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Barack Obama: a vitória do direito à igualdade- Seus Diretos Fundamentais - Revista Veja

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Professor da Faculdade de Direito da USP | email: machado.acc@gmail.com

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Barack Obama: a vitória do direito à igualdade


É impossível que o mundo jamais tenha se incomodado muito com o fato de que o melhor futebolista de todos os tempos, o melhor jogador de basquete ou o recordista dos cem metros rasos sejam negros - talvez o mesmo não se possa dizer do novo campeão de fórmula 1, uma categoria inteiramente dominada por brancos -, mas com certeza o incômodo planetário deve estar se fazendo sentir há algumas horas em razão da eleição de Barack Obama para a presidência dos Estados Unidos.
 
O fato, além de histórico, é absolutamente significativo para o fortalecimento e a consolidação da idéia de prevalência dos direitos humanos. Finalmente, chegou o dia em que a igualdade entre brancos e negros – reconhecida há apenas 44 anos pelo direito americano – toma a sua forma mais emblemática e mais fulgural: um negro ocupando o cargo político mais importante da maior potência do mundo e, por conseguinte, do próprio mundo, porque não há de fato quem possa exercer mais influência sobre as pessoas dos quatro cantos da terra do que o ocupante da Casa Branca.

Há tempos que se esperava a vitória política de um negro - filmes de Hollywood cansaram de sugerir o fato nos últimos anos. Realmente não se achava que ela aconteceria tão cedo e de maneira tão arrebatadora, superando inclusive a expectativa mais próxima e provável de que uma mulher chegasse antes à presidência; há um ano a sociedade americana parecia estar mais preparada para Hillary Clinton do que para Barack Obama. Se Hillary tivesse sido eleita, a vitória da igualdade estaria sendo comemorada do mesmo jeito e com grande efusão, só não nos arriscamos a dizer se com maior ou com menor incômodo...

Abrindo mão do preconceito
Seja como for, a eleição de Obama demonstra que uma parte relevante dos americanos está abrindo mão do preconceito, o que não deixa de ser um passo gigante no sentido da realização do sonho de Martin Luther King. Mais do que isso, que o estabelecimento da igualdade formal de direitos (a conquista dos "direitos civis" pelos negros de 1964) tem se convertido paulatinamente em igualdade substancial de oportunidades, do que a decisão popular por Obama (ainda que indireta) é um exemplo bombástico.

Oxalá essa abertura da sociedade americana ao espírito igualitário e democrático se traduza efetivamente em mais diálogo entre brancos e negros dentro dos Estados Unidos, mas não só, que essa mudança de paradigma cultural e humanitário também represente caminho de aproximação entre as lideranças ocidentais e o Irã, de encaminhamento de soluções pacíficas para o Iraque e o Afeganistão, de diálogo mais profícuo com a Rússia e a China, enfim, que o exemplo interno do povo americano encontre paralelo nas relações com o Oriente. Se brancos e negros podem conviver com respeito e recíproco reconhecimento da dignidade humana, por que não poderiam árabes e judeus, cristãos e muçulmanos, pobres e ricos?

Se a crise financeira global serviu surpreendentemente para unir tantas nações em prol de um objetivo comum e para precipitar, sem dúvida, a eleição de um presidente americano mais vocacionado ao diálogo do que ao confronto, quem sabe se essa sucessão de eventos não vai conduzir o mundo a um pouco mais de paz e de equilíbrio porque, afinal, estamos todos no mesmo barco e a salvação do barco – inclusive sob o ponto de vista climático – é a salvação de cada um de nós e da nossa igual necessidade de respeito e de tolerância.

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Comentários

cleide melo dos santos - guem sabe o novo presidente nao seja um pacificador para traser a paz aos estados unidos e guebrar as barreiras da desigualdade humana nessas superpotencias mundiais

Eduardo Leite - E pensar que tudo começou aqui, no Brasil, em 2002. :)Lula não conseguiu eleger Marta, mas elegeu Obama!

Tiago - Obama foi eleito porque é negro. Se fosse o contrário, os Republicanos com um "negro" e os Democratas com um "branco", os republicanos venceriam.Isso é simplesmente a maior prova do novo Racismo no mundo. O apelo da midia internacional foi todo em cima da cor de pela de Obama, marginalizando o ex-candidato McCain. Racionalmente se estudado e analisada as propostas dos dois candidatos, McCain tem um histórico muito mais fantastico do que o de Obama. Por que ele não foi eleito? Porque Obama tinha que ser eleito para provar que os americanos não eram racistas. E assim foi feita a eleição da chantagem racial.Chega de raças! Não existem raças! Somos todos humanos.

Eduardo - Só Alah é deus, e Barak é seu profeta! É chegado o reino de deus na terra!Um novo século! A Era de Aquarius!É o fim do Fim do Mundo!Estamos salvos!

Valderi - Pelo menos aqui eu posso comentar e não ser censurado como no blog do R.A.. É triste mas verdade, o racismo é escancarado e vergonhoso, vide o comentário de naomi, Diego Eloi e entre tantos que comentam naquele blog de lá. Continue assim Costa Machado, sem medo de direita nenhuma, poste o que é, pelo simples fato que realmente é.

Ana - Parabéns colunista pelo texto.

naomi - ninguem segura mais essa raça superior!

Maria Azevedo Silva - Parabés pela reportagem. Espero que todos que lerem, reflita sobre os seus pré-conceitos com relação a cor, condições economicas, religião, enfim de todos os conceitos que temos, às vezes sem ao menos conchê-losPois, todos nós podemos viver em paz uns com os outros, respeitando as diferenças de cada um.

Diego Eloi - Primeira vez que leio um texto do senhor.Provavelmente não lerei mais nenhum, senti náuseas.Fico imaginando o que o Reinaldo Azevedo e o Diogo Mainardi sentiram!Mandou mal.

Marta - o mundo se renova com essa vitória.

bruno maia - Esperava uma análise menos emotiva. Infelizmente Prof. Costa Machado, sempre muito sábio, nos brindou, desta vez, com um texto pedante, porque não importa a origem etnica de um indíviduo, (todos se lembram de Celso Pitta e deu no que deu...), e sim suas propostas. E, definitivamente, Obama simplesmente não tem nenhuma. A crise americana das hipotecas foi criada por ele e a sua trupe democrata, na ânsia de dá crédito a todo mundo.O que ocorre é que as pessoas gostam de Obama pela sua tendência a mudança, com forte apelo socialista, e seu visível apego a um anti-americanismo claro, o que é facilmente vislumbrado nos seus discursos "inclusivos". E isso atrai, lógico, o mundo anti-americano, esse povo azedo, burro e metido que nos acostumamos a odiar, não é mesmo?

Aldo Furierri - Obama ganhou?trágico para milhões de crianças que morrerão sem jamais ver a luz do dia, sem jamais poderem olhar para suas mães e pais, os mesmos pais e mães que lhes rejeitam e os destinam ao lixo hospitalar.Aqui no Brasil, desavergonhadamente houve uma "obamamania". Mas o que levou a população brasileira a admirar uma pessoa como Obama? . Se Obama se tornar presidente e levar à frente sua promessa, todos que pagam impostos estarão pagando para um abortista fazer abortos." O que Obama quer, e é a isto que os obamistas deram seu aval, é a eliminação de toda e qualquer restrição ao aborto. uma mulher é livre para solicitar o trucidamento de seu filho em seu ventre, não importando o tempo de gestação. E era este o candidato da esperança?

Marco Aurélio Antunes - Incômodo planetário? Onde? Obama tem ampla vantagem na preferência das pessoas de muitos países. Mostre alguma prova do tal incômodo. Não há razão alguma para exaltar a vitória de Obama apenas por causa da cor de sua pele. O que importa é saber quais são as suas propostas, o que ele vai fazer. Um colunista de Veja deveria escrever com menos ufanismo.

vanderlei - Os americanos não elegeram um negro só por ser negro. Elegeram o anti Bush. Fosse Hillary e estaria eleita, não por ser mulher, mas por encarnar o anti Bush. Qualquer outra avaliação sobre o resultado da eleição, como querem alguns, imaginado que Obama é antiamericano, que vai se juntar aos palestinos contra Israel, que vai fazer governo de esquerda, que vai resolver a crise economica com varinha mágica, é pura empulhação.

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