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Jacques Chirac

15/12/2011

às 8:07 \ França

Jacques Chirac torna-se o primeiro presidente eleito da França condenado por corrupção

O ex-presidente da França Jacques Chirac foi condenado pelo Tribunal Correcional de Paris a dois anos de prisão com suspensão condicional da pena. A sentença inédita contra um  presidente eleito da França diz respeito ao financiamento ilegal de 2,2 milhões de euros do  antigo partido de Chirac, o Reagrupamento pela República (RPR). O julgamento abordou também a criação de trinta empregos fictícios na Prefeitura de Paris entre 1977 e 1995, período em que Chirac era prefeito da capital francesa. A maioria dos contratados trabalhavam na preparação da campanha presidencial de Chirac, eleito em maio de 1995. Os funcionários-fantasmas  recebiam salários do município – estima-se  o gasto do dinheiro dos contribuintes para pagar remunerações ilícitas em mais de um milhão de euros. O ex-presidente foi condenado por desvio de verbas públicas, abuso de confiança e conflito de interesses por “multiplicar as conexões entre seu partido e a municipalidade”.

“Jacques Chirac faltou com a obrigação de probidade que pesa sobre os responsáveis públicos a despeito dos interesses dos parisienses”, declarou o juiz Dominique Pauthe. O ex-presidente, de 79 anos de idade, que governou a França em dois mandatos consecutivos, entre 1995 e 2007, sempre negou as acusações e afirmou não ter cometido nenhuma falha penal ou moral. “Os franceses sabem que sou honesto”, diz ele.  Chirac não estava presente na sala de audiência durante a leitura da sentença. Os médicos do ex-presidente justificaram a ausência devido a severos problemas neurológicos responsáveis por provocar lapsos de memória. “Para mim, é inadequado comentar o assunto”, disse o atual presidente da França, Nicolas Sarkozy.

Suspensão condicional da pena é um instituto de direito penal com a finalidade de permitir que o condenado não se sujeite à execução de pena de curta duração que priva a liberdade. Dito de outro modo:  mesmo condenado, o réu  não vai preso. No caso de Chirac, a condenação, um choque para classe política francesa, tem elevado valor simbólico na luta contra a corrupção na França e independência da Justiça.

Há quatro meses da eleição presidencial na França, o julgamento histórico relança o velho debate sobre a imunidade total do Presidente da República segundo rege o artigo 67 da Constituição que protegeu Chirac de ser punido judicialmente durante cerca de 20 anos. Muitos  consideram o estatuto penal especial a uma bizarrice na democracia francesa: ser inatacável nos tribunais e, simultaneamente, como todos aqueles que estão sujeitos à justiça, o Presidente da República pode apresentar queixa contra quem bem lhe aprecer.

O marechal francês Philippe Petain, chefe não eleito do governo de Vichy, colaboracionista com os ocupantes nazistas na França, foi o primeiro chefe de estado francês condenado pela Justiça. No fim da Segunda Guerra Mundial, uma corte especial montada às pressas sentenciou o marechal à pena de morte por alta traição. A condenação foi, posteriormente, convertida em prisão perpétua pelo general Charles de Gaulle, à época chefe do governo provisório. A clemência fez parte da política gaulista de conciliação nacional no pós-guerra e em razão da idade avançada do marechal. Ele tinha 85 anos quando foi condenado. Em pena posterior, os franceses apagaram da memória a imagem do herói da Batalha de Verdun na Primeira Guerra Mundial. Não há mais uma só rua na França com o nome de Pétain. Assim como “lula-petismo”, mas por razões distintas, o termo “pétainisme” virou referência pejorativa na França.

Embora condenado em processo que durou 16 anos e ter recebido, quando político ativo, a alcunha de “Super Mentiroso”, Chirac não corre o mesmo risco de Pétain. A maioria dos franceses tem afeição pelo ex-presidente, duraz opositor à invasão anglo-americana do Iraque. Sua popularidade é robusta e alta. Bem, não tanta quanto a de Lula no Brasil, onde magistrados do Supremo Tribunal Federal (STF)  avisam da possível prescrição das acusações contra os 36 réus do mensalão, o maior show de corrupção do país, no qual a estrela do PT teve brilho indelével.

Leia o post do Blog de Pars: “Europa igual a ela mesma e Inglaterra idem

Por Antonio Ribeiro

16/05/2011

às 3:02 \ Sem Categoria

Algemado, Strauss-Kahn deixa a delegacia do Harlem para exame de corpo de delito. Na França, denúncia reaparece.

Strauss-Kahn é escoltado por policias da Unidade de Vítimas Especiais que investigam crimes sexuais

Depois de ser reconhecido pela suposta vítima de agressão sexual – uma imigrante africana, de 32 anos, moradora do Bronx e camareira há 3 anos no Hotel Sofitel de New York  –, Dominique Strauss-Kahn foi levado ao Hospital Kings County para fazer exame de corpo de delito e recolher amostras de DNA entre as unhas  das mãos e na pele. Os policiais reunem provas que podem ajudar a condenar o diretor-gerente do FMI em até 20 anos de prisão. Hoje, DSK, como é conhecido na França, participa de audiência com um juiz na qual será informado das acusações e se será liberado mediante a fiança ou se continua preso. Juristas estimam que se houver fiança, ela será na ordem de milhões de dólares.

Tristane Banon

Na França, as acusações da jovem escritora Tristane Banon voltaram a ganhar força. Em 2007, durante um programa de televisão ‘Grand N’Importe Quoi’, Banon relatou episósidio violento em que DSK tentou estupra-la durante encontro em um elegante apartamento vazio em Paris. “Nós brigamos a ponto de rolar no chão”, contou. À época, o canal de TV a cabo Paris Première, temendo a rigorosa lei francesa de proteção a vida privada, colocou um sinal sonoro sempre que o nome de DSK foi pronunciado. Ontem, Anne Mansouret, a mãe da escritora e conselheira regional socialista da Alta Normandia, confirmou durante entrevista a TV France 3 que a filha sofreu de fato uma tentativa de agressão sexual de DSK. Mansouret disse que confrontou o colega de partido Strauss-Kahn com a pergunta: “O que houve?” A resposta teria respondido: “Não sei, fiquei louco.” DSK pode ser indiciado criminalmente também na França.

A prisão de Dominique Strauss-Kahn deixa o Partido Socialista sem o seu principal candidato e líder nas pesquisas de voto contra o presidente Nicolas Sakozy nas eleições presidenciais de maio de 2012. Ainda que mais 60% dos franceses declaram não desejar a releição do atual Presidente da República, Strauss-Kahn era visto como o candidato de consenso nas tradicionais divergencias internas do PS. Mas sobretetudo, um nome capaz de seduzir eleitores do centro e centro-direita. Agora, o PS será obrigado apresentar velhas opções bem menos expressivas como François Hollande, Martine Aubry e até a candidata derrota nas últimas presidenciais, Sególène Royal.

A candidata do Front National, Marine Le Pen, segundo lugar nas pesquisas, é a grande beneficiada com a ausência de DSK na disputa. No entanto, desde sua criação, o partido da extrema-direita xenófoba francesa só conseguiu eleger prefeitos, vereadores e conselheiros regionais. O único resultado significativo foi a chegada de ao segundo turno do pai de Marine, Jean-Marie Le Pen que em seguida tomou uma surra eleitoral de Jacques Chirac. Marine pode parecer menos radical que o pai, mas para chegar ao Palácio Elissée vai precisar mais bem do que isso.

Leia o post do Blog de Paris: “Strauss-Kahn, diretor-gerente do FMI, é detido em NY

Por Antonio Ribeiro

04/11/2009

às 9:50 \ França

O Roberto Jefferson francês

pasqua-jefferson

Sotaque ocitano provençal, humor rude, desde 1968, os franceses acostumaram ver o senador Charles Pasqua entre os protagonistas da política nacional. Ele foi o deleite dos cartunistas — sua figura lembra a de Don Camillo Tarocci (Fernand Joseph Désiré Contandin, o Fernadel), o vigário conservador do vilarejo italiano de Brescello, onde governava o prefeito comunista Pepone (Giuseppe Bottazzi), na versão cinematográfica da obra satírica de Giovanni Guareschi. Considerado os movimentos recentes, Pasqua seria para os brasileiros o equivalente de Roberto Jefferson, o pivô do mensalão (lembram-se?), da oratória cepeiana que evocava o “rato maaagro” e o melhor conselho ao “capitão do time”, eufemismo para “chefe da quadrilha”, o “Sai, sai daí Zé”.

Filho de policial, Pasqua iniciou a carreira como vendedor na destilaria Paul Ricard, fabricante do favorito aperitivo aromatizado com o anis, o Pastis 51. Ele foi um dos fundadores do Serviço de Ação Cívica (SAC), a milícia que combateu nos anos 60 os inimigos do general Charles de Gaulle, sobretuto, os contrários à independência da Argélia e os comunistas. Chrirac dconfiou a ele a cooordenação da sua campanha eleitoral vencedora à presidência da França. E pelo jeito, Pasqua está terminando a longa trajetória pública com a condenação para viver um ano atrás das grades, embora prometa, com ar desafiador, escapar mais uma vez tal qual fez em frequêntes ações judiciárias de corrupção onde seu nome apareceu. “Eu sou um animal de combate, se me procurarem, vão me achar”, diz ele.

O senador gaulista pelo departamento de Hauts-de-Seine, reduto político do presidente Nicolas Sarkozy, ex-ministro do Interior, de 82 anos, é acusado desta vez de receber propina felpuda – 1,5 milhão de euros – para obter junto ao ex-presidente Jacques Chirac, ele mesmo recentemente indiciado pela Justiça sob acusação de criar empregos fantasmas para correligionários e amigos, a condecoração da Ordem do Mérito Nacional para o traficante de armas israelense de origem russa, Arcadi Gaydamak. Pasqua apresenta uma outra versão, mas não menos comprometedora.

Segundo o velho senador, foi devido à intermediação do “agente do KGB” Gaydamak junto às autoridades servias que aconteceu a libertação de dois pilotos franceses, mantidos como prisioneiros depois que ejetaram-se de seus caças durante bombardeio aliado na guerra do Kosovo. “Jacques Chirac me autorizou negociar e desbloqueou 900.000 francos (137.200 euros) dos fundos especiais”, revela Pasqua. “Foi o Dominique de Villepin (ex-primeiro-ministro e o chefe de gabinete da presidência, na época) que me entregou o dinheiro”. Além de pedir a suspensão do segredo de estado sobre o assunto, o senador sugere ao fisco francês uma devassa nas contas dos políticos que ocuparam postos importantes no governo francês. “Reparem o que eles tinham 20 anos atrás e o que possuem agora, é um enriquecimento tão suspeito que levaria qualquer cidadão francês comum ao controle fiscal.”

Por Antonio Ribeiro

30/10/2009

às 7:30 \ França

Justiça francesa indicia Chirac

Chirac, fim da imunidade abre caminho para os processos

Chirac, fim da imunidade abre caminho para os processos

O Tribunal Correcional de Paris abriu processo contra o ex-presidente da França, Jacques Chirac. Ele é acusado de desvio de fundos públicos e criação de 21 empregos fantasmas para membros de seu partido quando era prefeito de Paris. O Ministério Público investigou 481 casos durante mais de uma década. Se condenado, Chirac arrisca uma pena de até 10 anos de prisão e 210.000 euros de multa, uma humilhação no final da carreira política de mais de 30 anos.

O Procurador da Repúlica, indicado pelo ex-presidente, tinha pedido arquivamento do caso, mas a juiza Xavière Simeoni estimou que as provas eram suficientes para abertura de um processo, o primeiro contra um chefe de estado na França, durante a V República. Em 1945, o Marechal Henri Phillipe Pétain, chefe do governo de Vichy, foi condenado à morte por colaborar com o ocupante nazista — De Gaulle converteu a sentença em prisão perpétua.  Chirac  já tinha sido indiciado em novembro de 2007, mas na época beneficiou-se de imunidade. Durante 12 anos ela garantiu a passagem de Chirac entre as gotas da chuva sem se molhar. Ou seja, escapar de recorrentes acusações na Justiça.

O tribunal iniciou ação legal, também no mesmo caso, contra o todo-poderoso ex-secretário geral do sindicato Força Operária, Marc Blondel. O sindicalista a quem durante a década de 90 era atribuído o poder de “paralisar a França” com greves nos setores básicos, é acusado de receber pagamentos indevidos da Prefeitura de Paris.

Jacques Chirac, de 76 anos, foi prefeito de Paris durante 18 anos, entre 1977 e 1995. Depois  foi eleito Presidente da República. Governou a França de 1995 à 2007.  Ele preside atualmente a Fundação Chirac com objetivo declarado de favorecer a paz. No dia 6 de novembro, Chirac deverá lançar livro com suas memórias. Um comunicado do ex-presidente da França que passa férias no Marrocos, afirma que ele tomou conhecimento da decisão e, como manda a tradição dos políticos franceses para manter a pose, está sereno para provar sua inocência.

Por Antonio Ribeiro

28/10/2009

às 20:17 \ França

Angolagate: Pasqua ameaça jogar no ventilador

pasqua

Charles Pasqua, ex-ministro do Interior e senador da UMP, partido de Sarkozy, condenado no Angolagate (leia post abaixo), em entrevista ao Grand Journal da TV fancesa Canal + prometeu “fazer tremer um certo número de personagens da República”.

Em entrevista ao jornal Le Figaro, que circula amanhã, Pasqua diz que durante os mandatos de François Mitterrand e Jacques Chirac, tanto os presidentes quanto seus primeiros-ministros, Édouard Balladur et Alain Juppé, tinham pleno conhecimento das tramóias com vendas de material bélico.

Balladur reagiu: “O problema das vendas de armas na França é recorrente, acontece desde que o país fabrica armas. Eu não fui especialmente informado sobre a venda de armas a Angola.” Pasqua replicou : “Ele pode dizer o que quiser, no processo, seu chefe de gabinete provou que o informou.”

Além do Angolagate, três casos recentes de corrupção envolvendo vendas de armamento são investigados pela Justiça francesa. A compra de fragatas por Taiwain, as propinas do caso Clearstream e as causas do atentado terrorista de Karachi onde há suspeita que ele ocorreu porque o suborno prometido na venta de submarinos ao Paquistão não foi honrado.

Por Antonio Ribeiro

28/09/2009

às 15:03 \ Américas

Filme velho

Quem paga uma lempira para ver de novo?

Quem paga uma lempira para ver de novo?

A França, velha democracia, também tem como Honduras, um abracadabra constitucional que permite colocar o país em estado de sítio do dia para noite. É o famoso Artigo 16 do título que trata dos poderes do presidente da República. Detalhe edificante: nunca foi usado. Nem nos momentos mais graves.

O Artigo 16 data da Constituição de 1958 que inaugurou a V República francesa, vigente até hoje. Na época, o presidente da França era o general Charles de Gaulle. Seu principal opositor, o ex-presidente socialista François Mitterrand dizia, nos momentos oportunos e nos outros, que  presença do Artigo 16 na Constituição deixava a França sob ameaça permanente de um golpe de estado.

Bem, em 1981, Mitterrand assumiu o poder e governou a França durante 14 anos. Os dois mandatos de 7 anos fizeram dele o presidente francês mais longevo da história republicana francesa. Detalhe edificante: Mitterrand  deixou o Artigo 16 tal qual como o encontrou. O ex-presidentes Jacques Chirac, durante dois mandatos, e o atual, Nicolas Sarkozy, até ontem, jamais cogitaram abolir o artigo. Ele continua intacto como os arsenais nucleares da force de frappe, existe para persuadir respeito.

A tradição das velhas democracias européias demonstra que não se abre mão das instituições para governar nos momentos graves. Elas são aliadas na defesa do estado de direito. A Itália nunca aboliu a democracia para vencer o terrorismo das Brigadas Vermelhas. A Inglaterra sofreu frequentes atentados IRA irlandês, sempre na democracia. O grupo terrorista comunista Baader-Meinhof foi vencido na antiga Alemanha Ocidental sem que os cidadãos perdessem seus direitos individuais.

Estado de sitio, regime de exceção é característico das republiquetas de banana tal como Honduras, o pinico onde o governo Lula anda afogando a diplomacia brasileira.

Abaixo o Artigo 16 da Constituição francesa :

Lorsque les institutions de la République, l’indépendance de la nation, l’intégrité de son territoire ou l’exécution de ses engagements internationaux sont menacés d’une manière grave et immédiate et que le fonctionnement régulier des pouvoirs publics constitutionnels est interrompu, le Président de la République prend les mesures exigées par ces circonstances, après consultation officielle du Premier ministre, des présidents des assemblées ainsi que du Conseil constitutionnel.

Il en informe la nation par un message.

Ces mesures doivent être inspirées par la volonté d’assurer aux pouvoirs publics constitutionnels, dans les moindres délais, les moyens d’accomplir leur mission. Le Conseil constitutionnel est consulté à leur sujet.

Le Parlement se réunit de plein droit.

L’Assemblée nationale ne peut être dissoute pendant l’exercice des pouvoirs exceptionnels.

Por Antonio Ribeiro

17/03/2009

às 13:44 \ França

Apesar de redução de imposto as contas continuarão salgadas

O governo de Nicolas Sarkozy anunciou uma excelente notícia para os donos de restaurantes: redução de 19,6% para 5,5 % na Taxa sobre o Valor Agregado (TVA, na sigla em francês). No entanto, os fregueses que pensavam poder comer um filé com fritas mais barato na França a partir de 2010 enganaram-se como a maioria dos entendidos de vinhos em degustação à cegas, efeito provado de maneira empírica e recorrente (ainda escreverei sobre o esporte lúdico). Os consumidores não levaram em conta a matemática local, onde a redução de imposto não significa, necessariamente, queda no preço final, mas uma obrigação do estado provedor e oportunidade de aumentar a margem de lucro. Didier Chenet, presidente do Synhorcat, um dos principais sindicados patronais de restaurantes e hotéis, por exemplo, diz que a medida serve, sobretudo, para preservar os empregos em tempo de crise aguda.

O governo espera uma contrapartida pela redução do imposto — ela significa 3,2 milhões de euros a menos na receita fiscal de um
estado deficitário — bem mais do que a simples queda de preços. O governo Sarkozy quer a criação de 40.000 novos empregos e aumentos de salários. Os empresários do setor da restauração e hotelaria, que não são os mais prejudicados pela TVA à 19,6%, julgam “fantasiosa” a expectativa governamental. O Ministério da Economia francês começa sentir-se como a administração de Barack Obama que socorreu a segurada AIG para depois constatar que boa parte da ajuda financeira (170 bilhões de dólares dos contribuinte americanos) está servindo para pagar bônus de execuivos.

A redução da TVA na França foi uma promessa jamais cumprida da campanha de Jacques Chirac à presidência da República em 2002. O ex-presidente francês sempre esbarrou, junto à União Européia, na negativa alemã de qualquer derrogação na TVA, uma taxa que atinge, indiscriminadamente, a ricos e pobres porque é cobrada sobre o consumo. A crise econômica e financeira mundial trouxe o acordo para flexibilizar as diretivas da UE. Doravante, é permitido aos governos dos 27 paises membros estabelecer o índice da Taxa sobre o Valor Agregado. Durante a falta de acordo sobre a redução TVA, a França oferecia uma exoneração dos encargos sociais, estimada entre 600 e 700 milhões de euros, sobre os 30 primeiros empregados das empresas francesas. O governo francês cogita acabar com o incentivo.

Por Antonio Ribeiro

23/01/2009

às 14:25 \ Gente

A mulher que faz Sarkozy transpirar


Engana-se quem pensa que o nome dela é Carla. Francesa, 26 anos de idade, rosto formoso, corpo escultural, ela se chama Julie Imperiali. Duas vezes por semana, no mínimo, acompanha, vestida de abrigo esportivo justo, o presidente francês, nos jardins do Palácio do Eliseu, lugar que no governo passado, apenas o cachorrinho Sumô, da família Chirac, exercitava. A jovem preparadora física ou se preferem, “a personal”, cuida de Sarkozy desde abril do ano passado. O presidente perdeu 4 quilos, dois números da calça, mudou radicalmente sua postura e agora, corre mais rápido mantendo o ritmo constante de 10 km/h, durante 45 minutos. Em um país, onde o chefe do executivo faz questão de mostrar-se vendendo energia o tempo todo, Julie pode ser considerada tão necessária para Sarkozy quanto um ministro.

O treinamento de Julie consiste, sobretudo, em controlar os músculos da região do períneo, a base do tronco. O que vem a ser isso? “Imagine que você sente uma vontade louca de urinar, retenha-se”, explica ela. Na percepção de Julie, o corpo humano é uma casa: os ombros são o teto, os músculos dorsais, abdominais e oblíquos são os pilares de sustentação. A região do períneo é o solo. Sem uma base sólida, tudo desmorona. “Meu trabalho exige 40% de esforço físico e 60% de concentração mental”, afirma a personal.

Será que, finalmente, foi descoberto o segredo do famoso tônus presidencial? Sarkozy, de 53 anos de idade, tem vontade de ferro, disciplina prussiana e gosta de resultados concretos. Não foi diferente com Julie que conheceu depois do seu casamento com Carla Bruni de quem Julie já cuidava da silhueta desde o nascimento de Aurélian, o filho da primeira-dama — durante muito tempo, o controle da região do períneo era recomendado apenas para o pós-parto. “Quando eu chego ao palácio, ele já está pronto e motivado”, conta Julie que corrigiu o hábito do presidente de correr, correr sem pensar no corpo. Durante os exercícios, Sarkozy, “aluno exemplar”, não reclama. Julie ensinou o presidente alongar-se para expulsar as tensões e mudou seus hábitos alimentares. Sarkozy era compulsivo com chocolates. Agora, o presidente que não bebe álcool, dissociou os açucares lentos das proteínas. Come pasta e carne apenas com legumes. Prefere barra de cereais ao tradicional sanduíche francês de presunto com queijo.

Há um informação que o serviço de imprensa do Eliseu não confirma: Julie diz que seu treinamento, patenteado com nome de Tectonic Wellbeing, aumenta a libido de quem o prática. Nos homens, o método diminuiria a ejaculação precoce e as mulheres, chegariam ao orgasmo com mais rapidez. O resultado comprovado indica que os homens perdem o brioche (pneuzinhos), o excesso de gordura em torno da cintura. As mulheres desenvolvem um ventre como tábua, os ombros ficam abertos e os seios, empinados. Isso porque o Teotonic trabalha a postura.

Julie, ex-campeão francesa de aeróbica e professora no Ritz Health Club, dá aula particulares para famosos e endinheirados — roda Paris em uma possante motocicleta. Na lista dos clientes cuja maioria são mulheres, esta a ex-modelo holandesa Karen Mulder. Ela cobra de 140 à 210 euros a hora. Mas aqui vai uma boa notícia: lições de Julie Imperiali podem ser acompanhadas na internet por apenas 1 euro. Ela prescreve uma rotina de 20 minutos de exercícios diários, explica o programa alimentar e acompanha o progresso do internauta. A inscrição é feita no site da preparadora física criado junto com o marido Marc. Julie garante que seu método pode fazer qualquer um ter a rapidez do Speedy Sarko ou ser tão esbelta quanto Carla Bruni.

Assista aqui uma aula de Julie em frente as Pirâmides do Egito e na Córsega, a bela ilha do Mediterrâneo.

Por Antonio Ribeiro

27/05/2007

às 8:27 \ França

Nicolas Sarkozy: o retrato oficial

Paciente e sem nenhum vedetismo, Nicolas Sarkozy cumpriu mais um ritual republicano: posou para a feitura da fotografia oficial. O novo presidente da França, a exemplo dos seus predecessores Charles De Gaulle, Georges Pompidou e François Mitterrand, escolheu a estante de livros da biblioteca do Palácio do Elysée como fundo do seu portrait presidencial — alegoria inspiradora do retrato de vários presidentes brasileiros. Segundo Philippe Warrin, fotografo da agência SIPA e autor da fotografia, Sarkozy manifestou o desejo de uma imagem ‘clássica’ ao lado da bandeira francesa. O fotógrafo, cuja folha corrida é recheada de imagens de celebridades do segundo escalão francês, sugeriu ao presidente adicionar a bandeira da União Européia na cena. O presidente topou. A atenção de quem olha a fotografia se divide entre o sujeito principal, vestido de um elegante terno escuro, e as cores vibrantes das bandeiras em um curioso conflito visual. Detalhe: nota-se no canto superior direito da fotografia uma parte da caixa de luz que serviu de iluminação principal. Isso acontece porque, na penumbra, é difícil de perceber pelo visor da câmera o tom negro que reveste os equipamentos de iluminação. Por que não retocam com fotoxópi? Porque deveriam? Documento histórico é documento histórico.

Em um país de fortes tradições pictóricas, o retrato oficial tem todo um simbolismo. De acordo com especialistas os presidentes gostam de transmitir através do retrato oficial, não só como querem ser vistos, mas a marca que desejam imprimir nos seus mandatos — o retrato ficará pendurado por cinco anos em 36.664 prefeituras da França, ministérios, repartições públicas, escolas e embaixadas pelo mundo afora. O ex-presidente Valery Giscard d’Estaing escolheu um dos mestres da fotografia, Jacques-Henri Lartigue, para fazer — e não bater  ou  tirar — um retrato ‘moderno’. De fato, o retrato de Giscard é diferente da cena tradicional, mas não deixa de ser um dos mais banais da Quinta República, onde o busto do presidente está à frente da bandeira tricolor. Mitterrand se fez fotografar com os Ensaios de Montaigne a mão. O objetivo era transmitir naturalidade do ‘erudito humanista’: o presidente estaria lendo na biblioteca e, subitamente, sua atenção foi desviada pela presença do fotógrafo. A idéia foi melhor do que o resultado — a fotografa Gisele Freund, 87 anos na época, fala que enfrentou ‘exigências impossíveis de uma legião de palpiteiros palacianos’. Bettina Rheims fez um belo retrato de Jacques Chirac nos jardins do Palácio do Elysée. Junto com fotografia do general Charles De Gaulle, uma esplêndida imagem clássica feita em 1958 por Jean-Marie Marcel, são os retratos oficiais mais interessantes dos últimos presidentes franceses.

Por Antonio Ribeiro


 

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