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02/07/2009

às 16:33 \ Voo AF447 (Rio-Paris)

BEA: Airbus da Air France não explodiu no ar, caiu inteiro no mar


Depois de um mês da tragédia com o voo AF 447, o Escritório de Investigações e Análises da Aviação Civil francesa (BEA) divulgou o seu primeiro relatório. As causas estão longe de ser elucidadas enquanto as caixas-pretas com dados capitais para tentar-se desvendar o mistério do maior acidente em 75 anos da Air France, matando 228 pessoas, ainda estão perdidas no fundo do Oceano Atlântico.

A principal informação é a seguinte: o Airbus A330-200 não se desintegrou durante o voo, ele caiu inteiro na água. E caiu na posição como se estivesse “em linha de voo”, segundo Alain Bouillard, o responsável técnico da investigação que apresentou o relatório. Quer dizer, com as asas em paralelo a superfície do mar. A parte inferior da aeronave, “a barriga do avião” não o bico nem a cauda, tocou primeiro a camada de água cuja resistência pode ser comparada com cimento armado. A chegada do avião inteiro até o ponto de impacto dá margem para supor que os pilotos tentaram controlar a aeronave até o fim.

O choque foi violentíssimo porque o avião estava em velocidade vertical vertiginosa — perdeu 10.000 metros de altitude em apenas 4 minutos. Para chegar a estas conclusões, o BEA mediu a duração das 24 mensagens de
pane (ACARS) e a altitude do avião no momento em que elas foram emitidas de forma  automatica e autonoma ao centro de manutenção da Air France, na França. Entre os 640 destroços do avião recuperados pelas equipes de busca, notou-se deformações no sentido de baixo para cima. Nenhum colete salva-vidas inflado foi encontrado durante as buscas, o que indica que não houve tempo para preparação do impacto.

Para o BEA, as sondas Pitot defeituosas, os instrumentos externos que enviam informações sobre as pressões para o computador de bordo calcular a velocidade média do Airbus, tiveram forte implicação na seqüência de panes relatadas pelas mensagens. “Mas as leituras incoerentes das sondas são apenas um elemento, não são as causas do acidente” , afirmou Bouillard.

Perguntado por Veja.com se ele aconselharia um passageiro embarcar em um Airbus equipado com sondas Pitot de antiga geração (modelo AA), o diretor do BEA foi categórico: “Sim, sem nenhum problema.” Há alguma razão para o BEA recomendar a troca das sondas pelas companhias aéreas? Bouillard respondeu: “Não.”

Boullaird lamentou não ter recebido até agora nenhum dado sobre as autopsias realizadas pelos legistas brasileiros sem a presença do médico do BEA. “Em um quebra-cabeça como é o caso das investigações de acidentes aéreos, temos muito poucos elementos para a reconstituição.” Os métodos de buscas das caixas-pretas em uma zona com 74 quilômetros de raio (40 milhas nauticas) vão continuar até o dia 10 de julho. Caso
elas não forem encontradas, vão se intensificar o usos de minisubmarinos com sonares capazes de mapear o relevo marítimo.

Por Antonio Ribeiro

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9 Comentários

  1. Dan Christian von Erlea

    -

    26/04/2011 às 13:37

    Os pitots entupiram e isto alterou o Rudder Ratio e o leme vertical foi arrancado. Já aconteceu em outro Airbus anteriormente.

  2. Glaudson

    -

    22/09/2010 às 22:39

    Deus é a salvação!

    Fique sempre contrito a ele que te livrará de todo mal.

    A paz de Deus!

  3. João Bosco Martins

    -

    05/07/2009 às 8:54

    Sem se encontrar as caixas pretas acho pouco razoável e muito pouco provável esse laudo. Um abraço.

  4. silvio sampaio

    -

    03/07/2009 às 6:55

    É incrível como são raras pessoas e instituições com coragem de assumir responsabilidades. Ou seja: sabemos que os tubos Pitot eram defeituosos. Sabemos que mandaram a informação errada. Sabemos que o avião despencou até bater no mar. E a culpa é do grupo de legistas brasileiros? Assim é fácil apresentar relatório, passar a batata quente para outros. Se os tubos não foram causa única, nenhuma informação contradiz. É ou não é? O defeito foi importante, sim senhor. Não tem que trocar um dispositvo defeituoso, fundamental para auxliar o piloto operarar o avião?

  5. Andrea Barroso

    -

    02/07/2009 às 20:15

    Caro Antonio, sua pergunta ao diretor do BEA deveria ter sido: “qual foi a última vez que o senhor embarcou em um Airbus equipado com sondas Pitot de antiga geração (modelo AA)?” Duvido que tenha viajado neste modelo ultimamente, se soubesse antes do acidente o que realmente acontece na manutenção de todas as companhias aéreas. Ainda me lembro que quando ouvi relato de um ex-presidente da extinta VARIG lá pelo final dos anos 90 “se você soubesse o teor da preocupação das companhias aéreas, nunca mais viajaria de avião na vida!” Embarcamos todos em uma roleta russa, cada vez que viajamos de avião. É sorte, Deus, destino, o que quiser, menos segurança acima de tudo. Uma vergonha MUNDIAL! Andar de moto pode ser pior, mas o risco é individual. O motoqueiro escolhe como e por onde dirige.

  6. Fa

    -

    02/07/2009 às 18:10

    Meu Deus … esta tudo errado neste mundo! Como assim? Que relatório é esse? Muito conveniente para a Airbus e para a Air France. Não sou expert em aviação mas não sou completamente ignorante. Agora, claro, vai sobrar para o pobre do brasileiro a culpa de um erro enorme de Airfrance. Estamos perdidos. Uma pena que nossa marinha não é bem equipada e como resultado temos em nosso território submarino nuclear e navios franceses que certamente não revelam o que ja descobriram. Morei nos Estados Unidos 10 anos antes de me mudar e isso jamais aconteceria em aguas americanas. Nem aconteceria na França se fosse um avião brasileiro. Amazing, amazing … que Deus abençoe as almas dos passageiros, das suas familias e que nos proteja, pois estamos a mercer de pessoas que não dão o minimo valor para a carga mais preciosa que se pode transportar : A VIDA HUMANA! Devemos refletir e não usar mais essas companhias. Deus tambem abençoe as pobres familias africanas, que tambem perderam seus entes queridos, e que a bem verdade, quase nem sequer aparecem na midia. Ainda vivemos alem de tudo, em um mundo de preconceito. Sou brasileira, descendentes de franceses e MUITO envergonhada dessa sugeira toda. A partir de hoje, so sou brasileira! Desculpe pelo desabafo, mas estou revoltada!

  7. José Oliveira

    -

    02/07/2009 às 17:38

    Quando vemos o que vemos, quando escutamos o que escutamos, temos razão de pensar o que pensamos.

  8. benito villarim

    -

    02/07/2009 às 17:12

    queria saber de uma pesquisa…de 10 aviões que caem ou sofre algum tipo de problema 8 seriam airbus?


 

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