07/05/2012
às 8:40 \ FrançaMonsieur Normal: “A França não é um país qualquer”
Apreciado o tamanho da multidão que ocupou a Praça da Bastilha em Paris após a vitória de François Hollande, constata-se fácil, ela esteve à altura para comemorar a volta dos socialistas, ausentes da Presidência da França durante 17 anos. A julgar pela efervescência – lembrou a conquista do campeonato mundial de futebol em 1998 – o momento pode se matricular como mais uma tomada de um lugar repleto de simbolismos para os nativos e povos alhures. Isso antes do protagonista da noite subir ao palco. Quando Hollande começou a falar, a razão ficou mais evidente. Tratava-se, acima de tudo, da derrota de Nicolas Sarkozy.
Observadores mais atentos, menos apaixonados, esperançosos de que o momento histórico pudesse encontrar seu par, suspeitaram de que, finalmente, era chegada a hora. O candidato inodoro e insípido, eleito à Presidente da República iria aproveitar o seu melhor instante até aqui para receber quem sabe, o espírito de grandeza de um Charles de Gaulle ou algo da retórica apurada de um François Mitterrand ou buscar na rica literatura dos seus compatriotas alguma inspiração arrebatadora. Definitivamente, o estilo flamante não é o de François Hollande. O mais próximo da arte de bem falar que se pode pinçar no discurso do novo presidente foi o seguinte: “Meço a honra que foi me concedida e a tarefa que me espera.”
A eloquência e o carisma não são traços indispensáveis na liga que forja grandes homens. Muitas vezes, elas ajudam camuflar até a mediocridade. As boas idéias e os grandes feitos acabam por sobrepor as belas palavras e repetição de princípios nobres que não encontram lastro na ação. Enquanto Nicolas Sarkozy, segundo ele próprio, prepara sua partida da vida pública, de braços dados com Carla Bruni, Hollande acordou abraçado com a França real. Um país com índices econômicos aos frangalhos, povoado por indivíduos, nativos e adotados, a procura de um senso de identidade comum que lhes possa trazer, não os tempos gloriosos, mas simplesmente a idéia de nação e a perspectiva perdida da prosperidade.
Além do reconhecimento e da lucidez, Hollande deixou entender que deseja exportar a idéia do fim da austeridade e a inserção de uma dimensão de crescimento no plano de salvação da Zona do Euro. Seria bonito se uma coisa não tivesse estreita ligação com a outra. Seria mais crível se as armas não fossem o decreto e pressão baseada na força dos votos de um país entre os 25 que assinaram um pacto. A França “não é um pais qualquer”, como bem diz Hollande, mas não tem força significativa sozinha, sem que seja parte completamente engajada no projeto europeu. Isso passa forçosamente pela estreita parceria com a vizinha Alemanha. Está é a normalidade. François Hollande, o “Monsieur Normal”, irá se enfronhar completamente a partir do dia 15 maio, data da sua posse. Normal em qualquer país.
Tags: Alemanha, Carla Bruni, Charles de Gaulle, França, François Hollande, François Mitterrand, Monsieur Normal, Nicolas Sarkozy, União Européia, Zopna do Euro


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