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08/06/2009

às 12:50 \ Cultura

O filme de R$ 7.500

Deixa eu começar com uma confissão: eu admito que já tinha decidido que ia gostar do filme “Apenas o Fim” antes de assisti-lo. Decidi que ia gostar em dezembro do ano passado, quando entrevistei no Rio o diretor do filme, Matheus Souza, de 20 anos de idade, estudante do terceiro ano de cinema.

Semana passada finalmente assisti ao filme, numa pré-estreia. E – surpresa – adorei. “Apenas o Fim” é de uma despretensão encantadora.

Como não havia dinheiro – o filme custou R$ 7.500, parcialmente bancados pela rifa de uma garrafa de uísque – não há cenários elaborados, nem efeitos especiais nem quase nenhuma produção. São só dois bons atores jovens recitando diálogos inteligentes e cheios de referências nerds. É uma comédia romântica doce e boboca. E irresistível.

Matheus nunca tinha feito um curta metragem na vida. Por algum motivo louco, decidiu que a inexperiência não impediria que ele fizesse um longa logo de cara. Resolveu filmar durante as férias de verão. Juntou umas 20 pessoas que acreditaram no projeto e pediu uma câmera emprestada na universidade. Foi avisado que não era permitido sair com a câmera do campus. Para contornar esse inconveniente, escreveu um roteiro inteiramente passado dentro da PUC do Rio.

Fez o filme, sem patrocínio, nem lei de incentivo, nem apoio do estado de nenhum tipo. Conseguiu inscrevê-lo na mostra competitiva do Festival do Rio. Ganhou. Melhor filme da mostra segundo o público. Conseguiu inscrevê-lo no Festival Internacional de Cinema de São Paulo. Ganhou o prêmio do público de novo.

Semana passada, na pré-estreia, o Matheus respondeu perguntas da plateia. Uma menina, mais ou menos da idade dele, levantou a mão. Ela estava emocionada, quase não conseguia segurar as lágrimas. Disse a ele que “nunca antes no Brasil alguém tinha feito um filme para mim”.

Ao contrário da imagem clássica do cineasta, Matheus não é arrogante, longe disso. Ele não fala mal de ninguém, gosta de quase tudo. “Tenho carinho por todos os filmes que já assisti.” Perguntamos a ele qual é o filme brasileiro favorito da sua vida. “’Terra em Transe’ e ‘Uma Escola Atrapalhada’”, respondeu, cometendo a heresia de colocar Glauber Rocha e Didi Mocó no mesmo patamar.

Quando perguntam para ele se ele quer revolucionar o cinema brasileiro – pergunta bem frequente, aliás –, ele acha uma bobagem e diz que não. Que só quer fazer filmes. Só quer fazer aquilo em que acredita e ver para onde isso vai levá-lo. Acho que essa atitude revolucionária o suficiente.

“Apenas o Fim” estreia nos cinemas na sexta-feira.

Por Denis Russo Burgierman

21/05/2009

às 15:31 \ Ideias

Como melhorar o mundo

Há dois jeitos de melhorar o mundo.

Um é criar regras melhores. Regulamente os mercados, bradam os especialistas! Leis mais duras! Há que se proibir que deputados roubem dinheiro!

Outro é criar incentivos melhores. Molde o mercado para ele te ajudar! Repense as políticas de bônus! Remunere quem economiza energia! Torne a política mais atraente para gente bem intencionada!

Ontem vi este vídeo espetacular do psicólogo americano Barry Schwartz (com legendas em português). É uma palestra de 20 minutos, mas cada segundo deles vale a pena, garanto. A tese básica de Barry é a seguinte: regras e incentivos são importantes, claro, mas estamos exagerando a importância deles. E é justamente por isso que o mundo está tão ruim.

Regras demais impedem que a gente pense – que a gente converse com outras pessoas e decida por nós mesmos o que é certo e o que é errado. Incentivos demais têm mais ou menos o mesmo efeito – em vez de nos preocuparmos em fazer o que é certo, nos sentimos trouxas se não fazemos o que nos traz mais vantagem.

O que precisamos não é de mais regras ou de mais incentivos. Precisamos de mais sabedoria prática. Um bom começo é procurarmos exemplos de gente sábia, gente que teve que enfrentar um problema sem saber como resolvê-lo e que conseguiu agir certo nessa hora. Precisamos divulgarmos esses exemplos, para que eles inspirem os outros. Precisamos reaprender a ter heróis.

PS: Obrigado ao Vitor Leal, do blog Quintal (ideias para um mundo melhor), por sugerir este vídeo, num post sobre meu post de ontem.

PS2: Este vídeo é uma das palestras do TED (ideias que merecem ser espalhadas), que estão todas online, às vezes com legendas em português. O TED é hoje meu lugar preferido na internet. Vale muito a pena passar tempo navegando lá em busca de inspiração. Acho sinceramente que pode mudar sua vida.

PS3: Uma fofoca: o TED, que além de ser um site é um evento (onde as palestras acontecem), está chegando ao Brasil. Aguarde notícias.

Por Denis Russo Burgierman

14/05/2009

às 10:56 \ Arte

Uma folga

Não, não tem nada a ver com sustentabilidade. É que eu achei que hoje vocês merecem uma folga desse meu papo furado…
:-)

Por Denis Russo Burgierman

23/04/2009

às 16:35 \ Ideias

Um ótimo vídeo

Hoje vou pedir desculpas a você por tomar mais do seu tempo que o normal. Este vídeo aí embaixo tem mais de 20 minutos. Mas vale a pena, garanto. Trata-se de Story of Stuff, de Annie Leonard, especialista em sustentabilidade e em questões ambientais e de saúde. Annie conseguiu mostrar de um jeito simples, direto, o que tem de errado no nosso jeito de produzir e consumir coisas e, consequentemente, na lógica da nossa sociedade. E faz isso deixando claro que o inimigo a ser combatido não é “o capitalismo”, nem mesmo “o consumo”. É um pensamento até que bastante recente, nascido no pós Segunda Guerra, e que as pessoas aprenderam a acreditar ser a única opção. Não é.

httpv://www.youtube.com/watch?v=3c88_Z0FF4k

Por Denis Russo Burgierman


 

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