05/07/2009
às 18:49 \ Brasil-França“Você consegue fazer um passarinho descer da árvore.”

Howard Yang, virtuoso violinista do Orquestral de Paris, a maior orquestra sinfônica da capital francesa com 45 membros, é amigo desta coluna. Seguidas vezes, as linhas escritas aqui são embaladas pelas notas musicais do seu instrumento, concebido por Jean-Batiste Vuillaume, em 1850, o violino “Messie”, considerado o stradivarius francês, estimado em 250.000 euros.
Yang toca a campainha, pergunta se pode ensaiar e, invariavelmente, recebe a resposta: “Claro que sim Howard, é um prazer.” Lula, dona Marisa, filho, nora e netos testaram o privilégio de ouvi-lo hoje, antes do passeio que fizeram ao Museu do Château de Chantilly e almoço em Senlis, subúrbio de Paris.
A anedota – em francês, o substantivo feminino não esta associado sempre a algo divertido – deste domingo ensolarado em Paris, começou cedinho em um bistrot onde Yang e o autor desde blog tomam café da manhã, o Lutécia, na ilha Saint Louis. “Qual é o programa hoje?”, perguntou Yang. “O seu não sei, Howard, mas o meu é um plantão em frente a residência do embaixador brasileiro na França, o presidente Lula está hospedado lá, e nós jornalistas, não temos a menor garantia de que iremos vê-lo.” Vai explicar que a comunicação do Planalto é distinta do Palácio do Elyseé e da Casa Branca…
Um veterano enviado especial para acompanhar Lula na Europa fez triste constatação: ”Tenho mais informações sobre a visita do vice-presidente americano Joe Biden ao Iraque do que a respeito do Lula na Europa.” Entende-se o habitual pique-esconde com a imprensa. A entourage do presidente tenta protegê-lo da tradição de gafes. Mais reais que a realeza. Lula nem liga. Ele vive em uma fase larger-than- life, uma espécie de lenda viva.
Litah Yang, pai de Howard, era correspondente da Associated Press nos anos 1960, em Taipei, Formosa. O violinista não é só sensível na interpretação das suas partituras. Queria saber se podia tentar fazer Lula aparecer na janela pela força da sua musica? “Claro que sim Howard.” Confirmou-se um vaticínio paterno ao filho, diplomado no conservatório de música de Paris: “Você consegue fazer um passarinho descer da árvore.”
Lula apareceu na janela pela força do Caprice de Nicolo Paganini número 24, pauta musical considerada no século XIX impossível de ser interpretada. Trata-se de um concentrado de dificuldades técnicas: pizzicacato com a mão esquerda, grandes intervalos, duplas, triples e quádruplos de cordas, superposição de melodias e etc.
Foi um domingão em Paris.
Tags: Howard Yang, Lula, Nicolo Paganini, Paris




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