Blogs e Colunistas

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03/04/2009

às 17:11

TRANSPARÊNCIAPrivacidade é para pessoas, não para empresas

Na segunda-feira, eu escrevi aqui sobre transparência. Mais especificamente, sobre um plano para reconstruir a economia do mundo: instituir a transparência total e radical na economia. Cada centavo gasto ou recebido por uma empresa se tornaria automaticamente conhecido pelo público internet afora.

Um dos comentários que o post recebeu ficou na minha cabeça durante a semana. Era do Fernando e dizia: "É ousado, instigante e inexequível. Haveria colisão com fundamentos sólidos dos regimes democráticos, principalmente o da privacidade". Verdade. O Fernando tem razão.

Mas não devia ter.

Não deveria ser assim.

Privacidade é para pessoas, não para corporações (ou deveria ser).

Pessoas são diferentes de corporações. Pessoas são criminalmente responsáveis pelo que fazem. Corporações, em linhas gerais, não. Se eu mato alguém, sou preso e minha vida vira um inferno por 30 anos. Se uma empresa toma uma decisão que implica na morte de alguém, é possível que ela tenha que pagar uma multa, o que vai diminuir sua rentabilidade. É como se a pena por homicídio fosse um desconto de 3% no salário. Talvez algum funcionário seja preso e a empresa vai ter que contratar outro.

Pegue por exemplo o escândalo recente envolvendo altos executivos de empresas financeiras nos EUA. As empresas quebraram. Por causa disso, o mundo inteiro quebrou. Para salvá-las e salvar o mundo, o governo americano teve que empilhar notas de 100 dólares até um quarto da distância para a Lua – tudo com a grana do contribuinte. Aí chega a hora de pagar o bônus dos executivos. O que acontece? Os caras que tomaram as decisões que começaram a crise embolsam uma bolada. Quer exemplo mais eloquente da desconexão entre causa e consequência?

Empresas não são iguais a pessoas diante da lei.

Elas tem privilégios.

É natural então que sejam vigiadas mais de perto, tal a dificuldade de puni-las.

O mesmo raciocínio vale para os governos – e quero falar mais disso na semana que vem.

Sou a favor da privacidade. Odeio câmeras de vigilância e tenho a fantasia secreta de estilhaçar com um estilingue aquelas luzes que acendem na nossa cara quando a gente passa em frente a um prédio.

Mas acho que empresas e governos deveriam ter paredes de vidro e câmeras de big brother. Acho que é direito das pessoas saber o que acontece dentro desses lugares, mesmo nas salas de reunião mais bem decoradas dos andares de cima.

E acho também que essa ideia é menos inexequível do que parece assim à primeira vista.

Por Denis Russo Burgierman

02/04/2009

às 20:06

CONSUMONokia e Samsung: eletrônicos sustentáveis


O Greenpeace divulgou esta semana a 11a
versão do seu "Guia para Eletrônicos mais Verdes", que compara marcas
de produtos eletrônicos, levando em conta uma porção de critérios
objetivos para medir o uso de substâncias poluentes, o cuidado com o
lixo eletrônico e o consumo de energia. Deu Nokia na cabeça de novo – a empresa finlandesa subiu meio ponto e disparou na frente.

A Samsung pulou do 4o para o 2o lugar, graças à decisão de eliminar substâncias tóxicas de suas TVs. Mas o maior salto foi da Philips, que saltou do 15o para o 4o lugar, por se comprometer a recolher produtos descartados e por aumentar a transparência de suas políticas.

O Greenpeace penalizou HP, Lenovo e Dell por quebrarem a promessa de
eliminar químicos tóxicos de seus computadores e elogiou a Apple por
cumprir o prometido: "se a Apple pode, os outros fabricantes de
computadores também podem".

Se quiser ver o relatório todo – em inglês – e entender os critérios, passe aqui.

Por Denis Russo Burgierman

01/04/2009

às 18:15

COMUNIDADE SéPO irmão gêmeo de um rei nigeriano


Um blog não é só uma sucessão de textinhos. É mais: blogs são comunidades. Blogs conectam pessoas, às vezes de maneira imprevisível, surpreendente.

É isso que tenho aprendido no último mês e meio, desde que capengamente comecei o Sustentável é Pouco (a partir de agora apelidado de SéP). Estou encantado com as pessoas que tem passado por aqui – com a diversidade delas, com suas histórias. E também com as possibilidades que essas conexões improváveis entre gente diferente apontam. Quem sabe se alguma ideia nascida aí embaixo na área de comentários um dia vai virar ação concreta?

Já que isto aqui é uma comunidade, achei que valia a pena criar uma seção nova no blog, para contar um pouco sobre as pessoas que fazem parte dela.

Um dos leitores que deixou comentários um dia desses é o José J. Cosme, mais conhecido como Jay Jay Cosme, um engenheiro civil paranaense que mora na África há 20 anos. Veja o que ele conta:

"Você me pergunta onde eu moro: na Nigéria, naquela parte brava, os mangues do litoral onde se encontram os militantes que volta e meia aparecem no noticiário internacional quando sequestram estrangeiros. Nem sempre trabalhei nesta região, conheço praticamente todos os cantos da Nigéria. Há partes boas e outras nem tanto mas todas as regiões são fabulosas e interessantes para quem gosta de se aventurar na vida."

Jay Jay chegou na Nigéria trabalhando para uma empresa brasileira na construção de grandes obras de infraestrutura. A empresa já foi embora daquele lugar inóspito. Mas Jay Jay ficou. Arrumou um trabalho na Setraco, uma companhia libanesa. Ele foi o primeiro não árabe a ser contratado na história da empresa. Hoje tem um cargo alto, de confiança.

Com o tempo, foi criando laços pelo país.

"Em 1995 eu executei uma obra de estradas que passava em Ogbeisere e o rei da tribo local era muito progressista (acredite, aqui não há muitos) e ajudou muito a companhia na época." Jay Jay ficou amigo do rei. E o rei morreu, deixando um filho de 17 anos, Louis.

"Na época houve um entrevero familiar e um ramo da família queria instalar um tio do Louis como rei, o que ia contra as leis tradicionais do povo dele (Ika people). A confusao foi tanta que o Louis teve que se esconder porque havia perigo de vida para ele (aqui é assim, eles se matam pelo poder)."

Jay Jay então resolveu se envolver. Conversou com chefes locais, demoveu deles a ideia de assassinato, e acabou ajudando Louis a ser coroado rei.

"Desde entao sou membro permanente do Conselho de Anciões (na verdade não era e não sou tão velho assim, mas na tradição Ika se você casa e tem filho, automaticamente passa de youth para elder). Quando o Pedro [filho do rei] nasceu, o Louis, com o apoio da comunidade, me fez Wne-Akpara, que é um baita dum título na hierarquia deles, quer dizer ‘irmão gêmeo do Avanogbe Akpara [o rei]‘, na prática significa que posso ser o regente se por um acaso o Louis vier a falecer antes do Pedro ter condições de assumir o trono."

Ou seja, este blog aqui tem orgulho de ter em sua comunidade o irmão gêmeo do rei dos ika nigerianos.

Ele é possivelmente o único de nós com sangue azul. Mas não o único com uma história interessante. Ao longo das próximas semanas, contarei outras. Se a sua for boa, por favor me mande por email (e não tente me enganar: sei que todo mundo tem uma história boa).

Por Denis Russo Burgierman

31/03/2009

às 15:06

CIDADESSai da rua, carro

Quando eu comecei a andar de bicicleta em São Paulo, era bem frequente algum motorista passar por mim e gritar, indignado: "sai da rua, maluco!"

E aí eu me encolhia, intimidado, às vezes subia na calçada, achando que eu estava fazendo alguma coisa errada. Afinal, a rua não é mesmo para bicicletas, ou para gente. A rua é dos carros: sempre foi assim, sempre será assim.

Só depois de anos pedalando fui me dando conta: a rua é tão minha quanto deles. Bicicletas não atrapalham o trânsito: bicicletas são trânsito. Aliás, se tem alguém atrapalhando o trânsito, são os carros, esses amontoados de lata se movendo paquidermicamente e entupindo as ruas. Nos meus tempos de San Francisco, virei até frequentador da Critical Mass, a invasão caótica mensal de centenas de bicicletas pela cidade, sempre sexta-feira às 6 da tarde, para desespero dos motoristas. Uns ficavam xingando. Eu respondia: você para o trânsito 29 dias por mês. Hoje – só hoje – é a minha vez.

Bom, isso dito, acho que fica fácil para você entender por que eu gostei tanto deste filme aí embaixo, feito em Barcelona, em 1908 – 5 anos depois de Henry Ford fundar sua empresa, mas antes de seus carros tomarem as ruas espanholas. O filme foi feito de cima de um bonde. Veja só como eram as cidades antes dos carros as invadirem. Bem mais divertidas, excitantes, alegres e agradáveis que as de hoje, não?

Portanto, me vingo e grito:

"Sai da rua, carro!"

Por Denis Russo Burgierman

30/03/2009

às 16:43

TRANSPARÊNCIAComo reinventar a economia


Quando acontece uma calamidade, abre-se uma breve janela para que se mude as regras do jogo, tornando-as mais justas. Se essa oportunidade é perdida, os grupos de interesse se reorganizam, recuperam a confiança e aí é tarde demais para mudanças. Tudo continua como era. Uma calamidade aconteceu no sistema financeiro internacional no ano passado. E a revista Wired deste mês chegou ontem aqui em casa com uma proposta para aproveitar essa janela e reinventar os mercados.

Para resumir em uma palavra a ideia da revista: transparência.

Transparência radical e absoluta.

A análise da Wired é bem interessante. Segundo a revista, o que aconteceu nos últimos anos é que os bancos, munidos de supercomputadores e tripulados pelos mais talentosos gênios matemáticos do mundo, se transformaram em usinas de inovações. Enquanto isso, as agências reguladoras do governo tentavam entender o que estava acontecendo, mas com orçamento infinitamente menor, incapazes de atraírem os profissionais mais talentosos. Resultado: os bancos inventavam investimentos imensamente complexos que ninguém conseguia entender. Nem as pessoas responsáveis por regulá-los.

Desde que a crise começou, tem-se ouvido que a única saída é partir para uma era de mais regulação. A Wired discorda. Eles não acham que seja o caso de mais burocracia, mais leis, mais funcionários públicos, mais fiscais. Nada disso adiantaria: numa época de inovação constante, continuaríamos correndo atrás do rabo (ou mataríamos a inovação).

A receita deles é a seguinte: acabem-se os segredos. Todos eles.

A ideia é que qualquer pessoa no mundo tenha acesso online a todos os números de uma empresa – cada gasto, cada serviço, cada receita, cada centavo seria imediatamente computado num sistema simples e padronizado que ficaria aberto para quem quiser olhar, sem senha nem nada. Vendeu um produto no supermercado, piiii, no que ele passou pela máquina registradora o site é atualizado.

Hoje, nem mesmo os banqueiros sabem explicar seus investimentos. No mundo imaginado pela Wired, cada pessoa do mundo teria à sua disposição todos os dados necessários para entender cada negócio, de um jeito fácil de usar, atraente, organizado.

Logo depois que a crise de 29 afundou a economia do mundo, um juiz americano chamado Louis Brandeis escreveu uma frase que ficaria famosa: "a luz do sol é o melhor dos desinfetantes. A luz elétrica é o mais eficiente policial". Brandeis ajudou o presidente Roosevelt a perceber que a única saída da crise era aumentar a transparência da economia. Funcionou.

A ideia da Wired, basicamente, é radicalizar esse conceito. Se luz elétrica é um policial, vamos distribuir lanternas para todo mundo. Assim, cada pessoa do planeta ajudará a zelar pela segurança do sistema.

Será que isso funciona? Não sei. Mas sei que, em Los Angeles, os restaurantes são obrigados por lei a pendurar na janela suas avaliações da vigilância sanitária. Desde que essa lei entrou em vigor, a higiene aumentou 5% na cidade. E os lucros dos restaurantes aumentaram 3%.

Por Denis Russo Burgierman

28/03/2009

às 19:26

HORA DO PLANETAAproveite o escurinho

Tchau. Vou desligar o computador.

Por Denis Russo Burgierman

27/03/2009

às 22:37

JUSTIÇATelemarketing nunca mais!


Hoje, lá pelas 6 da tarde, recebi uma ligação de um "consultor de vendas" de uma empresa. Espero sinceramente que tenha sido a última ligação de um telemarketing que eu recebi na vida. Uma hora depois, coloquei meu telefone no cadastro do Procon de São Paulo de quem não quer receber mais esse tipo de ligação – a partir de 1 de maio quem me telefonar para tentar me tirar uns trocados está sujeito a multas de até 3 milhões de reais (não acho 3 milhões muito para quem arranca alguém da cama num sábado de manhã para oferecer telefone celular). Fazer o cadastro é fácil e rápido: é só ir a este site aqui, ó.

Agora é hora de espalhar essa lei civilizada pelo resto do Brasil.

A propósito: para fazer meu cadastro, tive que dar todos os meus dados, agora fico com medo de receber spam do Procon!  E ainda precisei ler uma ameaça de que qualquer informação falsa me transformaria num criminoso. Achei mala. Na boa: devia ser o contrário. As empresas deveriam poder ligar apenas para quem se cadastra dizendo que quer receber ofertas. O ônus de fazer o cadastro é da vítima da invasão de privacidade, que ainda tem que ler ameaças de cadeia. Mas dormir tranquilo na manhã de sábado compensa a encheção.

Foto: brycej (CC) – veja aqui várias outras cenas de Playmobil: www.flickr.com/photos/brycej/sets/72157605792888092

Por Denis Russo Burgierman

26/03/2009

às 18:41

ÁGUAO mapa das gotas


Olha só que bem bolado e útil o infográfico aí em cima, que você pode ver em detalhes clicando aqui. Ele foi publicado pela Good, a revista americana dedicada a fazer o bem. Com ele, você consegue calcular quanta água você gasta por dia e descobrir jeitos de reduzir o consumo. Cada gotinha é um galão, medida que equivale a 3,8 litros. As gotinhas azuis são galões consumidos diretamente e as verdes são galões indiretos (por exemplo, os milhares de litros usados no processo de produção da carne). Note como a imensa maioria da água que consumimos é de maneira indireta (gotinhas verdes). Nas colunas verticais cinza, você vê as opções que desperdiçam mais água, enquanto nas amarelas estão alternativas mais econômicas.

Resultado: dá para economizar 125 litros de água só trocando refrigerante por água. Já trocar carne por frango poupa da Terra incríveis 4 600 litros. No total, se você trocar todos os hábitos cinza por hábitos amarelos, você poupa nada menos que 8 626 litros de água por dia. Ou seja: mais de uma piscina olímpica por ano.

Por Denis Russo Burgierman

25/03/2009

às 19:01

PRÊMIOAnd the oscar goes to…

Opa! Prometi dar um exemplar do meu livro Piratas no Fim do Mundo ao autor do melhor comentário sobre a série de posts "Sardinhas, banqueiros e a diferença entre os sexos". Ou seja, além de ler 4 posts intermináveis, o sujeito agora vai ter que encarar um livro meu…

Resolvi escolher 2 vencedores, em vez de 1, porque não resisti ao Papai Noel. The oscar goes to:

Isa – Feita a associação entre sustentabilidade e a crise econômica, resta saber como administrar o uso dos nossos recursos disponíveis. A Islândia privatizou o peixe. Não deu certo. O Brasil tenta controlar a exploração da Floresta Amazônica. Não consegue. O Fórum Mundial da Água levanta os problemas, mas não entra em um consenso. Isso tudo reforça o que já foi dito aqui: não dá para simplesmente jogar toda a culpa no governo. A crise, seja ela ambiental ou econômica , tem raízes dentro de cada um de nós, islandeses ou brasileiros – humanos, enfim. Afinal, de uma forma ou de outra, somos todos investidores.

e

jorji – Islândia não é a terra do papai noel? Não vamos ter um natal maravilhoso este ano com certeza, papai noel está falido.

Isa e jorji, preciso dos endereços de vocês para mandar os livros. Podem me mandar por email, o endereço está lá em cima.

Por Denis Russo Burgierman

24/03/2009

às 19:21

DEMOCRACIAA cidade não quer a minha opinião


Ano passado, eu morei na cidadezinha de Palo Alto, na Califórnia. Um dia chegou uma carta na minha casa. Era da prefeitura. Em uma linguagem muito clara, texto breve, direto, a carta convidava para uma reunião dos moradores daquela área. O motivo: um vizinho, que morava a uns 3 ou 4 blocos da minha casa, ia fazer uma pequena reforma no muro da casa dele. Havia alguma dúvida no departamento de obras sobre se essa reforma contrariava ou não os códigos de construção da cidade. Por isso, a prefeitura estava convidando todos os moradores das proximidades para conversar e decidir se a reforma devia ou não ser autorizada.

Amanhã de manhã, na Câmara Municipal, uma comissão vai julgar a legalidade de um projeto de lei para mudar o Plano Diretor de São Paulo. Mudar o Plano Diretor é astronomicamente mais importante para uma cidade do que fazer uma reforma num muro. No entanto, ninguém foi chamado para debater. Pelo contrário, o projeto de lei está sendo empurrado, para passar logo e não se falar mais no assunto.

Não é difícil entender por quê.

Grana.

São Paulo funciona assim: há regras para construir, como costuma ser em cidades civilizadas. Só que uma das regras diz que é possível descumprir algumas outras delas pagando-se uma taxa à prefeitura. É a chamada "outorga onerosa". Um exemplo: o máximo de área construída de um terreno é a área do terreno (um prédio num terreno de 500 metros quadrados pode ter no máximo 500 metros quadrados construídos somando todos os apartamentos). Só que, se a construtora pagar à prefeitura uma taxa, pode construir até 4 vezes isso. A prefeitura arrecadou R$ 300 milhões desde 2002 com essa taxa. Bela grana.

Só que há um limite. Cada bairro tem uma área máxima que se pode construir além do plano. Mais que isso é impossível. E este limite está praticamente esgotado nas áreas nobres da cidade. Ou seja: a torneirinha de grana está prestes a secar. O projeto de lei tramitando na Câmara é uma confusão com centenas de emendas, então é difícil saber o que ele diz (ao contrário da carta simples e direta que recebi em Palo Alto). Mas, pelo jeito, a intenção dele é relaxar esse limite, e relaxar também outros limites (a área máxima construída passa a ser mais de 4 vezes, por exemplo).

Uma beleza, todo mundo ganha. As construtoras ganham porque podem construir mais e vender mais. A prefeitura arrecada uma baba com a tal taxa. E você… Puts, acho que você não ganha não.

A tal "outorga onerosa" tem sido um incentivo para a ocupação da cidade crescer mais rápido que a capacidade das vias, a disponibilidade de transporte público, de estacionamento (não vou nem falar em ciclovias que vão achar que enlouqueci). Resultado: SP fica cada dia mais entupida e brutal.

Bom, isso quer dizer que a tal comissão vai votar pela ilegalidade do projeto de lei amanhã, certo? Será? Dos 7 vereadores da comissão, 4 receberam doações de campanha da Associação Imobiliária Brasileira, que representa os interesses das construtoras. De que lado você acha que eles vão votar?

Update (25/3): todos os vereadores que receberam doações de campanha da AIB votaram pela legalidade do projeto de lei.

Foto: whiteblot (CC) – www.flickr.com/photos/stoyan

Por Denis Russo Burgierman

 

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