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Arquitetura

22/05/2009

às 13:17 \ Ideias

Libélula: um sonho

O prédio-libélula, uma ideia para Nova York

O prédio-libélula, uma ideia para Nova York

O arquiteto franco-belga Vincent Callebaut divulgou sua visão conceitual do prédio Libélula, planejado para o coração de Nova York. É um jardim vertical, uma estufa arranha-céu, uma estrutura de tubos de 128 andares que aproveita a água da chuva e a luz do sol para abastecer de comida a cidade. A estrutura se inspirou nas asas de uma libélula. Isso garante que ela seja eficiente em suportar peso e em distribuir água pelos andares. Se não fosse eficiente, a evolução não teria feito assim.

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A ideia de reaproveitar água de chuva e luz do sol parece um detalhe. Mas não é. Pense bem. Hoje estamos preocupadíssimos com um possível colapso de energia ou com um esgotamento da água no mundo. Mas quase ninguém usa as fontes mais abundantes e inesgotáveis de energia e água: o sol e a chuva. Eles estão lá, oferecidinhos para a gente. E eles dão conta com sobra das nossas necessidades, sem impedir o progresso. É só alguém pensar num jeito legal de aproveitá-los. O prédio de Callebaut gasta zero de eletricidade e zero de água: capta tudo que usa. Não se esqueça de que agricultura e pecuária atualmente consomem 70% a 80% do total de água gasto pela humanidade. Ou seja, um sistema como esse resolve de vez a falta d’água. Exemplo de que olhar para os problemas de um jeito diferente pode ser o jeito de resolvê-los. Todo mundo acha que falta água e energia. Não falta. Nós é que não sabemos usar.

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Outra coisa que parece detalhe: o fato de o prédio ficar no meio de uma cidade densa como Nova York. Isso significa um passo para livrar o mundo de caminhões. Sem caminhões, talvez o transporte público consiga se mover. E talvez possamos aposentar os carros – todos eles! E talvez dê para encontrarmos espaço para patinetes, patins, bicicletas, skates, pula-pulas e gente andando a pé.

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Tenho 36 anos. Isso quer dizer que cresci lendo sobre carros voadores e outras previsões maravilhosas para o futuro, que jamais se realizaram. Fico pensando. Será que um dia eu vou poder ver um prédio desses, andar por ele, passar horas nele? Ou vamos continuar nos maravilhando com as coisas, sem ter coragem de concretizá-las?

Por Denis Russo Burgierman

21/04/2009

às 18:00 \ Ideias

O experimento de um suicida

Em 1927, um desempregado de 32 anos, financeiramente quebrado, duas vezes expulso da universidade, pai de uma menina que morreu de paralisia infantil, foi às margens do Lago Michigan, próximo a Chicago. Sua intenção: suicidar-se nas águas do lago. Antes de tirar a vida, ele teve uma ideia: e se, e em vez de se matar, ele passasse o resto da vida fazendo o papel de cobaia em um experimento? O experimento:

“Descobrir o quanto um indivíduo miserável e desconhecido com uma esposa dependente e um filho recém nascido pode fazer em benefício de toda a humanidade?”.

Ele foi mais específico:

“Fazer o mundo funcionar para 100% da humanidade, através de colaboração espontânea, sem dano ecológico e sem prejudicar ninguém”.

O nome desse sujeito era Buckminster Fuller.

Por anos e anos e anos ouvi falar desse sujeito. Ele inspirou os hippies. E inspirou também os sujeitos que criaram o Vale do Silício e a revolução dos computadores. Foi amado por editores de revistas que eu adoro. Foi lido pelos criadores do ambientalismo, e muito dos termos que ele criou (por exemplo, “espaçonave Terra”) ainda ecoam por mercados orgânicos da Califórnia. Era chapa de Albert Einstein. Encantou gerações de arquitetos, de engenheiros, de tecnocratas e recebeu de Harvard um título de “poeta”. Inspirou físicos quânticos. Talvez ele seja um dos teóricos mais influentes do nosso século. Mas ninguém lê mais o que ele escreve. No máximo, lembram dele por ter criado aquela estrutura redonda usada no Epcot Center.

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Resolvi ler. Por anos, Buckminster Fuller: Anthology for the New Millennium ficou na minha prateleira, acumulando poeira e expectativa. Se você visse o livro, você me entenderia: são 388 páginas de letras pequenas e linguagem complicada. Mas, neste feriado, resolvi tirar o livro da minha lista das coisas que me aguardam no futuro. Já deu para sacar: Bucky é um sujeito interessante pacas. Vou cansar vocês com histórias sobre ele nas próximas semanas.

Por Denis Russo Burgierman


 

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