Um dos temas mais recorrentes da campanha feita pela oposição
venezuelana é sustentar que o voto é secreto.
Por quê?
Porque os venezuelanos têm medo de votar. Não acreditam no sigilo eleitoral.
Há inúmeros casos aqui de pessoas que foram prejudicadas por causa de
sua posição política. Estudantes e cientistas que discordam do
presidente não conseguem bolsas de estudo. Candidatos a vagas não
arrumam emprego. Companhias não fecham contratos com o governo porque têm funcionários que não gostam de Chávez.
Muitos suspeitam que o governo tem acesso aos resultados das eleições
e, com isso, pune os inimigos.
A oposição sustenta hoje que o voto tem sido secreto nos últimos pleitos. É essa a opinião também de Mercedes de Freitas, do escritório da Transparência Internacional aqui na Venezuela.
O episódio histórico que justifica o receio dos venezuelanos com relação ao sigilo eleitoral ficou conhecido como Lista Tascón. Em 2004, o deputado Luis Tascón divulgou a lista de 4 milhões de pessoas que assinaram uma petição para a realização de um referendo para decidir se Chávez podia ou não continuar no poder.
Quem estava na lista, dançou.
Por isso, segundo o instituto de pesquisas Hinterlaces, 55% dos eleitores não confiam no processo eleitoral.
Neste domingo, há o risco ainda de que algumas pessoas votem sob pressão, mas é pequeno.
Dias atrás, diretores de empresas estatais enviaram memorandos pedindo que seus funcionários fizessem uma foto do próprio voto com o celular. Quando o fato se tornou público, houve escândalo e decidiu-se que será proibido levar o telefone para o local de votação.
Nas últimas eleições, também era comum que alguns dirigentes chavistas
acompanhassem alguns eleitores para ver em quem votavam. Para evitar
isso, a oposição organizou-se para estar presente com testemunhas em
todas as mesas de votação.
Se os chavistas não inventarem uma forma nova de pressão ou controle
de última hora, é razoável supor que a eleição deste domingo será limpa.