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14/05/2009

às 20:04 \ Consumo

Prisão domiciliar

Comprei uma geladeira no Ponto Frio. Eles pediram um prazo de 10 dias para entregar. Era para chegar hoje.

Que horas?

Entre 8 da manhã e 9 da noite.

Mas, mas, mas, mas…

Moramos sozinhos (eu e minha esposa, que está viajando). Passei o dia em casa, esperando o maldito caminhão do Ponto Frio. Agora são 7:47 da noite e nada dele ainda. Estou em prisão domiciliar.

Para mim essa história ilustra bem o jeito de tratar consumidores neste nosso mundo. O Ponto Frio criou uma belíssima rede de distribuição, com uma logística bem pensada, provavelmente toda coordenada por computador. O caminhão sai de manhã com um roteiro racional organizado de forma a maximizar a eficiência, percorrer o mínimo de distância, arriscar ao mínimo danificar os produtos. Mas e o consumidor? Ora bolas, cada um com seus problemas. O Ponto Frio investe dinheiro para melhorar a logística desde que isso aumente sua receita ou diminua seus custos. Mas, se o objetivo for melhorar a minha vida, eu é que me vire.

O pior é pensar que as soluções eram tão simples… Dar um celular ao entregador. Criar um site que torne a operação logística visível para mim também, não só para o motorista, para que eu possa me programar. Manter o serviço de atendimento em contato com o entregador, para que eles possam me dizer algo mais do que “não sabemos o roteiro dele” quando eu ligo lá. E eu estaria livre. Mas nada disso aumentaria o lucro do Ponto Frio.

Agora estou aqui decidindo se cancelo a compra ou se me preparo para passar mais um dia preso.

São 8:03 da noite. Nada até agora.

Update: 8:14 PM – nada ainda. Liguei para o serviço de atendimento. Fui informado que o horário deles é só até as 7 horas. Eu tenho que esperar. Eles não.

Update 2: 8:27 PM – tô com fome. Não tem nada na geladeira (que aliás não funciona). Pedi uma pizza. Agora estou esperando dois entregadores. Tenho mais fé na pizzaria.

Update 3: 8:50 PM – chegou! A pizza, claro. A geladeira não.

Por Denis Russo Burgierman
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