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Os 10 anos de Chávez no poder e o plebiscito pela reeleição

Duda Teixeira
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Referendo da reeleição na Venezuela

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 15 de fevereiro de 2009

O voto é secreto. Mesmo?


Um dos temas mais recorrentes da campanha feita pela oposição
venezuelana é sustentar que o voto é secreto.

Por quê?

Porque os venezuelanos têm medo de votar. Não acreditam no sigilo eleitoral.

Há inúmeros casos aqui de pessoas que foram prejudicadas por causa de
sua posição política. Estudantes e cientistas que discordam do
presidente não conseguem bolsas de estudo. Candidatos a vagas não
arrumam emprego. Companhias não fecham contratos com o governo porque têm funcionários que não gostam de Chávez.

Muitos suspeitam que o governo tem acesso aos resultados das eleições
e, com isso, pune os inimigos.

A oposição sustenta hoje que o voto tem sido secreto nos últimos pleitos. É essa a opinião também de Mercedes de Freitas, do escritório da Transparência Internacional aqui na Venezuela.

O episódio histórico que justifica o receio dos venezuelanos com relação ao sigilo eleitoral ficou conhecido como Lista Tascón. Em 2004, o deputado Luis Tascón divulgou a lista de 4 milhões de pessoas que assinaram uma petição para a realização de um referendo para decidir se Chávez podia ou não continuar no poder.

Quem estava na lista, dançou.

Por isso, segundo o instituto de pesquisas Hinterlaces, 55% dos eleitores não confiam no processo eleitoral.

Neste domingo, há o risco ainda de que algumas pessoas votem sob pressão, mas é pequeno.

Dias atrás, diretores de empresas estatais enviaram memorandos pedindo que seus funcionários fizessem uma foto do próprio voto com o celular. Quando o fato se tornou público, houve escândalo e decidiu-se que será proibido levar o telefone para o local de votação.

Nas últimas eleições, também era comum que alguns dirigentes chavistas
acompanhassem alguns eleitores para ver em quem votavam. Para evitar
isso, a oposição organizou-se para estar presente com testemunhas em
todas as mesas de votação.

Se os chavistas não inventarem uma forma nova de pressão ou controle
de última hora, é razoável supor que a eleição deste domingo será limpa.



Por Duda Teixeira - 09:55 | Enviar Comentário



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