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Aumenta a tensão entre Air France e seus pilotos

terça-feira, 27 de outubro de 2009 | 7:50

afxpilotos

Tic tac tic tac tic tac. O ponteiro mais curto deu mais de 3.552 voltas na circunferência desde que o Airbus 330 do voo AF 447 desapareceu dos radares  sobre o Oceano Atlântico, a 960 quilômetros da costa brasileira, na rota entre  Rio e Paris. Nenhuma autoridade responsável pela aviação civil explicou aos parentes das 228 vítimas porque a tragédia aconteceu. O maior acidente da história da Air France deixou um legado de dor e tristeza, aumentou o receio de embarcar em aviões e encetou uma guerra no interior da companhia aérea entre a direção e os pilotos.

Em um memorando interno do dia 20 de outubro endereçado a todas  as tripulações de cabine. A Air France recomendou mais rigor nos procedimentos básicos de segurança e advertiu que as críticas à companhia e “falsos debates” sobre a segurança devem cessar. Pierre-Marie Gautron, chefe das operações da Air France, e Etienne Lichtenberger, chefe de segurança, autores do documento, afirmam: “Não há necessidade de modificar os procedimentos, nem de criar novos.”

Os pilotos dizem ter perdido a confiança na direção da empresa, sugerem que a Air France manobra transformá-los em bodes expiatórios diante da própria incapacidade para manter a segurança dos vôos devido a economia de custos. “O memorando é inaceitável”, diz Erick Derivry, porta-voz da SNPL, o maior sindicato de pilotos da Air France. A maior empresa aérea da França lembra que as causas do acidente com o AF 447 ainda são desconhecidas. Os sindicatos dos pilotos crêem que a Air France prepara o terreno para declarar que a causa da tragédia do AF 447 foi erro humano.

Por Antonio Ribeiro

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7 comentários em “Aumenta a tensão entre Air France e seus pilotos”

  1. Alexandre Braga disse:

    Estamos, infelizmente, diante de algo jamais visto. Um acidente acontece, e simplesmente querem nos deixar a imagem de algo que “já aconteceu, não tem mais volta, os motivos e circunstâncias pelas quais o incidente ocorreu, não interessam mais. Acabou!”
    Pelo menos é isso que o desenrolar desta história está desenhando. Só se esqueceram de uma coisa : hoje nós, estamos mais interessados do que nunca. Mesmo que nos dissessem as causas do acidente, almejaríamos escutar mais e mais. Não é discutir quem têm culpa no cartório, a Air France ou os tubos Pitot. Deve-se lembrar que existiam 228 vítimas dentro daquela aeronave. Mas o que são 228 vidas perto da maior empresa aérea da França, não é? Será que vale arriscar a sposição no mercado da aviação civil por 228 vidas? Pensemos nisso. Quanto estamos valendo hoje?

  2. Magda Iolovitch disse:

    Obrigada por continuar tratando deste assunto, tão importante, e do qual não se fala mais no Brasil. É preciso saber as causas efetivas do acidente. Economia de custos? Pelo que se observa no setor, não duvido

  3. Tiago Didier disse:

    Eu ainda aposto no palpite de um ataque terrorista que eles querem abafar.
    seqüência de fatos:

    - É anunciado, no dia 26 de Maio, a prisão de um integrante da alta hierarquia da Al Quaeda em São Paulo.

    - A França abre uma base naval no Estreito de Hormuz (Emirados Árabes Unidos). Este estreito fica entre o Emirados Árabes Unidos e o Irã, um dos maiores financiadores de terrorismo do mundo - inclusive do Hezbollah, grupo libanês que conta com células na tríplice fronteira do Brasil, Argentina e Paraguai. Inauguração no dia 26 de maio.

    - No dia 27 de maio um avião da Air France teve que ser evacuado, na Argentina, após uma ligação anônima informando que haveria uma bomba à bordo.

    - O avião da Air France, voo 447 (Rio-Paris), desaparece de forma misteriosa, no meio do Oceano Atlântico, no fim do dia 31 de maio.

    - Na lista de passageiros do Voo AF 447 há dois marroquinos e cinco libaneses.

    - Segundo a revista L’Express o serviço de informação francês identificou dois nomes da lista de passageiros com ligações com o terrorismo islâmico.

    - O GSI (Gabinete de Segurança Institucional) anuncia, na quarta feira (10 de junho), a criação de um núcleo para prevenir e combater possíveis atividades terroristas no país - o “Núcleo do Centro de Coordenação das Atividades de Prevenção e Combate ao Terrorismo”.

    Descartar a hipótese de terrorismo no voo 447 porque nenhum grupo assumiu a autoria do ataque é um argumento de quem nunca estudou profundamente o assunto. Um dos fortes indícios seria a ausência de qualquer comunicação do piloto com as torres (fato extremamente incomum em acidentes aéreos).

    Acredito que podemos estar enfrentando uma nova característica do terrorismo - a não autoria explicitamente reivindicada dos ataques. Usando a Dúvida como arma de grande efetividade nos questionaremos a cada desastre se foi um mero acidente ou um ataque terrorista.

    A baixa segurança nos aeroportos brasileiros e ausência de informação e prevenção do governo neste tipo de assunto pode estar sendo usada por grupos para o planejamento, financiamento e execução de terrorismo, principalmente da vertente islâmica.

  4. Antonio,

    Parabéns pelo seu trabalho. Tenho acompanhado-o desde 2007… o tempo passa rápido !

    Gosto quando vc persiste num assunto importante, quando todos o esquecem.
    Quando vc puder, gostaria de uma abordagem sobre o transporte ferroviário.
    Trabalhei na Philips, aqui em Curitiba, nos anos 70 e era encarregado por umas revistas que vinham em espanhol, impressas na Europa.

    Ali tive contato com o transporte de trens e sentia-me frustrado pela realidade brasileira, ainda mais sabendo que nossos líderes, políticos e empresariais, viajam à Europa e conhecem o sistema, porém não dão espaço e permitem que o lobby das montadoras continue predominando.

    Um grande abraço e continue firme!

    Luiz Carlos Catossi, de Curitiba

  5. Caro Luiz,

    Muito obrigado pela leitura e fidelidade ao blog De Paris.

    Tem sido um prazer receber seus comentários. Tratamos com frequencia do acidente com o AF 447 (228 vítimas e investigação oficial inconclusiva) e da compra dos Rafale (5,5 bilhões de euros e anúncio antecipado do resultado da licitação) porque são questões incontornáveis, mas já escrevemos aqui sobre o avanço do TGV francês, por exemplo. E vamos abordar o setor ferroviário europeu sempre que o assunto merecer destaque.

    De Paris, um abraço

    Antonio Ribeiro

  6. Alexandre Braga disse:

    Quero parebenizar não só ao Antonio, mas também a todos que enriquecem este blog com informações plausíveis. É muito gratificante expor sua opinião e ter vários pontos de vista, principalmente de pessoas que estão comprometidas com a verdade. Sinceramente, eu ainda não havia pensado sobre a hipótese de terrorismo, apesar de achar que ainda é algo longe de nossa realidade. No entanto, as informações que nosso amigo Thiago Didier nos entrega são de extrema importância e não devem passar em branco. Mas creio que, não passou realmente de uma fatalidade, que têm de ser explicada. A todos um abraço!

  7. Anouk disse:

    Antonio,

    Lamento pelos pilotos da Air France. Viajei diversas vezes com a Air France e como já comentei aqui, meses antes do acidente, no mesmo vôo Rio-Paris, houve forte turbulência na região onde ocorreu o acidente. Os pilotos conseguiram administrar a situacão com habilidade. O pouso em Paris compensou o desgaste. Houve até aplausos.

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