Blogs e Colunistas

Arquivo da categoria Sem categoria

05/03/2012

às 15:45 \ Sem categoria

Jogo online pode melhorar a cognição de idosos

Título original: Individual differences in response to cognitive training: Using a multi-modal, attentionally demanding game-based intervention for older adults

Quem fez:
Laura A. Whitlock, Anne Collins McLaughlin e Jason C. Allaire

Instituição:
Universidade Estadual da Carolina do Norte, nos Estados Unidos

Dados de amostragem:
39 idosos de 60 a 77 anos de idade

Resultado:
Jogar World of Warcraft com frequência pode melhorar o funcionamento cognitivo de idosos, como a capacidade de concentração e a noção de espaço.

O jogo online World of Warcraft (WoW) permite que você se torne um herói mítico e explore um mundo virtual fantástico e misterioso. Trata-se de um MMORPG (Massively Multiplayer Online Role Playing Game), um jogo no qual milhares de usuários, conectados ao servidor do game, escolhem entre vários personagens, de guerreiros a mágicos, e jogam ao mesmo tempo.

Mas o game parece ir além do puro entretenimento. Segundo uma pesquisa da Universidade Estadual da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, idosos que jogam WoW aperfeiçoam seu funcionamento cognitivo. Cognição é o conjunto de processos mentais usados no pensamento, na percepção, na classificação, no reconhecimento, na memória, no juízo, na imaginação e na linguagem.

Os cientistas testaram a cognição de quase quarenta pessoas entre 60 e 77 anos, analisando habilidades como memória, capacidade de concentração e noção de espaço. Um segundo teste só foi realizado duas semanas depois, após parte dos voluntários ter jogado World of Warcraft por aproximadamente 14 horas diárias totais no período de duas semanas, e a outra parte ter mantido sua rotina normal.

Comparando os resultados dos testes, os pesquisadores encontraram um aumento muito maior na capacidade cognitiva dos idosos que passaram duas semanas jogando do que os que não experimentaram o game. A melhora foi ainda mais notável entre os participantes que não haviam apresentado bons resultados nos primeiros testes.

“Entre os participantes que pontuaram bem nos testes de funcionamento cognitivo iniciais, não houve melhora significativa depois de jogar WoW”, diz a Dra. Anne McLaughlin, coautora do estudo. “Mas nós vimos uma melhora interessante, tanto na habilidade de concentração como na de noção de espaço, entre os idosos que haviam apresentado baixa pontuação nos primeiros testes.”

- O QUE SE SABIA SOBRE O ASSUNTO


Segundo a psicóloga Claudimara Chisté, estar constantemente em atividade, tanto física quanto mental, é fundamental para a manutenção do funcionamento cognitivo. “O jogo, dependendo de como for utilizado, pode ter uma vantagem: ele é lúdico. A pessoa se diverte, interage com seus pares, trabalhando tanto aspectos cognitivos quanto sociais”, diz.

Ela explica, no entanto, que pesquisas para investigar os efeitos da prática constante de um jogo específico na cognição de idosos são recentes, por isso os dados ainda são incipientes. Assim, ela considera o estudo americano relevante por abrir novas possibilidades de investigação. “Mais uma vez fica demonstrado que os estudos envolvendo o processo de envelhecimento e a cognição precisam ser sistematizados, para que possamos contribuir para a promoção de bem estar das pessoas”, diz Claudimara.

A pesquisa foi realizada com 39 participantes, por isso não pode ser generalizada, adianta a psicóloga. “Não podemos dizer que seus resultados valem para qualquer população, com quaisquer jogos. Novos estudos, porém, replicando os procedimentos, podem indicar resultados com mais precisão”, afirma.

Fazer com que o ser humano mantenha sua autonomia à medida que vai envelhecendo é um dos objetivos dos profissionais de saúde, segundo Claudimara. “Por isso é tão importante incluir no nosso cotidiano práticas que cuidem também dos aspectos cognitivos”, afirma.

Especialista: Claudimara Chisté Santos, doutora em Psicologia pela Universidade Federal do Espírito Santo e docente da Faculdade Católica Salesiana do Espírito Santo e da Faculdade Brasileira.

Envolvimento com o assunto: Pesquisadora na área do envelhecimento, seu doutorado relacionou aspectos cognitivos e afetivos em idosos. Membro do Grupo de Trabalho “Os jogos e sua importância em psicologia e educação”, na Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia (ANPEPP).

- CONCLUSÃO

O estudo realizado por Laura Whitlock, Anne Collins McLaughlin e Jason Allaire, nos Estados Unidos, é importante pois aponta novos caminhos a serem pesquisados a respeito da influência de jogos eletrônicos na cognição de idosos. Porém, como se trata de uma pesquisa conduzida com poucos participantes, não pode ser generalizada.

(Por Érika Kokay)

27/02/2012

às 14:21 \ Sem categoria

Discriminação racial pode provocar problemas de saúde a longo prazo

Título Original: Is Discrimination an Equal Opportunity Risk? Racial Experiences, Socioeconomic Status, and Health Status among Black and White Adults

Onde foi divulgada: Journal of Health and Social Behavior

Quem fez:
Jenifer L. Bratter e Bridget K. Gorman

Dados de amostragem:
5.902 adultos negros e 28.451 adultos brancos

Resultado:
Tanto negros quanto brancos afirmaram terem recebido tratamento de discriminação racial e sofrerem problemas de saúde mental e física devido a isso. 18% dos negros e 4% dos brancos afirmaram considerar que seus altos níveis de problemas de saúde se devem ao tratamento discriminatório por raça.

Uma pessoa que sofre discriminação racial, além de todos os problemas sociais que se vê obrigada a enfrentar, pode ter sua saúde prejudicada. Essa é a conclusão de um estudo feito na Universidade de Rice, no Texas, Estados Unidos, que avaliou tanto os problemas de saúde relatados por negros quanto por brancos. A pesquisa foi divulgada no periódico Journal of Health and Social Behavior.

A maioria dos estudos sobre esse tema havia analisado os problemas de saúde em decorrência da discriminação racial apenas com negros. Essa nova pesquisa, porém, considera o problema também em relação aos brancos, e compara as consequências para as pessoas das duas raças.
Para chegar aos resultados, os pesquisadores levantaram dados de 5.902 adultos negros e 28.451 adultos brancos, registrados em 2004 pelo Sistema de Vigilância de Fatores de Risco Comportamentais dos EUA. Com base nessas informações, estabeleceram a relação existente entre raça, classe social, percepção de comportamento discriminatório e problemas de saúde — que foram mensurados com base na avaliação do próprio participante, e não apoiados em diagnósticos médicos.

Um número maior de negros relatou ter saúde deficiente: 22.7%, em oposição aos 14% dos brancos, e cerca de 18% dos negros e de 4% dos brancos disseram já ter recebido um tratamento de saúde pior devido a sua raça. Essa mesma porcentagem de negros e brancos afirmou também que considerava ter altos níveis tanto de distúrbios emocionais quanto de sintomas físicos e que esses problemas se deviam a um tratamento discriminatório relacionado à raça.

Para os autores do estudo, a classe socioeconômica exerce um papel fundamental sobre a relação entre discriminação racial e problemas de saúde. “Na verdade, a influência da raça na saúde é mais ajustada conforme o nível socioeconômico”, afirma o estudo. Para os pesquisadores, o fator socioeconômico é mais determinante do que o fator racial nos prejuízos à saúde dos brancos, enquanto que, em relação aos negros, a piora na saúde se deve a ambos os fatores.

“O comportamento discriminatório pode muito bem ser um ‘elo perdido’ na análise das desigualdades racial e étnica na saúde. É importante reconhecer e estudar seu impacto na saúde a longo prazo”, diz a socióloga Jenifer Bratter, uma das autoras do estudo. “Em última análise, esperamos que os profissionais e pesquisadores no campo da medicina reconheçam a contribuição tanto da classe social quanto do tratamento interpessoal para a saúde de todas as populações raciais”, afirma.

O que já se sabia sobre o estudo


Para Debora Glina, psicóloga da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e especialista em psicologia social, embora as conclusões do estudo não representem uma novidade, a pesquisa em si traz algumas inovações. Uma delas é focar na discriminação racial como fator para prejuízo à saúde, em oposição a outros levantamentos que somente haviam considerado a classe socioeconômica dos participantes.

Especialista: Debora Miriam Raab Glina, psicóloga e professora colaboradora do Departamento de Medicinal Legal, Ética Médica e Medicinal Social da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo
Envolvimento com o assunto: Fez mestrado e doutorado em psicologia social e atualmente está desenvolvendo pós-doutorado sobre assédio e discriminação no ambiente de trabalho

Conclusão

Pessoas expostas a situações de discriminação racial podem sofrer diversas consequências com o acúmulo de stress que esse problema gera. São danos à saúde como depressão, gastrite, úlcera e hipertensão, que tendem a piorar, já que a discriminação pode acontecer em diversas ocasiões. A conscientização tanto dos pesquisadores quanto da população sobre os perigosos riscos do preconceito racial é importante não só para o contexto social, mas também para o quadro de saúde daqueles que sofrem discriminação.

(Por Vivian Carrer Elias)

12/10/2011

às 17:59 \ Sem categoria

Quem mora sozinho tem mais chances de morrer por doenças ligadas ao álcool

(Foto: Thinkstock)

Título original:Living Alone and Alcohol-Related Mortality: A Population-Based Cohort Study from Finland

Publicação: PLoS Medicine

Quem fez: Kimmo Herttua

Instituição: Finnish Institute of Occupational Health

Dados de amostragem: 18.200 óbitos

Resultado: Morar sozinho está associado a um risco substancialmente aumentado de mortalidade relacionada ao álcool – independentemente do sexo, nível socioeconômico ou a causa específica da morte.

Pessoas que moram sozinhas têm um maior chance de morrer por causa de doenças relacionadas ao álcool, segundo um estudo finlandês. De um total de 18.200 mortes ligadas ao consumo de bebida alcoólica, dois terços ocorreram em indivíduos que viviam sozinhos. É o que mostra uma pesquisa realizada pelo Finnish Institute of Occupational Health, em Helsinque.

Os pesquisadores analisaram informações de 80% das pessoas que morreram na Finlândia entre 2000 e 2007. Segundo os atestados de óbito, as mortes incluíam doença hepática, intoxicação por álcool, acidentes de carro, além de casos de violência relacionada ao consumo de álcool. “Este é o primeiro estudo populacional que associa o fato de morar sozinho com a mortalidade em decorrência do álcool”, disse Kimmo Herttua, autor do estudo, ao site de VEJA.

Entre 2000 e 2003, homens que viviam sozinhos tinham 3,7 vezes mais chances de morrer de doença hepática em comparação com homens casados ou que moravam com outras pessoas, segundo mostrou a pesquisa. Entre 2004 e 2007, homens que viviam sozinhos tiveram 5 vezes mais probabilidades de morrer de doença hepática em comparação com quem dividia o teto.

A pesquisa leva em conta que, em 2004, houve uma redução de impostos, fazendo com que o preço da bebida diminuísse. Além disso, as leis foram alteradas, tornando legal importar quantidades praticamente ilimitadas de álcool de outros países da União Europeia. “Por conta do desenho do estudo, é impossível dizer se morar sozinho é a causa ou a consequência do abuso de álcool. Mas nossos resultados mostram que pessoas que vivem sozinhas são mais vulneráveis aos efeitos adversos do álcool”, afirmou Herttua.

“É possível dizer que conexões sociais podem ajudar a prevenir doenças em decorrência do alcoolismo. Isso porque há uma ligação entre a falta de relações interpessoais e depressão. Então, o abuso de álcool acaba servindo como uma automedicação para indivíduos sozinhos e depressivos”, explica Herttua.

— O que já se sabia sobre o assunto

Para Ana Cecília Marques, psiquiatra da Associação Brasileira do Estudo do Álcool e Outras Drogas, o estudo traz novidades ao associar o fato de morar sozinho com a mortalidade por álcool. Há estudos, segundo ela, que relacionam a solidão de idosos e o desenvolvimento de alcoolismo, mas não é um estudo sobre mortalidade.  A especialista pondera, contudo, que mais pesquisas devem ser feitas para estabelecer a relação entre os dois fatores.

Ana Cecilia lembra que a conclusão de que quem fica sozinho tem mais chances de ter problemas relacionados ao álcool não pode ser aplicada a todas as pessoas. “No caso dos jovens, é até ao contrário. Quem mora em república, por exemplo, bebe mais por pressão do grupo. Adolescente bebe por curiosidade”, diz a psiquiatra. “Não se pode dizer que uma pessoa que mora sozinha é alcoólatra.”

Especialista: Ana Cecília Marques, psiquiatra da Associação Brasileira do Estudo do Álcool e Outras Drogas
Envolvimento com o assunto: Autora de pesquisas sobre o consumo de álcool e outras drogas entre jovens brasileiros, psiquiatra da Associação Brasileira do Estudo do Álcool e Outras Drogas e coordenadora do Departamento de Dependências da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP)

— Conclusão

Ter relações sociais fora de casa é importante para o bem-estar de qualquer pessoa. Morar com a família ou ser casado pode ajudar a controlar um possível abuso do álcool e faz com que mais pessoas estejam atentas a um comportamento depressivo. Outros fatores de risco, porém, devem ser considerados antes de determinar se uma pessoa tem ou não risco de morrer em decorrência do abuso de álcool.

Por Natalia Cuminale

 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados