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George Papandreou

08/11/2011

às 13:13 \ Europa

Diplomacia de insultos

Foi revelado um diálogo confidencial durante a reunião de cúpula do G20 entre Nicolas Sarkozy e Barack Obama sobre o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. “Não posso nem vê-lo. É um mentiroso”, disse Sarkozy. Obama retrucou: “Se você está cansado, imagina eu, que tenho de lidar com ele todos os dias”. A conversa fará estragos nas relações entre os três chefes de estados. Os países, bem maiores que os três, se ajeitam. Mas a troca entre o presidente da França e dos Estados Unidos chega ser comedida se comparada com os insultos feitos entre os líderes europeus durante a tensa crise do euro. Leia em seguida um compêndio:

Nicolas Sarkozy, presidente da França, sobre Angela Merkel, chanceler alemã:

La Boche”, quer dizer, a boche, a velhusca, é a maneira injuriosa e xenófoba que os franceses se referem aos alemães, sobretudo, durante a ocupação nazista na França. Origem do coloquial francês, caboche. Em português, cachola.

“Ela diz que está de regime, mas come um segundo prato de queijo.”

Nicolas Sarkozy para George Papandreu, primeiro-ministro grego:

“Os gregos são o vírus que está envenenando a Europa.”

Nicolas Sarkozy sobre José Zapateiro, primeiro-ministro espanhol:

“Talvez ele não seja muito inteligente.”

Nicolas Sarkozy para David Cameron, primeiro-ministro britânico:

“Você perdeu uma boa oportunidade de calar a boca.”

Angela Merkel sobre Nicolas Sarkozy,:

“Anão.”

“Luis de Fuenes”, referência ao agitado humorista francês de baixa estatura.

“Mr. Bean”, referência a personagem cômica criada pelo humorista britânico Rowan Atkinson. O insulto diz respeito a semelhança física.

David Cameron sobre Nicolas Sarkozy:

“Anão enfezado”

Silvio Berlusconi, presidente do Conselho da Itália sobre José Zapatero:

“Ele é muito cor de rosa”

Silvio Berlusconi sobre Angela Merkel:

Bunduda insuportável.”

Silvio Berlusconi sobre o euro:

“O euro é um desastre que f… todo mundo”

Leia o post do Blog de Paris: “Destino do euro pendula entre berçários do ocidente: Roma e Atenas.

Por Antonio Ribeiro

08/11/2011

às 8:02 \ Europa

Destino do euro pendula entre berçários do ocidente: Roma e Atenas

Os que vão morrer te saudam

Há seis semanas a chanceler alemã Angela Merkel e o presidente da França se deram exatamente este tempo para salvar o euro. E mostrar para os interessados que estavam determinados. Talvez a missão mais dramática desde que a moeda comum a 17 países do Velho Continente foi criada. O cronômetro parou com o fim da reunião de cúpula do G20, em Cannes, no sul da França. Salvaram o paciente? Não. Ele continua padecendo sem dar sinais de reação.

Acordo não se chegou se deveria adicionar um montante e se sim, de quanto, aos atuais 440 bilhões de euros do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF).  A desejada “porta corta-fogo” contra a crise econômica, a facilidade de caixa para ajudar os países europeus  atenuarem dívidas públicas e capitalizar bancos, aqueles que emprestaram e arriscam calote pesado. Funcionaria também para induzir confiança nos investidores: “podem ir que estamos armados de bazuca”.

Tampouco houve consenso de quanto e de como incrementar os cofres do Fundo Monetário Internacional (FMI). A idéia é criar uma reserva suplementar para dar uma mão externa aos europeus e a quem sofrer seus impactos. Falou-se em trilhão de euros, mas a questão ficou para ser equacionada pelos ministros das Finanças em reunião prevista para dezembro.

O que se assiste é o euro pendulando sua sorte entre os berçários da civilização ocidental: Roma e Grécia. Mais especificamente, nos braços de governos fracos e, se considerado a maneira em que lidam com a gravidade dos problemas, certamente têm comportamentos burlescos.

Na Grécia, a situação caminha para formação de governo de coalizão entre rivais fervorosos, os socialistas do Pasok e os conservadores da Nova Democracia, liderado pelo ex-vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE) Lucas Papademos. Isso para atender uma necessidade imediata. A de retificar acordo do 26 de outubro com a União Européia (UE) pelo qual a Grécia receberia a sexta parcela de 8 bilhões de euros do segundo empréstimo, a bagatela total de 130 bilhões de euros. O acordo implica, em contrapartida, rigorosas medidas de austeridade. Sem o socorro financeiro, a Grécia  não fecha as contas antes do Natal.

A formação do novo governo grego coloca provisoriamente termo à crise gerada pela sandice do primeiro-ministro socialista George Papandreou, a hipótese de organização de um referendo sobre o plano de resgate da Grécia, a ameaça de falência e a catastrófica saída da zona euro. Mas, para os gregos, os problemas continuam a ser os mesmos. A recessão, o desemprego de quase 20% e as reduções de salários vão continuar. O lenitivo momentâneo não coloca fim no fato do país helênico operar no vermelho sem, por enquanto, perspectiva de mudança de rota e por consequência não ver luz no fim do túnel.

Presente grego

Na Itália, a terceira maior economia da Europa o quadro é bem mais sombrio. A queda de Roma, desta vez, poderá arrastar toda a zona do euro para a débâcle. O país tem a quarta maior dívida pública  do planeta, quase 2 trilhões de euros, equivalente a 120% do Produto Interno Bruto italiano. Se a capacidade produtiva inteira do país se dedicasse exclusivamente para pagar a dívida, situação impraticável, nem assim conseguiria salda-la em 12 meses. É dinheiro que não acaba mais. As contas da Itália cuja a taxa de desemprego é de 8,3% e crescimento econômico de 0,6% em 2011, foram colocadas sob monitoramento de auditores do Fundo Monetário Internacional (FMI). A intrusão, rara na zona do euro, tenta provocar mais credibilidade nos investidores.

Em 2012,  a Itália terá que refinanciar uma parcela de 300 bilhões de dólares da dívida colossal. Ontem, o spread entre os títulos da dívida italiana de 10 anos e os alemães atingiu, desde a criação do euro, o patamar recorde de 475 pontos. Isso significa que para cada euro que a Itália tomar emprestado, terá que pagar 6,74% de juros. Os economistas sustentam 7% como a beira do precipício. Taxas de retorno sobre os títulos com níveis semelhantes levaram a Grécia, Irlanda e Portugal pedirem ajuda externa. Mas a Itália é too big to fall, grande demais para cair, e não há paramédico preparado para os primeiros socorros. Entretanto, os investidores vão se desfazendo rapidamente dos títulos italianos, temerosos que a falta de solidariedade dos europeus e medidas de última hora não irão salvar a Itália.

O ministro das Finanças da Itália, Giulio Tremonti e 7 entre 10 de seus compatriotas acham que grande parte do problema é o Presidente do Conselho, Silvio Berlusconi, 75 anos de idade. Il Cavaliere governa o país há 18 anos, um período tumultuado por acusações de abuso de poder, interrogatórios policiais, convocações pela Justiça, acusações de corrupção, enriquecimento ilícito, e escândalos sexuais com garotas de honorários elevados. Christine Lagarde, diretora-gerente do FMI, resume a situação com aguda precisão: “Falta confiança”.

Confiança é elemento crítico nos negócios e nas relações humanas, amorosas e de amizade. Houve tempos em que Giulio Andreotti – o democrata-cristão governou a Itália em três mandatos – chegava a uma reunião de cúpula dos países mais ricos e a ex-primeira-ministra britânica Margareth Thatcher levantava-se da cadeira para ir cumprimentá-lo com rara deferência. “Hoje, nos encontros de chefes de estado o casal Merkozy (contração de Merkel e Sarkozy) dá as costas a Berlusconi ou zombam dele”, diz um deputado italiano.

Ontem, quando os mercados ouviram boatos que Berlusconi cogitava renunciar, o efeito foi similar ao de um atleta que tomou anabolizante. A bolsa de valores italianas disparou a frente das suas vizinhas europeias. Aí, veio o desmentido de Berlusconi. O Presidente do Conselho escreveu no seu mural do Facebook: “Os rumores de minha renúncia são infundados”. E ameaçou:Quero ver a cara de quem vai me trair.” Gesto seguido, a bolsa voltou a cair, mas se estabilizou em um patamar inferiorm mantendo a esperança na evidência: a posição de Berlusconi é insustentável, se não a curto, mas certamente a médio prazo.

O Parlamento italiano reúne-se se hoje, 15h30 hora local (12h30 em Brasília) para aprovar ou não o orçamento. Caso as contas não forem retificadas, haverá moção de confiança ao governo. Embora Berlusconi já tenha sobrevivido a 53 votos de confiança, a situação agora é bem mais delicada com a pressão dos mercados apostando contra a Itália. A maioria parlamentar que sustenta governo é frágil. Dois deputados do Partido da Liberdade, a legenda de Berlusconi, já debandaram para oposição e seis outros manifestaram seu desagrado com o capo em carta aberta. A imprensa italiana afirma que há 20 abandonos nas fileiras do governo.

Berlusconi construiu sua popularidade e apoio político na base da cumplicidade. Sobretudo, distribuindo cargos no governo. Sua margem de manobra nestes tempos de austeridade é bem mais estreita. Poucos acreditam que o Presidente do Conselho será capaz de implementar as medidas prometidas para economizar de 54 bilhões de euros — reformas no sistema de aposentadorias, nas leis trabalhistas e privatizações.

A surpresa não será a saída de Berlusconi do governo, mas a sua permanência. Il Cavaliere, o homem mais rico da Itália com uma fortuna estimada em 6 bilhões de euros, não está em posição de pedir sacrifícios aos italianos, fato incontornável para afastar temporariamente a bancarrota. O mais provável é que a Itália tenha eleições em breve, a exemplo da Espanha.  Entretanto, o euro agoniza.

Arrivederci Roma

Atualização: Sílvio Berlusconi perdeu a maioria absoluta dos 316 deputados do plenário. O plano orçamentário foi aprovado por apenas 308 parlamentares. A oposição preferiu se abster. O fim do Presidente do Conselho está próximo. Berlusconi disse ao presidente italiano Giorgio Napolitano que vai renunciar uma vez que as medidas de austeridade e reformas recomendadas pela União Europeia forem votadas. A Lei de Estabilidade deve ser votada na próxima semana.

Por Antonio Ribeiro

04/11/2011

às 9:40 \ Europa

Uma imagem vale mil palavras?

Resposta: Nem sempre. No caso de fotografias que ilustram e são em si um condensado de informações, as boas são as que “falam”, na maioria das vezes, sem precisar da muleta das legendas. No entanto, certas fotografias gritam, embora nem todos escutem. A fotografia que ilustra este post tem boa chances de entrar para esta categoria. Ela mostra, em plano amplo, o interior do Parlamento grego durante o dramático discurso, o segundo no mesmo dia, do primeiro-ministro grego George Papandreou. Ele será submetido hoje a voto de confiança.

A situação colocou o mundo em suspense. Será que Papandreou com uma magra maioria em plena debandada – depois da estapafúrdia idéia de referendo posteriormente descartada pelo choque da realidade – conseguirá sobreviver a frente do governo grego? Criou-se uma expectativa fenomenal, equivalente as que antecedem as finais de Copa do Mundo de futebol. Evidentemente, as conseqüências são mais graves.

Convido o leitor a reparar novamente a fotografia. O resultado do voto de hoje pode não ter sido antecipado, mas o futuro a médio prazo, sim. Repare os assentos e não a tribuna de onde o socialista Papandreou faz seu discurso. Tantas cadeiras vazias de deputados não revelam grande interesse para um eventual chefe de governo transitório e de coalizão nacional como Papandreou e a oposição defendem para a delicada situação da Grécia – talvez formado apenas de tecnocratas  sem vínculo partidário. O Parlamento grego tem um total de 300 deputados. Portanto, para se chegar a maioria são necessários 151. O socialista Pasok, partido de Papandreu, tem 151 parlamentares, nem todos apoiando o primeiro-ministo. A Nova Democracia, liderada pelo conservador Antonis Sâmaras reune 85 deputados. Os comunistas que são contra Papandreu, somam 23 votos.

Este texto tem 293 palavras, valem apenas uma observação.

Leia o post do Blog de Paris: “Dilma oferece mão a Europa e Papandreou a sua a oposição

Por Antonio Ribeiro

03/11/2011

às 15:06 \ Economia

Dilma oferece mão a Europa e Papandreou a sua a oposição

Em Cannes, durante a reunião de cúpula do G20 a presidente Dilma Rousseff disse que a Europa é um patrimônio democrático que precisa ser preservado. O Brasil, de acordo com Dilma, está disposto a contribuir com recursos via Fundo Monetário Internacional (FMI) para ajudar o Velho Continente resolver a crise da dívida soberana na zona do euro. Tratata-se, em última instancia, de uma oportunidade do Brasil ganhar maior poder de decisão no Fundo. A ajuda brasileira passaria pela linha de crédito especial do FMI chamada Novos Mecanismos de Empréstimos (NAB). O Brasil já contribuiu com 14 bilhões de dólares dos quais  10 bilhões  de dólares já executados. A proposta é que o aporte e outros eventuais recursos mais tarde sejam convertidos em cotas. (Leia o post do Blog de Paris que trata do assunto “Quem paga o gaiteiro escolhe a música…)

Alguns realçam que Dilma condicionou a participação do Brasil a uma “liderança, visão clara e rapidez”. Puro efeito de retórica, uma platitude. Isso é o que se espera de qualquer governo, seja para terminar a obra de um estádio de futebol, desalojar vândalos que invadem as dependências de uma universidade, como é o caso atual da USP, ou só emprestar para quem se compromete com as obrigações de saldar uma dívida,  vide o exemplo da Grécia. De novo, que fique claro: o Brasil esta tentando comprar maior influencia no FMI. Os Estados Unidos, Japão, Inglaterra, por exemplo, são contra. Eles não tem atualmente recursos de sobra para colocar no FMI, mas não querem perder poder de decisão que é maior do que Brasil e China.

Em Atenas na véspera de enfrentar uma moção de confiança no Parlamento grego, onde tem magra maioria – dois deputados – em rápida deserção, o primeiro-ministro grego George Papandreou fez uma dramática meia volta. O filho e neto de dois ex-primeiros-ministros gregos, mas desprovido de carisma, admitiu retirar sua proposta de  realizar um referendo para plebiscitar ou não o pacote de resgate à economia da Grécia – 130 bilhões de euros e calote de metade da dívida com credores privados, cerca de 100 bilhões de euros. Em mais um desesperado movimento para manter-se a frente do governo, Papandreou estendeu a mão à oposição. “Saúdo a posição do partido conservador, que está disposta a ratificar no Parlamento o acordo da cúpula de Bruxelas. Vou falar com o líder da oposição Antonis Samaras para que possamos analisar os próximos passos na base de um consenso mais amplo.

Mais cedo, o líder do principal partido de oposição da Grécia, o conservador Antonis Sâmaras que lidera 85 deputados em um total de 300, admitiu apoiar um governo transitório e de coalizão nacional desde que Papandreou fique de fora. Sâmaras sempre foi um impetuoso opositor dos planos de resgate negociados pelo governo socialista grego. Para ele, as medidas de austeridade agravavam a retração econômica da Grécia. Embora ainda se declare cético, não perdeu o senso de perigo. “O novo acordo de empréstimos é inevitável e deve ser garantido”, disse. A Grécia deverá garantir a chegada imediata de 8 bilhões de euros, a sexta parcela de um total de 130 bilhões. Sem o socorro país não fecha nem as contas de dezembro. Até que os gregos cheguem a uma posição clara, a ajuda está suspensa pela União Eupopéia e FMI.

Por Antonio Ribeiro

03/11/2011

às 9:22 \ Economia

G20: Abram os cofres

Depois de uma noite tensa devido à proposta grega de realizar referendo para plebiscitar ou não o pacote de resgate à economia da Grécia – 130 bilhões de euros e calote de metade da dívida com credores privados, cerca de 100 bilhões de euros –  a reunião do G20 em Cannes, no sul da França, começou com uma nota simpática. Barack Obama felicitou Nicolas Sarkozy pelo nascimento da sua filha Giulia. “Espero que ela herde a beleza da mãe e não a do pai”, disse Obama em referência a primeira-dama da França, à ex-modelo Carla Bruni. De fato, Sarkozy estava com feições de quem recebeu um presente grego.

Enquanto os chefes de estado do G20 (cerca de 80% do PIB global) seguem a tradicional coreografia das grandes reuniões, os assessores trabalham no rascunho do Plano de Ação para ser apresentado no fim do encontro. “O maior obstáculo na negociação é até que ponto a China aceitará acelerar uma flexibilização de sua política cambial e reduzir a acumulação de reservas para estimular o consumo doméstico”, revela Francisco Assis Moreira, correpondente do jornal Valor Econômico, que teve acesso ao esboço do documento. A proposta, visa sobretudo a China, é de que países com taxas de cambio inflexiveis e grandes reservas, abram o cofre para carburar o consumo interno. Neste aspecto, o aumento dos investimentos do governo Dilma Rousseff para melhorar a infraestrutura do Brasil é visto com entusiasmo.

Embora as atenções estejam voltadas para o encontro na Riviera francesa, a situação tensa na Grécia onde a sustentação política do  primeiro-ministro Papandreou vai ruindo rapidamente, é acompanhada com preocupação. Evangelos Venizelos, o ministro das Finanças da Grécia, um dos possíveis substitutos de Papandreou em eventual governo de união nacional se posicionou contra a realização de um plebiscito previsto para o dia 4 de dezembro. “A posição da Grécia dentro da zona do euro é uma conquista histórica que não pode ser colocada em dúvida, disse Venizelos. E arrematou expressando dissonância com o socialista Papandreou:  “Esta aquisição do povo grego não pode depender de um referendo.”

Leia o post do Blog de Paris - “O sermão do casal Merkozy

Por Antonio Ribeiro

03/11/2011

às 1:00 \ Moda

O laço da moda

Christine Lagarde com o noeud lavallière

Enquanto o primeiro-ministro grego George Papandreou parece ter atado um nó para enforcar o seu país, propondo realizar um referendo sobre o pacote de resgate à economia da Grécia, a elegante diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde foi para reunião dos países do G20 na Riviera Francesa com o laço da moda no colarinho. Inspirado no laço favorito dos pintores, artistas e intelectuais franceses do século XIX, o noeud lavallière é “o chic nas últimas” em Paris neste início de inverno europeu. La lavallière está associado ao nome de Louise Françoise de La Baume Le Blanc, duquesa de La Vallière e amante de Luis XIV.

Contudo, Lagarde não enrolou, manteve seu tradicional pragmatismo: “Tão logo o referendo seja realizado, e todas as incertezas sejam removidas, farei a recomendação ao comitê executivo do FMI para liberar a sexta parcela de nosso empréstimo para ajudar o programa econômico da Grécia.”

Este post não foi escrito só para elas. Os leitores podem ensiná-las a dar o laço. Em seguida, o passo-a-passo:

1. Escolha um lenço longo e estreito. Passe o lenço em volta do pescoço equilibrando igualmente cada extremidade e faça um nó simpes como no desenho, cruzando as duas pontas. 2. Dobre a parte de baixo como um acordeão. 3. Passe a ponta superior, por cima do plissado em acordeão.

4. Enlace a mesma extremidade por trás do plissado em acordeão. 5. Puxe ligeiramente para apertar o nó. 6. Afrouxe as extremidades para distribuir o laço de maneira elegante e equilibrada

Leia o post do Blog de Paris – “O sermão do casal Merkozy

Por Antonio Ribeiro

03/11/2011

às 0:21 \ Europa

O sermão do casal Merkozy

A história da construção da União Européia está repleta de percalços, mas poucas vezes uma jogada tão inesperada provocou momento tão dramático. Como se estivesse tratando de política doméstica a la grega, o primeiro-ministro grego George Papandreou pegou todos de surpresa e assustou os mercados financeiros ao anunciar um referendo para plebiscitar ou não o pacote de resgate à economia da Grécia – 130 bilhões de euros e calote de metade da dívida com credores privados, cerca de 100 bilhões. de euros. Isso para salvar a seu futuro político ou preparar uma saída de cena heróica, talvez honrosa diante dos seus compatriotas.

O casal “Merkozy” – a chanceler alemã Angela Merkel e o presidente da França, Nicolas Sarkozy – ficou furioso. Convocaram Papandreou, o “Lorde Caos”, como ele vem sendo chamado, para ser advertido em Cannes, antes da reunião do G20. Suspenderam a sexta parcela da ajuda – 8 bilhões de euros – sem a qual a Grécia não fecha as contas do mês de dezembro. Ficará assim até os  gregos tomarem uma decisão definitiva: se querem ou não permanecer na zona do euro.

Nunca um membro da UE foi ameaçado com linguagem tão crua. “Nós só podemos utilizar o dinheiro do contribuinte europeu, francês, alemão, que a partir do momento em que um certo numero de regras são respeitadas. Se elas não são, nem a Europa nem o FMI não poderão versar um centavo”, disse Sarkozy, o mais irritado com o presente grego. Merkel deu mais uma demão de tinta, aparentemente suave, mas também dura: “O euro precisa ser mantido estável, queremos alcançar isso com a Grécia, e não sem ela, mas a tarefa de manter a estabilidade do euro como moeda tem que ser a principal tarefa e a prioridade.”

Na saída do encontro, visivelmente abatido, Papandreou tentou amenizar o drama, sustentando que sua ideia de referendo não é só sobre o plano de ajuda que pressupõe contrapartida de medidas austeras da parte do governo da Grécia. “O povo grego quer ficar na zona do euro, fazemos parte e estamos orgulhosos disso. E para arrrematar : “Fazer parte da zona do euro significa ter muitos direitos e também obrigações, podemos cumprir essas obrigações. Há um amplo consenso entre os gregos e é por isso que eu quero que o povo grego fale.” Nada tão incerto. Os gregos querem os direitos, mas não as obrigações e tampouco a austeridade.

O primeiro-ministro grego esta acuado até dentro do seu partido, o Pasok. Com a ajuda da oposição os seus colegas socialistas querem antecipar as eleições. Amanhã Papandreou enfrenta um voto de confiança no Parlamento, em Atenas. É incerto que ele consiga sobreviver a frente do governo. O Pasok ficou com maioria reduzida a dois votos. Papandreou  tem apoio  de 149 deputados em um total de 300. Se o governo cair não haverá referendo, mas sim novas eleições. Será missão penosa para os políticos gregos enfrentarem as urnas defendendo privatizações impopulares e medidas de austeridade que podem cortar em torno de 100.000 empregos. O índice de desemprego na Grécia é mais de 20%.

Leia o post do Blog de Paris “Grecia: sim ou não

Por Antonio Ribeiro

04/05/2010

às 18:45 \ Europa

Dinheirama para Grécia pode não bastar

Querem saco sem fundos e quando vazio, que fique de pé

Querem saco sem fundos e quando vazio, que fique de pé

Enquanto o euro despencou nas bolsas mundiais, perdendo 1% em relação ao dólar, manifestantes do Partido Comunista grego subiram à Acrópole, em Atenas, para conclamar os “Povos da Europa” a erguerem-se. Difícil saco vazio ficar de pé. Os contribuintes europeus a contragosto vão começar a pagar o pato a la grega – 110 bilhões de euros de ajuda, sem esperança de vê-los de volta um dia. Sentados, os analistas das contas gregas estão chegando à conclusão de que vai faltar dinheiro para cobrir o rombo.

Não só.

Será preciso fazer vista grossa para o que deveria ter sido feito, no mínimo, uma década atrás. Muita confiança de que a ficha caiu e por consequência, o governo grego do socialista George Papandreou vai realmente encetar plano de austeridade duríssimo — empregou 100.000 funcionários públicos socialistas, como o  gorveno Lula e os  petistas no Brasil, aumentando os gastos públicos em 20 bilhões de euros nos últimos 5 anos. É preciso também fingir desconhecer o grego do economês.

Mas se os gregos não andarem na linha, a fonte para de jorrar, dizem. Conversa. O certo é que se os governos europeus não ajudarem a Grécia, o país em estado de falência não poderá pagar as instituições financeiras credoras que estão dentro dos países que estão emprestando. Se assim acontecer, elas correm o risco de quebrar junto com a Grécia.

Ainda que a Grécia faça o seu dever de casa, reduzindo o déficit atual de 8,1 % do PIB para 4,9%, em 2013 ela vai perder sangue pelo caminho. Ou seja, acumulando uma dívida de 50 bilhões euros. E até lá, durante os três anos, estima-se que os gregos terão que pagar 70 bilhões de euros dos empréstimos atrasados. Isso significa que o país só ai, ultrapassa o limite do seu cheque especial de 110 bilhões de euros, a ajuda conjunta da UE e FMI.

O plano atual é que no ano que vem, devido a um suposto bom comportamento da Grécia, o país conseguirá convencer os bancos a emprestar mais dinheiro para fechar as contas. Estima-se que terá que levantar 40 bilhões de euros. As reações do mercado, independente do eventual contágio da crise de endividamento chegar à Espanha, sinalizam que os mais otimistas devem esperar sentados.

Uma coisa é emprestar para o Brasil, Coréia do Sul e até México, donos de economias capazes de recuperação, como fez o FMI na década de 90. Outra, é confiar em um país sem tradição de austeridade  com corrupção endêmica que vive, sobretudo, de turismo barato e exportação de azeite com balança comercial deficitária.

Por Antonio Ribeiro

 

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