18/06/2009
às 10:53 \ Cultura livreQualquer um pode ser jornalista
O Brasil é um paÃs onde o corporativismo chega à s fronteiras do absurdo. Aqui advogados fazem questão de falar uma lÃngua que ninguém mais entende, de forma a tirar do povão a possibilidade de se defender sozinho. Acadêmicos só discutem com seus pares, e ignoram a massa ignara lá fora. Policiais não multam juÃzes, generais e otoridades em geral. Médicos escondem informações sobre doenças. PolÃticos se acham um tipo especial de ser humano, imune à lei (segundo o presidente, por exemplo, Sarney não é “pessoa comum”).
E jornalistas têm o monopólio da produção de notÃcias. Pessoas sem diploma de jornalismo são proibidas de divulgar informações ao público.
Quer dizer, eram.
O Supremo Tribunal Federal derrubou ontem à noite essa exigência absurda, que por anos empobreceu nosso paÃs. Forçar todo mundo que faz jornalismo a ter a mesma formação universitária é homogeneizador, acaba com a diversidade da informação, torna impossÃvel que a imprensa reflita a sociedade. Nos EUA, advogados, engenheiros, filósofos, cientistas trabalham na mÃdia. E a imprensa é 3 trilhões de vezes mais interessante que aqui. Lá tem até jornalista que sabe fazer conta!
Não que eu não tenha aprendido nada na faculdade de jornalismo. Aprofundei lá meus conhecimentos sobre substâncias inebriantes e me tornei um dos grandes jogadores de pebolim da minha geração, entre outras coisas. Mas nada que se ensine na faculdade de jornalismo justifica o privilégio do monopólio da produção e divulgação de informação para a sociedade.
Comemoremos. O Brasil ficou um pouquinho menos corporativo.
Ah, se bem que para cada avanço há um retrocesso… Não querem agora que os DJs sejam obrigados a tirar diploma para poder colocar som?

Foto: Felipe Skroski / Twitter
Tags: CORPORATIVISMO, Jornalismo


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