29/10/2010
às 8:58 \ PESQUISAFuncionários altruístas tendem a ser rejeitados pelo grupo
Título oficial: The Desire to Expel Unselfish Members From the Group
Publicação: Journal of Personality and Social Psychology
Quem fez: Craig D. Parks e Asako B. Stone
Instituição: Washington State University e Desert Research Institute
Dados de amostragem: 140 estudantes, em quatro estudos diferentes
Resultado: Há duas motivações diferentes que fazem dos colegas de trabalho altruístas indesejados. A primeira delas, classificada como mundana, se refere a uma crença de que a pessoa não consegue compreender claramente seu trabalho ou que ela tenha um comportamento imprevisível. A segunda, é a de que ou esse colega não é um bom parâmetro para sua imagem no escritório ou ele simplesmente não consegue aderir às regras locais de comportamento.
A história da maçã podre que estraga todas as demais dentro do cesto de frutas também pode ser usada, com uma inversão de papéis, para explicar algumas relações entre funcionários dentro de uma empresa. Na teoria levantada no estudo The Desire to Expel Unselfish Members from the Group (O Desejo de Expulsar Membros Altruístras do Grupo, em tradução livre), quem faz o papel de maçã podre é o funcionário altruísta, que está sempre disposto a ajudar e a ensinar quem quer que seja – principalmente quando isso não é sua obrigação.
Quanto mais ele se prontifica para afazeres impopulares, mais é odiado pelos colegas, criando um clima de competição e podendo, até mesmo, “contaminar” o ambiente de trabalho. Na maioria dos casos, esse funcionário dito altruísta é mal visto pelo resto do grupo, por “elevar” o nível do trabalho, e corre o risco de ser rejeitado por eles.
O desequilíbrio causado no grupo com a entrada de um funcionário com esse perfil é simples. Mais disposto a colaborar, a ajudar e a fazer aquilo que ninguém gosta de fazer, ele fica com a imagem de ser mais eficiente que os demais – o que pode irritar alguns. “Esses indivíduos generosos acabam fazendo com que os demais fiquem mal vistos no ambiente de trabalho”, afirmam Craig Parks e Asako Stone, autores do trabalho. De acordo com os dois, no convívio corporativo se espera uma participação igualitária entre todos os membros, mesmo que algum deles seja capaz de mais. Além de deixar o lugar mais homogêneo e menos competitivo (pelo menos na teoria), essa linearidade também seria a responsável por amenizar defeitos, falhas e limitações de algumas pessoas.
Segundo a pesquisa, durante um dilema social é bastante comum que os envolvidos acabem se esquecendo dos seus objetivos e se foquem apenas em avaliações pessoais um dos outros. Por isso, a maçã podre daquele grupo pode acabar sendo expulsa da cesta de frutas. Para Parks e Stone, essa possível expulsão acontece por dois motivos básicos. Sem a figura que eleva o nível do trabalho, acaba a necessidade de competição. A segunda delas, no entanto, diz respeito às normais internas. Alguém que coloca em risco as regras preestabelecidas e que tem idéias para mudá-las é um perigo que deve ser descartado.
- O que já se sabia sobre o assunto
De acordo com Yvette Piha Lehman, coordenadora do Centro de Psicologia Aplicada no Trabalho da USP, pesquisas sobre o ambiente corporativo têm apostado na ideologia de que a tarefa e a produção são um reflexo da competência da equipe toda, e não mais de uma pessoa em particular. “É essa a ideologia que vem sendo estudada, de que o trabalho em grupo contradiz a ideologia da competição, daquela pessoa que quer aparecer sozinha e receber todos os créditos”, diz.
Existe ainda uma medida possível onde alguém consegue se incluir socialmente. “Cada grupo tem seu sistema de identificação, uma proposta própria. Uma pessoa pode ser socialmente aceita em um grupo e no outro não”, diz Yvette. Estudos anteriores já levantavam a ideia de que o sucesso de um grupo está no equilíbrio de empatia entre seus membros – pessoas com os mesmos gostos e objetivos tendem a se agregar.
Especialista: Psicóloca Yvette Piha Lehman
Envolvimento com o assunto: É coordenadora do Centro de Psicologia Aplicada no Trabalho da Universidade de São Paulo (USP)
- Conclusão
Mesmo não sendo bem quistos, os altruístas da tese de Parks e Stone vão sempre existir. Mas o centro do problema não está na personalidade deles, e sim no contexto como um todo. O ponto chave, segundo Yvette, é saber colocar essa pessoa no melhor emprego e cargo para suas habilidades. “Se você pegar esse profissional que está desestabilizando determinada empresa e o colocar em outra onde todos são assim, ele será igual aos demais.” Ou ele pode ainda se tornar o líder de uma equipe, já que, nessas condições, a diferença costuma ser melhor aceita e justificada.
(Aretha Yarak)




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8 Comentários
Iris
-27/11/2010 às 21:50
Lei da selva! Se se admite nivelar pela média, vamos eliminá-lo!
Celestino
-08/11/2010 às 15:54
Estou surpreso com a fata de comentarios a uma materia tao interessante. Gostaria de dividir minha experiencia pessoal e de uma pessoa da minha familia. Presentemente trabalho para o Estado da Florida/USA e estou numa posicao de administrador num departamento que todos desejam trabalhar para um resultado positivo. Enquanto isto a minha esposa trabalhando em uma empresa “Non Profit” esta na situacao inversa pois ela pode ser considerada “a maca podre” por querer trabalhar duro para alcancar os objetivos enquanto seus colegas de nivel gerencial se sentem incomodados pela perseveranca e desejo de ajudar os outros no caso criancas e familias que sao os “clientes” desta “Non Profit”. Parabens pelo artigo.
hxmx13
-06/11/2010 às 13:51
@VEJA Altruísmo em excesso também pode ser demostração de pouca autoestima. é uma forma de compensação para q os outros aprovem o altruísta como o bonzinho e o gente boa. As pessoas não rejeitam o altruísta por ele ser solidário, mas.. por em muitos casos, na ansia de ajudar ele acabe se metendo em assuntos q não o dizem respeito. Um funcionário altruísta, quase nunca ocupa cargos de liderança, exatamente por ser muito solidário, não se enxerga nele a qualidade de um líder que precisa definir metas e foco. Pois, em qlq ramo objetivar, as vezes, requer que o comandante limite e determine as relações sociais dentro da empresa. E em muitos casos puna os que vão na contramão das regras estabelecidas. Eu fui altruísta na escola, no trabalho e nas relações e a rejeição é reflexo de uma relação capenga, baseada no pão q nunca é repartido.
Miriam Miranda
-06/11/2010 às 13:14
Acho que os valores estão totalmente invertidos e o “todo” é que deveria mudar e buscar a eficiência, o que transformaria pessoas em SERES HUMANOS!
Hilton Finotti
-06/11/2010 às 13:08
É realmente inacreditável que pessoas que estão dispostas a ajudar e a fazer até mesmo outros crescerem profissionalmente, sejam rejeitados. A maioria das pessoas é preguiçosa e não se esforçam para poder se melhorar e crescer, criando assim certa inveja e preconceito de pessoas resolvidas e auto suficientes, é sem dúvida o nivelamento por baixo e pela incompetência. Natureza humana, vai entender!
Adriana
-30/10/2010 às 0:29
Boa reportagem. Quando uma pessoa altruísta não é bem vinda em determinado lugar. Dê a ela a oportunidade de colocar seus conhecimentos em uma empresa que valorize seu potencial humano. Pessoas altruístas são muito criativas.
Georgia
-30/10/2010 às 0:11
Tudo que eh demais, que exagera, aborrece e incomoda. Tanto acontece com o “bonzinho”, altruista como tambem com o agressivo, que em empesas chega a ser ate perverso, com o puxa saco,com o subserviente etc. Team work nao eh facil e sempre precisa aparas e lapidacao. Ha sempre que observar, colocar as pessoas em posicoes de desafios, solicitar que todos deem sugestoes, que se exponham, assim todos tem a oportunidade de se expor como tambem de observar. So criticar eh facil e nao contribui de fato. Esta “zona de conforto” deve ser evitada.
SEPHORA
-29/10/2010 às 22:20
Sinto isso na pele todos os santos dias. Sofro muito com isso nao conseguindo deixar de perceber menos o que deva ser feito no ambiente de trabalho (tasks), nao consigo me policiar para tomar “menos” iniciativas, e nem consigo ficar sem mostrar uma maneira mais eficiente de se obter resultados. O grupo me exclui sem dizer nada a mim, apenas por gestos, por reacoes, tudo mascarado, mas eu percebo que e’ devido a este meu jeito. Eu fui lider na mesma empresa anteriormente, em uma outra franquia, e nesta atual franquia estou sendo totalmente rejeitada e nao sou lider, mas sou apenas uma das empregadas e isso foi escolha minha, nao quis ser gerente devido a meu estilo de vida, escolhi uma vida mais prazeiroza, sem os deveres e responsabilidades de uma lideranca. Percebo favoritismos e que inclusive as colegas me criticam pelas costas. Nao sei como modificar minha capacidade para “menos” nao consigo controlar, nao tenho tolerancia para ver o erro e nao mostra-lo ou nao tentar ajusta-lo, e acabo sendo mal vista pois quando vejo ja estou la, de prontidao, fazendo o essencial super bem feito e mostrando as colegas uma forma mais organizada, mais facil de se obter resultados. Cansei. Infelizmente tive que abandonar exatamente hoje este emprego por estar sofrendo muito preconceito mascarado por parte de todo o grupo. Inclusive de minha chefe que nao tem sequer metade da minha experiencia e nao e’ de forma alguma humilde. Ser humilde e’ importante, principalmente em um cargo de chefia porem, no meu caso nao me ajudou em nada, tentei ao maximo exercer a humildade e jamais exerci a “arrogancia”. Sem resultados. Sinto-me abandonada. Sinto-me como se eu estivesse “retrocedendo” em minhas capacidades ao nao poder ser eu mesma no meu ambiente de trabalho em equipe.