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INSPIRAÇÃO

09/06/2009

às 16:26 \ Arte

Como transformar números em imagens lindas

270.000 tubarões são mortos todo ano para extrair suas nadadeiras, para fazer sopa. 20.500 atuns são mortos no mundo a cada 15 minutos. 28.000 barris de petróleo, cada um deles com capacidade de 160 litros, são queimados nos EUA a cada 2 minutos. 1 milhão de copos de plástico descartáveis são descartados a cada 6 horas apenas em viagens aéreas nos EUA.

Esses números da devastação ambiental são chocantes. Mas são também quase incompreensíveis. 270.000, 20.500, 1 milhão, que diferença faz? São só números frios, quase impossíveis de apreender pelas nossas mentes. São números tão imensos que não conseguimos entendê-los.

Foi o que o ex-advogado corporativo Chris Jordan pensou quando resolveu abandonar sua carreira defendendo grandes empresas de processos e se tornar um fotógrafo e manipulador de imagens. Chris passou a tirar fotos de objetos reais – lixo, dentes de tubarão, barris de óleo, garrafas vazias, bitucas de cigarro – e juntá-las no computador. O objetivo: produzir imagens incríveis, impactantes, que tornem concretos esses números abstratos.

Veja por exemplo esta sequência, da última exposição de Chris:

fuji1

É uma gravura japonesa clássica, com a típica imagem das ondas do Pacífico e o Monte Fuji ao fundo. Não é? Chegue mais perto para ver:

fuji2

A imagem parece formada de um monte de pigmentos coloridos. Um pouco mais perto então:

fuji3

São pedaços de plástico. 2,4 milhões de pedaços de plástico, 1 para cada libra de plástico que polui os oceanos do mundo a cada hora (1 libra = 450 gramas). Todo o plástico da fotografia foi retirado do Oceano Pacífico (daí a escolha da imagem japonesa). Olhe mais de perto.

fuji41

Chris se inspirou no clássico Potências de Dez e acrescentou pitadas de conscientização ambiental.

(Se você é leitor antigo da revista Superinteressante, já conhece as Potências de Dez. Nos anos 80, a revista publicou uma revistinha com imagens tiradas desse vídeo histórico. Se você é leitor moderno da mesma revista, conhece o Chris Jordan. Seu trabalho anterior, inteiramente focado nos EUA, foi assunto da Super numa matéria de dezembro de 2007.)

Por Denis Russo Burgierman

12/05/2009

às 20:34 \ Água

Eu quero nadar no Tietê

Cheguei à esta conclusão depois de topar com este site aqui:

picture-1

Eu também, quero nadar sob as pontes do Recife Antigo. E quero nadar no Tietê. E na Lagoa Rodrigo de Freitas. Antes de morrer, eu quero dar braçadas e viradas olímpicas e quero encher a boca de água e espirrar para cima. Eu quero.

Não me satisfarei com nada menos do que isso.

E você? Quer nadar onde? Quer fazer o quê?

Por Denis Russo Burgierman

21/04/2009

às 18:00 \ Ideias

O experimento de um suicida

Em 1927, um desempregado de 32 anos, financeiramente quebrado, duas vezes expulso da universidade, pai de uma menina que morreu de paralisia infantil, foi às margens do Lago Michigan, próximo a Chicago. Sua intenção: suicidar-se nas águas do lago. Antes de tirar a vida, ele teve uma ideia: e se, e em vez de se matar, ele passasse o resto da vida fazendo o papel de cobaia em um experimento? O experimento:

“Descobrir o quanto um indivíduo miserável e desconhecido com uma esposa dependente e um filho recém nascido pode fazer em benefício de toda a humanidade?”.

Ele foi mais específico:

“Fazer o mundo funcionar para 100% da humanidade, através de colaboração espontânea, sem dano ecológico e sem prejudicar ninguém”.

O nome desse sujeito era Buckminster Fuller.

Por anos e anos e anos ouvi falar desse sujeito. Ele inspirou os hippies. E inspirou também os sujeitos que criaram o Vale do Silício e a revolução dos computadores. Foi amado por editores de revistas que eu adoro. Foi lido pelos criadores do ambientalismo, e muito dos termos que ele criou (por exemplo, “espaçonave Terra”) ainda ecoam por mercados orgânicos da Califórnia. Era chapa de Albert Einstein. Encantou gerações de arquitetos, de engenheiros, de tecnocratas e recebeu de Harvard um título de “poeta”. Inspirou físicos quânticos. Talvez ele seja um dos teóricos mais influentes do nosso século. Mas ninguém lê mais o que ele escreve. No máximo, lembram dele por ter criado aquela estrutura redonda usada no Epcot Center.

bucky

Resolvi ler. Por anos, Buckminster Fuller: Anthology for the New Millennium ficou na minha prateleira, acumulando poeira e expectativa. Se você visse o livro, você me entenderia: são 388 páginas de letras pequenas e linguagem complicada. Mas, neste feriado, resolvi tirar o livro da minha lista das coisas que me aguardam no futuro. Já deu para sacar: Bucky é um sujeito interessante pacas. Vou cansar vocês com histórias sobre ele nas próximas semanas.

Por Denis Russo Burgierman


 

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