24/05/2011
às 12:32 \ AmazôniaTragédia
Acabo de receber a notÃcia de que Zé Claudio Ribeiro e sua esposa Maria do EspÃrito Santo foram assassinados perto de casa, em Nova Ipixuna, na região de Marabá, no Pará. Zé Claudio foi um dos palestrantes do TEDxAmazônia, conferência que ajudei a organizar, em Manaus, no final do ano passado. Lá, ele subiu ao palco para contar que sua vida estava sob ameaça. O motivo? Zé Claudio se negava a permitir a derrubada ilegal das imponentes castanheiras da terra onde vivia.
A tragédia nos atinge logo depois do anúncio de um aumento colossal no desmatamento amazônico. Tudo indica que o progresso feito na titulação de terras na Amazônia e no cumprimento da lei durante a gestão de Marina Silva no Ministério do Meio Ambiente está mesmo escoando pelo ralo em meio à desregulamentação do novo código florestal e à incapacidade do estado de garantir o mÃnimo de respeito à lei.
Zé Claudio e Maria compraram essa briga porque achavam que as castanheiras são seres monumentais e que matá-los é tão cruel e sem sentido quando matar um ser humano. Eles viviam no Arco do Desmatamento, à rea amazônica assolada por devastação, crime e miséria, em meio a um boom de crescimento em Marabá que gera uma demanda infinita por madeira para construção. Castanheiras dão castanhas do Pará, um produto de grande valor econômico. Matá-las para fazer tábuas é um absurdo.
O mÃnimo que se espera agora é que as castanheiras pelas quais Zé Claudio e Maria morreram sejam protegidas e transformadas num museu vivo em homenagem ao casal. E que os autores dessa morte anunciada sejam exemplarmente punidos. Mas claro que o mais provável é que eles consigam suas tábuas.
Tags: Crime, TEDxAmazônia


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