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03/06/2011

às 21:46 \ PESQUISA

Assim como humanos, cachorros podem ser pessimistas

(Foto: Thinkstockphotos)

Título original: Dogs showing separation-related behaviour exhibit a ‘pessimistic’ cognitive bias

Publicação: Current Biology

Quem fez: Mike Mendl

Instituição: Universidade de Bristol

Dados de amostragem: 24 cães, 50% machos e 50% fêmeas, entre nove meses e nove anos

Resultado: Assim como os humanos, os cães pessimistas têm dificuldade em enxergar uma situação de conflito a partir de um ponto de vista positivo

Estudo realizado pela Universidade de Bristol, na Inglaterra, indica que cachorros também manifestam personalidades pessimistas, a exemplo do que ocorre com os humanos.

Mike Mendl, autor da pesquisa, diz que o estado emocional de uma pessoa afeta diretamente suas decisões. Alguém otimista por natureza, ressalta o cientista, tende a enxergar uma situação ambígua de forma positiva, enquanto alguém pessimista olha um problema a partir de um ângulo negativo. “Nosso estudos mostram que o mesmo acontece entre os cães”, explica o acadêmico.

Durante o estudo, os pesquisadores treinaram cachorros de um centro de reabilitação britânico para identificar tigelas cheias e vazias de alimento deixadas em lados diferentes de uma sala. Os cientistas dividiram o recinto em três posições: positivo, negativo e neutro. No lado positivo, eles deixaram o recipiente com um pouco de comida e no lado negativo uma vasilha vazia. Em seguida, os pesquisadores soltaram os cachorros na sala para que pudessem identificar o que cada uma das posições representava (comida, positivo; vazio, negativo).

Na etapa seguinte da experiência, os pesquisadores colocaram uma tigela vazia em um ponto qualquer da sala e observaram o comportamento dos cachorros. Os cães otimistas corriam para o lado positivo do recinto, na expectativa de encontrar comida, enquanto os animais pessimistas caminhavam lentamente para o lado negativo da sala.

A equipe avaliou também a forma como os cães reagiam à solidão: os animais pessimistas eram exatamente os mesmos que apresentavam problemas de comportamento, quando longe de seus donos.

Segundo Mendl, a forma como os cães se comportam na ausência dos donos diz muito sobre sua personalidade. Os animais otimistas ficam calmos, já que têm certeza de que o dono voltará em breve. Os pessimistas, por sua vez, se sentem abandonados e são mais propensos a latir e a se comportar mal.

- O que já se sabia sobre o assunto

Hannelore Fuchs, veterinária e psicóloga (Foto: Arquivo pessoal)

O cachorro é um produto da sociedade e está cada vez mais semelhante ao ser humano, afirma a veterinária Hannelore Fuchs. “O cão é um ser com sentimentos e emoções e essa pesquisa mostra o que desde a década de 70 especialistas de todo o mundo tentam provar”, ressalta a especialista em comportamento animal.

A ansiedade é um medo prévio e cada cachorro lida de uma forma diferente com a ausência de seu dono.  “Essa pesquisa abre uma nova visão de que o cachorro pode tomar uma decisão de acordo com a sua estrutura emocional”, conta a especialista.

Pessimismo e otimismo são conceitos coletivos difíceis de definir, mas Mendl soube como quantificar isso através de um experimento claro, avalia a veterinária. E ela completa: “Classificávamos os cães como ativos, com dificuldade de aprendizado ou calmos, mas agora sabemos que muito de seu comportamento se deve a sua personalidade e não a sua raça”.

Especialista: A alemã Hannelore Fuchs, 83 anos, é veterinária e PhD em psicologia pela Universidade de São Paulo (USP)

Envolvimento com o assunto: A especialista acompanha as evoluções da área de cognição animal desde o final da década de 60, mas se dedica exclusivamente ao assunto desde 1985.

- Conclusão

O estudo é relevante para a comunidade veterinária e mostra que, assim como o ser humano, os cães possuem diferentes personalidades. Cada cachorro reage de uma forma diferente à solidão e isso não depende da raça ao qual ele pertence.

(Por Renata Honorato)

18/05/2011

às 16:42 \ PESQUISA

No cinema, homens falam e mulheres exibem suas curvas

Penélope Cruz no papel de Maria Elena em 'Vicky Cristina Barcelona': poderosa e com pouca roupa

Título original: Today’s media and the next generation of women

Publicação: Universidade do Sul da Califórnia

Quem fez: Stacy L. Smith, Cynthia Kennard e Amy D. Granados

Instituição: Escola Annenberg de Comunicação e Jornalismo, da Universidade do Sul da Califórnia

Dados de amostragem: 4.370 trechos de 100 filmes de sucesso lançados em 2008

Resultado: Homens protagonizam papéis com mais diálogos e mulheres aparecem na maior parte das vezes com menos roupa

Um estudo conduzido por especialistas da Universidade do Sul da Califórnia (USC) provou através de números o que de certa forma já constatávamos: mulheres tendem a aparecer nos filmes de Hollywood com pouca roupa, enquanto homens tendem a pegar papéis com mais diálogo. Em síntese, elas são mais vistas e eles mais escutados.

Para chegar à conclusão, três especialistas da instituição americana, Stacy L. Smith, Cynthia Kennard e Amy D. Granados, analisaram 4.370 trechos de 100 filmes de sucesso lançados em 2008. Entre os títulos pesquisados estão Batman – O Cavaleiro das Trevas, Homem de Ferro e Crepúsculo.

A partir dessa análise, as cientistas descobriram que 67% dos papéis com fala pertenciam a atores homens, enquanto menos da metade, ou seja, 33%, pertenciam a atrizes. Também são elas que costumam interpretar nos filmes as figuras sexualizadas. Do total de obras estudadas, as mulheres apareceram usando trajes provocativos em 26% dos casos, enquanto apenas 5% dos homens apareceram na mesma situação.

O mesmo ocorre em papéis que exijam nudez. As mulheres apareceram seminuas em 26% dos filmes analisados, enquanto apenas 8% dos homens interpretaram papéis onde era preciso mostrar parcialmente o seu corpo.

No mercado cinematográfico a situação não é diferente. Para cada cinco diretores, roteiristas e produtores homens, uma mulher executa as mesmas funções em Hollywood. “As mulheres representam cerca da metade da população nos Estados Unidos e são responsáveis por 50% da bilheteria no país. Contudo, elas continuam representando somente um terço dos papéis com falas nos filmes”, diz Stacy Smith, professora da USC e líder do estudo.

- O que já se sabia sobre o assunto

Giselle Gubernikoff, cineasta e professora da USP (Foto: Arquivo pessoal)

“A mulher continua servindo como cenário nos filmes”, diz Giselle Gubernikoff, cineasta e professora da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (USP). A especialista reforça que a figura da mulher no cinema tem sido tema de vários estudos desde a década de 70 e que ela se surpreende ao perceber que pouca coisa mudou nos últimos 40 anos.

Para a acadêmica, o cinema é naturalmente machista. Ela explica, no entanto, que devagar as coisas têm mudado. Um termômetro para toda essa inversão de papéis pode ser testemunhada na TV a cabo. Ao longo da história do cinema, muitas mulheres poderosas fizeram sucesso. Muitas atrizes se transformaram em verdadeiros ícones. O que elas não conseguiram com a fama foi colocar um ponto final no estereótipo dos personagens femininos – geralmente retratados de forma sexy e com pouca roupa.

No Brasil, ressalta Gubernikoff, a realidade é mais pessimista. Como o país é latino e historicamente mais machista, as diferenças entre gêneros no mercado cinematográfico são ainda mais latentes. “Aqui é muito mais difícil para a mulher conseguir espaço na indústria”, diz.

Especialista: Giselle Gubernikoff, cineasta e professora da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (USP)
Envolvimento com o assunto: Publicou o artigo A imagem: representação da mulher no cinema no periódico brasileiro Conexão, da Universidade de Caxias do Sul

- Conclusão

O cinema parece não acompanhar na mesma velocidade as conquistas femininas na vida real. Nesse mercado, o poder das grandes atrizes de Hollywood tem limite. E ele vai até onde determina a lente do diretor, na maioria das vezes em cenas sensuais com planos fechados, poucas roupas e muita sensualidade.

(Por Renata Honorato)

20/04/2011

às 12:20 \ PESQUISA

Rejeição amorosa causa dores físicas no ser humano

(Foto: Creative Commons/Flickr fractured-fairytales)

Título original: Social rejection shares somatosensory representations with physical pain

Publicação: Proceedings of the National Academy of Sciences

Quem fez: Dr. Edward Smith

Instituição: Universidade de Columbia, Universidade de Michigan e Universidade do Colorado

Dados de amostragem: 40 participantes, entre homens e mulheres

Resultado: Reação de abandono ativa áreas cerebrais ligadas à sensação de dor

Um novo estudo baseado em atividades cerebrais revela que a rejeição amorosa pode causar  dores físicas no ser humano. Segundo a pesquisa, realizada por uma equipe de especialistas da Universidade de Columbia, da Universidade de Michigan e da Universidade do Colorado, todas instituições americanas, o coração partido ativa no cérebro a mesma região responsável pela sensação desconfortável de uma queda, por exemplo. Experiências anteriores já sugeriam a conexão, no entanto exames de ressonância magnética provaram que o final de um relacionamento pode provocar reações físicas de dor.

Edward Smith, co-autor do estudo, e sua equipe, composta por peritos em neurociência, recrutaram 40 participantes por meio do Facebook e Craigslist para realizar testes de laboratório. A condição imposta pelos cientistas era a de que os voluntários tivessem passado por alguma situação de rejeição amorosa nos últimos seis meses.

Em seguida, os especialistas pediram às pessoas que olhassem fotografias de seus ex-companheiros e lembrassem do fim do relacionamento. Enquanto analisavam as imagens, a equipe escaneava o cérebro dos voluntários a fim de identificar qual área era ativada durante a experiência.

De acordo com os cientistas, a lembrança ativou uma área do cérebro que controla a dor física. Para se certificar de que o mesmo não ocorre em outras situações, os especialistas analisaram outros estudos realizados com 150 pessoas. Dessa vez, no entanto, o cérebro foi escaneado diante de emoções negativas, como medo, ansiedade, raiva e tristeza. Em nenhuma situação, garante a equipe, a área da dor física foi ativada.

A conclusão do estudo foi publicada no periódico internacional Proceedings of the National Academy of Sciences.

- O que já se sabia sobre o assunto

Guilherme Cunha, neurocientista da Universidade Federal de Minas Gerais (Foto: Arquivo pessoal)

A pesquisa americana reforça uma discussão pertinente e bastante debatida na comunidade científica. Para Guilherme Cunha, médico e mestre em neurociências da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o termo coração partido é popularmente usado para denotar o que os neurocientistas chamam de dor social.

Essa dor ativa uma determinada área do cérebro, diferente da área acionada quando a dor é física.  “No estudo em questão, o que os cientistas descobriram é que parece existir uma intrigante ativação de áreas responsáveis pela dor física em situações de rejeição amorosa”, explica Cunha.

Esse mecanismo, que permite a interpretação de uma dor social intensa como uma dor física, é extremamente importante e pode ser traduzido como forma de proteção e preservação da espécie, principalmente entre mamíferos. A rejeição de um parceiro pode assim representar uma ameaça à manutenção de um núcleo responsável por preservar e perpetuar a espécie na natureza. A rejeição a esse sentimento seria também um sinal de ameaça.

Especialista: Guilherme Cunha, médico e mestre pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
Envolvimento com o assunto: É especialista em neurociência.

- Conclusão

Só agora a ciência consegue provar algo que a literatura registra desde sempre: ter o coração partido é muito, muito doloroso. William Shakespeare, em sua peça mais popular, Romeu e Julieta, já dizia: “Eis aí o amor que eu sinto e que me causa apenas dor”. Portanto, não é novidade para o homem a tal dor do amor. O que os cientistas fazem agora é provar, a partir de imagens, o que há séculos assistimos no cinema, lemos nos livros, escutamos na música, contemplamos na pintura e … sentimos no coração.

(Por Renata Honorato)

04/04/2011

às 18:37 \ PESQUISA

Sexo e agressividade ativam mesma área do cérebro

(Foto: Digital Vision/StockPhotos)

Título original: Functional identification of an aggression locus in the mouse hypothalamus

Publicação: Nature

Quem fez: Dr. Dayu Lin

Instituição: Universidade de Nova York e Instituto de Tecnologia da Califórnia

Dados de amostragem: Grupos de cobaias machos e fêmeas

Resultado: Na mesma região do cérebro onde há atividade durante momentos de agressividade há uma diminuição de atividade durante o acasalamento

Comportamentos de acasalamento e de agressividade podem estar interligados através de uma mesma região do cérebro, sugere um novo estudo publicado pelo periódico Nature. A pesquisa, liderada pelo doutor Dayu Lin, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, identificou uma variação de atividade em uma mesma região do cérebro de ratos durante dois momentos distintos: sexo e briga.

Segundo a equipe de cientistas responsável pelo estudo, células localizadas em uma região profunda do hipotálamo, a sede cerebral das emoções, determinam se um camundongo entra em conflito com outra cobaia ou se tenta se reproduzir com ela.

A pesquisa mostra ainda que os mesmos neurônios em atividade durante momentos de agressão se “acalmam” durante o acasalamento. Quando ocorre o contrário – as células ficam agitadas -, os camundongos atacam até mesmo as cobaias fêmeas.

A experiência envolveu encontros consecutivos entre ratos dos dois gêneros. Para avaliar o comportamento dos camundongos, os médicos marcaram através de uma espécie de etiqueta fluorescente as células ativas do animal. Através desse processo de “tagueamento”, os neurocientistas perceberam que os mesmos neurônios de uma região chamada hipotálamo ventromedial (VMH) que entravam em ação durante as brigas eram “desligados” na hora do sexo.

- O que já se sabia sobre o assunto

Newton Sabino Canteras, neurocientista da Universidade de São Paulo (Foto: Arquivo pessoal)

Existem inúmeras pesquisas que avaliam regiões do cérebro responsáveis pela agressividade, mas não há consenso sobre quais neurônios são ativados durante essas reações. Para o neurocientista da Universidade de São Paulo, Newton Sabino Canteras, a hipótese levantada pelo artigo publicado na Nature é bastante relevante e representa um avanço para a neurociência. Mas ele ressalta que que nos humanos essa relação é diferente. “A área que responde pela agressão é similar em homens e camundongos, mas não podemos fazer qualquer transposição quando a questão é o acasalamento”, explica o médico. “Nos humanos essa análise é muito mais complexa. Os aspectos sociais precisam ser levados em conta.”

Especialista: Newton Sabino Canteras, neurocientista da Universidade de São Paulo (USP)

Envolvimento com o assunto: Canteras estudou funções do hipotálamo em sua livre-docência na USP e foi um dos consultados pela Nature na repercussão do estudo.

- Conclusão

A pesquisa é relevante para a comunidade científica, mas não pode ser associada ao comportamento humano. Embora algumas funções cerebrais sejam similares em homens e cobaias, temas que envolvem a interferência de aspectos sociais precisam ser analisados com parcimônia.

(Por Renata Honorato)

14/03/2011

às 15:17 \ PESQUISA

Técnicos de terno transmitem mais confiança a jogadores

José Mourinho, técnico do time europeu Real Madrid (Foto: Francois Mori/Real Madrid)

Título original: Well dressed sports coaches win confidence

Publicação: International Journal of Sport Psychology

Quem fez: Dr. Richard Thelwell

Instituição: Universidade de Portsmouth, na Grã-Bretanha

Dados de amostragem: 97 homens e mulheres

Resultado: Técnicos que vestem terno no dia dos jogos transmitem mais confianças para o seu time do que treinadores que preferem roupas esportivas.

Uma pesquisa realizada na Universidade de Portsmouth, na Grã-Bretanha, afirma que treinadores em trajes formais inspiram a sensação de maior eficiência ao time do que seus colegas adeptos dos agasalhos esportivos. O levantamento, publicado no periódico International Journal of Sport Psychology, constata que o vestuário influencia na forma como os jogadores avaliam a habilidade técnica do comandante.

Para o cientista Richard Thelwell, líder do estudo, um técnico de terno sugere maior poder de estratégia, o que obviamente é imprescindível em uma disputa esportiva. “Roupas sociais passam a ideia de competência, embora os próprios treinadores se sintam mais confiantes vestindo trajes esportivos”, explica.

Participaram da pesquisa 97 voluntários britânicos, entre homens e mulheres. Durante a experiência, eles tiveram que observar fotos de quatro técnicos com diferentes tipos físicos – dois vestidos com roupas casuais e dois em trajes formais. Depois, os participantes da pesquisa relatavam suas impressões sobre a competência técnica do profissional na forma de um ranking.

Os treinadores de agasalho esportivo, independentemente da aparência física, foram classificados em último lugar quando analisadas as seguintes aptidões: capacidade de motivar, capacidade de desenvolver técnica, capacidade estratégica de jogo e capacidade de construir o caráter do atleta. Já os profissionais que usavam terno e gravata foram classificados como “exímios estrategistas”, qualidade esperada e exigida no comando de equipes esportivas.

- O que já se sabia sobre o assunto

Claudinei Santos, especialista em marketing esportivo (Foto: Divulgação)

A roupa escolhida por um treinador realmente importa, garante Claudinei Santos, especialista em marketing esportivo e diretor do Núcleo de Estudos em Negócios do Esporte da ESPM. Para Santos, no mundo do futebol, o técnico é encarado como um ídolo, como um professor, um profissional que precisa inspirar confiança e atitude, além de arquitetar soluções de êxito para a equipe. “Ele não pode parecer simplesmente mais um atleta”, ressalta.

Cientes disso, treinadores europeus bem sucedidos adotam um estilo formal e apresentam-se frequentemente de terno e gravata em partidas importantes. “Alguns técnicos britânicos, por exemplo, optam pela gravata até em dia treino”, conta Santos.  “Fica difícil avaliar: eles são melhores porque usam gravata ou usam gravata porque são os melhores?”

Vale ressaltar, no entanto, que há exceções e que nem sempre a roupa faz a diferença em campo. “Luxemburgo, técnico do Flamengo, sempre usou traje formal e nem por isso foi considerado um bom treinador na Espanha,  onde só trabalhou por três meses”, lembra Santos. De qualquer forma, o marketing pessoal e a boa apresentação sempre causarão impressão positiva, tanto para os jogadores quanto para a crítica.

Especialista: Claudinei Santos, diretor do Núcleo de Estudos em Negócios do Esporte da ESPM.

Envolvimento com o assunto: Santos é especialista em marketing esportivo.

- Conclusão
Assim como acontece em outros setores da sociedade, a forma como um líder se apresenta faz diferença no futebol. Um técnico bem vestido passa a sensação de que domina a técnica necessária para conduzir o grupo à vitória.  Em síntese, terno e gravata representam para os atletas a esperança de que estão sendo liderados por alguém que entende mais do assunto do que eles próprios.

(Por Renata Honorato)

24/02/2011

às 11:33 \ PESQUISA

O melhor remédio para ressaca? Aspirina e café

(Foto: Thinkstock)

Título original: Acetate Causes Alcohol Hangover Headache in Rats

Publicação: PLoS ONE

Quem fez: Michael L. Oshinsky

Instituição: Universidade Thomas Jefferson da Filadélfia, Estados Unidos

Dados de amostragem: 84 ratos de laboratório

Resultado: Depois de testar diferentes substâncias em ratos de ressaca, os pesquisadores concluíram que o verdadeiro causador da dor de cabeça pós-bebida é a uma substância chamada acetato, que deve ser combatida com café e aspirina.

Ao contrário do que indicam as aparências, não foi pensando em alcoolatras nem em universitários beberrões que Michael L. Oshinsky e sua equipe, da Universidade Thomas Jefferson da Filadélfia, conduziram um estudo sobre ressaca. “Pessoas hipersensíveis a enxaquecas não precisam ficar bêbadas para terem dores de cabeça provocadas pelo álcool – para algumas, basta uma cerveja e o sofrimento no dia seguinte é certo”, diz o pesquisador.

Entre os mais sensíveis estão 25% das mulheres em período reprodutivo e 4% da população mundial de ambos os sexos, que têm dores de cabeça crônicas – mais de 15 por mês. A boa notícia para essa turma – e, indiretamente, para aqueles que passam um pouco da conta quando bebem também – é que a equipe de Oshinsky chancelou a fórmula para combater as dores de cabeça ocasionadas pela ressaca que muitos já empregavam: café e aspirina.

A equipe sondou as causas do mal-estar, que até então eram desconhecidas. Deram algumas doses de álcool a ratos de laboratório e começaram os testes. Em primeiro lugar, examinaram a tese vigente. Até hoje, acreditava-se que a causa das dores de cabeça era um subproduto do metabolismo do álcool no organismo, o acetaldeído. Quando os pesquisadores deram aos camundongos inibidores da ação dessa substância, porém, as dores continuaram. Eles avaliaram, então, uma outra teoria, a de que as enxaquecas fossem o resultado não do acetaldeído, mas de um  produto de sua quebra, o acetato. E, combatendo os efeitos desse composto, conseguiram bons resultados.

Neste ponto, é bom perguntar: e como é que os cientistas sabiam se os ratos tinham dores de cabeça ou não? Com um aparelho chamado Filamento de von Frey. Esse dispositivo alongado “cutucava” as regiões do rosto e da cabeça dos ratos que ficam doloridas em casos de cefaléia. Se o rato recuasse a cabeça ou empurrasse o aparelho com as patas, ele estava sentindo dor. “Acetato é, basicamente, vinagre. Nós temos acetato em nosso corpo e o consumimos em alimentos. Por isso, no passado, as pessoas pensavam que essa substância não poderia ser a razão das dores. Mas o que acontece no caso do álcool é que ele produz tanto acetato que o corpo fica sobrecarregado e não consegue mais processá-lo”, explica Oshinsky.

Se os resultados desse experimento forem confirmados por testes posteriores, a receita para diminuir os efeitos dessa sobrecarga é tomar uma aspirina logo após a bebida alcoolica e consumir cafeína de quatro a oito horas depois. “E sob nenhuma hipótese tomar Tylenol ou similares. O princípio ativo desses medicamentos é tóxico ao fígado quando misturado ao álcool”, adverte Oshinsky.

De toda forma, ainda vale a sugestão de moderar na bebida, já que a regra do café com aspirina não cura enjôo nem vômito – e muito menos cirrose.

O que já se sabia sobre o assunto

Sem ressaca: Daniel Kerr, pesquisador do Laboratório de Neurociências do Hospital das Clínicas de São Paulo, na companhia de uma cerveja Guinness (Arquivo Pessoal)

Para Daniel Kerr, pesquisador do Laboratório de Neurociências do Hospital das Clínicas de São Paulo, as sugestões do estudo de Oshinsky não são nada extravagantes. “Essa é a velha questão de que o veneno está na dose”, ele diz. Segundo Kerr, o caminho do metabolismo do álcool no corpo humano já era conhecido. Sabia-se que o acetato era um de seus subprodutos. E faz sentido que a substância cause problemas quando produzida em excesso.

“O acetato tem dois caminhos possíveis depois de entrar no corpo humano: ou faz parte do metabolismo normal da glicose e se transforma em energia ou se converte no que chamamos corpos cetônicos”, explica. “Essas substâncias provocam a redução do pH do sangue – ou seja, o tornam mais ácido – o que pode desestabilizar diversas reações que acontecem no organismo.”

Quando o metabolismo humano está normal, a glicose é processada gerando, entre outras substâncias, o oxaloacetato. Esse ácido se combina com o acetato para transformá-lo, mais tarde, em energia, CO2 e água. “É por essa razão que a sabedoria popular aconselha a não beber de estômago vazio. Quanto mais açúcar alguém tiver no sangue quando ingerir álcool, mais fácil será a sua quebra pelo organismo”, diz Kerr.

Sobre o tratamento recomendado pelo estudo, o neurocientista diz que não há nenhuma novidade na sugestão de aspirina, que é um bom remédio para dores de cabeça em geral, independente de suas causas. Já o café atua em uma outra frente, bloqueando os receptores de adenosina, substância produzida na quebra do acetato e que, em excesso, pode ser prejudicial.

É preciso ter parcimônia no otimismo com o estudo, já que ele usou um modelo animal, o que pode apresentar diferenças com relação ao corpo humano. Mas, em geral, Kerr tende a acreditar que suas conclusões sejam razoáveis. “Eu costumava brincar com meus alunos que a pior coisa que alguém poderia fazer a uma pessoa alcoolizada é dar-lhe café – só o que conseguiriam com isso era ter um bêbado acordado. Parece que agora terei que inventar uma nova piada para minhas aulas”, brinca.

Especialista: Daniel Kerr, bioquímico e neurocientista do Laboratório de Neurociências do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Envolvimento com o assunto: Daniel trabalha com neurociência desde 2002. É formado em Ciências Moleculares pela USP e mestrado e doutorado em bioquímica, com teses focadas em neurociência.

Conclusão

As conclusões de Oshinsky parecem razoáveis, ainda que precisem de mais testes, especialmente para comprovar se são válidas para humanos. Contudo, como bem apontou Daniel Kerr, uma coisa é certa: “Tomar café e aspirina não vai fazer mal a ninguém”.

(Por Nana Queiroz)

05/02/2011

às 16:36 \ PESQUISA

Homens: perdão só se a traição acontecer com outra mulher

(Foto: Stockbyte)

Título original: Sex differences in response to imagining a partner’s heterosexual or homosexual affair

Publicação: Personality and Individual Differences

Quem fez: Jaime C. Confer, da Universidade do Texas, e Mark D. Cloud, da Universidade da Pensilvânia

Instituição: Universidade do Texas

Dados de amostragem: 718 universitários

Resultado: Homens aceitam melhor a traição homossexual do que as mulheres

Um novo estudo realizado em Austin, no Texas, Estados Unidos, prova o que já era notório antes mesmo de qualquer conclusão científica: os homens aceitam melhor uma traição se “o outro” for uma mulher.

O levantamento, publicado no periódico Personality and Individual Differences, mostra que 50% dos voluntários pesquisados perdoariam uma traição homossexual; apenas 22% faria o mesmo se o terceiro personagem da trama fosse um homem.

Entre o público feminino o cenário é diferente. A traição homossexual só seria perdoada por 21% das entrevistadas, enquanto 28% aceitaria voltar para o relacionamento se a infidelidade envolvesse um caso com outra mulher.

Cerca de 718 universitário participaram do estudo, cujo objetivo foi analisar reações baseadas em instintos primários de ciúme.

Para a psicóloga Jaime Confer, cientista da Universidade do Texas e autora da pesquisa, os homens encaram outro homem como um rival, capaz de colocar em questão a sua virilidade, enquanto o relacionamento entre duas mulheres alimenta a fantasia de poder, quem sabe, “acasalar com ambas ao mesmo tempo”.

- O que já se sabia sobre o assunto

Mirian Goldenberg, antropóloga da UFRJ (Foto: Cristina Lacerda)

Para a antropóloga Mirian Goldenberg, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro e autora do livro Por que homens e mulheres traem?, o estudo americano é coerente, especialmente no Brasil e em outros países da América Latina. Segundo a especialista, a cultura dessas regiões é machista, o que faz com que os homens minimizem a traição quando “o outro” é uma mulher.

“O ato sexual é o que mais incomoda um homem. Quando ele é traído com outra mulher a sua virilidade não é questionada – ou comparada. O que elas buscam em uma parceira é amizade, companheirismo e não sexo”, diz a escritora.

Embora concorde com a conclusão da pesquisa, que associa o perdão masculino a uma fantasia sexual, Goldenberg acha que o comportamento tem mais a ver com a posição do indivíduo frente a sociedade do que o desejo de um ménage à trois. Mas a antropóloga não ignora o argumento, embora o considere menos importante: “A ideia de duas mulheres juntas estimula o homem. Isso é fato”.

O que vai contra seus 23 anos de estudo, aponta a acadêmica, é a conclusão de que as mulheres se sentem mais à vontade para perdoar uma traição heterossexual do que uma homossexual. “A fantasia da mulher é ser única. Isso significa que qualquer traição – seja ela com um homem ou mulher – tem o mesmo peso”. A especialista ainda ressalta que no Brasil o perdão feminino é muito raro e que na maioria dos casos a infidelidade leva ao término de um relacionamento.

Especialista: Mirian Goldenberg, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro e autora do livro Por que homens e mulheres traem?

Envolvimento com o assunto: A antropóloga estuda a traição desde 1988, quando decidiu focar sua tese de doutorado no tema.

- Conclusão

O maior medo do homem não é ser traído, mas sim ser visto pela vizinhança, trabalho ou grupo de amigos como um cara “ruim de cama”, trocado por outro mais viril. Já a mulher, como acontece desde que o mundo é mundo, pensa com o coração, teme a infidelidade e ainda sonha em ser a única na vida de alguém.

(Por Renata Honorato)

19/01/2011

às 20:41 \ PESQUISA

Usar óculos aumenta chance de conseguir um emprego

(Stockbyte/Thinkstock)

Título original: Brits wear specs to impress

Publicação: site do The College of Optometrists

Quem fez: a empresa One Poll, sob encomenda do The College of Optometrists, uma agremiação de especialistas da área de optometria em Londres, Inglaterra.

Instituição: The College of Optometrists

Dados de amostragem: 2.000 adultos britânicos

Resultado: As pessoas associam os óculos a profissionalismo e inteligência. Por isso, usar óculos pode aumentar as chances de um candidato em uma entrevista de emprego.

Não é à toa que quando os quadrinhos deram vida e rosto ao Super-homem fizeram seu alterego Clark Kent usar um par de óculos. Segundo um estudo do The College of Optometrists, de Londres, na Inglaterra, as lentes conferem mesmo poderes especiais a quem as usa – pelo menos em uma entrevista de emprego.

Entre os 2.000 britânicos entrevistados, 43% disseram considerar que pessoas de óculos aparentam mais inteligência, enquanto 36% alegaram que elas parecem mais profissionais. E mais: 40% deles afirmaram que topariam usar um óculos sem grau só para fins de estilo.

Olhando esses números, ficou fácil concluir que as chances de cruzar um empregador que pensa da mesma forma são grandes.

O que já se sabia sobre o assunto

Ligia Marques, consultora de marketing pessoal

Segundo a consultora em marketing pessoal Ligia Marques, já é consenso que os óculos são um símbolo de profissionalismo. “Não conhecia, até hoje, nenhum estudo formal sobre o assunto, mas a experiência nos ensina que pessoas de óculos se dão melhor, sim, nas entrevistas de emprego”, diz Ligia. “Eu recomendaria, inclusive, o uso de óculos sem grau, exclusivamente para fins profissionais”.

E por que os óculos – que remetem, antes de tudo, a um problema de saúde – são tomados como um dos maiores pendões da inteligência e seriedade? “Porque eles conferem aos que os usam um aspecto mais velho, mais maduro e esse dado induz, inconscientemente, a uma imagem de mais experiência e credibilidade”, explica Ligia.

O mesmo não vale para óculos de sol, que devem ser evitados. “Eles são importantes para a saúde e para a imagem, mas, em um contexto de entrevista, privam a pessoa de sua arma mais poderosa, que é o contato visual. Os olhos são o maior canal de mensagens de uma pessoa”, ressalta Ligia. Mais grave ainda é aparecer de óculos escuros em lugares fechados ou quando o sol já se pôs.

Ao contrário das roupas, o modelo e a cor dos óculos de grau usados em uma entrevista dependem exclusivamente do formato do rosto e da cor da pele de quem os usa. Até modelos mais extravagantes, como o “óculos de gatinha”, não são proibidos, desde que o candidato saiba manter uma atitude séria que se contraponha ao “descolado” da armação. O único pecado mortal são as armações de má qualidade ou de “aparência barata”, diz Ligia.

Jovens se beneficiam ainda mais dos óculos, segundo a consultora. “Quem nunca viu um médico novinho e não quis fugir do consultório? Nessas horas, os óculos podem ajudar os iniciantes a passar uma mensagem de mais credibilidade”. E quem fala é a voz da experiência: muito antes de se especializar em marketing pessoal, Ligia foi uma jovem veterinária. Como ela atendia? “De óculos, é claro!”.

Especialista: Ligia Marques, consultora de marketing pessoal.
Envolvimento com o assunto: Ligia é antropóloga formada pela Universidade de São Paulo e especializada em psicologia da educação. Há mais de 15 anos ela atua como consultora de marketing pessoal.

Conclusão

O estudo britânico confirma um consenso antigo. Os óculos fazem com que as pessoas pareçam mais velhas, mais experientes e mais confiáveis. A mensagem que eles transmitem é tão importante, que talvez valha até gastar um tempinho lendo sobre o assunto ou consultando um especialista em moda antes de escolher a armação que mais se encaixa com seu rosto e tom de pele. A partir de hoje, não esqueça seus óculos antes de procurar um emprego. Sem eles você estará mais sujeito às criptonitas da entrevista…

Nana Queiroz

08/01/2011

às 17:44 \ PESQUISA

Auge da vida sexual das mulheres acontece após os 40 anos

(Foto: Kim Carson/Thinkstock)

Título oficial: Female sexual dysfunction in urological patients: findings from a major metropolitan area in the USA

Publicação: British Journal of Urology

Quem fez: Debra Fromer, pesquisadora da Universidade de Hackensack, nos Estados Unidos

Instituição: Centro Médico da Universidade de Hackensack

Dados de amostragem: 587 mulheres de todas as idades

Resultado: O sexo para as mulheres entre 31 e 45 anos é mais frequente e de melhor qualidade

Mulheres de meia-idade são mais ativas sexualmente e atingem o orgasmo com mais frequência do que as mais jovens, aponta um estudo realizado pela Universidade de Hackensack, nos Estados Unidos.

A pesquisa, publicada no periódico British Journal of Urology, mostra que as pessoas do sexo feminino entre 31 e 45 possuem uma vida sexual melhor do que o grupo de mulheres que vão de 18 a 30 anos.

O levantamento, liderado pela cientista Debra Fromer, foi baseado nas respostas de 587 mulheres, de diferentes idades, dos Estados Unidos. Segundo dados divulgados por Fromer, as mulheres mais jovens, além de possuírem maiores intervalos entre uma relação e outra, também são as que têm mais dificuldade de chegar ao orgasmo.

A conclusão do estudo americano não é inédita. Uma pesquisa realizada na Turquia e um levantamento, encomendado pela revista britânica Top Sante, também mostraram que mulheres acima dos 40 testemunham o melhor momento sexual de suas vidas.

Para muitos especialistas, é na meia-idade que as mulheres atingem sua confiança sexual. É aos 40, afirmam sexólogos, que elas sabem o que querem na cama e não têm medo de compartilhar com o parceiro seus desejos.

- O que já se sabia sobre o assunto

Oswaldo Martins Rodrigues Junior, diretor do Instituto Paulista de Sexualidade (Foto: Divulgação)

O sexo sempre foi um assunto recorrente na psicologia, especialmente entre sexólogos, especialistas em identificar disfunções no que pode ser considerado um dos pontos altos da relação humana.

Para o sexólogo Oswaldo Martins Rodrigues Junior, diretor do Instituto Paulista de Sexualidade, a conclusão do estudo faz todo sentido, já que é preciso maturidade para se aprender a fazer sexo. “Sexo precisa ser aprendido na espécie humana. Não é algo ‘natural’ como a maior parte das pessoas tende a julgar”, explica o especialista.

A experiência faz toda a diferença na vida das pessoas, principalmente quando o assunto em voga é o polêmico sexo. “Se a mulher tiver uma década para aprender a fazer e como ter orgasmos, esse será o momento em que tirará maior prazer da vida sexual”, aponta.

Há algumas ressalvas, no entanto, ressalta Martins. “O aumento de idade e de estados depressivos, que exigem tratamento a base de antidepressivos, atuam negativamente na vida sexual da mulher. Eles diminuem o desejo e dificultam o orgasmo.”

O sexólogo ainda alerta: mulheres que querem aproveitar a vida sexual no período da menopausa precisam procurar um médico para a prescrição de reposição hormonal, quando necessária, além de não relaxar na prática de exercícios físicos. “Se não houver atividade física para melhorar a condição aeróbica o sexo será muito limitado. A redução de posições sexuais, de abertura de membros e de movimentação comprometem a satisfação e, consequentemente, o orgasmo”.

Especialista: Oswaldo Martins Rodrigues Junior, diretor do Instituto Paulista de Sexualidade.

Envolvimento com o assunto: É psicológo e sexólogo e já atendeu inúmeros casos de mulheres que se queixam da vida sexual em seu consultório.

- Conclusão

Aos 40, as mulheres não só testemunham o auge de suas carreiras, como também desfrutam do melhor sexo de suas vidas. Com filhos criados e uma situação financeira estável, elas aproveitam o momento e provam para si mesmas que é possível envelhecer com qualidade, sem deixar para trás o prazer sexual. Com a saúde em dia e com um estilo de vida saudável, a chegada na “idade da loba” só mostra que o melhor mesmo ainda está por vir. Divirtam-se, mulheres!

(Por Renata Honorato)

15/12/2010

às 17:30 \ PESQUISA

SMS e redes sociais comprometem saúde dos adolescentes

(Foto: Thinkstock)

Título oficial: Hyper-texting and Hyper-Networking Pose New Health Risks for Teens

Publicação: American Public Health Association

Quem fez: Scott Frank, médico e professor da Universidade Case Western Reserve

Instituição: Escola de Medicina da Universidade Case Western Reserve, em Ohio, nos Estados Unidos

Dados de amostragem: Estudantes do ensino médio de ambos os sexos

Resultado: O envio exagerado de SMS e o uso patológico de redes sociais podem estar vinculados a distúrbios comportamentais de adolescentes como uso de drogas, álcool e cigarro.

Facebook, Twitter e SMS podem colocar em risco a saúde de adolescentes, segundo uma pesquisa realizada pela Universidade Case Western Reserve, em Ohio, nos Estados Unidos. O estudo, publicado no American Public Health Association, afirma que o exagero no envio de mensagens SMS e o uso hiperbólico de redes sociais podem estar associados a distúrbios comportamentais graves, como uso de drogas, álcool, cigarro e até a prática irresponsável do sexo.

Os pesquisadores consideraram anormais o envio de 120 mensagens ou mais por dia e o acesso a redes sociais por mais de três horas.

De acordo com o levantamento, 19,8% dos estudantes, a maioria meninas, enviaram mais de 120 mensagens de texto (SMS) em um dia. Esse mesmo grupo pertence a uma classe socioeconômica menos favorável e alguns não possuem a imagem paterna em casa.

Para os especialistas, esses adolescentes têm 40% mais chances de experimentar cigarros, duas vezes mais chances de experimentar bebidas alcoólicas, 41% mais chances de usar drogas ilícitas e 90% mais chances de possuir quatro, cinco ou seis parceiros sexuais.

“Os resultados surpreendentes desse estudo sugerem que estar conectado o tempo todo pode comprometer a saúde do adolescente”, explica Scott Frank, médico, professor e líder da pesquisa. “Os resultados podem servir de alerta aos pais, que devem desencorajar seus filhos a usarem excessivamente o celular ou as redes sociais”, completa o cientista.

Já o acesso patológico a sites como Facebook e Twitter é definido pelo uso da rede por três horas seguidas. De acordo com o estudo, os 11,5% dos alunos que se enquadraram no perfil demonstraram maiores índices de estresse, depressão, tendência suicida e dificuldade para dormir. Nesse grupo, 62% têm mais chances de experimentar cigarros, 79% mais chances de experimentar bebidas alcoólicas, 84% mais chances de usar drogas ilícitas e 60% mais chances de possuir quatro, cinco ou seis parceiros sexuais.

- O que já se sabia sobre o assunto

Psicóloga Luciana Nunes, diretora do Instituto Psicoinfo e pesquisadora (Foto: Arquivo pessoal)

“Entendo que o excesso de consumo de mídia pode prejudicar a saúde de pessoas jovens e adultos. Por outro lado, tenho fortes dúvidas de que a redução do acesso à mídia reduziria os comportamentos de risco”, explica a psicóloga Luciana Nunes, diretora do Instituto Psicoinfo e pesquisadora da antropologia do mundo virtual.

Para a especialista, “a conexão entre o ‘hipertexting’ – envio excessivo de SMS – e as alterações de comportamento da geração internet é radical e precipitada demais”. A psicóloga reforça que é preciso analisar outros fatores, como situação socioeconômica desfavorecida, falta de autoestima e abandono educacional, para descobrir se esses jovens compensam um desgaste emocional fazendo uso compulsivo das redes e outras ferramentas de comunicação.

A instabilidade emocional, ressalta Nunes, pode estar por trás dos resultados obtidos pelos pesquisadores americanos e não o contrário, como sugere o estudo.

Especialista: Luciana Nunes, pesquisadora da antropologia do mundo virtual

Envolvimento com o assunto: diretora do Instituto Psicoinfo e especialista em problemas psicológicos que envolvem o uso abusivo da internet

- Conclusão

O estudo pode até ser relevante para a comunidade científica, já que levanta uma hipótese, mas seus resultados são pouco conclusivos. Estar conectado é parte da vida de qualquer adolescente e o fato de ter um perfil em uma rede social ou enviar muitos SMS não o coloca, automaticamente, entre um grupo de risco. Definitivamente, não é o número de mensagens enviadas pelo celular ou o tempo que um jovem passa on-line que farão dele um dependente de drogas ou maníaco sexual.

(Por Renata Honorato)

 

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