Educados para vencer
Inspirada no ideário boleiro do catalão Pepe Guardiola, ex-treinador do Barcelona, uma geração talentosa de jogadores espanhóis sob comando do discreto e competente Vicente Del Bosque venceu a Eurocopa 2012, o campeonato de futebol de melhor qualidade técnica das ultimas três décadas. É o terceiro capítulo de epopéia “elcidiana” iniciada há quatro anos com as conquistas da Eurocopa de 2008 e da Copa do Mundo na África do Sul, em 2010.
A vitória de La Roja trouxe a volta de estratégia quase em desuso entre a liga das nações no mundo da bola. A busca permanente do gol, o futebol prioritariamente ofensivo, ainda que, por vezes, sem precisar sequer um atacante fixo. O resiliente plano tático passa pela frequente posse de bola através da obsessiva troca de passes precisos colocando o inimigo na roda. A cadência do “Tika-Taka” é tão repetitiva que alguns chegam a sentir monotonia. Até no plano defensivo o esquema é de ataque. Os jogadores espanhóis começam o combate para ganhar a bola já no campo adversário com, no mínimo, três elementos realizando o cerco.
Evidente que o bem jogar futebol não mudou em nada desde os primórdios. Ele é, sobretudo, um dom natural vindo da gestação materna. Os campinhos, a rua, as peladas entre a molecada, ainda continuam sendo o maior celeiro de craques. Mas a conquista ibérica realçou um novo aspecto do futebol moderno. Nunca a importância da escolinha, a preparação de base, teve tanta influência para formatar os futuros vencedores. La Masia, a academia de futebol do Barcelona para jovens talentos é o expoente máximo. Guardiola sustenta que o futebol é um “aprendizado.” Iker Casillas, capitão e goleiro da Fúria, confirma: “Fomos educados para vencer”.
Para arrematar. Doravante, os espanhóis dizem que são melhores que a Seleção de 70. Qual o problema? Inércia da euforia. Maradona também afirma que foi melhor que Pelé. E daí? Dizer não é ser. No lugar de ficar com o orgulho ferido e ir refugiar-se na última trincheira dos idiotas, o nacionalismo. Seria melhor o futebol brasileiro montar uma seleção para ganhar dos espanhóis. E pronto. A melhor resposta à derrota é a vitória.
Cesare Prandelli, o treinador italiano, conseguiu operar em apenas dois anos uma revolução que forçou admiração. Fez da Itália, o segundo colocado com muito brilho da Eurocopa, time ofensivo em cima de uma das mais tradicionais mentalidades defensivas. É bom exemplo para Mano Menezes. Ele tem o mesmo tempo até a Copa de 2014 para trazer o futebol brasileiro de volta a origem, a busca permanente e prioritária do que conta no fim do jogo, o gol.
Tags: Cesare Prandelli, Copa do Mundo, Espanha, Eurocopa, Iker Cassillas, Mano Menezes, Pepe Guardiola, Tika-Taka, Vicente Del Bosque


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