Torcida do crime organizado leva gol de Big Brother alemão
Em campo, o Borussia tem sido um sucesso. Ano passado, o time de futebol da cidade Dortmund, na Renânia do Norte-Vestfália, conquistou a Bundesliga, o campeonato nacional alemão. Em abril, o time da Emma, abelhinha amarela e preta, venceu a Copa da Alemanha, realizando assim a dobradinha pela primeira vez em sua história centenária.
A equipe cujo nome vem de termo latino para Prússia, tem a melhor média de público do país – espantosos 77.000 torcedores por partida. Seu estádio, o Signal Iduna Park, construído como uma das sedes da Copa do Mundo de 1974 com capacidade de 80.000 lugares, igual ao do futuro Maracanã, está sempre lotado É daí que vem o problema, mas de onde poderá brotar parte da solução e não só para o Borussia.
Durante décadas, os diretores do Borussia tomaram parte no esforço conjugado das autoridades esportivas e dos governos para conter o vandalismo, racismo e ações de criminosos que contaminaram as torcidas do nobre esporte bretão no Velho Continente. São medidas inspiradas, sobretudo, no relatório do magistrado inglês Peter Taylor que tratou do processo sobre as 95 pessoas mortas esmagadas durante a partida Liverpool x Nottingham Forest no fim dos anos 80.
Taylor fugiu da noção vaga de “violência no futebol”. Partiu do princípio que há crime e que a o ato criminoso não nasce de geração espontânea. Alguém o comete. Na maioria dos casos, de forma recidiva. Portanto, tal como ensinou Edgar Hoover, o primeiro diretor do Federal Bureau of Investigation (FBI) americano, é preciso criar um fichário com os nomes dos criminosos. De forma subsequente e preventiva, faz se necessário monitorar os casos mais sensíveis.
Muitos dos criminosos que se infiltraram entre os simpatizantes do Borussia tem traço genérico encontrado no Velho Continente e alhures, como é o caso de elementos das torcidas organizadas de times cariocas suspensas dos estádios por 6 meses. A saudável competição esportiva é só um canal dissimulado para desaguar a prática do crime. Há outro particular, mas não tão particular assim, os bandidos pertencem a grupelhos neonazistas e de extrema-direita que a legislação alemã decretou ilegal e a polícia vem tentando erradicar.
A direção do Borussia deu um passo a frente. Embora os estádios alemães já sejam equipados com câmeras para ajudar a segurança, o clube de Dortmunt gastou 310.000 euros para instalar no Signal Iduna Park um sistema de vídeos de altíssima resolução capaz de realizar close-ups a partir de 60 metros de distância.
Devido ao uso da nova tecnologia foi possível identificar um indivíduo de 27 anos já fichado na policia. Ele estava no meio da compacta massa de torcedores durante a partida Borussia x Werder Bremen exibindo flâmula com dizeres em apoio a organização neonazista ilegal. As imagens foram envidadas à central de policia de Dortmund que, por sua vez, confrontou as tomadas com o seu fichário de criminosos e, gesto seguido, enviou resposta positiva à segurança do estádio. O transgressor da lei foi capturado em 15 minutos.
Tags: Alemanha, Borussia, Dortmund, Edgar Hoover, FBI, Futebol, Peter Taylor, racismo, Signal Iduna Park, torcida organizada, Werder Bremen










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