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família

14/09/2011

às 13:27 \ PESQUISA

Desejo de ter filhos não é exclusividade das mulheres

(Foto: Thinkstock)

Título original: Emotional regulation of fertility decision making: What is the nature and structure of “baby fever”?

Publicação: Emotion

Quem fez: Gary Brase e Sandra Brase

Instituição: Universidade Estadual do Kansas

Dados de amostragem: 1.190 pessoas

Resultado: Assim como as mulheres, os homens sofrem da chamada “febre do bebê”. Isso significa que em determinado momento da vida eles realmente sentem necessidade de procriar.

Os homens também podem chegar naquela idade em que sentem uma vontade irresistível de terem filhos, a exemplo do que ocorre com a maioria das mulheres. E a explicação para isso é psicológica e não biológica. Segundo um estudo realizado pela Universidade Estadual do Kansas, Estados Unidos, o desejo da procriação é o mesmo entre homens e mulheres, ainda que a maternidade seja mais comentada e analisada.

A urgência em procriar é similar em ambos os gêneros e aparece ocupando o primeiro e o segundo lugar entre as prioridades humanas. Em termos de importância, contudo, a necessidade está à frente do sexo para as mulheres e, obviamente, atrás para os homens. A hipótese é resultado de uma investigação conduzida ao longo dos últimos dez anos por Gary Brase, psicólogo e professor da universidade, e Sandra Brase, sua mulher e co-autora do estudo.

A pesquisa analisou aspectos psicológicos (pressão dos amigos, influência da imprensa e contato com crianças) responsáveis pelo desejo da paternidade e não somente perspectivas sociológicas e demográficas. Para o estudo, conduzido ao longo dos últimos dez anos pelo psicólogo e professor Gary Brase, 1.190 pessoas foram entrevistas. A experiência foi baseada na aplicação de um questionário com a seguinte pergunta: “Qual o seu maior desejo: ter dinheiro, ser famoso ou ter um filho?”. Para a surpresa dos pesquisadores, tanto homens quanto mulheres optaram por ter filhos.

O estudo, publicado no periódico Emotion, da Associação Americana de Psicologia, prevê uma segunda etapa de pesquisa, dessa vez sobre o papel dos hormônios no desejo de procriar.

- O que já se sabia sobre o assunto

Prof. Dr. Rubens de Aguiar Maciel (Foto: Arquivo pessoal)

Para o psicólogo Rubens de Aguiar Maciel, PhD pela Universidade de São Paulo, colaborador do Hospital das Clínicas e um dos únicos especialistas em paternidade do país, a conclusão é relevante, porém não traz nada de novo para a comunidade acadêmica. “Esse desejo é uma reação à sociedade moderna, cujas características estão baseadas no extremo individualismo e competitividade”. Maciel explica que os valores voltados ao dinheiro, ao culto do corpo e a sexualidade, aliados ao processo intenso de urbanização nas grandes cidades, têm transformado as pessoas em indivíduos muito solitários e o desejo de ter um filho é uma tentativa de resgatar os laços familiares.

O especialista não acha necessário conduzir um estudo focado em aspectos psicológicos e não sociológicos, como sugerido pelos cientistas americanos. Para o brasileiro, pesquisas que abordem a paternidade têm de ser contextualizadas de acordo com o momento em que vivemos. “O papel do homem como provedor está dilacerado e hoje ele tem mais facilidade para assumir o desejo da paternidade.”

Sobre a pesquisa, Maciel afirmou não se tratar de nenhum levantamento revolucionário, tão pouco imprescindível. “Criou-se o hábito de realizar estudos fragmentados, separados por determinadas áreas do conhecimento. Essas análises não enxergam o homem como resultado de um momento histórico e acho importante não se perder de vista a dimensão de um indivíduo como um todo”, explica.

“Procriar é um desejo humano”, concorda o especialista brasileiro, “mas não podemos associá-lo somente ao anseio do subconsciente”. No caso da paternidade, em especial, o ambiente é um grande agente transformador.

Especialista: Prof. Dr. Rubens de Aguiar Maciel

Envolvimento com o estudo: Sua tese de doutorado foi sobre paternidade, o que lhe rendeu o posto de um dos únicos especialistas no assunto no Brasil.

- Conclusão

A conclusão da pesquisa americana é um retrato da sociedade. À medida que a mulher se torna mais independente, o homem se sente mais à vontade para assumir o desejo da paternidade e até assumir o controle doméstico da casa, por opção ou necessidade.

(Por Renata Honorato)

24/06/2010

às 21:15 \ PESQUISA

Pais também sofrem de depressão pré-natal ou pós-parto

(Foto: Getty Images)


    - Título oficial: Prenatal and Postpartum Depression in Fathers and Its Association With Maternal Depression

    - Publicação:Journal of the American Medical Associatio

    - Quem fez: O PhD James Paulson

    - Instituição: Eastern Virginia Medical School, nos Estados Unido

    - Dados de amostragem: O estudo analisa dados de pesquisas anteriores (metanálise) feitas com 28.000 participantes

    - Resultado: Aproximadamente 10% dos pais no mundo sofrem de depressão pré-natal ou pós-parto

As mães não são as únicas a sofrerem de depressão pré-natal ou pós-parto, pois um número significativo de homens padece do mesmo problema, afirma um novo estudo americano, baseado em pesquisas anteriores (metanálise).

Entre os pais, a depressão alcança seu pico entre os 3 e 6 meses do nascimento do bebê, quando 25,6% deles sofrem um episódio depressivo.

No geral, a taxa de depressão pós-parto entre os homens que acabaram de ter filhos em um ano é de 4,8%.

As mães apresentam o dobro de risco – cerca de 24% – que os pais de padecer de “baby blues”- doença conhecida, em português, como depressão pós-parto. Como em seus pares, as depressões pós-natais tendem a acontecer entre os 3 e 6 meses depois do parto, período em que 42% das mulheres afirmam ficar deprimidas. Segundo o levantamento americano, se a mãe sofrer de depressão, o pai geralmente também padece do mesmo problema.

(Com agência France-Presse)

- O que já se sabia sobre o assunto

Ana Luiza Camargo, coordenadora do núcleo de psicossomática e psiquiatria do Hospital Israelita Albert Einstein (Foto: Divulgação)

A depressão pós-parto já foi amplamente estudada entre as mulheres, mas ainda é um problema pouco explorado entre os homens. Paul Ramchandani, da Universidade de Oxford, na Grã-Bretanha, é um dos primeiros cientistas a abordar o assunto e relacioná-lo aos prejuízos que a doença pode causar nas crianças. Para o cientista, os filhos de casais afetados pelo mal, especialmente nos homens, podem sofrer atrasos no desenvolvimento, por causa da relação distante com o pai nos primeiros meses de vida.

A especialista Ana Luiza Camargo, coordenadora do núcleo de psicossomática e psiquiatria do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, concorda com a premissa e afirma que o assunto ainda é pouco debatido na comunidade médica.

Estudos anteriores associam a doença – depressão pós-parto – aos hormônios da mulher, o que “em tese” não ocorre com os homens, explica Camargo. “A vantagem desse artigo, publicado em um periódico conceituado, é a capacidade que ele tem de chamar a atenção para um assunto abordado, até então, somente em estudos pequenos e de pouca amplitude”, concluiu a médica.

Uma outra pesquisa realizada pela Universidade de Bristol, na Grã-Bretanha, confirma as conclusões de Ramchandani. O levantamento, publicado no periódico The Lancet, diz que pais que sofrem de depressão pós-parto apresentam sintomas como ansiedade, mudanças de humor, irritabilidade e desesperança.

Especialista: Ana Luiza Camargo, coordenadora do núcleo de psicossomática e psiquiatria do Hospital Israelita Albert Einstein.

Envolvimento com assunto: Há anos cuida de mulheres diagnosticadas com depressão pós-parto.

-Conclusão

Embora a pesquisa represente um avanço para o meio clínico, que carece de informações sobre a depressão pós-parto em homens, ainda não é possível afirmar que a doença exista. O que é possível prever é que a publicação do estudo em um periódico importante incentivará a realização de novas pesquisas na área.

(Por Renata Honorato)

 

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