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Arquivo da categoria VEJA acompanha José Serra

01/11/2010

às 19:40

De roupa esportiva, Serra aproveita o dia para ler e escrever

Um dia após ser derrotado nas urnas, José Serra passou praticamente o dia todo em casa. Até as 19h30, tinha recebido duas visitas, do presidente do PSDB, Sérgio Guerra, e do senador eleito Aloysio Nunes, dois coordenadores de sua campanha. Com Guerra, teve uma conversa informal de duas horas, vestido com um abrigo esportivo.

Serra tenta voltar a uma rotina que já não tinha há pelo menos seis anos, quando esteve envolvido com as tarefas de prefeito, governador e candidato à Presidência. A agenda abarrotada de viagens e reuniões deu lugar à calmaria de sua casa branca, de dois andares, em uma rua onde se podem ouvir o canto de passarinhos, no Alto de Pinheiros, zona oeste de São Paulo. Aproveita o silêncio para colocar em dia a leitura e escrever.

Por volta de 20h30, o tucano saiu de casa em um carro com vidros escuros, acompanhado do senador eleito Aloysio Nunes (PSDB). Os dois seguiram para um jantar na residência de Andrea Matarazzo, um dos articuladores da campanha tucana, no Morumbi, zona sul da capital paulista.

(Carolina Freitas)

01/11/2010

às 19:14

Guerra: Lula foi o candidato real, Dilma, a nominal

O presidente nacional do PSDB, o senador Sérgio Guerra, relativizou nesta segunda-feira os méritos de Dilma Rousseff (PT) e atribuiu a vitória dela a Luiz Inácio Lula da Silva. Apesar de dizer que torce para que a petista faça um bom trabalho na Presidência da República, Guerra colocou em dúvida a capacidade de Dilma.

“Lula é um fenômeno. A gente discorda dele, mas ele tem muito talento, uma imensa capacidade de simpatia, de atração, uma habilidade extrema”, admitiu Guerra. “A Dilma vai ter de se superar. Nessa campanha ela não conseguiu ser a candidata, foi a candidata do presidente da República. Lula foi o candidato real, Dilma, a candidata nominal. Os votos a Dilma foram votos dados, lá no Nordeste, por exemplo, à mulher do Lula.”

O senador prometeu fazer uma oposição firme ao governo Dilma, sem deixar de apoiá-lo quando a matéria for de interesse nacional. “O país é mais importante que ela, mais importante do que nós.”

Para Guerra, Dilma deveria rever as alianças com pessoas e partidos que sustentaram Lula durante os últimos oito anos. “A base aliada nasceu no mensalão, foi construída de forma heterodoxa, com recursos do Orçamento, com a cooptação de pessoas, com o loteamento de cargos no governo. É uma base furada, sem fundamentos democráticos, responsável por todas as crises do governo Lula”, disse Guerra. “A Dilma, para fazer um governo limpo, tinha de se livrar disto. Será que ela pode? Será que ela quer?”

Guerra falou à imprensa após visita de duas horas a José Serra, candidato do PSDB, derrotado nas urnas. Segundo o presidente tucano, a pauta da conversa, qua aconteceu na casa de Serra, em Alto de Pinheiros, na capital paulista, foram assuntos gerais, sobre os rumos do país.

Antes do encontro, Sérgio Guerra acusou o PT de usar a máquina do governo durante a eleição.

(Carolina Freitas)

01/11/2010

às 13:12

No Twitter, Serra fala aos jovens e repete o “até logo”

O ex-candidato à Presidência José Serra (PSDB) acordou mais cedo que o usual nesta segunda-feira. Por causa da assumida insônia, o tucano tem o hábito de escrever no Twitter sempre durante a madrugada, raramente durante o dia. Nesta segunda, porém, os 556.375 seguidores de Serra começaram a receber mensagens de agradecimento por volta de meio-dia.

No microblog, o ex-governador de São Paulo elaborou uma segunda versão de seu discurso – lido neste domingo após o anúncio da vitória de Dilma Rousseff (PT). O texto foi direcionado à juventude e aos internautas. “Sou muito grato aos 43,6 milhões de brasileiros e brasileiras que votaram em mim. E agradeço especialmente a vocês aqui do Twitter por tudo! Obrigado a vocês, militantes que lutaram aqui na internet e nas ruas por um Brasil soberano, democrático e que seja propriedade do seu povo.”

O agradecimento aos militantes persistiu, com trechos repetidos do discurso. “Disse no meu discurso ontem que nesses meses duríssimos, onde enfrentamos forças terríveis, vocês alcançaram uma vitória estratégica no Brasil, cavaram uma grande trincheira, construíram uma fortaleza, consolidaram um campo político de defesa da liberdade e da democracia do Brasil”.

O tucano fez outras menções à juventude. “Ontem também disse que vi aqui milhares de jovens que me lembraram o jovem que fui um dia, sonhando e lutando por um país melhor, como faço até hoje. Sonhamos juntos o sonho de um país onde os políticos fossem servidores do povo e não se servissem do nosso povo.” E reconheceu a derrota. “Recebemos com respeito e humildade a voz do povo. Ontem cumprimentei a candidata eleita e desejei que ela faça bem para o país.”

A mensagem de Serra na internet reproduziu a ideia dita no domingo de que não queria se despedir definitivamente de seus eleitores: “Eu disse ontem e repito aqui: a minha mensagem de despedida não é um adeus, mas um até logo. A luta continua. Viva o Brasil!”. Para concluir, José Serra – que escreveu cerca de 1.000 mensagens no Twitter desde que a campanha começou – garantiu: “Respondo à maior dúvida que surge aqui: sim, continuarei conversando com vocês, mais de 556 mil seguidores. Eu não vou mudar.”

(Adriana Caitano)

31/10/2010

às 16:13

Serra almoça com Goldman no Palácio dos Bandeirantes

O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, almoçou neste domingo com o governador de São Paulo, Alberto Goldman. O tucano votou por volta das 11h30 em um colégio na zona oeste da capital paulista e, depois, despistou a imprensa e dispensou seus assessores. Serra seguiu para o Palácio dos Bandeirantes acompanhado apenas de um ajudante de ordens. O almoço ocorreu na ala residencial da sede do governo paulista e foi organizado por Goldman e sua mulher, Delzeni.

Serra chegou ao Palácio dos Bandeirantes pouco depois das 13 horas. Assim como no primeiro turno, a agenda de Serra permanece um mistério. No dia 3 de outubro, o candidato tucano “sumiu” após a votação – roteiro que seguiu neste domingo. A expectativa é que ele se pronuncie somente após a apuração. O discurso de Serra deverá ser feito em frente a sua casa ou no comitê central de sua campanha, na região central da cidade.

(Carolina Freitas)

31/10/2010

às 11:44

Serra vota em São Paulo acompanhado de aliados

Foto: Claudio Gatti

O candidato do PSDB à presidência, José Serra, votou às 10h30 no colégio Santa Cruz, na Zona Oeste da capital paulista. Ele estava acompanhado da esposa Mônica Serra, da filha Verônica e da neta Gabriela. Assistiram ao voto do presidenciável, dentro da sala de votação, o governador de São Paulo, Alberto Goldman, o governador eleito Geraldo Alckmin, e seu vice, Guilherme Afif, o senador eleito Aloysio Nunes, e o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. O tucano e toda sua comitiva vestiam camisas azul claras. A única exceção era a esposa de Alckmin, Lu Alckmin, que estava com um vestido amarelo.

Depois da votação, que durou menos de dez minutos, José Serra festejou a beleza da democracia em pronunciamento a jornalistas. “Agora é povo que está falando. Essa é uma das belezas da democracia. O povo vota, o povo decide. Portanto, agora, o que nós vamos fazer é aguardar essa decisão dos brasileiros”, discursou Serra, ovacionado pelo público. “Essa campanha me tornou mais otimista em relação ao Brasil, por toda confiança e esperança que encontrei em todos os cantos do país. Se houve motivação para o nosso empenho nessa batalha desigual, o elemento fundamental foi a confiança que as pessoas demonstraram para mim em cada município através da palavra, do abraço e do olhar”.

Saída estratégica ─ Os assessores de José Serra não revelaram seu paradeiro depois da votação. Na saída do colégio, o candidato despistou os jornalistas ao entrar num carro preto e, com um assessor, se deslocar para um local desconhecido.  No entanto, a equipe do site de VEJA conseguiu desvendar o segredo e flagrar a entrada do candidato no Palácio dos Bandeirantes (foto acima), no bairro do Morumbi. O pronunciamento pós-urnas deve ser feito no comitê central do PSDB, no centro de São Paulo.

O candidato a vice, Índio da Costa, que chegou ao colégio Santa Cruz logo depois que José Serra foi embora, rechaçou a teoria segundo a qual o feriado prolongado traria a abstenção de votos. “Entrei num avião lotado de paulistas, vindo do Rio de Janeiro para cá. Eram paulistas voltando para votar, gente que veio para votar e vai voltar depois para curtir o feriado”. Depois de votar, ao lado de Mônica Serra, mulher do presidenciável, Indio seguiu para a casa de José Serra, no Alto de Pinheiros.

O governador eleito de São Paulo, Geraldo Alckmin, posou para fotos com eleitores que acompanhavam a votação de José Serra. As irmãs Ana e Olinda Jesus Santos comemoraram a foto tirada ao lado do governador. “Agora a gente vai para casa acompanhar a votação pela televisão. Serra tem que ganhar”, comentou Olinda.

A votação no colégio foi pouco tumultuada. Entre a multidão reunida no local, dois eleitores de Dilma Rousseff, que traziam uma faixa contra Serra, foram escoltados pela polícia, que pretendia evitar confusões.

(Carolina Freitas e Domitila Becker, de São Paulo)

31/10/2010

às 11:32

José Serra recebe visita inusitada em São Paulo

Na manhã de halloween deste domingo, o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, recebeu uma visita inusitada em sua casa, no Alto de Pinheiros, em São Paulo. Um Drácula de seis anos, vizinho do candidato, apareceu para saudar Serra acompanhado da mãe e do irmão.

Vestido com uma capa vermelha, um colete com teias de aranha, com sangue falso escorrendo pela boca e olheiras maquiadas estrategicamente, o vampirinho Gustavo Porro colocou uma dentadura de plástico com caninos afiados e provocou gargalhadas entre os cerca de 30 jornalistas reunidos na porta de José Serra. “Nós costumamos vir todo ano de eleição”, contou a mãe de Gustavo, Ana Carolina Porro. “Ele está de vermelho, mas não é a cor da Dilma”, brincou.

Aloysio Nunes e Geraldo Alckmin ─ Aloysio Nunes, senador eleito em São Paulo pelo PSDB, chegou por volta das 10h30 à casa de José Serra para acompanhar o candidato durante a votação. Sobre o resultado das eleições, mostrou-se confiante: “Não se trata de uma virada, se trata de definição. Na eleição, não há jogo jogado”, disse Aloysio Nunes. “As pesquisas não captam a movimentação do eleitorado de última hora”.

Ao ser indagado sobre a declaração de Lula, que disse que “José Serra sai mais fraco dessa eleição”, o senador foi categórico. “Quem sai menor é o presidente Lula, pela maneira como se envolveu na campanha, contrariando não só as regras do decoro presidencial, mas inclusive a legislação eleitoral”.

Geraldo Alckmin, governador eleito de São Paulo, chegou à casa do candidato tucano às 11h05, ao lado de sua mulher, do atual governador, Alberto Goldman (PSDB), do prefeito Gilberto Kassab (DEM), e da filha de José Serra, Verônica Serra. “Ainda dá tempo para reverter. O Serra foi um guerreiro na campanha”, disse Alckmin. O grupo deve sair ainda antes do almoço em uma van em direção ao colégio Santa Cruz, no Alto de Pinheiros, onde Serra vota.

(Domitila Becker, de São Paulo)

30/10/2010

às 15:12

Dilma e Serra se despedem da campanha em BH

A capital de Minas Gerais – estado conhecidamente decisivo em eleições presidenciais – foi escolhida por Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) para sediar o último dia de campanha eleitoral.

Os candidatos não se esbarraram: Serra fez carreata no Bairro das Mangabeiras e na região da Savassi, e Dilma, no Bairro Venda Nova, do outro lado da cidade de Belo Horizonte. O tucano foi acompanhado pelo governador eleito Antonio Anastasia (PSDB) e pelos senadores eleitos Aécio Neves (PSDB) e Itamar Franco (PPS).

Serra tenta conquistar os votos do trio e aposta na popularidade de Aécio para virar o jogo no estado. No primeiro turno, Dilma teve 46% dos votos em Minas e Serra, 30%.

Em cima do Dilmamóvel, a petista caminhou durante uma hora em uma região onde Marina Silva (PV) conquistou a maioria do eleitores no primeiro turno. Ao lado dela, estavam Fernando Pimentel (PT) e Patrus Ananias (PT), ambos derrotados no dia 3 de outubro. Pimentel tentou uma vaga ao Senado e Patrus foi vice da chapa de Hélio Costa (PMDB) ao governo mineiro.

Desmoralizado politicamente, Costa não apareceu na carreta de Dilma, que contou ainda com a presença do prefeito da cidade Márcio Lacerda (PSB), do coordenador da campanha do PT Antonio Palocci e dos ministros Alexandre Padilha (Relações Institucionais) e Luiz Dulci (Secretaria-Geral da Presidência).

Costa, porém, recebeu Dilma no aeroporto ao lado de familiares da petista, inclusive sua mãe – que também se chama Dilma. Mãe e filha se abraçaram rapidamente no local.

Mineira – Como exige a legislação eleitoral, Dilma permaneceu em silêncio durante o percurso da carreata. Antes, disse à imprensa que escolheu a cidade de Belo Horizonte para encerrar a campanha porque foi na capital mineira que iniciou sua carreira política.

“Foi aqui que eu participei, ainda na época da ditadura, das primeiras manifestações políticas. Participei das caminhadas, das passeatas que ocorreram naquela época”, declarou. A coletiva foi encerrada por insistência de Pimentel, que interrompeu os jornalistas por causa do horário.

Depois da carreta, Dilma seguiu para Porto Alegre, onde votará no domingo. Serra viajou para São Bernardo do Campo (SP), onde faz mais uma carreata. Sua agenda termina neste sábado com uma caminhada no centro de Suzano (SP).

(Luciana Marques e Gabriel Castro, de Belo Horizonte)

30/10/2010

às 1:15

Para Serra, governo do PT sofre de fadiga

Ao final do último debate presidencial destas eleições, promovido pela TV Globo, o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, defendeu a alternância de poder como forma de valorizar a democracia. Para o tucano, a administração do PT à frente do país sofreu desgastes nestes oito anos e precisa ser substituída. “A possibilidade de alternância do poder é uma beleza da democracia”, afirmou. “Temos uma equipe de governo que esteve lá oito anos, já sofreu seus desgastes, desenvolveu vícios e fadiga. Com um time novo, a gente pode levar o Brasil muito adiante nos próximos anos.”

De forma voluntária, Serra sugeriu aos jornalistas que assistam ao debate travado em 2002 entre ele e Lula, na TV Globo. Ele reviu o programa nesta sexta-feira. “Me achei parecido com o Serra de oito anos atrás. Foi um debate muito cortês naquela época, respeitoso, mas também teve muita crítica e contra-crítica, de nível”, disse.

A citação do candidato tinha um propósito: “Seria interessante vocês virem o debate para ver o que Lula propunha fazer. Ele disse naquele debate que ele considerava essas bolsas algo próximo a esmola. Ele criticava o governo Fernando Henrique por fazer bolsas, dizia que o que importava era emprego, não esmola.”

Serra negou-se a fazer um balanço das eleições. Oficialmente, a campanha terminou hoje. “Não acabou ainda. Amanhã ainda tem campanha”, insistiu o candidato.

Empatou – Na saída do debate, o coordenador da campanha tucana, Sérgio Guerra, e o vice de Serra, Indio da Costa (DEM), espalhavam entre os jornalistas uma “boa notícia”. Eles apontavam erro nas últimas pesquisas de intenção de voto divulgadas pela imprensa e juravam que levantamentos internos apontam empate técnico entre Dilma Rousseff e José Serra.

Indio e Guerra avaliaram como positivo o desempenho de Serra no debate da TV Globo. “Ficou nítido que Serra é muito mais preparado do que Dilma”, disse o candidato a vice. “Os candidatos puderam expor suas ideias”, afirmou o coordenador de campanha.

(Carolina Freitas e Cecília Ritto, do Rio de Janeiro)

27/10/2010

às 19:45

Serra culpa Dilma por cancelamento de entrevista ao SBT Nordeste

O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, culpou nesta quarta-feira sua adversária, Dilma Rousseff (PT), pelo cancelamento de uma entrevista que o tucano concederia ao SBT Nordeste. Serra e Dilma foram convidados para um debate regional promovido pela emissora. Estava acordado entre as assessorias dos candidatos que, no caso de desistência de um, o outro seria entrevistado pela TV. Dilma desistiu. Serra tinha entrevista agendada para hoje à tarde, mas o SBT cancelou o compromisso de última hora.

“Houve pressão, é obvio. Até ontem estava tudo marcado. Falar que a pressão veio da assessoria da Dilma é até um eufemismo”, disse o candidato após uma concorrida caminhada de campanha pelo centro de Recife. “Preparei toda a minha agenda para a entrevista. No fim, a Dilma suspende a vinda e ainda pressiona o SBT para eu não fazer a entrevista sozinho.”

Diante da manobra da campanha petista, Serra resolveu apresentar em entrevista a uma rádio local do Recife um plano para o Semiárido, que pretendia lançar durante o debate. O projeto traz dez metas a serem cumpridas até 2020. Serra promete recuperar áreas desertificadas, levar água a todas as residências da região e inserir todas as famílias em uma rede de proteção social, com novos instrumentos de distribuição de renda além do Bolsa Família.

O plano contempla ainda a irrigação de 300.000 hectares de terra, a formação de 3.000 agentes rurais, 3.000 agentes de saúde da família e 10.000 empreendedores capacitados pelo Sebrae. Serra promete ainda instalar cem escolas técnicas e reduzir em 80% a mortalidade infantil na região.

O Semiárido abrange nove estados, sendo oito do Nordeste mais o norte de Minas Gerais. Vive na região mais de 40% da população nordestina, cerca de 21,6 milhões de pessoas.

Fraude – Serra rebateu críticas da campanha adversária de irregularidades na licitação para construção da Linha Lilás do Metrô de São Paulo na época em que era governador. Para ele, se há fraude, é em licitações do governo federal para grandes projetos, como das usinas de Belo Monte e Jirau.

“Em mais de uma grande obra, o governo federal antes discute quem vai ganhar e depois faz a concorrência”, afirmou em Recife. “O país perdeu isso de vista. O PT fala de uma coisa que eles mesmos fazem, abertamente. E que nós nem fizemos. Isso não aconteceu no caso de São Paulo.”

Serra destacou ainda que, em São Paulo, fez-se uma segunda licitação para baixar os preços propostos pelas empresas. “O Metrô fez algo inédito. Isso, no âmbito petista de governo, seria considerado maluquice, embora seja respeito ao dinheiro público.”

Pesquisas de aluguel – Ainda no Recife, em entrevista à rádio do Jornal do Commercio, Serra minimizou os resultados das pesquisas de intenção de voto e apontou uso político de alguns institutos. “Para mim, pesquisa tem influência zero, nem olho. De fato, ao meu ver, há um empate técnico”, disse. “No primeiro turno as pesquisas estiveram completamente erradas. Elas têm estado muito furadas, algumas, alugadas, como as do Vox Populi e do CNT Sensus, que trabalham para governo.”

(Carolina Freitas, de Recife)

27/10/2010

às 19:00

Serra tem recepção calorosa em reduto do PT em Pernambuco

Nem parecia que o tucano José Serra caminhava por um reduto eleitoral do PT. Cercado por pelo menos 300 pessoas, ao ritmo de um coro de “Serra presidente”, acompanhado por tambores e afoxés, o presidenciável cumpriu nesta quarta-feira uma de suas mais disputadas agendas de campanha. Militantes do PSDB e populares seguiram o candidato pela Rua Imperatriz Tereza Cristina, uma das principais do centro de Recife (PE). Coloriam o quadro balões e bandeiras verdes e amarelas e camisetas com a inscrição “Sou do bem”, slogan do candidato.

“Eu gosto da bagunça. Eu me solto. Não há risco de cair, porque não há para onde cair”, comemorou Serra antes de embarcar de volta para São Paulo à noite. “A adesão das pessoas nas ruas me impressiona e me agrada muito.” O desafio dos tucanos em Pernambuco é grande. A candidata do PT, Dilma Rousseff, liderou a disputa aqui no primeiro turno. “Nosso objetivo é reduzir o tamanho da derrota”, explicou o senador Jarbas Vasconcelos, que perdeu a disputa pelo governo do estado.

Serra aproveitou o clima favorável para arriscar um mini-comício. Do alto de um banquinho, discursou: “Quem vai ganhar no domingo é o povo.” Os populares responderam em coro: “O povo não erra, presidente é Serra.”

A confusão em torno do presidenciável deu margem à ação de oportunistas. Pelo menos sete pessoas, da campanha de Serra e da imprensa, tiveram celulares e carteiras furtados de dentro de bolsas e bolsos. A desordem impediu que assessores do candidato caminhassem perto dele. A caminhada acabou abreviada por conta do tumulto e da dificuldade de Serra em evoluir em meio a tantas pessoas.   

Provocação – Trinta minutos antes da chegada de Serra, cerca de 60 militantes com bandeiras do candidato se concentravam em uma praça do centro de Recife quando foram surpreendidos por 30 motociclistas vestidos de vermelho com bandeiras da campanha de Dilma. Eles passaram pelos tucanos acelerando e buzinando. Foram vaiados. Para evitar conflitos, a Polícia Militar resolveu bloquear o acesso de automóveis ao trecho onde estavam os militantes pró-Serra.

(Carolina Freitas, de Recife)

 

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