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12/05/2011

às 13:43 \ Voo AF447 (Rio-Paris)

Áudio dos pilotos do AF 447 jamais será divulgado

As caixas-pretas do voo  447 da Air France no qual morreram as 228 pessoas a bordo do Airbus chegaram a Paris trazidas por um Airbus A340 do voo 3507 da Air France vindo de Caiena. Os gravadores dos 1 300 parâmetros da aeronave e o áudio na cabine de pilotagem antes do acidente foram apresentados como “celebridades” à imprensa – 15 minutos só para registrar imagens – na sede do Escritório de Investigações e de Análises (BEA) da Aviação Civil da França, órgão responsável pela apuração das causas do acidente.

O diretor do BEA, Jean-Paul Troadec, estima que serão necessários, no mínimo, três dias de um processo preparatório até que se verifique de fato se os dados e o áudio estão em condições de ser explorados. Se for o caso, o conteúdo – só partes que os investigadores franceses julgarem pertinentes – será conhecido publicamente em janeiro de 2012, data prevista para a publicação dos resultados da investigação técnica e administrativa. O BEA afirma que se o áudio com a vozes dos pilotos – 30 minutos antes do acidente – estiver preservado, ele jamais será divulgado oficialmente para o público, segundo determina a Convenção de Chicago.

Os trabalhos para a tentativa de leitura das duas caixas-pretas começam hoje.

Retiradas dos aquários de água destilada, as caixas-pretas serão abertas para extração dos cartões de memória que contém os registros – os técnicos usam levas para evitas choques eletromagnéticos nos cartões semelhantes aos de aparelhos fotográficos digitais. A operação deve durar uma hora. Em seguida, os cartões passarão por um processo de limpeza – 12 horas de profilaxia minuciosa para remoção de resíduos, sal e partículas estranhas na superfície do microchip. Depois vem a secagem de, no mínimo, mais 12 horas.

O estágio seguinte, durante um dia inteiro, consiste na observação visual com ajuda de microscópios e realização  de testes para verificar se os cartões respondem impulsos eletrônicos, ou seja, se está operacional. O momento crucial, a tentativa de leitura dos registros acontecerá em uma sala envidraçada no subsolo do BEA. “Apenas um técnico do BEA e um oficial da Polícia Judiciária estarão presente fisicamente no laboratório, a operação será gravada por câmera de vídeo”, disse ao Blog de Paris, Christophe Menez, chefe do departamento técnico do BEA.

O coronel aviador da FAB, Luís Cláudio Lupoli, designado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) como o “representante credenciado” junto as investigações disse ao Blog de Paris, que irá acompanhar a operação do lado de fora da sala, observando através das janelas de vidro. Um representante da Honeywell, fabricante das caixas-pretas, também irá acompanhar a tentativa de decodificação dos registros que será narrada pelo técnico do BEA e que pode levar de uma hora a um dia.

O CENIPA enviou também a França o major Sidney da Silva, mas ele não está credenciado como participante da investigação. O BEA informou que o major brasileiro está em Paris para observar o funcionamento geral do escritório na perspectiva de um eventual acordo de intercâmbio técnico entre Brasil e França. O CENIPA quer entrar no restrito clube dos cinco órgãos de prevenção e investigação de acidentes aéreos capaz de ler as informações das caixas pretas – o CVR (Cockpit Voice Recorder), que contém o áudio das conversas dos pilotos, e o FDR (Flight Data Recorder), que registra os dados técnicos do voo.

Se os registros estiverem preservados, eles permanecerão nos cartões de memória. O BEA trabalhará com cópias para as análises. A operação de resgate das outras peças do avião a 3 900 metros de profundidade no Atlântico e a 1 100 quilômetros nordeste de Recife encerram amanhã, 13 de maio.

Leia o post do Blog de Paris: “Regates dos corpos depende dos exames de DNA

A fotografia abaixo mostra o campo de destroços do A330 no fundo do Atlântico. Os nomes em grafados em cor vermelha são das peças já retiradas e os em cor azul que serão retrados no último dia da operação, 13 de maio de 2011:

Por Antonio Ribeiro

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15 Comentários

  1. SD

    -

    20/08/2011 às 8:52

    Sempre a verdade fica encoberta. Nunca ficaremos sabendo o que aconteceu, como aconteceu. A verdade está lá fora…

  2. Nomadrj

    -

    18/07/2011 às 19:08

    Prezados. Como qualquer transporte, as pessoas são simplesmente “gado”. As fiscalizações só aparecem, depois. Os treinamentos só são obrigatórios, depois. Toda vez que uma desgraça (que nunca vem sem anúncio) se abate e leva vidas, se descobre inúmeros indicios, aparecem culpados e nada se faz efetivamente. Saber os detalhes mórbidos não interessa. Se pelo menos soubermos como ocorreu e o que vai ser feito para que nunca mais se repita, já é uma vitória.

  3. Valter de Sousa

    -

    10/07/2011 às 8:12

    E se o problema daquela bomba voadora (teoricamente) estiver ou poderá acontecer com outros da mesma marca ou modelo? E eles não quererem divulgar? Para nós usuarios ficar sabendo, antes de entrar naquela bomba?

  4. Valter de Sousa

    -

    10/07/2011 às 8:09

    Eu não tenho nenhuma sombra de duvida que existe algum jogo de négocios secundários ligados ao fato.
    O mais difícil eles fizeram, encontraram que era a caixa preta. Por que essa demora toda para analizar e divulgar o audio? Tenho certeza de que só nas falas dos pilotos já temos as respostas para o problema..

  5. Juliano

    -

    16/05/2011 às 11:30

    Eu quero saber do conteudo sim! afinal somos nós que subimos nestes trecos voadores e pagamos por isso,somos nós que alimentamos e financiamos esta indústria.Não devemos nos arrebanhar ao cajardo da censura e falsa moralidade dos que querem proteger interesses comerciais apelando para os sentimentos de familiares já que todos nós somos possíveis vitimas em potencial também.Quanto ao sadismo de ouvir os ultimos momentos dos que estavam na aeronave me coloco no lugar de um parente dos que morreram e gostaria de saber sim o que aconteceu na cabine para ter idéia de como os pilotos tentaram salvar seus passageiros e a si mesmos mesmo que tenha de ouvir mais que isso.

  6. Álvaro Tadeu Andreoli

    -

    14/05/2011 às 22:28

    Boa noite, caro Antonio !
    Äviões não caem, aviões são derrubados”. Resta saber por quem, o querem esconder as autoridades ? Aonde está o piloto, da outra companhia, que na noite do acidente, viu vários pontos de fogo no oceano, ficou MUDO ? Atentado, míssil… tudo e possível, até uma pouco provavel falha técnica, eles tem que esclarecer, não somos idiotas, de pensar que um Airbus, cai por uma simples falha.

  7. JCarlos

    -

    13/05/2011 às 10:55

    Não tem que divulgar mesmo o conteúdo das gravações. Há muitos sádicos e ávidos para ouvir como foram os últimos e terríveis momentos vividos pela tripulação. Seus familiares merecem respeito. Isso não é um circo. Quem deve ter acesso são os investigadores credenciados e aqueles que podem, com o conhecimento adquirido, evitar acidentes no futuro. Outra sumidade disse que a investigação não leva a lugar algum. Totalmente equivocado: graças a estas investigações, os transportes aéreos são hoje o meio de transporte mais seguro que há.

  8. Ismael Silva

    -

    13/05/2011 às 7:15

    Há gente xereta por aí, não é? Querem acesso a informação como se fossem gente importante que vai ajudar a melhor a aeronáutica no futuro. Querem ouvir as vozes dos pilotos para saberem se eles tiveram medo e se choraram quando viram o que ia acontecer? Não basta saber que a informação vai chegar a quem realmente importa? Tenham respeito pelas famílias. Esses são os únicos que têm direito à toda a informação, além dos profissionais do assunto.

  9. Peter

    -

    13/05/2011 às 0:12

    Não e preciso nem dizer como toda esta investigação está andando de uma forma bem suspeita. Se as famílias forem espertas o BEA deve entrar também nas ações judiciais. Vai ser fácil provar a manipulação das investigações. Os franceses são muito orgulhosos da empresa Thales. Se ficar provado defeito nos Pitot Tubes, a Thales vai sofrer uma forte pressão, sem contar na falta de credibilidade de seus produtos.

  10. Jose Maria

    -

    12/05/2011 às 23:45

    Na verdade o conteudo das caixas pretas (laranja, na verdade) visa a possibilitar aos especialistas e autoridades elucidar as causa do acidente para efeito de segurança futura e reparos de danos pessoais possiveis. Não faz sentido mostrar à população, para os quais de nada valeria a não ser mera curiosidade.

  11. Carvalho Netto

    -

    12/05/2011 às 22:47

    Muito bacana o modo operante, batendo palmas, mas se nós, os simples mortais, não saberemos (jamais) do conteúdo das caixas-pretas, por que então gastar dinheiro e tempo com o que não nos levará a lugar nenhum?

  12. E Bartlett

    -

    12/05/2011 às 22:37

    Por que guardar segredo da gravação? Todos nos temos o direito de saber o que aconteceu naquele voo fatídico. Muito mais ainda, os familiares das vitimas. De que adianta a caixa-preta se a gravação vira segredo? Isso só beneficia a Air France e a Airbus. Os familiares das vitimas devem fazer a maior pressão para que a gravação seja revelada a todos.
    Bem, que aqui na minha casa já comentávamos que se a Franca pegasse as caixas iriam esconder o conteúdo. Dito e feito. Pressão neles!

  13. Antonio José

    -

    12/05/2011 às 18:36

    Grande Antonio, bela cobertura.

  14. Luiz BsB

    -

    12/05/2011 às 15:54

    Que longo, esse prazo (janeiro/2012)! De toda forma, acredito que o BEA deve informar se conseguiu, ou não, fazer as leituras. Como espectador, tenho me surpreendido mais positivamente com a postura das autoridades francesas. Espero que continue assim e que as “caixas possam falar” para a segurança da aviação civil e para um pouco mais de esclarecimento e quem sabe de conforto para as famílias das vítimas.


 

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