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DIY

15/03/2010

às 17:37 \ Consumo

Escolhendo cerveja: o jeito difícil

Como é que você escolhe cerveja no bar?

Usa critérios objetivos – o preço, o gosto, a composição nutricional, o comportamento da empresa? Ou deixa-se levar pela imagem? Escolhe a que tem o logotipo mais simpático, a mulher mais gostosa fazendo propaganda, a mensagem mais divertida?

Ontem, domingão, fui a um almoço delicioso na casa de um amigo, que é cientista político. Festa boa, com crianças e risadas, reencontros e futebol na TV, um desses almoços que duram tanto tempo que acabam requentados para o jantar. Escrevo, portanto, de ressaca. Tenham paciência comigo.

Mas, como era a festa de um cientista político, a casa estava cheia de cientistas sociais, gente treinada em métodos e metodologias. Alguém então sugeriu usar desse know how para resolver a questão de qual cerveja escolher. “Vamos fazer um teste cego”, decidiu-se. Correram até o supermercado e compraram todas as oito marcas disponíveis, alguém criou uma planilha de Excel no laptop, outro numerou papeizinhos de 1 a 8 e colou-os em oito copos idênticos.

Funcionava assim: uma pessoa, lá na lavanderia, servia um copo de cada vez, cada um com uma marca diferente de cerveja. O copo numerado, sem indicação da marca, era então passado para uma outra pessoa, que não o tinha visto ser servido. Observadores independentes, que não participavam da pesquisa, vigiavam qualquer eventual problema metodológico. No balcão da cozinha, de onde era impossível ver a lavanderia, o sujeito da pesquisa aguardava que os copos numerados chegassem, e experimentava um de cada vez. Cada copo continha apenas um golinho, para que o sujeito não tivesse que se embriagar em nome da ciência. Ele então bebia o gole, tentava adivinhar qual cerveja era e dava uma nota. Quando ele terminasse as oito, outro sujeito sentava-se, e os números eram trocados, para que um não influenciasse o outro.

Eu não participei. O futebol estava emocionante demais, não consegui largar para tomar meus golinhos. Portanto, os resultados que revelo em seguida não foram influenciados pelo meu próprio gosto:

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BOHE é Bohemia Confraria. DEVA é Devassa. ITAI é Itaipava. BRAH é Brahma. ANTA é Antarctica. SERRA é Serramalte. ORIG é Original. SKOL você sabe o que é.

Os quadradinhos amarelos são as vezes em que acertaram a marca da cerveja. Como se vê, tirando a Bohemia Confraria, todas as outras cervejas são irreconhecíveis para os meus amigos. A pessoa que palpitou melhor acertou apenas 3 das 8 cervejas.

A Bohemia Confraria se destacou, como se vê abaixo:

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Mas, considerando que ela custa quatro vezes mais caro que as outras, não foi tanto assim.

Agora eu tenho uma medição científica para me ajudar a escolher cerveja no bar – não preciso mais obedecer aos publicitários. Vou pedir aquela que tiver a melhor relação custo benefício nesta tabelinha. Posso até mudar de ideia, se os fabricantes das cervejas oferecerem para mim alguma razão concreta para isso (por exemplo, tem uma cerveja americana que eu bebo sempre que vou para os EUA só porque ela patrocina eventos ciclísticos, e eu adoro bicicletas).

Claro que um teste envolvendo oito amigos não é lá uma amostragem muito grande. Mas, considerando que eles são amigos, confio no teste mais do que nos comerciais de TV. Já você não precisa seguir as indicações dos meus amigos. Faça seu próprio teste cego, e pare de obedecer aos comerciais!

Por Denis Russo Burgierman

08/03/2010

às 15:09 \ Cultura livre

A nova revolução industrial

Não é todo dia que a revista Wired cita Karl Marx.

A Wired é uma deliciosa revista sobre tecnologia e cultura impressa no Vale do Silício, na Califórnia, o coração inovador do capitalismo, lá onde as tecnologias que têm mudado o mundo nascem. Portanto, não estou falando do Pravda ou do Granma. Na edição de fevereiro, a revista trouxe na capa a manchete “A nova revolução industrial” e previu que o mundo da indústria, dos produtos, dos objetos está prestes a passar pela mesma ruptura que o mundo dos arquivos digitais, das músicas e dos filmes passou na última década: o colapso dos gigantes e o alastramento de nanicos inovadores. Em outras palavras, átomos são os novos bits.

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Marx, em sua crítica ao capitalismo, afirmou que, com a industrialização, um artesão deixou de poder comprar as ferramentas de seu trabalho. Um sapateiro jamais teria dinheiro para bancar as máquinas de uma fábrica de sapatos, um mecânico, por melhor que fosse, jamais poderia competir com Henry Ford. Portanto, estávamos destinados a viver num mundo onde os capitalistas – donos dos “meios de produção” – exploram os trabalhadores. Daí a necessidade de uma revolução.

Pois a matéria da Wired, escrita por Chris Anderson, editor-chefe da revista e autor dos best sellers “Grátis” e “Cauda Longa”, mostra que essa revolução pode ser tecnológica.  Anderson afirma que, cada vez mais, um cidadão comum, com talento e uma boa ideia, pode sim ter acesso aos meios de produção. Já há um monte de fábricas chinesas que atende pessoas físicas pela internet e produz qualquer coisa que alguém imaginar. Há centros open source como a TechShop, uma oficina americana que dispõe de máquinas sofisticadíssimas para produzir protótipos e aluga-as para qualquer pessoa por uma pequena taxa. Há impressoras 3D, que produzem objetos tridimensionais a partir de um arquivo de computador, para fazer protótipos e testar produtos. E essas impressoras já custam só 1.000 dólares nos EUA. Há sites que comercializam produtos criados na garagem e repartem os lucros com justiça. Enfim, quem tiver uma boa ideia para atender a uma necessidade do mercado e souber como concretizá-la já pode lançar um produto e ganhar dinheiro sem precisar ser uma empresa gigante. Na verdade, provavelmente vai levar vantagem sobre uma empresa gigante, porque tem mais agilidade e menos custos para manter uma estrutura hierárquica.

Anderson conta, por exemplo, a história deste carrão aí embaixo:

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Trata-se do Rally Fighter, um carro criado colaborativamente por uma comunidade de amantes de carros que se encontrou na internet, num site criado por uma empresa pequena chamada Local Motors. Primeiro houve um concurso para escolher o visual do carrão: ganhou um desenho do jovem designer Sangho Kim, que levou um prêmio de 10.000 dólares. O projeto então foi desenvolvido em conjunto pela empresa e pela comunidade. A empresa cuidava para que o veículo funcionasse direito e fosse seguro, a comunidade caprichava para deixá-lo bonito e criativo. O carro vai ser lançado em junho, e é totalmente “open source” – ou seja, código aberto, qualquer pessoa pode ver e copiar seu projeto. O mais interessante é que a Local Motors vai permitir que pessoas comuns projetem acessórios para o Rally Fighter – ou seja, o consumidor pode comprar um carro já equipado com peças que ele mesmo inventou. É um sistema parecido com o do iPhone, que permite que desenvolvedores do mundo inteiro criem aplicativos para o telefone e, inclusive, ganhem dinheiro com isso.

A Local Motors não vai matar a Ford, claro. É uma operação pequena. A empresa tem só 10 funcionários (aumentará para 50 ainda este ano). Mas pô: eles fazem carros!

Para provar que sabe do que está falando, Anderson contou que até ele próprio está embarcando na nova revolução industrial. Ele também criou sua própria indústria: a DIY Drones. Começou da mesma forma que a Local Motors: com um site para aficcionados. No caso, amantes de “veículos aéreos não-tripulados”, ou “drones”, aqueles aviõezinhos-espiões comandados por computador que sobrevoam as coisas tirando fotos (o exército americano tem um monte deles, que custam milhões de dólares cada um). Anderson contratou o melhor sujeito que apareceu lá no site – um tímido nerd mexicano de só 21 anos chamado Jordi Muñoz, que virou o chefe de tecnologia da DIY Drones. Usando um aviãozinho de controle remoto, sensores disponíveis no mercado e equipamentos fáceis de se conseguir, como um GPS, Muñoz, Anderson e a comunidade do site desenvolveram um avião-robô e um balão-robô, que estão à venda pela internet por apenas algumas centenas de dólares. A DIY Drones, criada por Chris Anderson na sua garagem há só dois anos, já está perto de valer 1 milhão de dólares.

Claro que essas histórias incríveis não poderiam acontecer aqui no Brasil – onde a baixa qualidade da produção e a burocracia kafkiana estão no caminho dos inovadores. Claro também que, por mais que essas novas empresas sejam fascinantes, há uma lista enorme de riscos ligados a esse novo jeito de produzir – imagine o impacto ambiental que indústrias de fundo de quintal podem causar. Mas a reportagem me fez mais uma vez me admirar com o incrível potencial transformador destes tempos em que vivemos. Vou morrer num mundo bem diferente daquele onde nasci.

Por Denis Russo Burgierman

03/07/2009

às 17:31 \ Crise

Hortas caseiras para combater a crise

Foi-se o tempo em que plantar sua própria comida era conversa de hippie. Até a sisuda The Economist, mais interessada em finanças do que em jardinagem, publicou uma matéria sobre o assunto, contando como as hortas caseiras podem ajudar a aliviar o sofrimento da crise financeira. O blog ambiental Treehugger fez as contas e constatou que uma horta em casa rende em média o equivalente a 500 dólares por ano ao seu proprietário – e que 50 dólares investidos em ferramentas de jardinagem transformam-se em 1.250 dólares em vegetais após 1 ano.

Até o presidente dos Estados Unidos entrou na onda e mandou plantar uma horta na Casa Branca, para dar o exemplo e doar a produção aos pobres de Washington. A revista Good deste mês leva você para passear pela “primeira horta”, que já produziu 40 quilos de vegetais desde que o “jardineiro-em-chefe” tomou posse (clique na imagem para ver grande).

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Em 1943, durante o esforço de guerra, atendendo a pedidos da primeira-dama americana Eleanor Roosevelt, 20 milhões de americanos plantaram hortas caseiras. Ao final da guerra, elas supriam 40% das necessidades da nação. Eram os chamados “victory gardens”, os jardins da vitória. A revista Good calcula que, desde que Obama tomou posse, o número de jardins caseiros do país subiu de 36 para 43 milhões.

Por Denis Russo Burgierman


 

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