uma falsa modéstia negar a expectativa em relação à sua decisão sobre o apoio nacional. A senadora falou à imprensa antes de reunir-se com dirigentes do PV, em Brasília. Ela negou que  a aliança do PV com candidatos a governos estaduais no segundo turno sinalizem o apoio do partido a Dilma Rousseff (PT) ou a José Serra (PSDB). No Distrito Federal, por exemplo, o PV declarou apoio ao petista Agnelo Queiroz, que disputa o governo de Brasília com Weslian Roriz (PSC).

Segundo Marina, as decisões locais da legenda “não estão vinculando nem sinalizando tendência nenhuma no plano nacional”. A candidata derrotada no primeiro turno reafirmou que o apoio a Dilma ou a Serra será realizado de acordo com o programa de governo dos candidatos.

Na sexta, o PV entregou aos presidenciáveis dez pontos que considera prioritários para os programas de cada um. Marina negou, contudo, que a definição do apoio será de acordo com o número de propostas acolhidas pelo PT ou PSDB: “Eu não vou colocar em termos quantitativos, a discussão é qualitativa, é complexa”.

A senadora aproveitou para criticar os tucanos Tasso Jereissati e Arthur Virgilio, que não conseguiram se reeleger ao Senado. Segundo Marina, a população brasileira “não quer crítica na oposição por oposição, e sim, reconhecimento dos acertos”.

(Luciana Marques, de Brasília)

08/10/2010

às 18:41

Antes da decisão, Marina apresenta propostas a candidatos

A direção do PV e a senadora Marina Silva, candidata derrotada à Presidência da República, anunciaram, em entrevista coletiva nesta sexta-feira, 10 pontos que serão a base de discussão da legenda com os candidatos José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) para um possível apoio no segundo turno.

Após uma reunião que durou mais de 4 horas, a cúpula verde dividiu 41 propostas em dez temas – que já faziam parte do plano de governo de Marina. A chamada “Agenda por um Brasil justo e sustentável” estará disponível no site da ex-candidata e será encaminhada nesta sexta aos dois candidatos.

De acordo com Marina, o texto é uma “proposta respeitável e generosa, elaborada em tempo hábil para os candidatos”. O grupo que o criou tentou contemplar questões políticas, sociais e de sustentabilidade em pontos que, acredita, podem ser incorporados pelas duas campanhas. “Aqueles que votaram em nós e os que não votaram têm agora a oportunidade de conhecer o que consideramos importante para o país”, disse a ex-candidata.

No sábado, Marina viaja para Brasília para passar o feriado com familiares. Na quarta, participa da reunião da Executiva Nacional do PV. O encontro servirá para preparar a convenção do dia 17, em que o partido pretende definir se apoiará ou não uma das candidaturas.

As propostas apresentadas pelo PV estão divididas nos seguintes temas:

Transparência é ética – tornar mais acessíveis os dados de execução orçamentária do Sistema Integrado de Administração Financeira do governo federal (SIAFI);

Reforma eleitoral – envio ao Congresso de projeto de reforma eleitoral com adoção do voto distrital misto e financiamento publico de campanha;

Educação – investimento de 7% do PIB no setor público de ensino;

Segurança pública – ênfase no direcionamento do Fundo Nacional de Segurança para complementar os salários dos policiais;

Mudanças climáticas – criação de uma agência reguladora independente para a política nacional de mudanças climáticas;

Seguridade Social – ampliar, até 2014, o acesso a rede de esgoto para 75% dos domicílios brasileiros e para pelo menos 50% o total de casas com tratamento de esgoto coletado;

Proteção dos biomas brasileiros – veto às propostas de alteração do Código Florestal que reduzem as áreas de reserva legal, de preservação permanente ou que promovam anistia a desmatadores;

Gasto público – limitação da expansão dos gastos de custeio do governo federal à metade do crescimento do PIB;

Política externa – promover a paz, a liberdade, a democracia e o respeito aos direitos humanos;

Diversidade cultural – conclusão da demarcação e homologação das terras indígenas e criação de fundo para apoiar projetos indígenas;

(Adriana Caitano, de São Paulo)

08/10/2010

às 15:38

PV e Marina discutem apoio no segundo turno

Os principais integrantes da executiva nacional do PV participaram de uma reunião desde o fim da manhã desta sexta-feira, em São Paulo, para avaliar os pontos que serão enviados aos dois candidatos à Presidência – Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) – já na próxima semana.

Às 16h, durante entrevista coletiva, Marina Silva e os dirigentes apresentarão parte do que foi definido no encontro. Há a possibilidade de as propostas serem submetidas aos demais integrantes durante o feriado de 12 de outubro, por meio de uma rede interna do partido.

Entre os pontos do documento, serão destacados o Código Florestal e a necessidade de destinar 7% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil para a educação. Ambos foram projetos discutidos por Marina durante a campanha do primeiro turno.

A primeira versão do texto foi elaborada com sugestões de apoiadores da candidatura de Marina e organizada na quinta-feira pelo grupo de técnicos que criou o programa de governo da campanha. Se ainda houver a consulta aos demais, as propostas serão entregues aos presidenciáveis somente na quarta-feira. No mesmo dia, haverá uma reunião de 60 pessoas da executiva nacional do partido para organizar a logística da convenção do dia 17 e definir quem terá direito a voto.

(Adriana Caitano, de São Paulo)

07/10/2010

às 22:10

Executiva do PV se reúne 4 dias antes de decisão oficial sobre apoio

Com a pressão para que o PV se posicione no segundo turno, o presidente do partido, José Luiz de França Penna, decidiu marcar uma reunião da executiva nacional para 13 de outubro, quatro dias antes da convenção que vai bater o martelo – ou não – sobre de que lado a legenda fica. Dirigentes da legenda dizem, oficialmente, que do encontro anterior não sairá qualquer anúncio. “Será somente para preparar o evento maior, que é complicado de se fazer”, explicou o vice-coordenador nacional, Alfredo Sirkis. Mas dificilmente o tema segundo turno não entrará em pauta.

Cerca de 60 pessoas vão participar do encontro do dia 13 – o presidente, os secretários, os integrantes da executiva nacional, da coordenação nacional, da qual a candidata derrotada Marina Silva faz parte, e os coordenadores regionais. Normalmente, neste tipo de reunião são tomadas decisões políticas e logísticas da legenda. Já a convenção terá cerca de 100 pessoas, além da cúpula verde, conselheiros e outros filiados que contribuíram de alguma forma com a campanha da senadora à Presidência.

A própria Marina disse que qualquer posicionamento do PV deve ser definido em conjunto, no dia 17. Mas a existência de uma reunião mais restrita antes da convenção incomoda alguns verdes. Para um deputado federal do partido ligado à campanha de Marina, “causa no mínimo estranhamento quererem discutir sem a presença de todos poucos dias antes da reunião oficial”. A questão é que os principais comandantes do partido podem chegar no dia 17 com uma ideia já formada após uma discussão restrita, como parlamentares costumam chegar a acordos no cafezinho antes de votarem um projeto no plenário.

Propostas - Na tarde desta quinta-feira, o grupo técnico que elaborou o programa de governo da candidatura de Marina reuniu-se em São Paulo para definir os pontos mais importantes que o PV deverá defender no segundo turno. A senadora participou de uma parte da reunião. A lista será avaliada pela coordenação nacional da legenda, composta de 20 integrantes, que se encontra nesta sexta-feira. Após aprovarem o texto, os coordenadores o enviarão ao PSDB e ao PT.

Na próxima semana, Marina Silva poderá conversar pessoalmente com os candidatos Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PV) sobre as propostas encaminhadas a eles. Mas, por mais que ambos se esforcem para aceitar as ideias verdes, o discurso da senadora e de seus principais aliados indica que a neutralidade, ou melhor, a independência, como têm chamado, é a opção que mais agrada.

(Adriana Caitano, de São Paulo)

07/10/2010

às 15:45

PV adia reunião sobre propostas a presidenciáveis

A reunião da cúpula do PV, marcada para a noite desta quinta-feira, foi adiada para sexta. O grupo de 20 coordenadores do partido encontrará Marina Silva para concluir um resumo das propostas da campanha verde, que será entregue ao PSDB e ao PT. A ideia é sugerir que José Serra e Dilma Rousseff analisem o que militantes e eleitores de Marina consideram ser importante para o próximo governo.

De acordo com o partido, fazem parte da cúpula integrantes de outros estados que não conseguiram marcar passagem de volta para casa antes do feriado. Mesmo na sexta, a reunião ainda não contará com a participação de todos os convidados presencialmente. Alguns participarão da conversa por teleconferência.

Folga - Após o encontro, a senadora Marina Silva viaja para Brasília, onde passa o feriado e finalmente descansa com a família. Envolvida com as negociações sobre apoio para o segundo turno desde que saiu da disputa presidencial, a verde não teve muito tempo para tratar do problema da rouquidão, adquirida com o ritmo pesado de campanha nos últimos dias antes do primeiro turno.

Os filhos de Marina também já andaram cobrando a presença da mãe em casa. “Achei que se você não fosse para o segundo turno ficaria com a gente um pouco”, comentou uma filha da senadora, como relatou Marina na quarta-feira.

(Adriana Caitano)

06/10/2010

às 23:11

Com discurso afinado, PV está de olho em 2014

Se no primeiro turno Marina Silva era vista como a candidata ambientalista que não parecia oferecer risco para as candidaturas de Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), agora tem sido cortejada pelos dois. Os quase 20 milhões de votos dados à senadora tornaram o apoio do partido a galinha dos ovos de ouro do segundo turno. Os principais integrantes da legenda sabem disso e têm agido estrategicamente para aproveitar o embalo e colher frutos políticos no futuro. Com a palavra, um dos integrantes da cúpula verde, Alfredo Sirkis: “O PV está valorizando o dote”.

De olho em 2014, o PV afinou o discurso. Em vez de neutralidade, que parece ser a tendência do partido, optou pelo termo independência. Trocando em miúdos, tende a liberar o eleitor de Marina para escolher qualquer candidato, desde que o voto seja de acordo com as propostas apresentadas pela campanha verde.

Para João Paulo Capobianco, que foi coordenador da campanha verde, a preocupação agora é botar em discussão no cenário atual pontos defendidos pelo PV, como a sustentabilidade. Segundo ele, é possível que a posição seja não apoiar ninguém. “O termo neutralidade é inapropriado porque daria a impressão de que não estaríamos preocupados com o segundo turno. Isso não é verdade, queremos apoiar uma plataforma, uma visão de país”, explica.

Por trás do jogo de palavras, esconde-se uma estratégia política clara. Consciente de que sai da corrida eleitora mais robusto e com o aval de quase 20% do eleitorado brasileiro, o PV sabe que tem uma candidata em potencial para 2014. Pode, portanto, não querer correr o risco de, ao se alinhar ao PT ou ao PSDB, perder a confiança – e os votos – daqueles que já conquistou.

Discussões - No início da semana, a ex-candidata anunciou que ouviria o que chama de “núcleos vivos da sociedade” antes de tomar qualquer decisão. A conversa começou nesta quarta. Durante quatro horas, a senadora esteve reunida em São Paulo com mais de 50 pessoas, entre religiosos, militantes, ambientalistas e políticos. Nova reunião acontece nesta quinta com o grupo que participou da elaboração do plano de governo de Marina.

À noite, a coordenação nacional do PV finaliza um texto com o resumo das propostas, a ser entregue na sexta-feira para as candidaturas petista e tucana. O que for dito, em resposta, por Serra e Dilma será levado em conta na decisão do PV, marcada para 17 de outubro. Ainda assim, dificilmente o partido ou a senadora vão se declarar concretamente a favor de um dos dois.

Nesta quarta, o empresário Guilherme Leal, que foi vice na chapa de Marina, corroborou a tendência. “O eleitor é dono de seu voto, é consciente e não aceita que ninguém lhe tome o direito de se expressar. Seria muito arrogante de nossa parte se nós deixássemos de assumir essa posição”, comentou. Leal também descartou a possibilidade de subir no palanque de Dilma ou Serra. “Eu acho isso absolutamente pouco provável. Não faz parte dos meus planos em absoluto”.

A própria Marina sinalizou, em coletiva nesta quarta, que, apesar do apelo de petistas e tucanos, poderá se isentar de escolher um dos dois. “Não tenho a pretensão de ter a tutela do voto do eleitor. Vamos tomar uma posição, o que não significa apoio a um ou a outro.” Resta saber se a tendência apresentada nas entrevistas se concretizará nas próximas semanas.

(Adriana Caitano, de São Paulo)


 

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