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Nelsinho Piquet

25/09/2009

às 12:50 \ Fórmula 1

Deja vu? Não, agora é urucubaca.

No mesmo lugar da tramoia, o Renault acidentado menos os patrocínios do ING e Mutua.

No mesmo lugar da tramoia, o Renault acidentado menos os patrocínios do ING e Mutua.

Extraordinária coincidência. Durante os treinos classificatórios do Grande Prêmio de Singapura, o piloto da Renault, Romain Grosjean, bateu exatamente no mesmo lugar do acidente premeditado de Nelsinho Piquet, em 2008.

Quando os organizadores da corrida anunciaram o acidente, os mecânicos da Renault riram achando que fosse piada. Grosjean que saiu ileso do acidente não achou graça, comunicou por radio ao comando da equipe: “Desculpem, eu perdi o controle do carro.” Seu companheiro de equipe Fernando Alonso, também na pista e que terminou os  treinos em segundo lugar,  depois de ser informado, perguntou  incrédulo: “Sério, naquela curva?”

Os treinos foram suspensos por 10 minutos, até a retirada do carro. Ontem, o grupo financeiro holandês ING e a seguradora espanhola Mutua Madrilena, retiram o patrocínio da Renault devido as condenações da Federação Internacional de Automobilismo.

Por Antonio Ribeiro

24/09/2009

às 5:48 \ Fórmula 1

Symonds: “A idéia da tramóia foi de Nelsinho”

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Punido pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA) com suspensão de 5 anos, o ex-engenheiro chefe da ING Renaul F1 Team, Pat Symonds, diz agora que o mentor da trapaça no GP de Singapura 2008 foi Nelsinho Piquet. “Foi a mim que o Nelson Piquet Jr. fez a sugestão pela primeira vez, eu deveria ter recusado imediatamente, mas para o meu eterno arrependimento e vergonha não fiz isso”, lamentou Symonds. O inglês disse que Nelsinho apresentou a proposta como tentativa de compensar os maus resultados.

A misteriosa “Testemunha X” que prestou depoimento debaixo do manto do segredo à FIA sobre o caso do acidente premeditado, disse que Nelsinho vendeu a idéia da tramóia no dia 27 de setembro de 2008, após os treinos classificatórios do GP de Singapura. Ainda segundo a “Testemunha X”, Symonds levou o plano para Flavio Briatote. A partir do sinal verde do ex-chefe da equipe, colocaram a fraude em prática. Além de Nelsinho, Symonds e Briatore, ninguém mais teve conhecimento da trama.

Por Antonio Ribeiro

23/09/2009

às 4:49 \ Fórmula 1

Testemunha X

testemunha-x

Você pode escutar aqui e aqui a gravação em inglês da reunião diciplinária do Conselho do Esporte a Motor, na sede da Federeração Internacional de Automobilismo (FIA), em Paris, que baniu Flavio Briatore da Formula 1, suspendeu Pat Symonds por 5 anos e teve clemência com a Renault – a escuderia recebeu pena de 2 anos com condicional. Descobre-se pela gravação que além da delação premiada de Nelsinho Piquet, a declaração de quem FIA, misteriosamente, chama de “Testemunha X”, foi capital para a confirmação da trapaça no GP de Singapura 2008.

O primeiro aquivo sonoro tem 77’56 minutos e o segundo,  7’10.

Por Antonio Ribeiro

21/09/2009

às 9:37 \ Fórmula 1

Briatore excluído do automobilismo para sempre

Paris: Nelsinho Piquet deixa a sede da FIA livre de condenação e sem futuro na F!

Paris: Nelsinho Piquet deixa a sede da FIA livre de condenação e sem futuro na F1

A Federação Mundial de Automobilismo (FIA) excluiu para sempre da Fórmula 1 o ex-chefe da equipe Renault, Flavio Briatore. O engenheiro chefe Pat Symonds foi condenado a 5 anos de exclusão. A Renault recebeu uma pena mais clemente: 2 anos com condicional. A sentença suspensiva significa que escuderia pode continuar na Fórmula 1, mas qualquer nova infração grave provocará expulsão imediata. Nelsinho Piquet beneficiou-se da delação premiada e não foi penalizado — é o futuro do piloto que está condenado. No mundo corporativo da Fórmula 1, nenhuma escuderia arrisca empregar piloto que quando é demitido, lava roupa suja em público

No final da reunião diciplinária do Conselho do Esporte a Motor, WMSC na sigla em inglês, na sede da FIA, em Paris, Nelsinho Piquet declarou o seguinte: “Eu me arrependo amargamente por minha atitude de seguir a ordem que recebi. Penso todo dia que não deveria ter feito isso. Não sei o quanto minha explicação fará as pessoas entenderem que ser um piloto é um privilégio, e foi para mim. Só o que posso dizer é que minha situação na Renault virou um pesadelo” O piloto afirmou ter aprendido lições duras nos últimos 12 meses e ter reconsiderado o que é importante na vida. “Mas nada abalou meu amor pela Formula 1 e a fome de correr novamente,” completou o piloto de 24 anos.

A FIA considerou que o piloto Fernando Alonso não esteve “em nenhum momento” envolvido no Crashgate. O presidente da ING Renault F1 Team, Bernard Rey, reconheceu a responsabilidade na trapaça durante o GP de Singapura 2008, pediu desculpas ao “mundo da Fórmula 1″ e disse esperar dias melhores no futuro. Max Mosley, presidente da FIA, afirmou que a federação “eliminou os responsáveis.”

A condenação de Briatore o impede também de continuar gerenciando as carreiras dos pilotos Fernando Alonso, Mark Webber, Heikki Kovalainen e Romain Grosjean. Mas não só. É quase certo que o italiano seja suspenso também do futebol britânico. Desde 2007, Briatore é proprietário junto com Bernie Ecclestone e Lakshmi Mittal, o quarto homem mais rico do mundo, da equipe Queens Park Rangers. O regulamento do futebol inglês prêve a expulsão imediata de um membro quando ele é condenado em outras instâncias esportivas.

Por Antonio Ribeiro

20/09/2009

às 13:25 \ Fórmula 1

No ar, um diálogo edificante

Susto: Galvão, Leme e Alonso

Susto: Galvão, Leme e Alonso

Durante trasmissão pela TV Globo do Grande Prêmio da Bélgica 2009, o jornalista Reginaldo Leme afirmou que Flavio Briatore, ex-chefe da ING Renault F1 Team, havia tramado o acidente de Nelsinho Piquet no GP de Singapura 2008 para beneficiar o piloto Fernando Alonso. O apresentador Galvão Bueno duvidou da informação e preveniu o companheiro de eventual processo.

Reginaldo Leme: Muita coisa ruim deve vir a tona nos próximos dias. Essa é uma delas.

Galvão Bueno: Peraí, você está querendo me dizer que o Nelsinho bateu o carro de propósito? Não pode ser. O Nelsão, o Nelsinho devem estar ouvindo a transmissão. Isso não é possível.

Galvão Bueno: Quem espalhar essa notícia vai levar um tremendo processo. Isso vai dar uma confusão, eu nunca ouvi uma história tão escabrosa na história da Fórmula 1.

A direção da transmissão, na sede da emissora no Rio de Janeiro, ordenou que dois encerrassem o assunto.

Informação boa, a verdade, pode não comover ou animar, mas, geralmente, não dá processo. Quando dá, ganha. Não se pode dizer o mesmo da censura.

Por Antonio Ribeiro

20/09/2009

às 10:35 \ Fórmula 1

Piquet pai sabia da trapaça

Piquet: piloto com Briatore e pai com Nelsinho

Piquet: piloto com Briatore e pai com Nelsinho

Desde o Grande Prêmio do Brasil 2008, no mínimo, o tricampeão mundial de Fórmula 1, Nelson Piquet, sabia que o acidente de seu filho, no Grande Prêmio de Singapura 2008, tinha sido tramóia premeditada para beneficiar o piloto Fernando Alonso. Na época, Piquet confidenciou a informação secreta a seu colega dos tempos da escuderia Brabham, Charlie Whiting, atual diretor de corrida da Federação Internacional de Automobilismo (FIA).

“Quando soube o que aconteceu em Singapura, eu não pude acreditar,” lamentou Piquet. “No Brasil, contei toda a história ao Charlie.” Durante a conversa, o pai de Nelson Ângelo Piquet perguntou a Whiting: “O que acontecerá com Nelsinho se eu revelar a história?” No depoimento escrito à FIA, obtido pelo jornal inglês Daily Mirror, Piquet confessou seu dilema: “Eu estava com medo de prejudicar a carreira do meu filho.” O tricampeão só revelou a manipulação depois que Nelsinho foi demitido da Renault pelo ex-chefe da equipe Flavio Briatore.

Amanhã, 21 de setembro, às 5h30 da madrugada (horário do Brasil), em reunião extraordinária do Conselho do Esporte a Motor, na sede da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), em Paris, serão julgados os envolvidos no que está sendo chamado de “Crashgate”. A Renault já demitiu Flavio Briatore e Pat Symonds, o engenheiro chefe, e não planeja contestar as acusações. A admissão antecipada de que houve tramóia é uma tentativa de amenizar eventuais sanções à escuderia. Ainda que pouco provável, a pena máxima é a expulsão da Formula 1. A previsão é que a Renault receba uma multa pesada. O recorde pertence a McLaren, 100 milhões de dólares, punição por “posse ilegal” de documentos e informações confidenciais da Ferrari em 2007.

O finlandês Ari Vatanen, candidato a sucessão de Max Mosley, presidente da FIA, acha que embora beneficiado pela declaração premiada, Nelsinho Piquet deveria receber punição. “O sistema de imunidade é muito perigoso, as pessoas devem responder por seus atos, a decisão final de bater ou não bater era dele [Nelsinho], não pode fugir dessa responsabilidade.” Vartanen não sugeriu o tipo de punição, mas lembrou: “Ele [Nelsinho] só revelou a história depois da sua demissão.”

A FIA intimou o piloto asturiano Fernando Alonso a comparecer ou enviar um representante legal à reunião.

Atualização: Em entrevista ao jornalista Reginaldo Leme da TV Globo, Nelson Piquet Souto Maior afirma que soube da trapaça dois dias depois do ocorrido. Ainda segundo Piquet, ele teria rompido relações com o filho. A situação durou dois meses. Isso teria sido motivo da ausência de Piquet pai no GP do Japão 2008.

Por Antonio Ribeiro

12/09/2009

às 14:28 \ Fórmula 1

Renault, os pés pelas mãos

telemetria

A telemetria do bólido de Nelson Ângelo Piquet no Grande Prêmio de Singapura 2008 corrobora com o depoimento mais calamitoso da história do automobilismo – a admissão  que o  acidente  do ex-piloto da Renault foi proposital e premeditado. Os dados do gráfico mostram que o piloto brasileiro rodava em velocidade constante quando, subitamente, pisou fundo no pedal do acelerador, aumentando o movimento do carro ao máximo. Em seguida, o Renault sofreu breve desaceleração para novamente acelerar violentamente – as rodas giraram sem aderência na pista – até colidir contra o muro.

A eletrônica acaba de lançar uma pá de cal na carreira do jovem Piquet. Mas não só. Ela antecipa, por lógica inapelável, a responsabilidade do comando da equipe ING Renault Formula One. A  escuderia será julgada em reunião extraordinária do Conselho do Esporte a Motor, na sede da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), em Paris no dia 21 de setembro. Por que? Nenhum piloto, salvo em completo estado de demência, tomaria a decisão autônoma de provocar deliberadamente  acidente cujo principal prejudicado seria ele mesmo, isso enquando luta desesperadamente para permanecer na equipe.

O mundo autista da Formula 1, onde o certo e o errado  passaram a ocupar posições variáveis, formulou mais uma estratégia arriscada esta semana. Desta vez, fora das pistas. A Renault decidiu apoiar, incondicionalmente, seu chefe de equipe Flavio Briatore. O italiano sustenta, altivo, a declaração de Nelsinho Piquet como difamação pessoal e a escuderia, uma velha chantagem da família Piquet para garantir o lugar do piloto brasileiro no cockpit da Renault. E vai mais longe. Ou melhor, mais baixo. Briatore sugere ter salvo Nelsinho, a pedido do pai,  de uma relação homossexual em Oxford —  ofensa pesada entre os jóqueis do asfalto.

A decisão da Renault SA de proteger Briatore atrelou o destino dele ao braço da sua subsidiária no automobilismo. Doravante se Briatore for condenado, a Renault sofrerá conseqüências que podem ir até  a expulsão da Formula 1 – a responsabilidade coletiva é um dos pilares da FIA. Mas a direção da Renault parte do pressuposto de que a FIA, por razões comercias, não a quer fora da competição, assim julga possuir, por extensão, salvaguarda para Briatore.  O safety car terá que entrar, desta vez, em uma elegante sala de reuniões do Automóvel Clube, na Praça da Concordia, em Paris.

Os advogados da Renault, em comunicado, dizem que iniciaram um processo criminal contra os Piquet, pai e filho. Lorota deslavada. A lei francesa não permite que um indivíduo ou empresa “inicie” processo criminal. O que pode ser feito é alegar junto ao Procureur de la Republique a existência de um crime. Se achar que existe substância na acusação, o Procureur ordena uma investigação policial. Gesto seguinte, ele analisa o resultado do inquérito e decide se há interesse público para abrir  o processo judicial. Ainda se está bem longe disso.

Por Antonio Ribeiro

03/09/2009

às 13:39 \ Fórmula 1

Tcham tcham tcham, fuego muy amigo.

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Se a mola desprendida do carro de Rubens Barichello tirou Felipe Massa das pistas de Formula 1, a batida de Nelsinho Piquet, no Grande Prêmio de Cingapura 2008, afastou o título do piloto da Ferrari. A primeira ação foi involuntária. A segunda, a empresa londrina Quest, sob encomenda da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), realiza investigação, mais aprofundada do que se supunha inicialmente, para saber se foi trama premeditada.

Seja qual for o resultado da investigação, o futuro de Nelsinho Piquet na Formula 1 é sombrio. Salvo na imprensa umbilicalmente dependente da presença de brasileiros nos circuitos, a percepção generalizada não se sustenta apenas nas declarações de Bernie Ecclestone — ainda que o “Barão do Paddock” conheça melhor os traçados da Fórmula 1 que as linhas das mãos. O vaticínio baseia-se em inapelável evidência. Muito pouco provável achar uma escuderia disposta a dar emprego para um piloto desleal, se não com o automobilismo, mas certamente com o ex-patrão.

Inconformado e irado com sua demissão por não cumprir cláusula contratual – obter 20% dos resultados de Fernando Alonso – Nelsinho saiu da Renault  de forma deselegante. Melhor dizendo, chutando o pau da barraca. Chamou Briatore de “meu carrasco” e acusou o italiano de  entender nada de Fórmula 1. Agora, emerge a suspeita de que teria sido cúmplice de uma manobra que colocou em risco sua vida, a dos colegas, dos comissários de pista e do público. Isto na pista. Fora dela, o estrago pode ser mais amplo.

Se ficar provado que houve armação, a Renault e o seu chefe de equipe Flavio Briatore serão banidos da Formula 1. A empresa francesa terá que se contentar com, no máximo, fabricar motores para outras equipes. Já não é a primeira vez que a dupla Briatore e Renault se mete em encrenca. Em 1994, na época em que a equipe estampava o nome Benetton, a FIA fez vista grossa com a retirada ilegal de um filtro do sistema de abastecimento dos carros para torná-los mais leves – infração admitida pelos culpados.

Há quem evidencie a dificuldade de colher provas da eventual manipulação  acidente noturno nas ruas de Cingapura. Seria necessário nítida gravação da ordem “Bata agora, Nelson!” ou a confissão de alguém dentro da equipe Renault, dizem eles. Algo equivalente ao erro na aritmética de um aluno do primário. A expectativa coloca a equipe da londrina Quest, comandada pelo lorde Stevens de Kirkwhelpington, ex-comissário chefe da Scoland Yard e conselheiro de segurança de Gordon Brown, em patamar bem  inferior aos enigmas decifrados com sucesso. Sir John Stevens investigou a morte da princesa Diana e casos de corrupção no futeblo britânico.

A Formula 1 é um pouco mais complexa do que os desfiles carnavalescos, embora admita-se que recursos para apresenta-la tal qual, possa despertar  sonolentos aos domingos. Mas para persuadir quem raciocina,  pensa, é necessário mais de substância. Os investigadores da Quest vão analisar, por exemplo, a telemetria do carro de Nelsinho. Ela revela tanto ou mais, pela associação com as imagens do acidente, que uma caixa-preta de avião acidentado.

Sabe-se que Alonso largou com combustível suficiente  para completar apenas 12 voltas. Sem a entrada do safety car, era praticamente impossível, terminar a corrida como vencedor. Qual era o contexto? A equipe Renault e Alonso não tinham ganho nenhuma prova desde o inicio da temporada. O presidente da Renault, Carlos Ghosn, ameaçava interromper a participação da empresa na Fórmula 1, devido ao alto custo sem resultado compensatório.

A vitória da Renault em um GP na Ásia, mercado automobilístico onde a empresa francesa disputa seu futuro, tinha uma simbologia muito além do mundo esportivo. É inegável, a Renault Formula One desembarcou em Cingapura com a pressão do mote pó de arroz: “Vencer ou vencer”. Depois da corrida, Felipe Massa,  líder da prova até a entrada do safety car,  foi se dar com Briatore. Ele teria feito saber ao italiano que o acidente do compatriota Nelsinho foi fraude. Este tipo de inteligência não escapa da Quest.

O que doutos em Formula 1 no Brasil não atentaram, ou propositalmente colocaram no terreno do indizível, é que a investigação encomendada pela FIA tem implicações muito mais sérias. A maior competição mundial sob quatro rodas tornou-se um cassino, onde uma enorme quantidade de apostadores investem uma dinheirama. Os resultados manipulados são passíveis de ações na justiça comum que podem desaguar em condenações criminais.

Atualização: A FIA convocou a Renault para depor em conselho extraordinário em Paris dia 21 de setembro. Os diretores da Renault responder sobre a acusação de “conspirar com o piloto Nelson Angelo Piquet para causar deliberadamente um acidente no GP Cingapura 2008 com objetivo de provocar a entrada do safety car beneficiando a seu piloto Fernando Alonso.” A Renault emitiu nota dizendo que não se manifestará até o data do encontro.

Por Antonio Ribeiro

31/08/2009

às 8:32 \ Fórmula 1

O risco de perder também a moral

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Parece prova de Fórmula 1 sob chuva torrencial. Primeiro, a pouca visibilidade do comunicado da Federação Internacional de Automobilismo. A FIA confirma que “está em curso uma investigação sobre eventuais fatos ocorridos no passado.” Contudo, muitos sabem do perigo à frente. Trata-se da acusação de que na 14º volta do GP de Cingapura 2008, o piloto Nelson Angelo Piquet jogou, deliberadamente, sua Renault contra a mureta de proteção. A manobra bizarra teria sido ordenada por Flavio Briatore, chefe da escuderia franco-inglesa .

O acidente forçou a entrada do carro de segurança na pista, contribuição decisiva para a vitória do asturiano bicampeão do mundo Fernando Alonso, e na época, companheiro de equipe de Nelsinho. Em efeito, a ousada estratégia da Renault com prematura parada nos boxes exigia, ao menos, uma intervenção do safety car para alinhar Alonso com o tempo dos concorrentes. A vitória foi a primeira da escuderia e de Alonso na temporada. Depois da prova, o piloto louvou a entrada do safety car como grande fator de sorte: “Incrível, ainda não acredito que ganhamos a corrida.”

A investigação de uma empresa independente encomendada pela FIA, ainda sob o comando do admirador do nazismo Max Mosley, sucede a lorota contata pelo piloto inglês Lewis Hamilton e um diretor da escuderia McLaren-Mercedes aos comissários no Grande Prêmio da Australia, em março deste ano.

O felliniano Flavio Briatore, “capo mafioso italiano” em línguas mais ferinas e a quem Nelsinho chamou de “meu carrasco” encaixa sem sobras nem apertos nas acusações. Mas o mundo da Fórmula 1 é igual ao outro que gira a volta do Sol.  A população não está dividia entre bonzinhos e malvados. Quem cumpre ordem demente não limpa sua barra, suja ainda mais. Quer dizer que, se Nelsinho não tivesse sido demitido da Renault no dia 4 de agosto de 2009, um ano depois a revelação da eventual armação ainda estaria coberta sob manto do segredo? O piloto brasileiro cujo contrato previa a obrigação de  obter, no mínimo, 20% dos resultados de Alonso, não evitou a guerra e pode ficar também com a vergonha — a previsão de Sir Wiston Churchill.

Se não bastar o exemplo de casa – o pai Nelson Piquet Souto Maior além dos três títulos mundiais, deixou marca indelével de sua personalidade  — Nelsinho pode aproveitar a folga do desemprego para ver um filmaço de Stanley Kubrick, estrelado pelo ator americano Kirk Douglas. Glória feita de Sangue conta a história do general francês George Broulard na Primeira Guerra que ordenou ataque suicida cujo resultado foi a tragédia.

Desde que Rubens Barrichello sentou no cockpit de uma Ferrari paira acusação inédita na história dos pilotos brasileiros de Fórmula 1, a que eles concorrem para vitória dos outros. A recompensa  do favor seria a permanência nas grandes equipes. O desempenho de Felipe Massa provou que ele corre para vencer. Barrichello, ainda que não perca oportunidade para perder boa oportunidade, vem lutando para ganhar o campeonato com sua Brawn-Mercedes. Justiça seja feita, o ex-escudeiro de Michael Schumacher nunca jogou o carro na mureta para ajudar o piloto alemão subir ao pódio.

Por Antonio Ribeiro


 

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