29/09/2010
às 1:44Alckmin e Mercadante debatem sem perguntas diretas
Apesar da polarização entre PSDB e PT na disputa pelo governo de São Paulo, os candidatos dos dois partidos, Geraldo Alckmin e Aloizio Mercadante terminaram o debate da noite desta terça-feira, na TV Globo, sem falar, de forma direta, entre si. Alckmin teve quatro oportunidades de questionar o petista, mas preferiu fazer perguntas a Paulo Skaf (PSB), Fábio Feldman (PV) e Paulo Bufalo (PSOL). Mercadante, pelas regras do debate, não pode questionar Alckmin, pois outros candidatos já o haviam feito.
A falta de uma conversa direta, no entanto, não impediu o embate entre os dois adversários. Mercadante usou o tempo que pode para atacar Alckmin, com a colaboração de dois escudeiros, Paulo Skaf e Celso Russomano (PP). Os três, que apoiam a candidata do PT Dilma Rousseff na eleição presidencial, atuaram em bloco para criticar os 16 anos de administração tucana em São Paulo. Sobraram petardos para saúde, segurança pública, educação e desenvolvimento econômico no estado.
Paulo Bufalo apontou, já no segundo bloco, a existência de um “bate-bola entre aliados”. Alckmin, ao final do debate, classificou a ação dos três adversários como uma “tabelinha”. “Percebemos candidatos atuando aqui de forma aliada, fazendo tabelinha. Não temos como responder a todos”, disse o tucano. Questionado por jornalistas se não tinha nada a perguntar a Mercadante, Alckmin disse que não. “O próprio Zé Eduardo Dutra [presidente do PT] disse que quem está em primeiro não pergunta para quem está em segundo.”
O tucano associou a pressão de Mercadante para ser questionado com as críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à imprensa e com a tentativa do governo federal de criar conselhos para controlar a comunicação. “O PT, que quer tutelar a imprensa, agora quer restringir o direito de candidato perguntar. Cada um pergunta para quem quer.”
Ao longo do debate, Mercadante queixou-se por quatro vezes do desinteresse de Alckmin em fazer-lhe perguntas e acusou o adversário de falar “pelas costas”. Em entrevista ao final do evento, o petista apontou falta de coragem de Alckmin. “Eu esperava que, no debate, ele pudesse sustentar as críticas que fez a mim durante a campanha. O programa [no horário eleitoral] dele fala mais de mim do que dele. Ele não tem coragem.”
(Carolina Freitas, de São Paulo)
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