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HOMOSSEXUALIDADE

03/08/2009

às 22:30 \ Leitores

Comentário do hacs

Roubei, eu confesso. Podia estar matando, estou roubando:

Ha certos sujeitos que nao aprendem mesmo, citam Deus para justificar preconceitos pessoais, como se acreditar em Deus ou ter uma religiao fossem pre-requisitos para o desatino, talvez querendo instigar outros preconceitos que pairam por ai tambem.

Intolerancia eh foda!

Enquanto isso, na missa passada, aconteceu a despedida do Diretor de Musica da igreja frequentada pela minha esposa e filhas, com direito a bolo, refrigerante, etc. Durante a missa, a irma que administra a paroquia despediu-se dele dizendo “go west young man, go west”, referindo-se ao fato dele estar se mudando para Sao Francisco, onde assumira o mesmo cargo numa catedral.

Ele eh gay.

A intolerância é lá cima, entre o pessoal de batina colorida. Quem convive com gente de verdade entende que cada um tem seus segredos.

Por Denis Russo Burgierman

27/07/2009

às 11:02 \ Direitos

Assunto incômodo

Engraçado como o tema do meu último post – homossexualidade – ainda incomoda. Os comentários me deixaram surpreso pela alta densidade de preconceitos: gays são histéricos, são nojentos, são exagerados.

Eu não deveria me surpreender. Estou cansado de saber que a sociedade brasileira, incluindo aí gente bem informada, ainda não aprendeu a tratar o assunto com naturalidade. Senti isso na pele quando publiquei uma reportagem de capa na revista Superinteressante, com uma constatação científica: a de que comportamento homossexual é parte da natureza, tanto quanto o sexo heterossexual. Recebi emails tão agressivos que perdi o sono. Um leitor picotou a revista e mandou-a pelo correio embrulhada em papel higiênico. Papel higiênico usado.

A capa polêmica, de 1999

A capa polêmica, de 1999

Domingo passado, a New York Times Magazine, revista que eu adoro, trouxe um artigo sensacional de Mark Gevisser, jornalista político sul-africano. Mark conta no texto como foi o seu casamento. Ele foi ao Escritório de Assuntos Internos de Edenvale, na África do Sul. Chegando lá, lhe perguntaram: “do mesmo sexo ou sexos opostos?” Chocado com a naturalidade da pergunta, ele levou algum tempo para responder: “do mesmo sexo”.

Mark não é histérico. Ele é um jornalista respeitado, autor de um ótimo livro sobre a democracia sul-africana e colaborador do melhor jornal do mundo. Ele não se casou para “copiar os heterossexuais”. Aliás, ele nem queria casar. Mas, como está de mudança para um emprego no exterior, a união civil o ajudaria com a burocracia.

O Escritório de Assuntos Internos, onde Mark se casou com seu marido, é o mesmo lugar onde, há não muito tempo, se fazia a classificação racial do apartheid. Eram eles que decidiam quem era branco, quem era negro e quem era mestiço – e essa decisão selava o destino da pessoa. No mesmo prédio que um dia foi sede da desigualdade, hoje se celebram os direitos iguais para todo mundo, branco ou negro ou gay ou hetero. A África do Sul, pátria da desigualdade, mudou desde o tempo do apartheid. E nos deixou para trás em termos de tolerância.

Não faz muito tempo, muitos brancos, no Brasil e na África do Sul, acreditavam sinceramente na sua superioridade sobre os negros e na justiça de terem mais direitos que eles. Hoje, felizmente, isso mudou. Pode ser que leve algum tempo, mas não tenho dúvidas de que chegará o dia em que as pessoas não acharão normal que heterossexuais tenham mais direitos civis que homossexuais.

Ah, Mark, que é branco, casou-se com um homem negro. (Já estou vendo a cara de nojo de alguns leitores…)

Por Denis Russo Burgierman


 

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