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Lula

17/05/2010

às 21:00 \ Diplomacia

Os 10 pontos do acordo assinado pelo Irã, Brasil e Turquia:

1. Nós reafirmamos nosso compromisso relativo ao Tratado de Não Proliferação (TNP) e, em acordo com os artigos relacionados do TNP, lembramos o direito de todos os Estados membros, principalmente a República Islâmica do Irã, de desenvolver pesquisa, produzir e utilizar energia nuclear (assim como um ciclo de combustível nuclear que inclua atividades de enriquecimento) para propósitos pacíficos.

2. Nós expressamos nossa forte convicção de que agora temos a oportunidade de começar um processo que criará uma atmosfera positiva, construtiva, de não confronto, que leve a uma era de interação e cooperação.

3. Nós acreditamos que a troca de combustível nuclear é instrumental para iniciar a cooperação em diferentes áreas, especialmente no que diz respeito a uma cooperação nuclear pacífica, incluindo a construção de reatores de pesquisas e usinas nucleares.

4. Baseado neste ponto, a troca de combustível nuclear é um ponto de partida para começar a cooperação e uma medida construtiva e positiva entre as nações. Tal passo deve acabar em uma cooperação e interação positivas no campo de atividades nucleares pacíficas e em evitar todos os tipos de confrontos abstendo-se de medidas, ações e declarações retóricas que possam prejudicar os direitos do Irã e obrigações decorrentes do TNP.

5. Baseado nos itens acima, para facilitar a cooperação nuclear mencionada anteriormente, a República Islâmica do Irã aceita enviar um estoque de 1.200 kg de urânio levemente enriquecido à Turquia. Enquanto estiver na Turquia, este urânio permanecerá como propriedade do Irã. O Irã e a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) poderão acionar observadores para monitorar as condições de segurança deste estoque.

6. O Irã informará a AIEA por escrito, por canais oficiais, a respeito deste acordo em sete dias após a data desta declaração. Após uma resposta positiva do grupo de Viena (Estados Unidos, Rússia, França, AIEA), os detalhes da troca de combustível serão objeto de um acordo escrito e arranjos apropriados entre o Irã e o grupo de Viena, comprometido especificamente a fornecer os 120 quilos do combustível necessários para o reator de pesquisas de Teerã (TRR).

7. Quando o grupo de Viena declarar seu comprometimento com as condições e pontos desta declaração, ambas as partes se comprometerão com a implementação do acordo mencionado. O Irã expressou estar preparado, em acordo com a declaração, para enviar seu urânio pouco enriquecido em um mês.

8. Se as condições desta declaração não forem respeitadas, a Turquia, a pedido do Irã, se compromete a devolver sem condições e rapidamente o urânio levemente enriquecido ao Irã.

9. A Turquia e o Brasil recebem favoravelmente a disposição da República Islâmica do Irã em manter as negociações com os países do grupo 5+1 (Estados Unidos, Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha) em qualquer lugar, incluindo Turquia e Brasil, a propósito das preocupações comuns.

10. Turquia e o Brasil apreciam o compromisso do Irã com o TNP e seu papel construtivo em buscar a concretização dos direitos nucleares de seus Estados membros. A Republica Islâmica do Irã, por sua vez, aprecia os esforços construtivos dos países amigos, Turquia e Brasil, em criar um ambiente condutor para a realização dos direitos nucleares do Irã.

Manucher Mottaki, ministro dos Negócios Estrangeiros da República Islâmica do Irã

Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores da República Federativa do Brasil

Ahmet Davutoglu, ministro dos Negócios Estrangeiros da República da Turquia

Por Antonio Ribeiro

17/05/2010

às 20:45 \ Diplomacia

Como se enriquece o urânio para a arma nuclear

Por Antonio Ribeiro

12/04/2010

às 7:32 \ Oriente Médio

Iranianias resistem Ahmadinejad com charme e beleza

Se a internet tornou-se arma poderosa da população iraniana como forma de resistência ao regime totalitário de Mahmoud Ahmadinejad, vem do país a ser visitado por Lula no mês de maio, a notícia de que as mulheres estão driblando com mais frequência e charme a imposição vestimentária islâmica. Teerã está se transformando na capital do batom. E não só. O Irã já é o sétimo consumidor mundial de produtos cosméticos – 2 bilhões de dólares anuais.

A República Islâmica representa 29% no mercado de cosméticos do Oriente Médio estimado em 7,2 bilhões de dólares. A maioria dos consumidores são mulheres entre 14 e 45 anos, residentes das 6 principais cidades do país – 14 milhões. Elas gastam, em média, 7 dólares por mês para cuidar da aparência. O dado é pouco comum para um país cuja economia ocupa apenas vigésima oitava colocação no mundo, onde o salário médio oscila entre 600 e 700 dólares.

Um estudo revela que algumas iranianas usam até 20 tipos de produtos de beleza diariamente. A principal razão deve-se a obrigatoriedade do uso do véu e das túnicas que cobrem as formas do corpo feminino. As mulheres só tem o rosto – em alguns casos, só os olhos – para mostrar seus atributos físicos.

O véu ligeiramente caído, as mexas de cabelo discretamente aparentes e a maquiagem são símbolos de transgressão ao governo islâmico de uma população cuja maioria tem menos de 30 anos. A maquiagem sempre foi uma forte tradição oriental ainda que reprimida pelos aiatolás do Islã radical. Há um aumento também das cirurgias estéticas, sobretudo, as faciais.

Em contrapartida, o uso demasiado de produtos cosméticos tem aumentado a incidência de alergias e câncer na pele das iranianas. Para piorar a situação, estima-se que 9 em cada 10 mulheres no Irã usam cosméticos com data de validade vencida. Embora o Irã tenha uma industria de produtos de beleza importante, a maioria deles e os mais desejados são os importados

Por Antonio Ribeiro

31/03/2010

às 8:39 \ Américas

O zelo com as palavras

discursobama

Para quem acha que Barack Obama é uma espécie de encarnação norte-americana de Luiz Inácio Lula da Silva, vale a pena dar uma olhada na fotografia que ilustra o post. Ela mostra o cuidado de Obama com as palavras de seu discurso. Revela que ele e Lula, ao menos neste particular, não são de mesma classe. No duplo sentido do termo, diga-se de passagem.

A parte a habitual oba-obamania, a pasmaceira do culto à sua personalidade que acontece independente da sua vontade, Obama vem recebendo um dilúvio de elogios desde que conseguiu aprovar o novo sistema de saúde nos Estados Unidos. O mais recente veio de Nicolas Sarkozy, em visita a Washington: “Presidente Obama quando promete algo, ele cumpre.” É algo que o presidente da França não pode dizer de si mesmo nem do amigo Lula, ainda que a compra dos caças Rafale seja a exceção que confirma a regra.

Por Antonio Ribeiro

18/03/2010

às 8:38 \ Diplomacia

Onde está a imagem? O gato comeu.

Luca coloca flores no mausoléu de Yasser Arafat

Lula coloca flores no mausoléu de Yasser Arafat

O serviço de propaganda da Presidência da República levou a imprensa toda para registrar em imagens, Lula colocando coroa de flores no Mausoléu do Holocausto, em Jerusalém. O presidente brasileiro, como se sabe, recusou fazer o mesmo gesto no monte Herzl, onde esta enterrado Theodor Herzl, fundador do Sionismo político e um dos inspiradores do Estado de Israel. Muito bem. No dia seguinte, Lula foi a Ramallah, território palestino. Inaugurou a Rua Brasil. Fotografias à vontade. Em seguida, a imprensa foi retida no lado de fora da Mukata, a antiga prisão do império colonial britânico, atual sede da Autoridade Palestina. Lá dentro, Lula depositou flores no túmulo do líder palestino Yasser Arafat. Nenhum registro foi permitido além do controlado, o das cameras oficiais  Por que será? Há mais espaço  parr distor a imprensa na Mukata que no mausoléu de 6 milhões de vítimas nos campos de morte do nazismo. Em contrapartida, a imprensa foi chamada logo depois da cerimônia, para o encontro de Lula e o líder da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas.

Por este método não se faz jornalismo, participa-se de uma campanha de divulgação oficial. E para quem não sabe: fotógrafos e cinegrafistas são jornalistas sim. Escrevem com a luz, diga-se de passagem. Imagem é informação.

Por Antonio Ribeiro

17/03/2010

às 8:05 \ Diplomacia

Nunca na história do Oriente Médio…

… beligerantes disseram com tanta educação e diplomacia: “Não precisamos de mais um mediador.”

A prova? Embora não tenha entendido, talvez fosse preciso fazer uma versão em quadrinhos, Lula constata: “Eu converso com palestinos e estes dizem que as negociações estão boas. Eu converso com os israelenses e eles dizem a mesma coisa. Mas claramente há algo errado.”

De fato, há. Muito ajuda quem não atrapalha.

Por Antonio Ribeiro

16/03/2010

às 9:49 \ Diplomacia

Lula: a homenagem permanente a Arafat

arafat

Israelenses e palestinos encetaram sozinhos uma pendenga velha de mais de meio século. Desde o início do conflito, vasto contingente de mediadores tentou – e continua – em vão chamar os beligerantes à razão. É o caso hoje do chamado Quarteto de Madri. Ele reúne esforços dos Estados Unidos, Rússia, União Européia e a ONU. Não é nada, não é nada,  é quase o mundo inteiro.

Se ao longo dos anos as negociações de paz trouxeram algum aprendizado, ele mostra  que os avanços sempre aconteceram quando os protagonistas da disputa tomaram iniciativa própria. Sem o requisito básico, a fila nunca andou mísero milímetro. Não será diferente agora. O problema atual, só não vê quem não quer: israelenses não tem mínima confiança nos palestinos e vice versa. Não vamos perder tempo fazendo acordos para serem violados  logo em seguida, pensam eles. Resultado: continuam medindo força.

“Y en eso llego Fidel”, canta compositor cubano Carlos Puebla na toada caribenha. E nisso chegou Lula, dizemos nós. O presidente brasileiro desembarcou em Israel com posição impar no trato com a demência do iraniano Mahmoud Ahmadinejad e aos anfitriões, apresentou recusa de visitar o túmulo de Theodor Herzl, fundador do sionismo político e inspirador do Estado Judaico de Israel.

O surpreendente candidato a mediador e destemido do ridículo recebeu troco imediato. Foi esnobado pela ausência do ministro das Relações Exteriores do país que o acolheu quando discursou no Knesset, o Congresso de Israel. Passou a ouvir críticas de parlamentares assim que cedeu a tribuna. O presidente da casa chegou a comparar, nas entrelinhas, a cegueira de Lula na questão nuclear iraniana com um dos mais trágicos enganos da história. O acordo do ex-primeiro-ministro britânico Neville Chamberlain com os nazistas. Falta de visão que desaguou na Segunda Guerra Mundial e no Holocausto, onde morreram mais de 6 milhões de judeus.

Está prevista uma homenagem a Arafat na agenda de Lula. Desta feita, o presidente irá colocar flores no túmulo do líder palestino. É só mais uma reverência de uma longa série ao legado de Yasser Arafat. O palestino era bem conhecido por não perder uma oportunidade de perder oportunidade. Em prol da ruptura da tradição da diplomacia brasileira, Lula não tem feito outra coisa.

Por Antonio Ribeiro

09/02/2010

às 8:34 \ França

Viva o contribuinte brasileiro!

Evolução da exportações de armas francesas

Exportações de armas francesas

As olimpíadas Rio 2016 nem começaram, mas a França quebrou um recorde. A razão não é o bom desempenho dos seus atletas, mas sobretudo a formidável generosidade dos contribuintes brasileiros que pagam impostos ao governo Lula – a despeito deles, diga-se  en passant. Devido às encomendas militares nacionais – 4 submarinos e 50 helicópteros – a França chegou à marca histórica de 8 bilhões de euros em vendas de armamentos no ano passado — um aumento de  21% em relação a 2008. O país deverá subir ao pódio em este ano quando concluir a venda dos 36 aviões de combate Rafale ao Brasil, tornando-se o terceiro maior exportador de armas do mundo. O Ministério da Defesa francês estima que irá vender entre 10 e 12 bilhões de euros em armas  em 2010 (veja o gráfico), mais da metade só para o Brasil.

Por Antonio Ribeiro

04/02/2010

às 10:45 \ Brasil-França

Ações da Dassault dão salto olímpico

acoesdassault2A francesa Dassault Aviation, fabricante do Rafale, como de costume, não quer comentar a informação que Lula oficializou a compra de 36 aviões de combate para substituir caças da Força Aérea Brasileira no projeto FX-2. O Palácio do Elyseé também preferiu ficar em silêncio. No mundo real, as ações da empresa deram um salto  como já não acontecia em anos, elas subiram 5,3% na Bolsa de Paris, depois da notícia. A compra dos caças é questão capital para Dassault, desde a série de anulações de pedidos, devido a crise econômica, do seu produto principal, o jato executivo Falcon.

Se no lado francês adotou-se o mutismo,  o ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou que o preço do Rafale, o mais caro entre os 3 caças concorrentes, é apenas um elemento “componente”. Quanto ao relatório da FAB, elaborado pelo Copac (Comissão Coordenadora do Programa Aeronaves de Combate), que apontou o sueco Gripen NG como a melhor opção, Jobim disse foram usados “parâmetros que não coadunam com a Estratégia Nacional de Defesa.”

Por Antonio Ribeiro

22/01/2010

às 16:20 \ Brasil-França

Rafale, caiu a ficha

rafaleindia

A licitação sobre o reaparelhamento da FAB, a compra de 36 caças do projeto FX-2, seguia naturalíssima como águas que correm para o mar. Lembrava um passeio no pomar. O blog De Paris não tem a pretensão de considerar a relevância dada ao assunto aqui como o único responsável pela tomada de consciência de tema que por si só sempre mereceu mais atenção alhures. Trata-se da maior compra militar da história do Brasil cuja conta será paga pelo contribuinte durante os próximos 7 mandatos presidenciais.

Mas foi aqui sim que se afirmou pela primeira vez que Lula tinha feito sua escolha pelo Rafale – julho de 2009. Alguns ainda casam a evidência com verbo no condicional. Foi aqui sim, e pela primeira vez, que se ressaltou o desrespeito por regras básicas de uma licitação. Nunca neste país o resultado de uma concorrência foi tão descaradamente anunciada antes do encerramento. Foi aqui sim que se descobriu a estadia de parlamentares brasileiros em Paris pagas, na sua maior parte, pela Dassault, fabricante do Rafale. Foi aqui sim que se revelou que o “deslocamento a Saint Emilion”, como constava na agenda oficial de Nelson Jobim, era jantar do ministro da Defesa no castelo da família Dassault.

E aqui não se escreveu com menos profundidade sobre o assunto do que em qualquer outro espaço da imprensa brasileira. É fácil de constatar que, na maioria dos casos, o empenho foi bem maior.

Nota-se agora uma correria para tirar o atraso da falta de atenção inicial. Tudo bem, antes tarde do nunca. No entanto, é prudente ter cuidado para não tropeçar. A partir de um despacho da agência Indian Express – circula na internet desde abril de 2009 – deduziu-se ter chegado a uma espécie de descoberta da pólvora.

A noticia dá conta da eliminação do Rafale na concorrência para compra de 126 caças para a Força Aérea Indiana (IAF) no valor global de 10 bilhões de dólares. Pegou-se 10 bilhões e dividiu-se por 126 para chegar a 73,34 milhões de dólares o preço de cada caça. Concluiu-se que o preço do Rafale saía pela metade do que a Dassault está oferecendo ao Brasil.

Os 10 bilhões de dólares é uma estimativa de um valor que o próprio Ministério da Defesa da Índia afirma que não foi definido. A Dassault lembra, com razão, que o preço varia em função do volume do estoque de peças de reposição, do tempo do apoio logístico e das especificações do caça exigidas pelo comprador. As especificações da FAB não são as mesmas que as da IAF. A eliminação inicial do Rafale da concorrência não foi, ainda segundo a India, em razão do preço, mas por não cumprir especificações técnicas. A Dassault poderá voltar à licitação desde que atenda as especificações. O Rafale com preço equivalente ao proposto na licitação brasileira perdeu concorrência o para o F-16 (Lockheed Martin) no Marrocos e na Coréia do Sul para o F-15 (Boeing).

Mas o dobro não é muito? Dobro? A proposta de Nicolas Sarkozy a Lula é que o Brasil pague o mesmo que a Aeronáutica e Marinha francesa pagaram pelo Rafale – a única referência de preço pago Rafale até hoje. Ou seja, entre 64 e 70 milhões de euros. O preço está documentado no Livre Blanc, no Senado francês. No entanto, estima-se que o Rafale vai custar em torno 96 milhões de euros para o contribuinte brasileiro.

Portanto, a diferença de preço não está na concorrência indiana cujos dados são vagos, mas entre o que a França pagou e o que o Brasil irá pagar. Ou seja, entre a promessa de Sarkozy e a conta da Dassault. Adicione à equação o elemento que não mudou, o Rafale é mais caro que os seus dois outros concorrentes, o F-18 Super Hornet e o Gripen NG.

Por Antonio Ribeiro

 

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