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R9

09/03/2012

às 11:56 \ Europa

Os pés pelas mãos

Resumo da ópera: o “chute no traseiro” ficou mesmo com o seu significado original. Quer dizer, “mãos à obra”. O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, aceitou as desculpas da FIFA pela grosseria do secretário-geral da entidade, Jérôme Valcke. Justiça seja feita, o francês errou na forma, mas acertou em cheio no conteúdo. Em sua defesa, jogaram até  a dupla Romário e Ronaldo. O “craque casca grossa” encontrou uma espécie de alter ego além mar enquanto R9, se posicionou de líbero, atrás do amigo Ricardo Teixeira. (O presidente licenciado da CBF é amigo de Valcke. Ambos são desafetos de Joseph Blatter, o presidente da FIFA que será recebido para conversar com Dilma Rousseff, a presidente que não dirige palavra a Teixeira.) Contudo, reações de orgulho ferido devido ao comentário de Valcke configuraram ampla maioria. Mas não é só no universo da bola que a linguagem inábil anda causando pendengas desnecessárias entre mundos diferentes.

Desta vez, ela chegou de onde menos se espera. Natural, diriam alguns. Mal sinal, digo eu. A União Européia (UE) gastou 127.000 euros para criar uma campanha que tenta estimular entre os jovens o sentimento unitário do Velho Continente, mergulhado na mais profunda crise econômica desde a Segunda Guerra Mundial. Inspirado no filme “Kill Bill”, de Quentin Tarantino, o vídeo mostra uma mulher  vestida de traje esportivo amarelo como a cor das 27 estrelas que representam os países do bloco. Ela confronta três figuras, no mínimo, mais exóticas: lutadores de kung fu, capoeira e kalaripayattu. Eles simbolizam, na ordem, China, Brasil e Índia, países emergentes que compõe o BRIC, as economias que trouxeram nível de competição economicamente sem precedentes com a UE.

Acusada de conter mensagem « racista », a peça promocional foi retirada do ar nos veículos de massa pela UE. Foi formulado um novo pedido de desculpas.  Peter Stano, porta-voz da UE, justificou assim : “O vídeo começa com demonstração de habilidade e termina com os protagonistas mostrando seu respeito mútuo, em atitude de paz e harmonia.” A velha retórica do “nós contra eles” já foi usada à exaustão com fins políticos para sedimentar união e afastar divergências internas diante da ameaça exterior. Em economia,  no entanto, a busca de parcerias com os diferentes tem resultados bem mais eficazes. Neste sentido, a nova publicidade do joalheiro Cartier – colocamos aqui no  Blog de Paris para ilustrar o post “Sonho e realidade” – é muito mais inteligente. Ela assume a máxima que sustenta as adversidades como oportunidades. Trata os nacionais do BRIC como clientes em potencial. Show de bola.

Descubra aqui onde se come “O melhor filé com fritas de Paris” e também a dica dos vinhos para acompanhar o prato popularíssmo na França.

Por Antonio Ribeiro

 

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