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França

14/04/2013

às 8:04 \ Europa

Curta e fina

A última na França dá conta de um diálogo no Vaticano:

– Olá, eu sou o Papa Francisco, o papa dos pobres.

– Encantado! Eu sou François Hollande, seu fornecedor!

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Por Antonio Ribeiro

11/04/2013

às 13:16 \ Europa

O canal e a mancha

O inverno europeu persiste em ocupar período, por consenso científico concedido pelos ocidentais, próprio a primavera. Mas não é a apropriação meteorológica indevida a razão da semana atípica no Velho Continente. Faz tempo em que os dias não passam sem que a chanceler alemã Angela Merkel não seja acusada de responsável por alguma desventura do euro, a moeda comum de 17 países. Seguido de pedido que seus compatriotas paguem a conta. Desta vez, no entanto, as atenções concentraram-se no legado de Margaret Thatcher e no futuro de François Hollande.

Ainda que um e outro tenham confrontado problemas similares, poucos casais poderiam representar tão bem a antítese quanto a fenomenal diferença entre o francês e a inglesa. Nem mesmo a secular rivalidade entre os seus países, separados por bem mais que os 34 quilômetros na parte mais estreita do Canal da Mancha. E, certamente, mais profunda que os 174 metros de água fria e salgada.

Na longa linhagem de governantes, segundo preceitos da Revolução Francesa, o republicano Hollande lembra mais um monarca. A semelhança com a figura trágica de Louis XVI, o rei guilhotinado, honesto e bem intencionado, é notável. Hollande é a principal figura de uma aristocracia política. Independente da cor da bandeira. Tal qual no Antigo Regime, impacientes com a crise econômica e social, e sem que se aviste uma luz ao fundo do túnel, a maioria dos franceses não reconhece mais os privilégios dos seus eleitos como a contrapartida dos serviços prestados à sociedade.

Inegavelmente, Margaret Thatcher tinha mais ares de rainha que Elizabeth II. No entanto, a conservadora modernizou a sociedade inglesa como nenhum outro dito progressista fez em parte alguma no planeta. Estamos falando da Inglaterra dos anos 80. Um país que tinha mercado de trabalho mais engessado e dependente do diktat sindical que a França de 2013. Um ambiente político mais entravado que atual Itália. Uma monarquia, como poder moderador, menos respeitada que na Espanha hoje.

Não é por nada que mentes européias mais lúcidas clamam por mais thatcherismo do que buscam em Hollande, governante mais de promessas que promissor, como atalho para melhores tempos. Não é exatamente liberalismo que querem embora mal não faça para os tempos bicudos. Passivos como Hollande carburam extremismos e populismos. Desastrosos paliativos. Líderes como Thatcher provocam debates vibrantes. É aí, na fricção de energias, que emergem as soluções. Isso desde o Big Bang, a origem do universo

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Por Antonio Ribeiro

21/12/2012

às 0:12 \ O Melhor de Paris

O melhor bistrô de Paris

Pantagruel, de François Rabelais. Por Gustave Doré

Se não houver fim do mundo hoje, 21/12/12, de acordo com o Calendário Maia, vale a dica para o fim do ano e com prazo até quando durar o que tem sido desde 1930. Trata-se do L’Ami Louis, o melhor bistrô de Paris. O título é sustentado por paladares de muitos nativos e, ainda em maior numero, de almas que conhecem os prazeres da capital da França pela ponta do garfo. E donos de carteira, digamos, com algum recheio, embora não muito se considerado um adicional, o preço da nostalgia.

No L’Ami a formula ainda é a melhor delas. Quer dizer, comida simples, conspicuamente bem feita. Prática em escada abaixo, cada dia mais rarefeita na Meca da gastronomia mundial. Leia-se, em Paris. Alguns imputam o triste fenômeno à chegada da crise econômica. Os mais precisos explicam a razão pela disseminação do forno micro-ondas. O resultado é o igual: o requinte vai cedendo lugar ao requentado.

No entanto, o amigo Louis resiste resoluto no 32 rue du Vertbois, uma ruela estreita, de sentido único, no berçário residencial da cidade, o Marais. Ou em conceito atualizado, e como sustentava a publicidade de outrora, “O mundo de Marlboro, onde os homens se encontram”. Ou seja, o reduto dos homossexuais incluso, bem entendido, moças em apreço mútuo.

A última vez que ocupei uma das 12 mesas do bistrô, Henry Kissinger sentou-se em outra, bem próxima. Todas elas são assim na casa do Louis, adjacentes. O lugar é pequeno e lembra vagão do trem Orient Express que ligava Paris a Constantinopla (atual Istambul). Aconchegante, no jargão comercial. O restaurante tem um atrativo suplementar, aplana diferenças.

Pour tout dire, não sobraram muitas divergências depois da leitura de “Diplomacia”, livro de autoria do ex-secretário de estado americano. Pelo menos, no que diz respeito ao tema. O certo é que, naquela noite, Henry e eu encaramos a linha mais famosa do cardápio: Coucou de Rennes avec frites et pommes paille à volonté. Ou seja, frango assado com batatas palhas à vontade. Aliás, quase como todo mundo que vai lá.

Em ocasião distinta, o convidado Bill Clinton e seu o anfitrião Jacques Chirac, seguiram a velha tradição. Cada um devorou a metade do suculento galeto com as famosas fritas, genuinamente francesas – as tais que os americanos apelidaram de french fries e que, na verdade, são belgas, as acompanhantes de mexilhões, no melhor dos casos. O contribuinte francês de então, pagou pelo deleite presidencial, o frango inteiro, o preço cobrado hoje de qualquer casal: 78 euros (212 reais).

Na época, Thierry de La Brosse, o lendário dono do bistrô – o mundo acabou para ele mais cedo, em 2010 – contou ao Blog de Paris que os presidentes atacaram primeiro, como entrada, as generosas fatias de foie gras. Elas tem a espessura de um polegar gordo. Quando chegam à mesa, os convivas costumam perguntar: “Quem poderá comer isso tudo?” No final da história, descobrem que eles mesmos são capazes da façanha pantagruélica. Às vezes, a epopéia vem com um certo arrependimento. Isso porque o que é prezado apenas como inicio dos trabalhos, equivale a empreitada completa. Sozinha, a porção de foie gras é capaz de aplacar o apetite de Gargântua, a personagem de François Rabelais.

Pelo sabor inesquecível e o flanco de gordura saudável, o foie gras do Louis tem, ainda que de maneira remota, um certo parentesco com a picanha. Depois do jantar com Chirac, Clinton voltou mais onze vezes por conta própria e repetiu a dose. (Obs. Por Tutatis!, a iguaria não deve ser abordada como margarina porque não é patê de fígado de pato. É, literalmente, o fígado da ave. Come-se em cubinhos, como dados, em cima de fatia de pão ligeiramente tostado.)

Quando assuntei a Louis Gadby, o atual proprietário, para escrever algumas linhas sobre o L’Ami Louis, ele suplicou: “Monsieur Riberrô, por favor, não escreva. Não conseguimos atender a nossa clientela. Muitos telefonam para reservar e somos obrigados a dizer que está completo. É chato.” Lamento monsieur Gadby, mas agora fala-se em fim do mundo e, via de regra no meu ofício, é quando não querem que se fale, a melhor hora de fazer o contrário.

L’Ami Louis
32 rue du Vertbois
Paris
Telefone: 01 48 87 77 48
 
… ou se prudentemente telefonar para reservar antes de chegar a França: +33 1 48 87 77 48
 
Por Antonio Ribeiro

10/12/2012

às 17:30 \ Diplomacia

Lula e Dilma em Paris: submarino e avião

Hotel Bristol: "Meia noite em Paris"

Dilma Rousseff desembarcou em Paris, hoje, às 1h27 da madrugada. No horário da França e durante o sono do presidente François Hollande. A presidente do Brasil foi acolhida no aeroporto Le Bourget pelo cerimonial do Quai d’Orsay, dispositivo do Ministério de Relacões Exteriores francês. Hospedada no Hotel Bristol, Dilma acordou “tarde”, de acordo com sua assessoria e se considerada a diferença de fuso horário entre Brasil e França – três horas a mais em Paris. No entanto, na mesma hora em que desperta no Palácio do Alvorada. E em perfeita sintonia com a atualidade brasileira. A ver.

Pouco depois do meio dia, Dilma almoçou no hotel com o ex-presidente Lula, ausente do Brasil desde que a ex-chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Noronha, foi indiciada por corrupção, tráfico de influência, falsidade ideológica e formação de quadrilha. O encontro durou mais de duas horas.

A visita de estado com duração de dois dias, a segunda de Dilma à França e a primeira durante o mandato de Hollande, começa oficialmente amanhã, 11 de dezembro, quando a presidente escoltada pela cavalaria da Guarda Republicana, percorrerá a avenida Champs Elysées decorada com bandeiras do Brasil e da França.

À tarde, Dilma volta a se encontrar com Lula em evento organizado pelo Instituto que leva o nome do ex-presidente brasileiro em parceria com a Fundação Jean-Jaures. O ex-primeiro-ministro francês Lionel Jospin encerra o colóquio que tem como objetivo refletir sobre “os desafios da globalização, das condições para um crescimento harmonioso e sustentável que anteponha o bem-estar dos cidadãos aos resultados econômicos.” Estão previstas intervenções dos ministros da área econômica, Guido Mantega e do francês Pierre Moscovici, ambos veteranos da luta inglória para aumento do Produto Interno Bruto dos seus respectivos países.

Quando a tímida luz do inverno europeu começar a se despedir, Dilma Rousseff será recebida por François Hollande no Palácio do Eliseu onde, depois do encontro, os presidentes responderão perguntas – ou algo assim – dos jornalistas credenciados. A noite, François Hollande e madame Valérie Trierweiler oferecem jantar de gala em homenagem a Dilma Rousseff na antiga residência da madame de Pompadour, amante, amiga e conselheira do rei Luiz XV, a atual sede do governo da França.

É provável que, em algum momento, Rousseff e Hollande irão abordar o assuto que o governo francês mais se interessa no que diz respeito a sua relação “bilateral” com Brasil, como se diz no jargão diplomático. Leia-se o que é de fato, “comercial”. A eventual compra dos aviões caça Rafale, fabricados pela francesa Dassault o que seria um dos maiores gastos militares da história do Brasil. Investimentos, se preferem. Uns 11 bilhões de reais para ser justo com o contribuinte do fisco.

Se depender das autoridades brasileiras temerosas que Dilma possa não aprovar suas declarações, há pouca chance de saber sobre as intenções do Brasil. O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, quando perguntado sobre o assunto, foge apressado como o diabo da cruz, diz que o negócio é com a presidente. O ministro da Defesa, Celso Amorim, outro exemplo ainda mais emblemático, afirma: “Não sei de nada.” Amorim prefere falar da fragata brasileira Liberal, a nau que lidera a Unifil nas águas do Mediterrâneo. E de submarinos. O Brasil construirá cinco deles na sua “parceria estratégica” com a França, entre os quais, um de propulsão nuclear, dito de “ataque”. Faz sentido.

Por Antonio Ribeiro

01/11/2012

às 16:45 \ França

Hollande: choque não, uma massagem leve, por favor

Sortudo o camarada François Hollande. Ele preside um país onde a língua oficial é o francês. O idioma tem recursos reconhecidos, no espaço e tempo, para expressar o pensamento abstrato de modo inebriante. Pela riqueza dos vocábulos, alguns com mais de dez significados, constitui uma ferramenta extraordinária para políticos nos momentos de crise, quando a arte do ilusionismo ajuda hipnotizar ânimos mais exaltados.

Justiça se faça, nem tudo caiu do céu. Hollande contribuiu com a rota do seu destino. Formou-se com louvor na prestigiosa Escola Nacional de Administração (ENA) pública da França. Lá aprende-se que, quando emerge um problema muito incômodo, convoca-se uma comissão de sábios e especialistas para produzir relatório com prazo de entrega previsto para calendas. É a melhor maneira de eludir, não resolver e, finalmente, ganhar tempo até a chegada do esquecimento. A constatação é  de um francês que recebeu na pia batismal o nome de Charles de Gaulle.

Hollande conta com outra vantagem. Desta vez, institucional. Ele comanda um país cujo sistema presidencialista misto tem um primeiro-ministro parlamentar. Em teoria, é o chefe do governo. Em teoria. Na prática, o primeiro-ministro é o fusível do presidente. Quando as coisas vão de mal a pior, ele é trocado por outro. Os  locais sustentam que a medida oxigena o governo. Quando tudo vai bem, o presidente colhe os frutos, na melhor tradição monárquica do sistema republicano francês.

A revista The Economist dá conta que um recente estudo do Fórum Enonômico Mundial lista a França em termos de competitividade na vigésima primeira posição enquanto a vizinha Alemanha está na sexta. O governo Hollande tem um gasto da ordem de 56% do Produto Interno Bruto, 10% superior ao alemão. Recentemente, os socialistas franceses anunciaram um aumento de 20 bilhões de euros nos impostos para fechar as contas em 2013. A Holanda com metade da população exporta mais que a Franca cujo déficit na balança comercial é 70 bilhões de euros.

Pois bem. Diante do estado depauperado da economia francesa, o governo decidiu encomendar um estudo. Mais um. O objetivo era deitar no papel propostas que, todas juntas, comporiam um “choque de competitividade” para a França. Louis Gallois foi encarregado da tarefa. O executivo francês é co-presidente da EADS e presidente da Airbus. Já dirigiu anteriormente a Snecma, Aérospatiale e a SNCF, estatal responsável pelas ferrovias francesas. Portanto, como nos conformes da regra, figura respeitável e das mais qualificadas.

O relatório nem veio a público ainda, mas já está sendo considerado muito audacioso, doloroso demais e com reformas inaceitáveis. Pior: alguns dizem que o estudo tem inspiração sarkozista, o beijo de Judas. Se não for enterro anunciado, o que seria um eletrochoque para reanimar o paciente  está com ares de trasmutação para uma massagem leve. Isso, sobretudo, porque um detalhe sensível do relatorio vazou na fala do primeiro-ministro francês, Jean-Marc Ayrault.

Respondendo a leitores do jornal Le Parisien, Ayrault ousou dizer que a sacrossanta jornada de 35 horas semanais de trabalho na França não era mais assunto tabu para o governo socialista. A lei poderia ser revista – o governo Sazorky já havia desonerado as horas extras de encargos sociais para tornar a “jaboticaba” francesa menos onerosa. A oposição a Hollande chegou supor que a clarividência tinha finalmente subido as escadarias do Palácio do Elisèe, a sede do Executivo francês.

Triste ilusão. Ayrault, sabatinado na Assembléia Nacional, recebeu tanto fogo amigo dos colegas socialistas que, certa altura, a questão não era mais as 35 horas, mas a sua permanência como primeiro-ministro. Foi obrigado a usar o melhor do seu francês para que o dito se convertesse, rapidamente, em não dito. Ou melhor, no “não é bem assim, acalmem-se”

A França, famosa por sua Revolução tem-se tornado notória pela incapacidade de produzir reformas. Em cinco anos de governo, Nicolas Sarkozy, eleito com um programa de mudanças estruturais, conseguiu como reforma maior, aumentar o tempo de aposentadoria de 60 para 62 anos. E foi quase um Waterloo apesar do déficit previdenciário calamitoso. Pelo ritmo, o governo Hollande cuja popularidade já despencou para 36%, dá sinais que conseguirá, no máximo, retroceder no tempo. Ou seja, cumprir a promessa de passar a aposentadoria de 62 para 60 anos.

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“Olha, entre um pingo e outro, a chuva não molha” – Millor

Por Antonio Ribeiro

20/08/2012

às 13:51 \ França

100 nada

Ancien Régime

Os 100 dias do governo François Hollande, presidente da França, são bem menos interessantes que os 100 dias que os antecederam. Ou seja, os 100 dias do candidato socialista François Hollande. Por que? Porque os 100 dias anteriores escreveram nas estrelas o que seriam os 100 dias posteriores. Os 100 dias depois eram, enfadonhamente, um tédio só. Previsíveis. O atual governo Hollande não é nada mais que a morosidade do que já se viu com François Mitterrand e Jacques Chirac, mas com o seguinte agravante: a situação econômica agora é pior. Trata-se de um país que não fecha as contas desde 1975, durante a primeira  crise do petróleo.

Há algo de Leonid Brejnev no François Hollande.  Não é bem o comunismo dogmático. No fundo, nem o antigo Secretário-Geral do Partido Comunista da União Soviética, acreditava na bobagem. É apenas a constatação, na situação tão depauperada, que para encontrar uma saída seria preciso fazer uma mudança radical de curso. Nestes casos, para manter a aparência, vai se empurrando com a barriga. Dito de outro modo: enganando no verbo, com retórica dissimulada, medidas cosméticas e paliativas.

Por Antonio Ribeiro

20/08/2012

às 11:58 \ Paris

Paris em chamas

Durante caminhada à beira do Sena sob um calor de 35 graus Celsius cuja sensação térmica, fato amplamente comprovado pelos nativos da capital da França, é de 40 graus, Rodrigo Bonaldo, estudante gaúcho de mestrado em história, saiu-se com essa: “Acho que vou fazer como o Julian Assange, mas por razão diferente”. E emendou diante a surpresa dos ouvintes: “Vou pedir asilo em uma embaixada equipada com ar-condicionado”, explicou. Pobre “capitão” Rodrigo, “com o Grêmio onde o Grêmio estiver”, mas vai ser difícil achar o refúgio neste “continente” ou melhor, nesta Santa Fé.

Paris está para as temperaturas elevadas assim como o Rio de Janeiro para o frio. O despreparo é total. Isso porque o fenômeno anual que os franceses chamam de “canícula” – de pouco uso, mas faz parte do nosso vernáculo português – dura poucos dias. Porém, como se sabe, não é o período de tempo que torna os fatos inesquecíveis. Um acidente grave pode durar apenas uma fração de segundos. Os desempenhos memoráveis de Usain Bolt nos 100 metros rasos levaram menos de 10 segundos. A questão tem relação com a intensidade. Os 40 graus em Paris lembram 4 negativos à beira da Baía da Guanabara.

Os parisienses não esquecem a canícula de agosto de 2003. Ela matou 15.000 pessoas, em sua maioria de idosos com mais de 75 anos de idade. Até o índice de expectativa de vida recuou na França, um pais de 65,4 milhões de habitantes. Contudo, não foi a maior tragédia do Velho Continente naquele ano. Em 2005, o Instituto Nacional de Estatística da Itália, o IBGE deles, revisou seus dados. Constatou que houve 20.000 mortes no pais diretamente relacionadas com a onda de calor.

O calor chega com agravantes. Agosto é mês de férias. Médicos, enfermeiras e funcionários dos hospitais deixam Paris, fazendo coincidir seu repouso anual com as folgas escolares dos filhos. Os parisiense viajam deixando os parentes mais velhos para trás. Por vezes, devido a questões emocionais. Outras, simplesmente, por dificuldades financeiras. Pode haver ainda uma razão adicional em alguns casos: a terceira idade francesa, por tradição e sabedoria, prefere tirar férias nos períodos de baixa estação, mais calmos e baratos.

Os mais velhos sentem menos sede e como consequência, embora precisem tanto de líquido quanto os mais jovens, se hidratam menos. Existe também uma inabilidade típica do Hemisfério Norte de lidar com o calor. Semelhante a que espanta os brasileiros ao observarem turistas europeus, vermelhos como camarões, nas praias de Pindorama. No calor, eles fecham as janelas das moradias, imaginando que a medida ajuda o ambiente a ficar mais fresquinho. Em 2003, muitos foram encontrados mortos sentados no sofá das salas abafadas, sem ventilação mínima.

De lá para cá, o governo da França, onde 30 departamentos estão em “Alerta Laranja”, tomou medidas preventivas e encetou campanhas de conscientização da população. Para nós, tropicais, se elas não tem ares de anedota, em uma análise menos detida, parecem um enorme desperdício de dinheiro público em um país em crise econômica aguda. Beber muita água – de 1,5 litro a 2 litros por dia – vestir-se com roupas leves, arejar os ambientes impedindo a incidência solar direta, procurar as sombras, comer frutas e saladas. Enfim, tudo o que aprendemos desde a tenra idade e fazemos instintivamente quando chega a fase mais intensa do nosso permanente verão.

Este ano, a previsão meteorológica sustenta que a fase mais dura ficou para trás. A tendência agora é de queda na temperatura. Não se registrou mortalidade acima da média. Salvo uma também inesquecível. Ao menos para mim que completei 21 anos de Paris no fatídico e canicular 16 de agosto de 2012. Perdi um grande companheiro, uma espécie de animal de estimação. Meu computador Apple – trabalhava esquentando muito a cabeça – uma torre Macintosh G5, sucumbiu depois de enfrentar sete verões com leais serviços prestados. Morreu ou como dizem aqui, “entregou a alma”, vazando o líquido do sistema de refrigeração que ocupava quase metade do seu corpo. Foi-se deste mundo dormindo e com as janelas abertas.

Por Antonio Ribeiro

06/07/2012

às 6:18 \ Voo AF447 (Rio-Paris)

Relatório final da tragédia do Air France 447: equipamentos do Airbus induziram pilotos despreparados a erro primário

Aibus A330 perde sustentação aerodinâmica. O diretor de voo ordena "cabrar"

Mil cento e um dias depois da tragédia do vôo regular Air France 447 (Rio-Paris) na qual morreram todas as 228 pessoas a bordo do avião Airbus 330-203, o Escritório de Investigações e de Análises (BEA) da Aviação Civil, órgão do Ministério dos Transportes da França, encarregado da apuração das causas do acidente e de formular recomendações de segurança para que se evite outros de mesma natureza, divulgou seu relatório definitivo.

No auditório do Museu do Ar e do Espaço, situado no aeroporto parisiense Le Bourget, o diretor do BEA, Jean-Paul Troadec, sustentou dois fatores essências para a ocorrência da tragédia. Primeiro, a origem da sequência funesta que fez despencar o Airbus de 11,5 quilômetros de altitude em 3 minutos e 30 segundos no Oceano Atlântico. O congelamento das sondas Pitot, instaladas na parte externa e inferior do avião. Segundo, a falta de conhecimento dos pilotos de que a aeronave estava estolando. Ou seja, perdendo sustentação aerodinâmica.

O congelamento dos tubos Pitot, projetados pela empresa francesa Thales, provocou um verdadeiro acidente vascular cerebral (AVC) no ADIRU, o sistema responsável por fornecer informações sobre a velocidade, a altitude, o posicionamento e comportamento da aeronave. O defeito forneceu dados incoerentes ao sistema de comando do Airbus 330-203, à época do pior desastre da Air France, o avião mais sofisticado e dependente dos cálculos de seus computadores de bordo da aviação civil mundial – e um dos mais seguros, segundo as estatísticas.

Os pilotos não detectaram a perda de sustentação aerodinâmica e por conseguinte, não tomaram as medidas corretivas para recolocar o avião em linha de voo assim como fariam colegas muito menos qualificados em monomotores que decolam de aeroclubes para lazeres de fins de semanas -– a tripulação basicamente puxou os joysticks, ao invés de empurrá-los para permitir a passagem de mais ar sob as asas, o que é o procedimento padrão diante da perda de sustentação.

Seria brutal batalha contra a lógica aliada ao bom senso considerar que se tratou de ações de três nécios ou três patetas na cabine. “A mesma situação poderia ter ocorrido com outra tripulação”, disse Troadec ao Blog de Paris. A razão da reação dos copilotos, David Robert, de 37 anos de idade, e Pierre-Cedric Bonin, de 32 e do comandante de bordo Marc Dubois, de 58, finalmente, é o mais intrigante aspecto do acidente e que merece reflexão mais detida.

O relatório final do BEA de 230 páginas faz 25 recomendações que se adicionam as 16 anteriores contidas nos três relatórios preliminares. Entre elas, o BEA sugere 8 medidas com objetivo de melhorar o treinamento dos pilotos, instrutores e inspetores. O texto aconselha, por exemplo, que instrutores armem surpresas durante treinos para futuros pilotos e que eles próprios recebam uma qualificação mais robusta e ampla. Só no momento derradeiro, os pilotos se deram conta da gravidade da situação e mesmo assim não souberam identificar a razão. As ultimas palavras gravadas na caixa preta foram de Bonin, o copiloto mais jovem: “Vamos bater! Não pode ser verdade. O que está acontecendo?”

Os investigadores deixaram claro: os pilotos não estavam suficientemente preparados para enfrentar, em pilotagem manual, a situação de perda de leituras de velocidade em alta altitude. Se estivessem completamente aptos, não haveria aconselhamento do BEA para formação mais adequada. E por que os pilotos não estavam preparados o bastante? Uma declaração do vice-presidente da Airbus, Pierre Baud, antes do acidente, fala milhões a respeito da questão: “O Airbus não estola, portanto os pilotos não precisam ser treinados para recuperar a perda de sustentação.”

A novidade significativa do relatório final chegou aos neófitos e público geral através de questionamento, visivelmente incômodo para os investigadores do BEA. Especialistas independentes – em especial o piloto de Airbus, da Air France, Gérard Anoux – realçaram o papel dos diretores de voos (DV) durante os momentos que antecederam o acidente. Os instrumentos eletrônicos de navegação que ajudam os pilotos a manter o aparelho no horizonte artificial, simulando a linha entre a terra e o céu – deveriam ter sido desligados depois do início da sequência de panes – deram ordem para “cabrar”. Isso significa, no jargão aeronáutico, empinar o nariz do avião e dar potencia nos motores para ganhar altitude. Em um momento, a ordem durou 4 segundos. O procedimento correto é “picar”, justamente a ação contrária às diretivas dos instrumentos. Ou seja, rumar o avião para baixo em uma tentativa da aeronave ganhar velocidade e, em seguida, recuperar a sustentação perdida.

O BEA recomendou a fabricante Airbus que torne mais claro o alerta de perda de sustentação aerodinâmica. Doravante, devem ser não só sonoros, mas também visuais. O nível de estresse provocado pela perda das leituras de velocidade e seu encadeamento de panes em  situção de forte turbulência e ruídos dos motores em plena potência, é perfeitamente previsto pelos organismos de segurança de voo. A circunstancia deve ser fortemente evitada. Nesta situação, os pilotos tendem a ignorar os sinais sonoros enquanto realizam ações de emergência.

A segurança de voo do transporte aéreo mundial irá melhorar com as lições tiradas do acidente com o AF 447. A Airbus e a Air France já implementaram medidas antes mesmo do relatório definitivo e prometem seguir as recentes diretivas. Contudo, as lições deveriam trazer simultaneamente, mais transparência e independência às autarquias que investigam os acidentes aéreos. Desde o início das investigações, o BEA esteve sob a acusação legítima de conflito de interesses. O órgão oficial tem comando e opera com orçamento do governo francês, acionário da Airbus e Air France, indiciadas por homicídio culposo no processo da Justiça francesa sobre o acidente – este sim,  determinará se houve culpados. Dois projetos de lei que tramitam na Assembléia Legislativa da França visam modificar o estatuto do BEA.

O BEA faz relatórios de valor altamente técnico e precisos. Seria impossível criar uma fábula a partir de registros exatos, como os das caixas-pretas, e sob o monitoramento de especialistas independentes, sempre mais qualificados. Porém, não se pode dizer o mesmo da interpretação que o BEA faz dos seus próprios relatórios. Muitas vezes, os funcionários do BEA tentam proteger a consaguinidade da família aeronáutica francesa. Há notável tentativa de pintar cenários não muito comprometedores para as partes envolvidas nos acidentes. Na apresentação do relatório final, para citar um exemplo entre tantos outros, os investigadores do BEA tiveram discursos diferentes. Na reunião com os parentes das vítimas, contextualizam a situação, amenizando os erros dos pilotos. Em um dado momento, Troapec chegou a dizer que só pilotos de aviões caças talvez fossem capazes de salvar o Airbus e seus ocupantes nos instantes finais que precederam o choque da aeronave contra a superfície do Atlântico. Na entrevista coletiva à imprensa, sonegaram a nova descoberta, o papel dos diretores de voo e a sua influência na reação dos pilotos.

Por Antonio Ribeiro

06/06/2012

às 14:27 \ Europa, Futebol

O euro agoniza, viva o Euro!

 

Durante três semanas, a maioria dos europeus – e não só eles – vão acompanhar 16 equipes disputarem 31 partidas de futebol através de 31 câmeras de televisão de alta definição nos estádios da Polônia e da Ucrânia, antigos satélites soviéticos descongelados pela adoção da economia de mercado, onde a cerveja é a mais barata da Europa. O pint, pouco mais da metade do litro, custa 58 centavos de euro em Kiev e 1, 55 euros, nos bares de Varsóvia.

A mini copa sem o Brasil, Argentina, Uruguai e fora a melhor seleção africana do momento deve trazer benefício médio de 7 bilhões de euros para os países sede. Mas nem todos vão lucrar com a Eurocopa 2012. Durante a Copa do Mundo 2010, na África do Sul, por exemplo, a economia inglesa teve queda de produtividade da ordem de 6 bilhões de euros. Os torcedores da ilha devem saber que, quanto mais a equipe inglesa avançar na competição, maior será o prejuízo para o reino de Elizabeth II. “A glória não se calcula assim”, diria Charles de Gaulle, um dos piores amigos e melhores inimigos da Inglaterra.

Quem não gosta do esporte bretão pode encontrar outro atrativo. Contrário ao que acontecia na Inglaterra pela ação de marmanjos despudorados, as partidas do Euro 2012 correm risco de serem interrompidas pela entrada no gramado de feministas seminuas – ou totalmente –  para protestar contra o turismo sexual administrado pela oligarquia mafiosa local. E quem também não gosta dessas surpresas, pode encontrar sempre bom programa nas páginas dos suplementos VEJA Rio, São Paulo, etc. Diga-se de passagem, editadas sob o comando do talentoso jornalista Carlos Maranhão, veterano de todas as copas desde a criação da revista PLACAR.

Quais são os favoritos para erguer os 8 quilos de prata da Taça Henri Delaunay? Antes da bola rolar, a Espanha, atual campeã do mundo, a Alemanha e a Holanda recebem maior numero de apostas. Depois, pode ser qualquer outra seleção. Até a Grécia é capaz de fazer estragos ainda que a competição não seja economia e o euro, por mais valorizado, não tem nenhuma equivalência com a dracma.

A grande questão é saber se Xavi, Inesta e seus companheiros estão realmente tão cansados quanto se mostram e portanto, ansiosos pela chegada das ferias do verão europeu. Ou se vão conseguir, como a França de Zidane, a proeza de ganhar a Eurocopa depois de ter vencido a Copa.

Os governos da Península Ibérica e Itálica bem que gostariam de viver o dilema de La Roja em relação à crise do euro. Porém, seu adversário é bem mais forte que a simpática e multicultural Mannschaft do merengue de origem turca Mesut Ozil. Os teutos jogam como se deve: a linha de meio-campistas nunca está distante dos zagueiros e atacantes, mas eficiência ainda não trouxe títulos para Berlim. Os países endividados do sul da Europa, enfrentam o rigor orçamentário defendido pela chanceler alemã. Frau  Merkel, ainda que pouco apreciada, é quem apita.

O melhor jogador da Europa, o continente que sabiamente transferiu as disputas dos campos de batalha para as arenas esportivas, estará fora das quatro linhas do Euro 2012. Entretanto, Lionel Messi tentará ajudar sua Argentina a classificar para a Copa no Brasil. A maior atração individual, também antes da bola rolar, é o  português Cristiano Ronaldo. Na última temporada, o atacante teve melhor desempenho que Messi.  A vida como ela é. Mas para ganhar, CR7 terá que fazer  esforço de Hercules. Isso porque a Seleção das Quinas – se classificou empatando com Chipre e com a ajuda de derrota norueguesa – é ele mais nove, considerando que Pepe e  Fábio Coentrão entram, cada um, com meio.

A Polônia virou o jogo

Quando os cartolas da União das Federações Européias de Futebol (UEFA) escolheram  Ucrânia e Polônia para sediar o Euro 2012, o binômio parecia o sucesso abraçado com a encrenca. Em plena Revolução Laranja, crescimento econômico superior a 7% do Produto Interno Bruto (PIB), a Ucrânia demonstrava apreço, popular e por parte das elites governantes, pela democracia. O país achegava-se da candidatura para ingressar na União Européia (UE).  À época, a Polônia era governada pelo primeiro-ministro nacionalista Jaroslaw Kaczynski. O polaco marginalizou seu país em disputas estéreis com rivais históricos, a Alemanha e a Rússia. Jogo ruim de assistir.

Cinco anos depois, a situação se inverteu. A Polônia tornou-se a mais recente história de sucesso político e econômico da Europa. O governo do primeiro-ministro Donald Tusk, o único a ser reeleito desde a queda do comunismo, é estável. O país driblou bonito a recessão de 2009 – também desempenho único no Velho Continente. Tem um dos mais rápidos crescimentos econômicos da UE. A Polônia investiu, sem PAC e Delta, 30 bilhões de euros para acolher o Euro 2012. A maior parte do dinheiro serviu para criar infraestruturas e melhorar os transportes dilapidados, em sua maioria, de origem soviética. Só 5% da bolada foi usado diretamente para construção de novos estádios, como o de 58.000 lugares à beira do Rio Vístula, em Varsóvia – será palco inaugural da competição com o Polônia x Grécia, 8 de junho, às 15h45m  (Brasília), um jogo cheio de simbolismos de uma Europa a duas velocidades.

O esforço polonês se insere na ampla tentativa de mudar a imagem de país cinzento que emergiu da era comunista para a modernidade. Resta um grande desafio que vem de outros tempos: controlar as manifestações de grupos racistas e xenófobos nos estádios. Já inciou antes de começar. Durante treino em Cracóvia, um coro de torcedores fascistas insultaram os jogadores holandeses negros. Foram chamados de “macacos”. Isso depois da equipe ter visitado o campo de concentração de Auschwitz para render homenagem às vítimas da barbarie nazista.

Em contrapartida, a Ucrânia ainda tenta recuperar-se de uma contração econômica de 15% devido à recessão da década passada. Mesmo assim, aplicou 8 bilhões de euros nas suas quatro cidades sedes: Kiev, Lviv, Donetsy e Kharkiv. Em apenas 18 meses, foram construídos 4 aeroportos. Para receber os torcedores a Ucrânia tem doravante, 70 novos hotéis. Estima-se que 80% dos visitantes nunca pisaram antes no país. A esperança é que voltem.  Contudo, a imagem da Ucrânia está cada vez mais associada a de uma autocracia com corrupção disseminada.

Os deputados ucranianos vão além dos insultos pesados que acontecem durante as CPIs em Brasília. Trocam sopapos no Parlamento sem complexos. A ex-primeira-ministra e líder da Revolução Laranja, Yulia Tymoshenko, de 51 anos de idade, foi condenada a sete anos de prisão por apropriação de fundos públicos. Ela iniciou greve de fome contra o que alega ser uma vingança pessoal do atual presidente, Viktor Yanukovitch que lhe deu uma surra eleitoral. A situação chegou a suscitar ameaças de boicote ao Euro 2012. Suspeita-se que madame terá que tentar outra ocasião. O pessoal aqui, gosta de bola como ao sul do Equador, embora não manifeste da mesma maneira.

Atualização enviada pela leitora Paula Barcellos: “Os deputados gregos tambem aderiram aos sopapos sem complexos em pleno Parlamento.”

Por Antonio Ribeiro

17/05/2012

às 17:21 \ França

Bonito

O novo presidente da França, François Hollande, fez bonito. Ele decretou uma redução de 30% no seu salário e de todos os seus ministros. Doravante, ao invés ganhar 21.300 euros brutos mensais, ele vai embolsar 14.910 euros. A remuneração é igual ao salário do seu primeiro-ministro Jean-Marc Ayrault. Os ministros passam de 14.200 euros para 9.940 euros por mês. O contribuinte francês que paga impostos entre os mais elevados da Europa e em um país mergulhado na maior crise econômica-financeira desde a Segunda Guerra Mundial agradece. Merece até aplausos.

Merece mesmo? Vejamos. O novo salário do presidente francês é certamente inferior aos 17.016 euros mensais que a chanceler Angela Merkel recebe para governar a Alemanha, a maior economia do  Velho Continente, Mas o nova remureção de Hollande equivale ao salário de David Cameron, primeiro-ministro britânico – 14.800 euros mensais. Seria pedir muito para que Hollande fizesse como o Presidente do Conselho da Itália, Mario Monti. Entre as medidas anticrise, decidiu receber zero euro por mês. Afinal ninguém é de ferro. Todo trabalho deve ser remunerado.

O melhor vem agora. Hollande reduziu o salário dos seus ministros. Sucede que no inicio do governo anterior havia 15 ministérios e agora, sob administração socialista, são 34! Durante o governo do ex-primeiro-ministro francês François Fillon, a folha de pagamentos de seus ministros representava 383.400 euros mensais. Agora ela é de 337.900. Ou seja, um barulhão  para economizar 45.450 euros por mês. A equipe marqueteira que cuida da imagem do governo Hollande merecia os 45.450 euros.

Mas o que são 45.450 euros mensais de economia para o estado francês, o maior empregador do país? A França tem em torno de 7 milhões de funcionários públicos. Um em cada cinco franceses que faz parte da mão de obra ativa com jornada de trabalho de 35 horas semanais é pago pelo estado. Melhor dizendo, pelo contribuinte, pagador de impostos. Dinheiro do estado, convenhamos, no sentido estrido do termo, não existe. O Tribunal de Contas da França estima que cada funcionário custa ao longo da vida 3,5 milhões de euros. Faça a conta. Eu não dou conta, mas é o montante que o goveno francês deveria prestar contas. Na Grã-Bretanha serão 700.000 funcionários públicos a menos até 2014. Isso sim, é economia de país em crise. Os 45.450 mensais são pura de ma go gi a.

Por Antonio Ribeiro
 

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