
Tic tac tic tac tic tac. O ponteiro mais curto deu mais de 3.552 voltas na circunferência desde que o Airbus 330 do voo AF 447 desapareceu dos radares sobre o Oceano Atlântico, a 960 quilômetros da costa brasileira, na rota entre Rio e Paris. Nenhuma autoridade responsável pela aviação civil explicou aos parentes das 228 vítimas porque a tragédia aconteceu. O maior acidente da história da Air France deixou um legado de dor e tristeza, aumentou o receio de embarcar em aviões e encetou uma guerra no interior da companhia aérea entre a direção e os pilotos.
Em um memorando interno do dia 20 de outubro endereçado a todas as tripulações de cabine. A Air France recomendou mais rigor nos procedimentos básicos de segurança e advertiu que as críticas à companhia e “falsos debates” sobre a segurança devem cessar. Pierre-Marie Gautron, chefe das operações da Air France, e Etienne Lichtenberger, chefe de segurança, autores do documento, afirmam: “Não há necessidade de modificar os procedimentos, nem de criar novos.”
Os pilotos dizem ter perdido a confiança na direção da empresa, sugerem que a Air France manobra transformá-los em bodes expiatórios diante da própria incapacidade para manter a segurança dos vôos devido a economia de custos. “O memorando é inaceitável”, diz Erick Derivry, porta-voz da SNPL, o maior sindicato de pilotos da Air France. A maior empresa aérea da França lembra que as causas do acidente com o AF 447 ainda são desconhecidas. Os sindicatos dos pilotos crêem que a Air France prepara o terreno para declarar que a causa da tragédia do AF 447 foi erro humano.
Por Antonio Ribeiro




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Estamos, infelizmente, diante de algo jamais visto. Um acidente acontece, e simplesmente querem nos deixar a imagem de algo que “já aconteceu, não tem mais volta, os motivos e circunstâncias pelas quais o incidente ocorreu, não interessam mais. Acabou!”
Pelo menos é isso que o desenrolar desta história está desenhando. Só se esqueceram de uma coisa : hoje nós, estamos mais interessados do que nunca. Mesmo que nos dissessem as causas do acidente, almejaríamos escutar mais e mais. Não é discutir quem têm culpa no cartório, a Air France ou os tubos Pitot. Deve-se lembrar que existiam 228 vítimas dentro daquela aeronave. Mas o que são 228 vidas perto da maior empresa aérea da França, não é? Será que vale arriscar a sposição no mercado da aviação civil por 228 vidas? Pensemos nisso. Quanto estamos valendo hoje?
Obrigada por continuar tratando deste assunto, tão importante, e do qual não se fala mais no Brasil. É preciso saber as causas efetivas do acidente. Economia de custos? Pelo que se observa no setor, não duvido
Eu ainda aposto no palpite de um ataque terrorista que eles querem abafar.
seqüência de fatos:
- É anunciado, no dia 26 de Maio, a prisão de um integrante da alta hierarquia da Al Quaeda em São Paulo.
- A França abre uma base naval no Estreito de Hormuz (Emirados Árabes Unidos). Este estreito fica entre o Emirados Árabes Unidos e o Irã, um dos maiores financiadores de terrorismo do mundo - inclusive do Hezbollah, grupo libanês que conta com células na tríplice fronteira do Brasil, Argentina e Paraguai. Inauguração no dia 26 de maio.
- No dia 27 de maio um avião da Air France teve que ser evacuado, na Argentina, após uma ligação anônima informando que haveria uma bomba à bordo.
- O avião da Air France, voo 447 (Rio-Paris), desaparece de forma misteriosa, no meio do Oceano Atlântico, no fim do dia 31 de maio.
- Na lista de passageiros do Voo AF 447 há dois marroquinos e cinco libaneses.
- Segundo a revista L’Express o serviço de informação francês identificou dois nomes da lista de passageiros com ligações com o terrorismo islâmico.
- O GSI (Gabinete de Segurança Institucional) anuncia, na quarta feira (10 de junho), a criação de um núcleo para prevenir e combater possíveis atividades terroristas no país - o “Núcleo do Centro de Coordenação das Atividades de Prevenção e Combate ao Terrorismo”.
Descartar a hipótese de terrorismo no voo 447 porque nenhum grupo assumiu a autoria do ataque é um argumento de quem nunca estudou profundamente o assunto. Um dos fortes indícios seria a ausência de qualquer comunicação do piloto com as torres (fato extremamente incomum em acidentes aéreos).
Acredito que podemos estar enfrentando uma nova característica do terrorismo - a não autoria explicitamente reivindicada dos ataques. Usando a Dúvida como arma de grande efetividade nos questionaremos a cada desastre se foi um mero acidente ou um ataque terrorista.
A baixa segurança nos aeroportos brasileiros e ausência de informação e prevenção do governo neste tipo de assunto pode estar sendo usada por grupos para o planejamento, financiamento e execução de terrorismo, principalmente da vertente islâmica.
Antonio,
Parabéns pelo seu trabalho. Tenho acompanhado-o desde 2007… o tempo passa rápido !
Gosto quando vc persiste num assunto importante, quando todos o esquecem.
Quando vc puder, gostaria de uma abordagem sobre o transporte ferroviário.
Trabalhei na Philips, aqui em Curitiba, nos anos 70 e era encarregado por umas revistas que vinham em espanhol, impressas na Europa.
Ali tive contato com o transporte de trens e sentia-me frustrado pela realidade brasileira, ainda mais sabendo que nossos líderes, políticos e empresariais, viajam à Europa e conhecem o sistema, porém não dão espaço e permitem que o lobby das montadoras continue predominando.
Um grande abraço e continue firme!
Luiz Carlos Catossi, de Curitiba
Caro Luiz,
Muito obrigado pela leitura e fidelidade ao blog De Paris.
Tem sido um prazer receber seus comentários. Tratamos com frequencia do acidente com o AF 447 (228 vítimas e investigação oficial inconclusiva) e da compra dos Rafale (5,5 bilhões de euros e anúncio antecipado do resultado da licitação) porque são questões incontornáveis, mas já escrevemos aqui sobre o avanço do TGV francês, por exemplo. E vamos abordar o setor ferroviário europeu sempre que o assunto merecer destaque.
De Paris, um abraço
Antonio Ribeiro
Quero parebenizar não só ao Antonio, mas também a todos que enriquecem este blog com informações plausíveis. É muito gratificante expor sua opinião e ter vários pontos de vista, principalmente de pessoas que estão comprometidas com a verdade. Sinceramente, eu ainda não havia pensado sobre a hipótese de terrorismo, apesar de achar que ainda é algo longe de nossa realidade. No entanto, as informações que nosso amigo Thiago Didier nos entrega são de extrema importância e não devem passar em branco. Mas creio que, não passou realmente de uma fatalidade, que têm de ser explicada. A todos um abraço!
Antonio,
Lamento pelos pilotos da Air France. Viajei diversas vezes com a Air France e como já comentei aqui, meses antes do acidente, no mesmo vôo Rio-Paris, houve forte turbulência na região onde ocorreu o acidente. Os pilotos conseguiram administrar a situacão com habilidade. O pouso em Paris compensou o desgaste. Houve até aplausos.