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TEDxAmazônia

30/05/2011

às 16:59 \ Política

Vamos olhar os números

Não é hora para emocionalismos, sejamos pragmáticos. Vamos olhar os números.

Uma castanheira-do-pará é uma árvore gigantesca, de 50 metros de altura, que pode viver mais de 1.000 anos. Todo ano, a castanheira dá frutos, que têm uma casca dura como a de um coco. Dentro da casca há até 24 castanhas-do-pará, um produto apreciadíssimo no mundo inteiro, rico em selênio e em ômega-3, portanto extremamente eficaz para combater ao mesmo tempo os dois grandes vilões da saúde contemporânea: câncer e doença cardíaca. Na média, uma castanheira não muito grande dá cerca de 30 frutos por ano, o que equivale a quase 500 castanhas. É o suficiente para produzir 1,5 litro de óleo de castanhas, o que rende uns 200 ou 300 reais para um pequeno produtor, por árvore (castanheiras realmente grandes e saudáveis chegam a produzir até 20 litros). Supondo que alguém tenha 30 castanheiras nas sua terras, são pelo menos uns R$ 6 mil por ano em óleo, talvez R$ 10 mil, por toda a eternidade até o tataraneto do tataraneto do tataraneto.

Mas os tempos são de prosperidade no Brasil e os chineses precisam de ferro para construir réplicas da Torre Eiffel. Há inúmeras mineradoras arrancando ferro de dentro da terra, de maneira agressiva. Em boa parte do país, esse ferro, assim que sai do chão, é queimado em fornos a carvão. Na Amazônia, portanto, há uma grande demanda por carvão.

O que acontece então é que os madeireiros procuram os pequenos proprietários da Amazônia e oferecem algo como R$ 150 por cada castanheira. Se o sujeito tiver 30 castanheiras, recebe cerca de R$ 5 mil. O madeireiro vai lá, derruba a castanheira, picota-a, queima, faz carvão, constrói fornos lá mesmo e produz ferro. O dono dos fornos ganha uns R$ 2  mil por forno por mês. Com algumas dezenas de fornos, ele é um homem rico.

Zé Claudio Ribeiro e Maria do Espírito Santo, os empresários e ambientalistas mortos na semana passada perto de Marabá, no Pará, sabem fazer conta, e por isso se recusavam a vender suas castanheiras (não só por isso, eles também amavam aquelas árvores, mas não é hora para emocionalismos). Eles mantiveram as árvores de pé e montaram uma pequena operação industrial para extrair o óleo na sua terra. O governo nunca lhes deu apoio nenhum. O Incra é imensamente burocrático e ineficaz. As estradas são terríveis. É por causa dessas dificuldades todas que muitos dos vizinhos venderam suas castanheiras para virar carvão.

Zé Claudio e sua maior castanheira, a Majestade. FOTO: FELIPE MILANEZ

Matar castanheiras é ilegal há séculos no Brasil, por causa do alto valor da castanha, mas isso não impediu que a espécie esteja hoje em extinção. Mesmo em Marabá, onde essas árvores magníficas surgiram, elas estão acabando. Zé Claudio e Maria denunciavam essas transações ilegais e a corrupção do estado. As denúncias os colocavam em conflito com os madeireiros, os donos de forno, os políticos, os funcionários corruptos e os traficantes de drogas (que, nesse mundo proibicionista, sempre estão metidos em tudo de ruim que acontece). Zé Claudio e Maria recebiam ameaças de morte há anos. Polícia, justiça, governo, ninguém fez nada para protegê-los.

Semana passada, eles foram assassinados.

Ainda sob o impacto das mortes, um deputado homenageou os empresários no Congresso Nacional. A turminha que estava lá para aprovar o novo Código Florestal vaiou, celebrando o assassinato.

A grande maioria dos agricultures e pecuaristas do Brasil é gente boa, que ama a terra onde vive, que não assassina ninguém e que entende que é melhor ter uma árvore viva que produz R$ 200 por ano e que dura 1.000 anos do que matar a árvore e vender a lenha por R$ 150. Mas os políticos que se dizem representantes dos agricultores e pecuaristas do Brasil – a auto-batizada “bancada ruralista” – tem uma alta proporção de picaretas. É gente oportunista, que se diz “desenvolvimentista” mas só está interessada em tirar o máximo possível antes que os nossos filhos tenham a chance de usufruir. Eles tentam fazer parecer que eles são os “pragmáticos”, atentos aos “números” e ao desenvolvimento do Brasil, enquanto os ambientalistas são “românticos” e avessos ao progresso. Mentira. Eles são usurpadores.

A lógica que matou Zé Claudio e Maria e que mata todos os dias árvores que já eram nascidas quando Cabral chegou ao Brasil é a mesma lógica que foi empregada no novo Código Florestal.

Com os assassinatos, a aprovação do acientífico Código Florestal, o pico de desmatamento na Amazônia em resposta à leniência do Congresso, a absoluta falta de preparação para os desastres climáticos que vêm aí, o governo Dilma já se configura como a pior tragédia ambiental no Brasil desde a ditadura militar.

Os números que forneço aqui, certamente imprecisos, foram calculados a partir de uma conversa com o repórter Felipe Milanez, especialista em Amazônia, que está no local apurando a história. Contribuições para melhorar a qualidade dos números são bem vindas.

Por Denis Russo Burgierman

24/05/2011

às 12:32 \ Amazônia

Tragédia

Acabo de receber a notícia de que Zé Claudio Ribeiro e sua esposa Maria do Espírito Santo foram assassinados perto de casa, em Nova Ipixuna, na região de Marabá, no Pará. Zé Claudio foi um dos palestrantes do TEDxAmazônia, conferência que ajudei a organizar, em Manaus, no final do ano passado. Lá, ele subiu ao palco para contar que sua vida estava sob ameaça. O motivo? Zé Claudio se negava a permitir a derrubada ilegal das imponentes castanheiras da terra onde vivia.

A tragédia nos atinge logo depois do anúncio de um aumento colossal no desmatamento amazônico. Tudo indica que o progresso feito na titulação de terras na Amazônia e no cumprimento da lei durante a gestão de Marina Silva no Ministério do Meio Ambiente está mesmo escoando pelo ralo em meio à desregulamentação do novo código florestal e à incapacidade do estado de garantir o mínimo de respeito à lei.

Zé Claudio e Maria compraram essa briga porque achavam que as castanheiras são seres monumentais e que matá-los é tão cruel e sem sentido quando matar um ser humano. Eles viviam no Arco do Desmatamento, àrea amazônica assolada por devastação, crime e miséria, em meio a um boom de crescimento em Marabá que gera uma demanda infinita por madeira para construção. Castanheiras dão castanhas do Pará, um produto de grande valor econômico. Matá-las para fazer tábuas é um absurdo.

O mínimo que se espera agora é que as castanheiras pelas quais Zé Claudio e Maria morreram sejam protegidas e transformadas num museu vivo em homenagem ao casal. E que os autores dessa morte anunciada sejam exemplarmente punidos. Mas claro que o mais provável é que eles consigam suas tábuas.

Por Denis Russo Burgierman

20/12/2010

às 10:50 \ Ideias

Merda

Feio o título que eu dei para este texto, não é? Incomoda. Talvez você esteja até meio indignado com a falta de educação deste colunista. Como assim “merda”? Merda não se escreve num respeitado veículo de imprensa. Não se deve falar uma palavra mal-cheirosa dessas em público.

Pois eu acho que o mal-estar que essa palavra gera é sintoma de uma dificuldade da sociedade contemporânea em lidar com um assunto fundamental: os nossos resíduos. Merda é uma coisa tão feia que, hoje em dia, na nossa sociedade, o tratamento padrão para lidar com ela é despejar 15 litros de água limpa em cima dela para levá-la para bem longe de nós. Enquanto isso, 4,5 milhões de crianças morrem todos os anos por falta de acesso a água limpa. E é claro que os 15 litros não fazem o cocô desaparecer. No geral, aqui no Brasil e na maior parte do mundo, ele é levado para algum rio ou para o mar, onde vai sujar mais água ainda.

O químico alemão Michael Braungart, coautor do livro Cradle to Cradle, que já citei aqui, costuma dizer que “estamos na merda porque não ligamos para a merda”. Quando ele diz que “estamos na merda”, isso deve ser compreendido de maneira bem literal. É exatamente o que está acontecendo. Nossa civilização está soterrada em cocô e em lixo, porque obviamente produzimos essas coisas todos os dias e acumulamos resíduos num ritmo absurdo. Um pedaço cada vez maior do planeta está sendo inutilizado para dispormos os excrementos do nosso sistema de produção.

Para efeito dramático, Braungart, quando falou no TEDxAmazônia, levou com ele uma cadeira, sentou-se e, antes de começar a falar, cerrou os dentes e encarou o público como se estivesse fazendo força.

No livro, Braungart conta que, na China antiga, era considerado falta de educação jantar na casa de alguém e ir embora sem antes fazer cocô lá fora. Isso seria roubar os nutrientes da casa do seu anfitrião. Por conta disso, todo chinês tinha um sistema de compostagem, no qual os excrementos da casa eram tratados de maneira a retirar os compostos orgânicos, que depois alimentariam a plantação para alimentar novos hóspedes.

Parece meio absurdo pensar que um sistema desses pudesse funcionar no mundo atual, povoado por 7 bilhões de pessoas que vivem amontoadas. Mas tem gente boa dedicada a imaginar essa possibilidade. O pessoal do Ipec, o Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado, em Pirenópolis, Goiás, desenvolveu um banheiro de compostagem que funciona muito bem e não exala cheiro algum. O Boom Festival, de Portugal, um dos maiores festivais de música eletrônica da Europa, usa esses banheiros do Ipec, em vez dos imundos banheiros químicos dos nossos festivais.

Hoje em dia, com essa nossa paranóia de mandar a merda para longe de nós, nós desperdiçamos um monte de nutrientes. Isso traz duas consequências. 1) o interminável acúmulo de lixo do qual já falei. E 2) há cada vez menos nutrientes disponíveis para nós. Um estudo recente citado no livro “Em Defesa da Comida”, de Michael Pollan, comparou a quantidade de micronutrientes em uma maçã de hoje e uma de 1940. Resultado: para obter a mesma quantidade de nutrientes de uma maçã de 70 anos atrás, você teria que comer três maçãs hoje.

Pois então: merda não é assunto para se varrer para baixo do tapete. É para ser discutido abertamente, sem preconceito. O primeiro passo talvez seja perder o medo de pronunciar essa palavra. Merda, merda, merda, merda.

Por Denis Russo Burgierman

29/11/2010

às 11:51 \ Amazônia

Um plano

Já que o Brasil está tentando dar uma utilidade para a Amazônia – torná-la produtiva –, tenho um plano. Naquela área gigantesca, de 5,5 milhões de quilômetros quadrados, duas vezes maior que a Índia, poderia funcionar uma gigantesca usina.

Precisaríamos usar tecnologia sofisticadíssima para a coisa dar certo. Seria assim: haveria uma infinidade de máquinas complexas injetando água no ar. Esse movimento carregaria o ar para cima, de maneira constante. O movimento vertical puxaria o ar da região vizinha – o Oceano Atlântico. O ar oceânico viria carregado da umidade do mar. Dessa maneira, ele produziria uma violenta corrente constante de ar úmido, que entraria rasgando pelo norte do Brasil, se chocaria com os Andes, desviaria para o sul e levaria água para a América do Sul inteira.

Não é legal?

Pois então. Essa usina já está em funcionamento. É a chamada bomba biótica da floresta. “Bomba” porque bombeia água. “Biótica” porque é a vida que a produz: em especial as árvores da floresta. Quem contou essa história foi o pesquisador Antonio Donato Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, em sua palestra do TEDxAmazônia, no dia 6 de novembro.

As máquinas sofisticadas que movem a usina são os bilhões de células que compõem cada uma das bilhões de árvores da floresta. Sem que nos déssemos conta, elas já estão há milênios injetando água no ar e garantindo que a América do Sul não se transforme num deserto igual a todas as outras regiões continentais do mundo que ficam em sua latitude. É a Floresta Amazônica que garante que haja água para beber em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Buenos Aires, é ela que faz a soja e a cana crescerem em Goiás, no Mato Grosso, é ela que enche os reservatórios que faz as turbinas hidrelétricas de Itaipu e Furnas gerarem energia.

Essa dinâmica é tão complexa que só hoje nossa ciência começa a engatinhar para compreendê-la. Ainda assim, estamos seriamente empenhados em derrubar a floresta. Primeiro foi a indústria madeireira, depois os fazendeiros de soja, depois a turma do gado e os mineradores. Agora quem avança sobre a floresta são as grandes usinas hidrelétricas. Belo Monte é só a mais famosa: há mais de 50 projetos de hidrelétricas, destinadas a cada um dos grandes rios amazônicos, dentro das fronteiras brasileiras e fora delas, nas nascentes bolivianas e peruanas. Uma imensidão de floresta será alagada.

Para mim, desmantelar nossa usina de bombeamento de água para construir usinas hidrelétricas é mais ou menos como se, em algum momento das primeiras décadas do século 20, abríssemos um supercomputador, arrancássemos lá de dentro os microchips e colocássemos pistões e engrenagens no lugar. A tecnologia celular da bomba biótica é milhões de vezes mais sofisticada do que qualquer coisa que a tecnologia humana é capaz de produzir. Se tivéssemos que construir uma bomba igual à que a floresta nos dá de graça, gastaríamos muito mais energia que todas as hidrelétricas do mundo somadas. E não ficaria tão bom.

Claro que o Brasil precisa de energia elétrica para se desenvolver. Mas, antes de alagar um pedaço tão gigantesco da Floresta Amazônica, eu adoraria ter certeza de que estamos nos esforçando ao máximo para aproveitar inteiramente nosso gigantesco potencial de produzir energia do vento e do sol. Que estamos zelando para que não haja energia desperdiçada nas nossas linhas de transmissão, que contamos com uma rede inteligente e descentralizada. E, obviamente, não é esse o caso. Estamos abrindo mão de um tecão da floresta para fazer hidrelétricas sem antes fazermos todos os esforços para reduzir o desperdício, sem antes espalhar painéis solares e turbinas eólicas pelo nosso vasto território cheio de vento e sol.

A questão não é ser a favor ou contra Belo Monte. É reconhecer a importância crucial de cada centímetro quadrado da floresta e se esforçar ao máximo para que a destruição de uma única árvore seja apenas um último recurso para quando não houver mais alternativas. Não é isso que está acontecendo.

O rio-mar

Digo isso à beira do rio-mar, onde a imensidão de água doce amazônica dilui o salgado da água do mar. Estou na Ilha do Marajó, no alto de um morro junto à praia, sob o vento oceânico constante. É por aqui que as correntes úmidas que evitam que a América do Sul vire um deserto adentram o continente.

Por quanto tempo mais?

***

Termina aqui minha jornada amazônica. Volto esta semana a São Paulo. Peço desculpas por não interagir com os comentários ao longo das últimas semanas. As coisas se normalizam na semana que vem.

Por Denis Russo Burgierman

15/11/2010

às 21:42 \ Amazônia

Diários amazônicos – parte 2

Balanço agora numa rede. À minha esquerda e à minha direita, dezenas de outras redes balançam, uma tão colada na outra que, a cada movimento, esbarro em alguém. Estou em um barco de passageiros, deslizando sobre o Rio Amazonas, cercado da floresta sem fim nas duas margens, escoltado por botos, pacientemente esperando as 36 horas que separam Manaus de Santarém passarem.

Embarquei ontem depois do almoço. Agora, 30 horas depois, o sol se põe pela segunda vez na viagem. Mas não dá para ouvir os pássaros do entardecer cantarem. Em vez deles, só o que se escuta, pelo sistema de som do barco, ligado no talo, é uma sucessão ininterrupta dos grandes sucessos do brega, do tecnobrega, do funk, do axé e do forró. Muito country music, que chegou à Amazônia junto com os bois. Alguns dos meus companheiros de viagem olham desanimados para o rio lá fora, como se contemplassem a possibilidade de se atirar na água, para escapar da tortura musical.

Fico refletindo sobre o quanto os bens mais preciosos da floresta acabam sendo desvalorizados por aqui. A quietude, por exemplo. Se estivéssemos em silêncio aqui no barco, estaríamos escutando a mais poderosa sinfonia de pássaros, sapos e cigarras do mundo, como aprendemos numa palestra memorável do TEDxAmazônia, do especialista em sons da natureza americano Gordon Hempton. Mas os amazonenses urbanos que me acompanham na viagem parecem preferir o rebolation aos sons da floresta. Não acho difícil entender isso. Por aqui vigora uma cultura de enxergar a natureza como um obstáculo, um inimigo, algo a ser superado. Encher o ar de sons eletrônicos é um jeito de afirmar a supremacia humana sobre a floresta.

Nosso barco vai singrando o maior rio do mundo e deixando atrás de si um rastro de latinhas de cerveja, garrafas pet, bitucas de cigarro, embalagens de comida que vão sendo atirados do convés sem qualquer cerimônia. A floresta lá fora é tão monumentalmente grande e infindável que muita gente parece acreditar que essas minúsculas agressões não farão nem cócegas. O resultado se vê nas cidades pelo caminho. Manaus, por exemplo, em alguns lugares lembra um depósito de lixo.

Na semana passada, em outra viagem de barco, fomos conhecer uma reserva natural, o Arquipélago das Anavilhanas, protegido por lei federal. Mal entramos nos limites do parque e ouvimos o zumbido áspero das motosserras vindo de dentro de uma das ilhas. Na água, grandes redes para pegar peixes, o que também é proibido por lá. Passamos algumas horas tentando achar um sinal de celular, para denunciar a infração. Ligamos para uns cinco números diferentes, e em cada um deles nos informaram que “não é aqui não”. Acabamos conseguindo registrar a denúncia, mas algo na voz entediada da moça que nos atendeu nos deu a sensação de que não haveria consequência alguma.

A floresta é gigante, tanto que viajar de uma cidade a outra leva 36 horas de barco ao longo dela. Ela é tão grande que parece infinita. Mas não é. Ela acaba. O silêncio acaba, a madeira acaba, a limpeza acaba.

Minha esposa passeia pelo barco e um sujeito de correntes de ouro no pescoço puxa conversa com ela. Quer saber por onde passeamos nos últimos dias. Ela diz. Ele comenta:

“Ah, vocês são daqueles ecológicos, né? Daqueles que gostam de índio?”

Ele não. Ele gosta de progresso. Índio, com essa história de conhecer e valorizar cada uma das espécies da floresta, atrapalha muito o progresso.

Por Denis Russo Burgierman

 

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