Blogs e Colunistas

Honduras

01/10/2009

às 12:03 \ Diplomacia

Tempo das cavernas

cavernasA pré-história corresponde ao período que antecede a invenção da escrita. A grosso modo, foi por volta de 4.000 anos antes de Cristo. Alguns historiadores sustentam que o termo pré-história é incorreto. Segundo eles, seria mais preciso referir-se àqueles tempos como anteriores à chegada de documentos escritos. História sempre houve, embora nem sempre escrita.

No Brasil, a “pré-escrita” acabou tarde. Foi em 1500, quando Cabral aportou na Bahia. Na Nova Guiné, o marco aconteceu na virada do século passado, em 1900. Onde hoje é Honduras, viveram os Maias, civilização que, de acordo com os livros – e também na nova bossa, o Google – sabia escrever.

Ao observar certas imagens tomadas esta semana em Tegucigalpa – a que ilustra este post é uma delas – percebe-se o esforço para reproduzir, não os desenhos das grotas jurassídicas, mas as caricaturas com as quais o contemporâneo bem humorado retrata os primórdios, antes mesmo dos pré-colombianos. É favor não confundir com bolivarianos. A situação se presta a confusão. Nova Giné tampouco é Guiné-Bissau.

Há quem diga com bastante propriedade que blogues são uma questão de atitude. Nos tempos dos bytes, subscrevemos sem ressalvas.

Por Antonio Ribeiro

30/09/2009

às 16:54 \ Américas

Uma linha

Democracias garantem ao acusado, o contraditório, a defesa e a igualdade de partes.

Por Antonio Ribeiro

29/09/2009

às 9:32 \ Américas

A letra fria da lei

constituicao-de-hondurasDa Constituição hondurenha:

“O cidadão que tenha ocupado o Poder Executivo não poderá ser presidente ou indicado. Quem transgredir a disposição ou propuser reformá-la, assim como aqueles que o apoiarem, direta ou indiretamente, cessarão de exercer de imediato seus respectivos cargos. Os infratores ficarão proibidos durante dez anos de exercer qualquer função pública.” (Foi o que fez Manuel Zelaya.)

“Nenhum hondurenho poderá ser expatriado nem entregue pelas autoridades a um Estado estrangeiro”. (Foi o que fez o governo interino.)

polichineloResumo da ópera-bufa: o polichinelo capaz de presuadir a existência de santo na história recente de Honduras, tem lugar garantido de contorcionista no picadeiro do Cirque du Soleil. Foi bem por isso que escrevemos aqui : “Chamar hondurenho de golpista é fácil.” (O que fazem Lula e Celso Amorim). Chamar Cuba pelo nome, de ditadura, o que é  também fato inquestionável, eles não tem coragem.

Por Antonio Ribeiro

28/09/2009

às 15:03 \ Américas

Filme velho

Quem paga uma lempira para ver de novo?

Quem paga uma lempira para ver de novo?

A França, velha democracia, também tem como Honduras, um abracadabra constitucional que permite colocar o país em estado de sítio do dia para noite. É o famoso Artigo 16 do título que trata dos poderes do presidente da República. Detalhe edificante: nunca foi usado. Nem nos momentos mais graves.

O Artigo 16 data da Constituição de 1958 que inaugurou a V República francesa, vigente até hoje. Na época, o presidente da França era o general Charles de Gaulle. Seu principal opositor, o ex-presidente socialista François Mitterrand dizia, nos momentos oportunos e nos outros, que  presença do Artigo 16 na Constituição deixava a França sob ameaça permanente de um golpe de estado.

Bem, em 1981, Mitterrand assumiu o poder e governou a França durante 14 anos. Os dois mandatos de 7 anos fizeram dele o presidente francês mais longevo da história republicana francesa. Detalhe edificante: Mitterrand  deixou o Artigo 16 tal qual como o encontrou. O ex-presidentes Jacques Chirac, durante dois mandatos, e o atual, Nicolas Sarkozy, até ontem, jamais cogitaram abolir o artigo. Ele continua intacto como os arsenais nucleares da force de frappe, existe para persuadir respeito.

A tradição das velhas democracias européias demonstra que não se abre mão das instituições para governar nos momentos graves. Elas são aliadas na defesa do estado de direito. A Itália nunca aboliu a democracia para vencer o terrorismo das Brigadas Vermelhas. A Inglaterra sofreu frequentes atentados IRA irlandês, sempre na democracia. O grupo terrorista comunista Baader-Meinhof foi vencido na antiga Alemanha Ocidental sem que os cidadãos perdessem seus direitos individuais.

Estado de sitio, regime de exceção é característico das republiquetas de banana tal como Honduras, o pinico onde o governo Lula anda afogando a diplomacia brasileira.

Abaixo o Artigo 16 da Constituição francesa :

Lorsque les institutions de la République, l’indépendance de la nation, l’intégrité de son territoire ou l’exécution de ses engagements internationaux sont menacés d’une manière grave et immédiate et que le fonctionnement régulier des pouvoirs publics constitutionnels est interrompu, le Président de la République prend les mesures exigées par ces circonstances, après consultation officielle du Premier ministre, des présidents des assemblées ainsi que du Conseil constitutionnel.

Il en informe la nation par un message.

Ces mesures doivent être inspirées par la volonté d’assurer aux pouvoirs publics constitutionnels, dans les moindres délais, les moyens d’accomplir leur mission. Le Conseil constitutionnel est consulté à leur sujet.

Le Parlement se réunit de plein droit.

L’Assemblée nationale ne peut être dissoute pendant l’exercice des pouvoirs exceptionnels.

Por Antonio Ribeiro

22/09/2009

às 17:05 \ Américas

Chamar hondurenho de golpista é fácil

Meu herói

Meu herói na lente de Ricardo Stukert

O duro é dizer a seguinte evidência, em público: “Cuba é uma ditadura.” Faça o teste. É prova de fogo. Não dizem. Nem Lula nem Amorim nem a entourage. E o diplomata do Itamaraty que disser, coloca a cabeça a prêmio.

Por Antonio Ribeiro

07/07/2009

às 18:58 \ Diplomacia

Protesto na Unesco

Durante a cerimônia de entrega do prêmio Félix Houphouët-Boigny pela Busca da Paz ao presidente Lula, na Unesco, em Paris, dois ativistas do Greenpeace subiram no palco com bandeirolas com as frases: “Lula Preserve a Amazônia » e  « Preserve o clima”

Os militantes da organização mundial ambientalista foram retirados pelos seguranças. No início do discurso de agradecimento pelo prêmio, no qual Lula pediu uma resposta dura ao golpe de estado em Honduras, o presidente brasileiro mencionou o protesto, mas fez como o “bagre ensaboado”, personagem que ele lembra nas ocasiões em que alguém escapole deliberadamente das situações incomodas. “Todos devem preservar a Amazônia”, disse.

Por Antonio Ribeiro

07/07/2009

às 10:01 \ Diplomacia

“Não existe crise no Senado, há divergência”

A declaração de Lula encerrou o encontro com Nicolas Sarkozy, no Palácio do Eliseu, em Paris. Os presidentes mostraram-se em posições confluentes sobre as mudanças na governança global, fiscalização do mercado financeiro, fim dos paraísos fiscais, no desejo de implementar suas relações bilaterais, na reação ao golpe de estado em Honduras. E até em um projeto discutido pelo Parlamento que abre a possibilidade de autorizar o trabalho aos domingos na França. O ex-sindicalista Lula apoiou o presidente francês. “Imaginem um brasileiro que venha a França durante fim de semana, ele não pode comprar nada?”

Sarkozy prometeu discutir com o Senegal a criação de sistemas de monitoramento de trafico aéreo na zona do acidente do voo Air France 447, no qual morream 228 pessoas, em sua marioria, franceses e brasileiros. A área sobre o oceano Atlântico é considerada um “buraco negro” por não ter cobertura de radares.

O resultado da eleição presidencial iraniana marcou uma clara diferença entre os dois presidentes. “O Brasil defende a legitimidade da eleição até que se prove o contrário”, disse Lula, refinando sua percepção de que se tratava de disputa similar as das torcidas do Vasco e do Flamengo. Sarkozy lembrou: “Os iranianos foram os primeiros a questionar os resultados das eleições e ontem, foi a vez de um conselho de aiatolás fazer o mesmo.” No segunda-feira, 6 de julho, durante encontro com Gordon Brown foi ainda mais explicito afimando que  ”os iranianos mereciam coisa melhor.”

Por Antonio Ribeiro


 

Serviços

 

Assinaturas

Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados