Blogs e Colunistas

John McCain

17/01/2011

às 11:56 \ Economia

Dedos cruzados

Entre 4 e 7 bilhões de euros

A presidente Dilma Rousseff decidiu reavaliar o processo de compra dos 36 aviões caça para Força Aérea Brasileira (FAB). Christine Lagarde, ministra da Economia da França, reagiu esta manhã durante entrevista a emissora de radio Europe1: “Vou cruzar os dedos”.  Não é para menos. A compra coloca em jogo a sobrevivência da francesa Dassault Aviation, a fabricante do concorrente mais caro, o Rafale. A reposição dos caças da FAB cujo custo é estimado entre 4 e 7 bilhões euros, a maior despesa da história militar do Brasil, mais do triplo do prejuízo causado pelo descaso dos governantes na região serrana do Rio de Janeiro.

A decisão de Rousseff, se efetiva e não apenas teatro, representa correção de curso em concorrência pública. O Rafale foi anunciado três vezes, publicamente, como o preferido de quem tinha a palavra final na escolha, o ex-presidente Lula. A FAB baseada em extenso estudo técnico indica o caça sueco NG Gripen como melhor opção. O terceiro finalista F18 Hornet, fabricado pela Boeing, corre por fora. No dia 10 de janeiro, Dilma cobrou dos senadores americanos John McCain e Johan Barrasso, ambos do majoritário Partido Republicano, garantias de que haveria transferência de tecnologia caso o Brasil decidisse pelo F18 Hornet.

No sentido inverso da indisfarçável contrariedade de alguns dos seus colegas no governo de Nicolas Sarkozy, a ministra Lagarde contemporizou: “Fizemos um enorme trabalho, espero que o resultado do esforço seja levado em conta pela nova presidente, mas é igualmente legítimo que ela possa reexaminar novos dossiês e afirmar sua autoridade.” Natural em muitos chefes de estado, o novo estilo de comando no Palácio do Planalto, pode não ter abarcado simpatia completa em quem assistiu o jeito carnavalesco de governar nos últimos oito anos, mas muitos também cruzam os dedos para que dê certo.

Por Antonio Ribeiro

04/11/2008

às 20:30 \ Américas

A música da natureza

A matemática é a musica da natureza. Mesmo se McCain ganhar em todos os estados indecisos, ele não leva as eleições americanas. Para que tanta verborragia? Foi anunciado neste blog quando McCain estava à frente das pesquisas: game over.


Enquanto medram, vamos repetir: Obama é o novo presidente dos EUA. A única questão agora é saber qual é a margem da vitória. Os democratas irão também levar a Camara e o Senado (6 a 9 senadores suplementares para os democratas). Os eleitores esperam reformas e resultados rápidos. A crise não permite. Decepção à vista. No entanto é um egano brutal achar que 12 anos na política de Obama contam na balança. Refiro-me a eventual inexperiência do presidente eleito dos EUA. Obama mostrou uma rara capacidade de escolher uma excelente equipe para aconselhá-lo. McCain perdeu não só porque não foi o “real” McCain, mas porque os eleitores não querem mais 4 anos da mesma coisa. Raça, eventual inexperiência contam nada para o eleitor americano quando a questão é economica. Neste aspecto, Obama sempre pareceu mais confiável.

Por Antonio Ribeiro

18/09/2008

às 8:53 \ Américas

O efeito Palin empalideceu, Obama assume a dianteira.

Depois de 8 anos de governo George W. Bush, 8 em cada 10 americanos acreditam que os EUA estão indo na direção errada. Naturalmente, o principal mote da campanha eleitoral presidencial é a mudança. Tanto McCain quanto Obama prometem, se eleito forem, nada como dantes no quartel de Abrantes. Na mais recente pesquisa de intenções de voto (New York Times/CBS News), 65% dos eleitores acreditam que candidato Obama trará mudanças enquanto que apenas 37% chancelam o republicano McCain. A goleada só não é maior porque McCain tem imagem de ser independente de Bush, embora não tanto como gostaria para fazer uma diferença significativa. Neste aspecto, os conservadores têm a desvantagem dos eleitores não quererem, desta vez, mais do mesmo, nos próximos 4 anos de mandato presidencial.

A indicação da governadora do Alasca, Sarah Palin, para vice-presidente na chapa de McCain serviu para conter a debandada da parte mais radical do Partido Republicano. Tentou-se também arrebatar, no campo adversário, o efeitorado feminino que votou em Hillary Clinton durante as prévias do Partido Democrata. Objetivo cujo resultado tem sido tímido e 6 em cada 10 americanos não confiam em Palin caso ela venha assumir a presidência. A escolha de Palin foi uma boa mexida, mas não o suficiente para alavancar a candidatura de McCain, repleta de contradições.

McCain sofre o dilema de ser ou não ser. O candidato precisa ser republicano para não perder a base do partido, mas ele acredita que se for inteiramente, de corpo e alma, não ganhará a eleição. Durante anos como membro da comissão de finanças do Senado americano, McCain defendeu a rédea frouxa para Wall Street. Phil Gramm, co-presidente da campanha de McCain, ex-senador pelo Texas, esteve na origem de várias medidas que desregularam o setor bancário. Ele é o autor da frase: “A única recessão no país é uma recessão mental, os EUA são uma nação de chorões.” Explodiu a crise financeira, McCain quer, dioravante, endurecer a regulamentação para os bancos de investimento e instituições financeiras, bandeira – boa ou ruim – empunhada pelos democratas desde priscas eras.

O Partido Republicano sempre foi favorável a intervenção mínima na economia. McCain defende hoje a mais radical intervenção de um banco central no setor privado da história, o empréstimo de 85 bilhões de dólares dos cofres ederal Reserve (o Fed, BC dos EUA) - leia-se, dinheiro do contribuinte americano – para a AIG. Resultado: governo passa a controlar 79,9 % da seguradora podre.

Os Estados Unidos gozaram esplendor econômico durante o governo do democrata Bill Clinton. George W. Bush foi eleito com a promessa de restabelecer “padrões morais”. O problema hoje é que a economia vai mall, os tais “padrões morais” estão piores ainda. Historicamente quando a economia não anda bem – a precupação primeira dos eleitores: “É a economia estúpido” – os americanos confiam mais nos democratas. Não se trata de torcida, isso é bobagem, mas de constatação. Políticos como Obama têm a tendência de melhorarem com o passar do tempo. Enquanto isso, a candidatura de McCain patina.


Por Antonio Ribeiro

15/09/2008

às 6:44 \ Américas

Game over

A melhor vantagem do candidato democrata Barack Obama na eleição presidencial americana não está na cor de sua pele ou na simpatia que ele desperta ao sul do Rio Grande,  além Atlântico e Pacífico. O que ajuda Obama é o ponto fraco dos adversários, o “casal” do Partido Republicano, McCain-Palin. A explicação exige verborragia nenhuma. Ser breve se impõe pela singeleza da questão. Obama que arrecadou 66 milhões de dólares para sua campanha mês passado com 500.000 novos doadores, é o melhor candidato dos democratas desde 1976? É. Tem a sorte de pleitear um cargo ocupado atualmente por um dos piores presidentes americanos? Tem. Mas não é isso. McCain é o mais velho candidato a Presidente dos EUA, sofre de câncer na pele. Sua companheira de chapa, Sarah Louise Heath Palin só não é menos qualificada que James Danforth Quayle III, o vice-presidente dos EUA de 1989 à 1993 — ele parecia um hambúrguer sem o bife, aparência sem conteúdo. Então pergunte ao mais ignorante dos eleitores americanos: na eventualidade de McCain faltar, você se sente seguro com Palin no comando da nação mais poderosa do planeta? A resposta é não. Ou faça aquela interrogação clássica: você vive melhor hoje do que quando o republicano George W. Bush assumiu a presidência? A resposta é não. Game over.

Por Antonio Ribeiro

04/09/2008

às 12:39 \ Américas

O lado obscuro dos Estados Unidos


O fim das convenções dos dois principais partidos americanos, o Republicano e o Democrata, abrem uma bela perspectiva para o país. Os candidatos Barack Obama e John McCain, 48,8% e 43,3 respectivamente na última pesquisa (RealClearPolitics) de intenções de voto, são melhores que o atual presidente George W. Bush. Isso não é pouco, mas bem positivo. Depois de décadas os americanos não conhecem situação similar. No entanto, as reações à escolha da governadora do Alasca, Sarah Palin, de 44 anos de idade, para vice na chapa republicana, acordou os espíritos mais obscurantistas e, via de regra, o radicalismo que os acompanha.

Em um primeiro instante, Palin foi alvo de uma bateria de críticas que nada dizem respeito a sua capacidade de governar. Enumero. Mãe de 5 crianças, portanto incapaz de ter tempo para cuidar da vice-presidência e muito menos, se vier substituir McCain — as duas primeiras candidatas a presidência dos EUA, Geraldine Ferraro e Hilary Clinton, já tinham os filhos criados quando postularam o cargo. A filha adolescente e solteira de Palin está grávida. O marido Todd Palin foi preso em estado de embriaguez  quando dirigia, em 1986. Sarah é membro do polêmico National Rifle Association. Ela foi apresentadora e comentarista de esportes em um programa de TV. “Waal”, diria o saudoso Paulo Francis. Admite-se até as lambadas sobre os processos de suposto envolvimento de Palin em corrupção no Alasca. A sua inexperiência em assuntos nacionais e internacionais. O resto não passa de argumentos fora do lugar.

Para entender a segunda parte do Processo de Moscou contra Palin, filha de um professor e secretaria, resultado da meritocracia americana, faz se necessário debruçar na história recente dos EUA. Seguido a derrota de George Bush pai para o ex-presidente democrata Bill Clinton, em 1998, um grupo de neo-conservadores chegou à conclusão que para os republicanos ganharem novamente a presidência, eles não podiam passar sem o apoio dos cristão ultra conservadores americanos. Isso significaria colocar em evidência valores morais queridos a esse tipo de eleitorado. Era questão imperativa, por exemplo, leis contra o aborto, casamento entre homossexuais (ainda que tenha criado benefícios sociais para eles), pesquisas com células tronco. A defesa destes dogmas que remontam a Idade Média, somados a “luta contra o terrorismo”, depois dos atentados do 11 de setembro de 2001, garantiram 8 anos de mandato ao presidente George W. Bush. Pois bem, Sarah Palin é a tentativa de conexão deste eleitorado ultra conservador de direita com McCain, descontentes por acharem o candidato republicano muito liberal para seus padrões. Esta facção acredita deter o monopólio da moral enquanto quem está fora do seu circulo, vive no deboche.

Sarah Palin favorece o ensino da teoria criacionista (Adão e Eva) em oposição aos estudos da evolução humana de Charles Darwin ( o homem veio dos primatas). Ela acredita que o único método contraceptivo passa pela abstinência sexual antes do casamento. Não há sombra de dúvida: Palin constitui um paradoxo para o Partido Republicano. Por que? Como ser favorável aos direitos individuais, tradição do partido cujo símbolo é o elefante, e ao mesmo tempo, ser contra o aborto? Então os direitos individuais valem só para os homens? As mulheres ficam de fora? Neste particular, como conquistar o eleitorado feminino que votou em Hilary Clinton nas prévias?  Como persuadir os Regan Democratas? McCain é a antítese de Bush — e Palin de Hilary — com quem disputou a candidatura republicana em 2000. É justamente sua independência que incomoda republicanos e democratas. Sua história espetacular de herói da Guerra do Vietnam e a imagem de maverick (elétron livre) que o alçou candidato dos republicanos. A escolha de Palin, embora um compromisso, foi uma escolha inteligente porque buscou o equilíbrio. Mas a questão é saber se Palin conseguirá chegar a estatura que Al Gore e Dick Cheney deram à vice-presidência. By the way, o único político no Brasil que conseguiu, foi o discreto pernambucano Marco Maciel.

Por Antonio Ribeiro

02/09/2008

às 9:21 \ Américas

O gótico americano


O objetivo da Europa é a perfeição. Os americanos preferem a invenção. Os dois universos, cada qual em uma margem do Atlântico, se tocam e se estranham. Uma vez mais, os turistas americanos que vieram passar as férias de verão na Europa voltaram para casa nem tanto impressionados com as catedrais, ruínas e museus do Velho Continente, mas sobretudo, com o comportamento dos europeus. Um exemplo diz respeito ao valor que os europeus dão à qualidade de vida. Isso implica a quantidade de tempo livre. Os americanos trabalham 10 semanas por ano a mais que os alemães. Barack Obama conseguiu fazer seu melhor comício reunindo 80.000 pessoas no estádio do Denver Broncos. A aparição do candidato dos democratas em Berlim contou com a presença de 200.000 pessoas.

Pouca coisa fascina tanto o europeu que os índios do Novo Continente. O Quarup, as olimpíadas dos índios do Xingu, é um programaço para eles. A perspectiva de um presidente negro na Casa Branca é acompanhado com grande entusiasmo pelos europeus. Paradoxo: eles não tratam ainda suas minorias como elas merecem. Não há um só deputado muçulmano na Assembléia Nacional francesa, ainda que a França tenha de 5 milhões habitantes crentes em Alá. Uma vez mais, os europeus estão pasmos com a campanha presidencial nos EUA.

Soube-se, ontem, que a filha solteira, de 17 anos de idade, de Sarah Palin, candidata a vice na chapa do republicano John McCain, está grávida. A informação passaria como uma pizza debaixo da porta na Itália, país católico dos corredores do Vaticano, nos canais de Veneza, e nas belas praias de Taormina, na Sicília — cenário do fenomenal romance O Gattopardo, de Tomasi di Lampedusa. Nos EUA, a gravidez da adolescente Bristol Palin tornou questão de peso. Um constrangimento para os republicanos apenas 72 horas depois do anúncio de que Sarah Palin, conhecida pelas suas posições de ultra conservadora em questões sociais e familiares, seria a candidata do partido a vice-presidente — ela é favorável que as escolas ensinem a abstinência sexual antes do casamento, contrária ao aborto e favorável a teoria do criacionismo. Mamma mia!

Houve insinuações que a revelação foi feita para jogar por terra as fofocas de que o mais novo dos cinco filhos de Sarah, Triga, de 4 meses, fosse filho de Bristol. Mon Dieu! Se não bastasse, veio a público, a informação de que o marido de Palin foi preso por dirigir embriagado, em 1986. By Jove! O calvinismo suíço encontrou o apogeu no moderno EUA, influenciou eleitores judeus e católicos. Qual é a relevância para determinar a qualidade do vice-presidente americano? Nenhuma.

Por Antonio Ribeiro

01/09/2008

às 13:08 \ Américas

Furacão Gustav é boa noticia para McCain


A chegada do furação Gustav no sul dos EUA, que obrigou mais de dois milhões de americanos fugir, é boa notícia para o candidato republicano John Sidney McCain III. O Partido Republicano inicia hoje sua convenção em Saint Paul, capital do estado de Minnesota. Será difícil rivalizar com o roteiro cinematográfico de Hollywood, reunindo 80.000 simpatizantes em um estádio de futebol em Denver, Colorado, como a convenção democrata que indicou Barack Obama, candidato oficial do partido, na semana passada. O alerta de uma eventual catástrofe no sul do país cai como uma luva para McCain não promover um evento festivo no norte. Simultaneamente, o furação atrai a visita na área de sua passagem do presidente George Bush e seu vice, Dick Cheney. Isso é ótima justificativa para evitar incomoda presença dos dois na convenção republicana. McCain não quer Bush na convenção, mas não pode dizer, “não venha”, sem explicar a razão. Bush já disse que não irá. O candidato republicano aproveita a oportunidade para mostrar atitude de líder em tempos de crise indo também a Louisiana. No entanto, Gustav tras de volta a mémoria do Katrina. McCain é do mesmo partido de Bush, que tem a tragédia provocada pelo furacão Katrina como mancha indelével do seu mandato.

Por Antonio Ribeiro

01/09/2008

às 7:04 \ Américas

Por uma cabeça


O tango Por una cabeza, do argentino Carlos Gardel, conta historia de cavalos que cruzam quase juntos a linha de chegada na pista de um hipódromo. Nestes casos, muitas vezes, é preciso ver a fotografia do momento para descobrir o vencedor. Não é raro depois de olhar o instantâneo ouvir: “ganhou por uma cabeça.” Se a vitória acontece por larga margem, assim como a de Usain Bolt nos 100 metros rasos em Pequim, os franceses têm uma outra expressão: “Il n’a pas photo” (Não tem fotografia). Trocando em miúdos: a situação é evidente, inapelável. Em 1910, o escritor baiano Rui Barbosa de Oliveira (1849–1923) disputou a presidência do Brasil com o Marechal Hermes Rodrigues da Fonseca (1855-1923). Não tinha fotografia. A Águia de Haia era muito mais inteligente. No entanto, ele perdeu para um militar convencido que não era nada demais punir marinheiros com golpes de chibata. Situação análoga aconteceu em 1998, na disputa senatorial do Rio. Noves fora as paixões ideológicas, quem pode dizer que Roberto Campos de Oliveira (1917-2001), autor da frase “O mundo não será salvo pelos caridosos, mas pelos eficientes”, era mais inteligente que Saturnino Braga? Barack Obama tem mais capacidade de compreender, adaptar-se, agudeza e perspicácia que John McCain, mas nem sempre o mais inteligente ganha.

O mundo se delicia com a possibilidade de um candidato negro – ele é mestiço de mãe branca e pai queniano – ser eleito presidente dos EUA, país onde as questões raciais não abandonaram a berlinda desde a Guerra de Secessão (1861-1865), magistralmente narrada pelo polêmico filme de D.W. Griffith, feito em 1915, Birth of a Nation (O Nascimento de uma Nação). A simbologia de uma vitória de Obama nos EUA, que conseguiu reunir as dinastias presidenciais dos Kennedy e Clinton, e que alguns analistas percebem uma rara genialidade política, é muito mais forte que a chegada de um torneiro mecânico à presidência de um pais onde foi escrita a obra-prima Casa Grande e Senzala, do escritor pernambucano Gilberto Freyre. Mas quem vota no futuro presidente dos EUA, a nação mais poderosa do planeta, são os americanos. O que querem eles? Um presidente negro na Casa Branca para fazer boa figura? Nada disso. Uma vez mais, o mundo pós-ideologia, deseja uma situação melhor que aquela iniciada pelo governo George W. Bush, 8 anos atrás. Segundo as pesquisas de opinião publica, metade dos americanos não estão convencidos que o candidato democrata Barack Obama pode melhorar o cenário atual. Continue a situação assim até o fim da disputa, a vitória será por uma cabeça.

Se a passagem do furacão Gustav, mais forte que o Katrina que devastou a Louisiana, não sombrear a convenção republicana em Saint Paul, Minnesota, será a vez de John McCain apresentar seu show. O principal desafio do herói da guerra do Vietnã será pacificar, ganhar o apoio da facção mais conservadora do seu partido que vê o candidato como muito liberal — 20% dos republicanos dizem não querer votar no canditado do partido. E tal como Obama, McCain só ganhará se conseguir convencer além do seu eleitorado tradicional, corações e mentes independentes e democratas. A surpreendente escolha da governadora do Alasca e agressiva ex-jogadora de basquete, Sarah Palin, para vice na chapa de McCain foi um passo nesse sentido. Ao convidar uma mulher, McCain deseja, sobretudo, conquistar o eleitorado feminino que votou em Hilary Clinton nas prévias. Os democratas apostavam as fichas na probabilidade da preferência de McCain recair no ex-governador do Massachusetts, Mitt Romney. Sarah, “a barracuda“, é popular entre os conservadores, cristã e membro do National Rifle Association. A disputa pelo voto dos negros, cristãos evangélicos e jovens americanos, que dominou as prévias dos democratas na qual Obama ganhou por uma cabeça, será a grande batalha entre os dois pretendentes a sucessão de George W. Bush.

Por Antonio Ribeiro

30/08/2008

às 15:02 \ Do leitor

De Nova York, Michael Grossmann

Caro Antonio,

O que Obama queria com esse discurso era bem diferente do que ele queria com sua retórica eleitoral até a convenção. Acho um erro julgar o discurso de aceitação da candidatura pelos critérios das falas anteriores.

O discurso teve tanto sucesso exatamente porque atingiu seu objetivo. Ou seja, conter as principais linhas de ataque do candidato republicano John McCain.

Vamos a elas:

1. Mesmo os democratas que apóiam Obama, como eu, achavam o candidato muito tímido em contra-atacar a Hilary Clinton e, especialmente, o McCain. Isto porque os estrategistas da campanha do Obama se preocupavam com a imagem de um negro agressivo e brigão, algo que muitos brancos americanos detestam — a grande maioria deles votou em Hilary, nas prévias.

2. Eles também diziam que os discursos do Obama por mais carismáticos e eloqüentes que fossem, eram muito vagos no que diz respeito ao seu programa de governo. Sobretudo queriam saber quais seriam os benefícios para os americanos da classe media baixa e assalariados.

Agora o McCain conseguiu redirecionar, temporariamente, os holofotes da campanha, nomeando uma mulher, diga-se de passagem, Sarah Palin, governadora do Alasca, é uma ilustre desconhecida. A escolha surpreendente em nada afetará o impacto eleitoral do discurso de Obama.

De Nova York, um abraço

Michael Grossmann

REPOSTA:

Caro Michael,

Muito obrigado pela leitura e envio do comentário.

Os americanos estão muito bem servidos, desta vez, com a qualidade e contraste dos dois candidatos embora ambos busquem o centro.

A coluna esta muito bem servida com leitores do seu quilate.

De Paris, um abraço

Antonio Ribeiro

Por Antonio Ribeiro


 

Serviços

 

Assinaturas

Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados