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Front Nacional

24/03/2014

às 15:43 \ França

Hénin, centro do mundo, agora sob nova administração

Prefeitura imponente

Prefeitura imponente

No primeiro turno das eleições municipais na Franca, o Front National (FN), partido de extrema-direita xenófobo sob comando de Marine Le Pen, conquistou uma prefeitura. Note bem. Apenas um prefeito entre os 391 eleitos no primeiro turno. Repito: um.

A “vitória espetacular” aconteceu em Hénin-Beaumont. Por que “espetacular”? Porque a maioria da população é de operários que trabalham em minas de carvão e trazem à memória coletiva o romance sombrio “Germinal“, clássico do século XIX do escritor Émile Zola, cuja adaptação para o cinema fez sucesso com Gérard Depardieu.

Ademais, a cidade sempre teve administração socialista cujo orçamento é deficitário, a divida pública acumulada passa de 40 milhões de euros e  desta vez não é literatura, mas assunto das páginas policiais dos jornais, o ex-prefeito e alguns amigos respondem acusação de corrupção nos tribunais. Detalhe edificante: o lugar tem 27 mil habitantes, 19 mil eleitores dos quais apenas 12 mil votaram e entre eles, 6 mil escolheram Steeve Briois, candidato do FN.

Só se fala nisso.

A França tem uma população de 64 milhões de pessoas distribuidas em 36.664 cidades. Cada cidade tem, no mínimo, um prefeito. No segundo turno, os candidatos do FN disputarão 229 prefeituras. Preste atenção. Ainda não ganharam nem a direção de associação de moradores ou a sindicância de prédio. O voto será no próximo domingo, 30 de março.

Mas só se fala disso.

Mon Dieu! Oh là là…

LEIA TAMBÉM O POST DO BLOG DE PARIS :

Onda azul: direita sai na frente em eleições municipais na França

Por Antonio Ribeiro

24/04/2012

às 13:26 \ França

Marine Le Pen vota Hollande

Para falar da França, não é necessário conhecer a França, mas ajuda. Em questões gaulesas mais intricadas recorrer ao auxílio de muletas, não configura nenhum desonra pública. É mesmo recomendável. Mas o Blog de Paris tem a sorte de, ainda que consideramos pouco, apoiar-se em mais de duas décadas de experiência… na França. No assunto que vamos tratar a seguir, adiciona-se a observação de quase uma década como jornalista “setorista” no Front Nacional (FN) para uma agência… francesa.

É notável a surpresa ou melhor, o espanto provocado alhures pelos 17,9% dos votos – 6,4 milhões de eleitores – obtidos pela candidata da extrema-direita Marine Le Pen. É sempre assim quando o Front Nacional consegue vitória eleitoral expressiva e simplesmente quando elege um conselheiro municipal, o vereador francês. Desta vez, não foi diferente. Mas na verdade, não é tão espantoso assim. Vou explicar a razão.

Há uma parcela de eleitores que realmente acredita no ideário do Front – o “hard core”, o “noyau dure”, o núcleo duro. Mas o excedente dos votos tradicionais, expressa mais descontentamento, protesto contra o sistema e até alerta aos candidatos dos grandes partidos. A França enfrenta hoje sua maior crise econômica desde a Segunda Guerra Mundial. Há uma relação direta entre as crises e o eleitorado lepenista. Quanto mais profunda a crise, maior o número de eleitores do FN. O radicalismo é um dos filhotes da angústia. Não se trata de uma escolha ideológica. Repare, a maioria dos operários franceses votou em Marine Le Pen. Veja aqui no post do Blog de Paris.

Mas se fosse assim tão previsível, por que os institutos de opinião pública não acertaram exatamente o resultado de Marine? Ora, as previsões não estiveram assim tão longe quanto alguns querem fazer crer. A diferença esteve dentro da margem de erro de 3%. A maioria das pesquisas creditava Marine com 16, 17 %. Ela obteve 17,9%. Mas isso não explica tudo. O mais importante é levar em conta o seguinte: o eleitor do Front é mais tímido, arredio, para declarar seu voto abertamente. Na França, revelar apreço pelas idéias de direita é difícil – no Brasil é semelhante. Nem politico de direita, salvo Sarkozy, admite completamente. Se declarar eleitor do Front Nacional não é só mal visto, mas passível de receber lições de moral.

Dizem que Marine Le Pen venceu. Em certa medida, sim. Ela  obteve mais votos que no melhor desempenho de seu pai Jean-Marie, fundador do FN – 4,8 milhões de votos, em 2002. Mas não foi para o segundo turno. Portanto não será presidente da França nos próximos 5 anos. A herdeira Le Pen tampouco controla os votos dos seus eleitores. Aliás, o Front Nacional com seu credo “nem direita nem esquerda, mas  França” nunca aconselhou votar neste ou naquele candidato. É ilusão esperar que no tradicional comício do Primeiro de Maio, ela indique Sarkozy ou Hollande.

Caro leitor, se você teve a paciência de chegar até aqui lhe ofereço uma indicação a qual você não leu em parte alguma. No dia 6 de maio, antes de se dirigir para cabine de votação, Marine pegará duas cédulas para não revelar o seu voto secreto ao mesário e auxiliares. Em um deles estará o nome de Sarkozy e no outro, o de Hollande. É o do socialista Hollande que ela tem mais interesse de colocar na urna. Por que?

Nesta altura, enquanto Sarkozy e Hollande fazem, cada um à sua maneira, dança do ventre para seduzir os eleitores do Front Nacional, Marine Le Pen já está pensando no “terceiro turno” da eleição francesa. Ou seja, nas eleições legislativas marcadas para julho, importantíssimas no regime de presidencialismo parlamentar francês. Se o estorvo Sarkozy for carta fora do baralho, Marine tem mais chance de liderar a oposição de direita contra Hollande. Não é certo que ela consiga, mas este é o plano.

Por Antonio Ribeiro

22/04/2012

às 16:49 \ França

Hollande sai na frente, mas o jogo continua aberto

A primeira conclusão do resultado eleitoral é que o jogo continua aberto. François Hollande saiu em primeiro, mas com uma vantagem reduzida – 1,5% de votos. Trata-se de uma marola inferior a onda espetacular de votos que o candidato socialista afirmava que Nicolas Sarkozy iria “receber na face”. O recandidato Sarkozy não ganhou a maioria dos votos, situação ruim para um Presidente da República na briga para um segundo mandato de cinco anos. Ele começa o segundo turno tendo que correr atrás da diferença em duas semanas numa estratégia de tudo ou nada também para definir seu futuro como político. Isso significa cortejar, sobretudo, os eleitores da extrema-direita francesa, decepcionados com seu desempenho e postura na presidência.

Sarkozy propõe fazer três debates na TV contra Hollande – economia, questões sociais e política externa. O socialista, acusado de ser omisso no primeiro turno e agora, de jogar na retranca –  equivalente ao catenaccio italiano no futebol – quer apenas um duelo televisivo. Ele está marcado para aconter no 2 de maio, quatro dias antes da eleição.

Marine Le Pen teve uma boa votação se considerado o histórico eleitoral da extrema-direita xenófoba – 6,4 milhões de votos. Ela  obteve mais votos que no melhor desempenho de seu pai Jean-Marie – 4,8 milhões de votos, em 202. Seu resultado dilatado se deve também porque a crise é mais profunda e, por consequência, o numero de descontes maior. Embora haja uma parcela reduzida de dogmáticos, o voto no Front Nacional é mais de protesto do que de convicção. Contudo a herdeira Le Pen não vai para o segundo turno. A candidata tampouco controla os votos dos seus eleitores. Aliás, o Front Nacional com seu credo “nem direita nem esquerda, mas  França” nunca aconselhou votar neste ou naquele candidato. Isso remete à seguinte questão: Em quem os simpatizantes de Marine vão votar? Uma pesquisa muito apressada indica que 6 entre 10 deles preferem Sarkozy. Outra sondagem prevê que eles seriam apenas 52%.  Em torno de 25% votaria em Hollande e o restante escolheria a abstenção.

Atualização: Resultados definitivos – Hollande 28,6% (venceu em 56 departamentos), Sarkozy 27,1% (39 departamentos), Le Pen (1 departamento) 17,9%. Para um total de 46 milhões de inscritos, 8 em cada 10 eleitores votaram. 9,4 milhões não compareceram para votar. Na França, votar não é obrigatório.

Leia o post do Blog de Paris: “Hora de acordar

Por Antonio Ribeiro

14/03/2012

às 11:42 \ França

Marine Le Pen, o espantalho, queima como fogo de palha

Tal pai, tal filha. Marine Le Pen, a candidata da extrema-direita a presidência da França, passou as últimas semanas dizendo ter chance mínima de ganhar a eleição? Não. Seria pedir muita lucidez e pouca astúcia. Como o pai fez antes, a filha tentou persuadir os incautos que devido ao sistema eleitoral francês – exige 500 assinaturas de prefeitos para oficializar a candidatura – poderia nem conseguir entrar em campo para disputar o páreo. Menos, né?

O truque velho serviu apenas como mais munição para a candidata exercer seu fundo de comércio. Ou seja, atacar qualquer edifício que não tenha sido erguido pelo Front Nacional. A União Européia, o euro, a legislação francesa em geral, as políticas  governamentais de imigração e integração em particular, etc. Resultado do jogo de cena? Pasmem. Ela conseguiu as 500 assinaturas. É mesmo? Não diga! Os trouxas reincidiram, caíram de novo: Le Pen entra na disputa, melou o jogo!

Quando foi que Marine esteve ameaçada de não ser candidata à presidência da França? Só quando o pai Le Pen quis passar a herança política e alguns membros do Front Nacional acharam que o partido não obedecia automaticamente a linha sucessória familiar. Durou alguns dias, muito antes de começar a disputa eleitoral na França. Mais especificamente, quando o pai decidiu não se candidatar à presidência.

Quando cheguei à França, duas décadas atrás, havia dois políticos jornalisticamente interessantes e originais a meu juízo: o presidente François Mitterrand e o líder da extrema-direita xenófoba Jean-Marie Le Pen. Os demais eram variações de mais do mesmo. Personagens já vistos antes em outros trajes.

Os colegas da Gamma Presse Images, agência em que fui convidado a trabalhar, gostavam de fazer reportagens sobre o primeiro presidente socialista da V República. Le Pen despertava menos interesse e, a bem dizer, um certo incômodo entre os franceses. Eles cobriam o candidato do Front Nacional quase por obrigação de ofício ou, no jargão do futebol, para cumprir tabela. Pior: abordavam o eterno candidato derrotado à presidência, embora representante de uma parcela significativa e crescente da população francesa, como um político igual aos outros.

Dado o seu ideário contrário aos valores republicanos e só democrata porque de outra maneira a existência do Front Nacional não seria permitida pela lei, Le Pen merecia mais atenção e senso crítico mais detido. Durante sete anos fui uma espécie de “setorista” da agência no Front Nacional. A experiência trouxe algum conhecimento sobre a maneira de operar dos lepenistas.

O “milésimo gol” do partido da extrema-direita da França, a glória máxima, foi a chegada de Le Pen ao segundo turno da eleição presidencial de abril de 2002, eliminando o candidato socialista Lionel Jospin do páreo. Causou espanto e arrependimento entre os que decidiram não sair de casa para votar em um domingo chuvoso, seguros que a disputa estava definida.

No segundo turno, a resposta dos eleitores foi previsível. Oito entre dez franceses votaram em Jacques Chirac, o apático opositor de Le Pen. A eleição entrou para história também como a maior surra eleitoral da França.

Desde sua criação, o Front Nacional nunca conseguiu eleger sequer um mísero deputado para a Assembléia Nacional. No máximo, o partido faz um prefeito aqui e um vereador acolá em eleições municipais cantonais e regionais. Seu desempenho nacional é pífio. A atual candidata Marine Le Pen, assim como foi seu pai, é deputada no Parlamento Europeu. Mesmo coligada a representantes da extrema-direita do Velho Continente tem influência mínima em decisões nacionais.

O mais interessante na corrida eleitoral francesa é a semelhança no primeiro turno com a força centrífuga do secador de alface, rúcula e agrião. Os candidatos vão para os extremos para conquistar a sua base e afinidades. Neste sentido, o conservador Nicolas Sarkozy mostrar-se muito mais de direita do que ele é na verdade – está aí, a sandice de propor rever os acordos de livre circulação de indivíduos na União Européia. François Hollande faz igual com a proposta caricatural de taxar em 75% quem ganha mais de um milhão de euros por ano. Pura retórica eleitoral. O mundo real é mais complexo e ninguém é tão ingenuamente boboca salvo se quiser fazer tipo. No segundo turno, os candidatos voltam para as posições de origem. Isso porque se não ganharem o centro, não levam a presidência.

Marine Le Pen? Tal pai, tal filha. Na hora H, ela pode retirar eleitores da direita como o velho plano  “florentino”  de Mitterrand: dar força ao Front Nacional para dividir a direita.  Ou o contrário:  os simpatizantes mais pragmáticos de madame Le Pen suspeitam que outro candidato possa colocar algumas de suas idéias em prática e, como consquencia, votam nele. Aconteceu na eleição de Sarkozy em 2007. Mas enquanto candidata, Marine é um espantalho que queima como fogo de palha. Vistoso, atemorizador, mas não passa disso.

Por Antonio Ribeiro

16/02/2012

às 11:48 \ França

Candidato já era, resta saber se continuará presidente?

Nova campanha, velha promessa com mar grego ao fundo

Todos sabem do raiar do dia, mas o galo o anuncia todas as manhãs. Nicolas Sarkozy comunicou oficialmente sua candidatura à reeleição para Presidência da França. Trata-se de uma desconfiança entre os franceses, presente desde o dia da posse do presidente que veio caminhando em direção a certeza, até ontem, pouco depois das 20 horas locais, o horário nobre do telejornal de maior audiência do país. Se candidatura de Sarkozy estava na cara embora  ainda não estivesse  no cartaz de campanha, a grande dúvida é bem outra. Ele continuará presidente? A julgar pelas pesquisas de opinião que mostram durante meses uma estabilidade nos números desfavoráveis a Sarkozy,  a resposta é “não”.

O candidato socialista François Hollande lidera com 30% das intenções de voto contra as 25% do presidente. No segundo turno, marcado para dia 6 de maio, a vantagem de Hollande triplicaria, segundo a média de 12 recentes pesquisas de opinião. A razão matemática é a seguinte: a maioria do eleitorado de centro está inclinada a escolher o candidato socialista, os votos da extrema direita, mais exatamente da terceira colocada Marine Le Pen, se forem capturados por Sarkozy, não são suficientemente numerosos para fazer o presidente ganhar e o indíce de indecisos é baixo, apenas 1 em cada 5 eleitores franceses declara anda não saber em quem vai votar.

Na atual conjuntura, Sarkozy espera algo semelhante ao desfecho da surpreendente Batalha de Marengo na qual 22 000 soldados das tropas de Napoleão afrontaram 30 000 austríacos, em 1800. As 17 horas, a batalha estava perdida. Mas às 22 horas, com a chegada do reforço sob o comando do General Desaix, Bonaparte expulsou o exército do Imperador François II para fora da Itália. “Sarkozy já cumpriu a primeira parte do programa”, escreveu o colunista Alain Duhamel, um dos mais agudos observadores das campanhas eleitorais francesas desde a eleição do General De Gaulle. Restam 66 dias para o presidente candidato fazer o resto.

Em um primeiro instante, o estratagema de Sarkozy não será derrubar Hollande. Ele precisa ganhar força, chegar ao segundo turno como principal candidato da direita. Sarkozy irá se mostrar mais radical em certas questões do ele é na verdade ou melhor, do que foi durante seus 5 anos de mandato. Isto para conquistar o eleitorado conservador e em especial os simpatizantes do Front Nacional, a extrema direita francesa ainda hesitantes em engajar-se no seu campo, contrário ao ocorrido em 2007, na eleição que o levou a presidência. A oposição robusta demonstrada pelo presidente ao casamento entre homossexuais e a adoção de crianças por parte de casais do mesmo sexo, é uma amostra do que virá em seguida. Não é um tema que, em tempos de crise econômica aguda, Sarkozy tenha dedicado muita atenção.

Os católicos praticantes, policiais, médicos, agricultores, enfim a base do seu eleitora receberá palavras de agrado e cápsulas de esperança para dias melhores. As visitas às fabricas e usinas vão se multiplicar na tentativa de persuadir a idéia no novo lema de campanha,  “A França Forte”, país onde desapareceram 500.000 empregos nos últimos 10 anos, elevando o índice total de desemprego para perto de dois dígitos.   É mais fácil encontrar na França um pé de jabuticaba que uma família que não tenha um desempregado. Nos 550.000 quilometros quadrados do país se vê o rosto mais dramático da crise: jovens sem perspectivas de trabalho.

Durante o anúncio oficial da candidatura, embora tenha saído-se bem quando escolheu dizer “aprendi” no lugar de “errei”, Sarkozy deixou escapar uma confissão quando abordou o seu desempenho presidencial: “Quero me reaproximar dos franceses”. Ficou claro que ele mesmo se considera distante. Neste sentido, o presidente quer propor, se eleito, dois referendos: um sobre a formação de desempregados com mudanças no benefício do seguro desemprego e outro, tema não menos polêmico, a imigração e abolição de restricões para expulsar imigrantes ilegais.

O problema será ganhar outro referendo, aquele em que François Hollande quer transformar a eleição presidencial. Ou seja, o governo Sarkozy foi bom ou ruim? Se a estratégia do socialista der certo, o presidente sabe que sai perdedor. Tanto sabe que contorna o cerne da questão. Afirma ter passado o mandato cuidando de crises. Elas teriam sido tão fortes que ele não teve tempo de promover as reformas que prometeu. Portanto, precisa de mais 5 anos para terminar o trabalho. Sucede que a crise está presente como nunca na França. Poderia estar pior, como nos casos grego, italiano, espanhol, português ou irlandês? Certamente. Mas sendo assim, há o exemplo da vizinha Alemanha que vai bem melhor que a França de Sarkozy. É por isso que o presidente aponta o lado ao norte do Rio Reno como uma espécie de Terra Prometida, destino para o qual propõe ser o guia. “As idéias me protegem”, diz ele.

Cruriosidade: O mar que serve de fundo do cartaz da campanha eleitoral de Sarkozy – inspirado em dois outros, o de François Mitterrand (paisagem) e de Giscard d’Estaing (slogan) não é francês… mas grego. Trata-se do Mar Egeu que banha a Grécia. A descoberta foi possivel porque o arquivo digital da imagem, feito com o programa Photoshop, traz informação inserida pelo autor, um fotógrafo da agência Tetra Images: “Greece, Clouds over Aegean Sea” – Grécia, Nuvens sobre o Mar Egeu. Veja abaixo a fotografia cujo original é 50 MB e custou 759 dólares:

 

Por Antonio Ribeiro

15/05/2011

às 2:42 \ Sem Categoria

Strauss-Kahn, diretor-gerente do FMI, é detido em NY

Strauss-Khan: Da suíte do Sofitel para prisão no Harlem

O francês Dominique Strauss-Kahn, diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), foi detido pela polícia de Nova York sob acusação de “agressão sexual, sequestro e tentativa de estupro.” As últimas pesquisas de opinião pública  para eleição de presidente da França, a ser realizada em maio do ano que vem, colocavam o socialista Strauss-Kahn, de 62 anos, em primeiro lugar,  à frente de Nicolas Sarkozy. DSK, como é chamado na França tinha com 23% das intenções de voto. Era seguido por Marine Le Pen, do Front National, a extrema direita francesa, com 17% e Sarkozy, com 16%. Mais de 60% dos franceses se declaram contra a reeleição do atual presidente.

O diretor-geral do FMI desde novembro de  2007 foi abordado por  três agentes portuários americanos na primeira classe do voo 023 da Air France, dez minutos antes da decolagem do aeroporto John Fitzgerald Kennedy (JFK) com destino à Paris. Stauss-Khan que não beneficia de imunidade diplomática estava sozinho e não foi algemado. “Do que se trata?”, Straus-Khan perguntou aos policiais. A detenção faz parte de investigação a partir de queixa da uma camareira negra,de 32 anos de idade, moradora do Bronx, funcionaria no Hotel Sofitel, localizado na rua 42, perto de Times Square,  centro de Nova York. Ela  alega ter sido molestada sábado no início da tarde na suíte número 2806 cuja diária é de 3.000 dólares.

O porta-voz do Departamento de Polícia de Nova York (NYPD, na sigla em inglês), Paul Browne, contou que a camareira entrou na suíte supondo que ela estivesse desocupada. Neste momento, DSK teria saído do banheiro “completamente despido”. Ele teria agarrado a camareira em uma tentativa de força-la a deitar na cama e fazer sexo oral. Sem sucesso, o diretor-gerente do FMI trancou a porta do aposento e, em seguida, ainda segundo o porta-voz, tentou arrastar a camareira do Sofitel para o banheiro quando, mais uma vez, teria molestado sexualmente a vítima. A camareira teria resistido e, finalmente, conseguido escapar.

DNA: Policiais no Sofitel

A camareira avisou funcionários do hotel que telefonaram para a polícia. Quando os policiais chegaram ao Sofitel, encontraram o celular de DSK e outros objetos de uso pessoal, esquecidos depois de uma partida apressada. Os policiais recolheram amostras de DNA na suite ocupada por Strauss-Khan desde sexta-feira, 13 de maio. A camareira foi encaminhada para o Hospital Roosevelt para tratamento de ferimentos leves. Depois da detenção, Strauss-Khan foi levado preso para uma delegacia do Harlem, bairro no norte de ilha de Manhattan  onde está sendo interrogado pela Unidade de Vítimas Especiais da Polícia de Nova York. – trata de crimes sexuais. Ele recebeu a visita do cônsul da França em Nova York e deverá se apresentar hoje em uma audiência com juiz americano. Se condenado, a legislação do estado de Nova York prevê uma pena de até  20 anos de prisão.

Jorge Tito, gerente do Sofitel New York, declarou que a camareira trabalha no hotel depois de três anos : “Gostaria de precisar que nossa funcionária nos dá inteira satisfação tanto no que diz respeito a qualidade do seu trabalho quanto no seu comportamento.”

Benjamim Brafman,  advogado do ex-ministro da Economia e de Finanças da França entre 1997 e 1999, durante governo do socialista Lionel Jospin, e casado com a famosa ex-apresentadora de telejornais na França Anne Sinclair,  afirmou que o cliente irá se declarar “não culpado”. Sinclair declarou “não ter dúvida” da inocência do marido DSK. Brafman foi advogado de Michael Jackson quando o cantor foi acusado de pedofilia.

Piroska Nagy

Esta não é o primeira vez que o diretor-gerente do Fundo, cujo mandato vai até setembro de 2012, é acusado de abuso sexual. Em 2008, a economista a húngara Piroska Nagy, alta funcionária do FMI para assuntos africanos e europeus,  ex- mulher do presidente do Banco Central da Argentina,  Mario Blejer, declarou ter sido molestada pelo chefe. O FMI à época apoiou seu diretor-geral embora tenha avaliado que Strauss-Khan havia cometido um “grave erro de julgmento.” O diretor-geral pediu desculpas aos subordinados e a mulher Sinclair. Nagy acabou sendo demitida junto com 600 funcionários em um plano de contenção de despesas elaborado por Strauss-Khan.

O FMI emitiu um comunicado lacônico informando que tomou conhecimento da detenção do seu diretor-gerente e que o organismo financeiro mundial continua “totalmente operacional e ativo” sob comando  interino do americano John Lipsky, o número 2 na hierarquia.

O deputado do Partido Socialista francês Jean-Chistophe Cambadelis afirmou que o “episódio não parece com os atos de Strauss-Khan”. Para Marine Le Pen, candidata declarada à presidência pela Front National, a carreira política de  Strauss-Khan está “encerrada”. Em entevista a TV France 2, o porta-voz do governo francês, François Bairon, recomendou “extraordinária prudência nas análises, comentários e respeito ao princípio de presunção de inocência”. O encontro de DSK com Angela Merkel para tratar da crise na Grécia, Portugal e Irlanda, previsto para hoje, foi retirado da agenda da chanceler alemã.

Leia o post do Blog de Paris: “Algemado, Strauss-Kahn deixa a delegacia do Harlem para exame de corpo delito. Na França, denúncia reaparece.”

Acompanhe a cobertura completa e atualizações permanentes sobre a prisão de Dominique Strauss, diretor-gerente do FMI, aqui no Blog de Paris.

Por Antonio Ribeiro

11/04/2011

às 10:44 \ França

Lei contra burca entra em vigor – com detenções

Entrou em vigor hoje na França a lei que proíbe o uso do véu islâmico integral em lugares públicos. Trata-se da veste feminina que cobre o corpo dos pés a cabeça incluse o rosto e no caso da burca, até os olhos são dissimulados por tela que permite a visão. Três mulheres vestidas com o hijab e vários manifestantes da associação  Touche pas à ma constitution (Não toque na minha Constituição) que protestavam contra a lei, foram detidos em frente à Catedral Notre-Dame, em Paris.

Rachid Nekkaz, líder da associação, convocou os participantes pela internet: “Convido todas as mulheres livres que querem usar o véu nas ruas para engajarem-se em desobediência civil.” A polícia afirma que as prisões não foram em função do uso da vestimenta, mas devido a falta de aviso prévio e autorização para realizar a manifestação como determina a legislação do país.

A França, onde estima-se o número de habitantes muçulmanos em 6 milhões, a maior concentração da minoria na Europa, tornou-se o primeiro país do Velho Continente a adotar a interdição generalizada. Seguido a debate caloroso, os deputados da Assembléia Legislativa aprovaram a lei no dia 11 de outubro de 2010. Ela prevê multa de até 150 euros e  a  obrigação de receber aula sobre a cidadania francesa ministrada por agentes da ordem pública. Mas quem forçar as mulheres a usarem o véu islâmico integral, corre risco bem pior:  multa de  30 000 euros e pena de prisão de até um ano. Se a infração for contra menores, a pena dobra.

Segundo o Ministério do Interior, menos de 2 000 mil mulheres usam o véu integral na França.  Dirigir de burca pode, carro é espaço privado. Em transportes públicos, nos jardins, hospitais, escolas, supermercados, lojas, restaurantes, museus, cinemas, o traje mais antigo que o sugimento do Islã no Sécula VII – servia como proteção nas regiões desérticas – não é permitida. A a burca não é especificamente mencionada no Corão e nem no Hadith. Os policiais não podem retirar o véu das infratoras, mas devem conduzí-las à delegacia caso as mulheres recusarem retirar a parte que cobre o rosto.

A lei que proíbe o hijab, a burca, mas também máscaras e capuzes que escondem o rosto, entra em vigor no momento onde um debate público sobre o “lugar do Islã e a laicidade” foi proposto pelo governo de Nicolas Sarkozy. Isso a um ano das eleições presidencias. As pesquisas de intenções de voto indicam que se as eleições ocorressem agora,  Sarkozy seria eliminado já no primeiro turno pelos candidatos do Partido Socialista e do Front Nacional, partido xenófobo da extrema direita francesa que vê nas tradições muçulmanas, uma forte ameaça à identidade francesa.

Atualização:

Uma das mulheres detidas é a francesa filha de imigrantes marroquinos, Kenza Drider, de 32 anos, na fotografia abaixo, sendo escoltada por policiais à paisana. O militanismo islâmico teve o requinte de pagar a seu bilhete de trem TGV da Provence,  sul da França, até Paris só para participar dos protestos contra o banimento do véu islâmico integral em lugares públicos.  A senhora Drider passou três horas na delegacia e em seguida, foi liberada sem multa. Missão cumprida.

Drier: "Serei multada? E daí? Esta lei é uma agressão aos meus direitos europeus."

Por Antonio Ribeiro

 

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