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França

06/02/2012

às 9:23 \ Europa

Merkel faz campanha para o parceiro Sarkozy

Casal Merkozy: mesmo passo

Ele passa mais tempo com a alemã do que com Carla Bruni, a bela primeira-dama da França. A assertiva popular de conotação jocosa entre os europeus sobre a relação intensa do presidente francês Nicolas Sarkozy e a chanceler Angela Merkel como toda caricatura é exagerada. No entanto, nenhum dueto que dirigiu a França e a Alemanha desde a criação da União Européia (UE), encontrou-se tanto em período equivalente quanto o casal “Merkozy”. Sem contar os contatos diários por telefone, desde junho do ano passado, os dois participaram juntos de sete reuniões de cúpula, embalados sobretudo pela crise do euro.

À doze semanas do primeiro turno das eleições presidenciais na França, Angela e Nicolas protagonizaram um fato inédito. Eles gravaram no Palácio do Elyseé, em Paris, uma intervenção conjunta de vinte minutos que será, simultaneamente, transmitida pela TV estatal francesa France 2 e sua equivalente alemã, a  ZDF. Ainda que camuflado pelas suas funções de chefes de estado, trata-se de engajamento direto de um governante alemão na campanha presidencial francesa como nunca houve. A eventual derrota eleitoral de Sarkozy que vai mal nas pesquisas de opinião, é considerada  por membros do governo Merkel como uma “catástrofe”.

Hollande: assim não

O candidato socialista François Hollande, franco favorito da eleição, já deixou claro que se eleito, sua primeira viagem internacional será à Alemanha para rever a posição comum das duas principais economias da UE e os tratados de cooperação mútua.  Hollande afirma que as medidas rigorosas preconizadas por Merkel para sair da crise, não podem existir sem que haja, ao mesmo tempo, ajuda de dinheiro público para incentivar a retomada do crescimento econômico. Leia-se, retomada do crescimento econômico da França, a situação já existe na margem norte do rio Reno. A posição do socialista sinaliza uma futura turbulência, uma vez que a oposição de Merkel é clara e persistente desde o início da crise.

Pelo segundo ano consecutivo, a Alemanha foi a locomotiva da economia européia, com um crescimento econômico de 3% em 2011, depois de ter crescido 3,7% em 2010. Em contrapartida, a França cresceu 1,5% em 2010 e deveria atingir a  duras penas, 1,7% em 2011. O desempenho permitiu que Berlim reduzisse seu déficit público a 26,7 bilhões de euros. Ou seja, 1% do Produto Interno Bruto. O déficit francês é cinco vezes maior. O outro avanço da Alemanha é a queda do desemprego. Estima-se em 3 milhões de desempregados na Alemanha, ano passado. Ou seja, o mais baixo nível desde a reunificação. Mais de 263.000 desempregados a menos que em 2010.  A taxa de desemprego alemã recuou em 2011 de 0,6% ponto percentual para se estabelecer em media a 7,1%. Na França, aconteceu o inverso: os desempregados aumentam de 152.000 no último ano e a taxa de desemprego aproxima-se de dois dígitos.

“Apoio Nicolas Sarkozy em todos os planos porque pertencemos a partidos amigos. É normal que apoiemos partidos amigos”, disse Merkel durante entrevista coletiva a imprensa. “Em maio de 2009, o presidente francês foi a Berlim e  deu seu apoio a minha reeleição, não vejo qual é o problema? François Hollande esteve no congresso do Partido Social Democrata alemão”, lembrou a chanceler. “Quando o chanceler  socialista alemão Gerhard Schröder esteve na França, quem ele apoiou?” Resposta: a candidata socialista Ségolè Royal.

Sarkozy quer emular na França o “Sonderweg”, exceção alemã, o modelo de sucesso na Europa majoritariamente em penúria econômica – tornou-se quase seu único argumento de campanha eleitoral, em recente entrevista na TV, ele mencionou a Alemanha 15 vezes. Sarkozy se respalda em uma pesquisa que mostra que 7 entre 10 franceses aprovam uma harmonização dos direitos trabalhistas e fiscais entre Alemanha e França. Mais de 80% dos franceses aprovam o reforço da amizade entre os dois  países que se opuseram diretamente em três grandes guerras desde Otto Bismarck e Napoleão III, no século XIX. E não só: 43% dos franceses acham que seu país tem destino comum com o antigo inimigo e portanto são obrigados à convergência de ação dentro da UE. Mais: muitos franceses percebem  oportunidades de emprego na futura necessidade de mão de obra qualificada, devido ao envelhecimento populacional na Alemanha.

Leia o post do Blog de Paris: “Sarkozy, o alemão

Por Antonio Ribeiro

30/01/2012

às 13:46 \ França, Futebol

Sarkozy, o alemão

“Se consegui em cinco anos? Sou lúcido: não.”

Raro encontrar em Paris um carro novo que depois de curto tempo de uso já não tenha, ao menos, um arranhão. Isso porque o número de vagas de estacionamento nas garagens e nas ruas é menor que a quantidade de automóveis em circulação. Apesar do espaço restrito, os motoristas precisam encaixar seus veículos em algum lugar urbano e, fatalmente, a operação implica em danos.

A analogia é próxima com situação da eleição presidencial na França. Os candidatos têm pouco terreno de manobra devido a profunda crise econômica que o país enfrenta, salvo se enveredam em propostas demagógicas que não conseguirão cumprir sem que empurrem o país para mais fundo no buraco. Eles tentam trocar a ordem dos fatores em uma equação de déficit publico gigantesco e orçamento modesto na esperança de mudar o resultado final da conta. Dito de outro modo: fazer das tripas coração. Nicolas Sarkozy não foge à regra, mas tenta fazer, doravante, à maneira alemã.

O presidente foi entrevistado por quatro jornalistas em rede de seis canais de TV no horário nobre de domingo. Estima-se que 16.5 milhões de telespectadores assistiram Sarkozy anunciar o aumento na Taxa de Valor Agregado (TVA) de 19,6% para 21,2% – a taxa equivale ao ICMS brasileiro. A partir de outubro, quatro meses depois da eleição, um carro de 15.000 euros terá 200 euros suplementares de imposto embutido no preço.

O presidente acredita, no entanto, que o acréscimo não incidirá no preço final. O comércio diminuirá sua margem de lucro porque a situação é de retração do consumo.  É o que ele  diz. O candidato socialista François Hollande, de 58 anos, fez saber que, caso seja eleito, eliminará o aumento que para ser aprovado deve ser votado no Parlamento. A medida alinha-se com a mudança feita pelo governo do ex-chanceler social-democrata  Gerhard Schröder em 2004, na Alemanha. (Relembrar é viver: Na mesma época das reformas na Alemanha,  o ex-primeiro-ministro socialista Lionel Jospin introduzia  na França a jornada semanal de trabalho de 35 horas que teve efeito contrário ao desejado, aumentou o desemprego.)

O aumento na taxa sobre o consumo vem como compensação na proposta de Sarkozy exonerar encargos patronais – economia de 13 bilhões de euros – nos salários dos trabalhadores que ganham entre 1,6 e 2,1 SMIC, o salário mínimo francês de 1.400 euros por mês. O presidente deseja aumentar a competitividade do seu país. “Em 10 anos, a França perdeu 500.000 empregos industriais”, disse, observando que para um salário de 4.000 euros, os encargos se elevam a 840 euros na Alemanha e o “dobro disso na França”, afirmou o presidente.

Sem anunciar oficialmente ainda sua candidatura, uma evidência que nem o mais distraído dos franceses duvida desde o primeiro dia do seu mandato, Nicolas Sarkozy, de 57 anos, tentou passar a imagem de presidente corajoso e do administrador zeloso que estimula o crescimento sem gastar. O presidente quer também taxar em 0,1% as operações financeiras das empresas cotadas na França – vai ser aplicado sobre a negociação de credit default swaps (CDS, na sigla em inglês),  o seguro contra calote – e criar, a exemplo do seu oponente socialista, um banco de desenvolvimento com fundo de 1 bilhão de euros para emprestar às pequenas empresas.

Desenhou-se no horizonte o fim da jornada de trabalho de 35 horas semanais quando o Presidente da França afirmou que irá propor que as empresas poderão, a partir do mês de agosto e independente da legislação vigente, concluir acordos com seus funcionários sobre a duração de trabalho  Neste ponto, o presidente mudou ainda que de forma subliminar, o velho slogam de campanha de “trabalhar mais para ganhar mais” para outro mais atual: trabalhar mais para manter o emprego. Ou nos casos mais dramáticos, trabalhar mais tempo para evitar o fechamento das empresas ou a sua deslocalização para fora da França onde o custo do trabalho é inferior. Menos consensual que os alemães,  a maioria dos sindicalistas franceses é radicalmente contra.

Antes da sua intervenção na TV, repleta de informações técnicas para o público em geral, Sarkozy recebeu o apoio da chanceler alemã Angela Merkel. Ela poderá até participar de seus comícios, segundo revelou Hermann Gröhe, secretário-geral da União Democrata Cristã (CDU), o partido de Merkel. No entanto, alguns acham que  a ajuda equivale ao beijo de Judas uma vez que a dirigente alemã encarna a figura máxima da austeridade na Europa que a França, irremediavelmente, acaba sendo obrigada a seguir. O orgulho nacional e o antigermanismo andam de braços dados.

Por Antonio Ribeiro

26/01/2012

às 14:07 \ França

Nicolas Sarkozy: três meses para operar o milagre

Faltam três meses para os franceses iniciarem o processo de escolha do seu novo presidente ou manter o atual, Nicolas Sarkozy. Segundo a média das pesquisas do mês de janeiro, a primeira hipótese parece ser a mais provável. O candidato socialista François Hollande ganharia de Sarkozy com margem de 6,5 pontos percentuais no primeiro turno. Na etapa final da votação, prevista para o dia 5 de maio, Hollande dobraria a vantagem atual sobre o oponente.

O Presidente da França, ainda de acordo com as pesquisas, corre o risco de não chegar ao segundo turno da eleição. Sua posição é ameaçada por Marine Le Pen, a candidata do Front Nacional, o partido da extrema-direita xenófoba francesa. Na terceira posição, a filha e herdeira política de  Jean Marie Le Pen está apenas a 3 pontos percentuais atrás de Sarkozy. A candidata é quem mais tira votos do presidente.

Durante viagem recente à Guiana Francesa, em conversa informal com jornalistas, Sarkozy revelou que caso perca a eleição, abandonará definitivamente a política. Ninguém levou muito a sério. A declaração foi tomada mais como jogada eleitoreira do presidente. Sarkozy tenta há meses sem sucesso fazer o que pode para reverter o quadro desfavorável. Ultimamente a ação se intensificou a ponto de alguns analistas julgarem ser um disfarçado desespero do presidente. Taciturno, ele anda fazendo balanço da sua trajetoria e lembrando líderes europeus – Margaret Thatcher, Gerhard Schroeder e Felipe Gonzalezque fizeram um bons governos, mas foram “injusticados” pelas urnas.

Marine Le Pen ironizou a declaração: “Não se faz confidência a dezenas de jornalistas a não ser que se queira que ela seja divulgada.” O ex-primeiro-ministro Dominique de Villepin, um dos 10 candidatos com menos chance de morar no Palácio do Elisée durante o próximo quinquênio, foi ainda mais duro com o velho rival. “Foi uma súplica, uma nova versão de Ne me quitte pas lançado ao eleitor”, disse em referência à canção imortalizada por Edith Piaf e Jacques Brel cuja tradução em português é Não me abandone.

O primeiro handicap de Sarkozy é o exercício do poder em tempos bicudos, de dificuldades econômicas. Depois do inicio da crise do euro, independente do ideário, os governantes europeus que se submeteram ao sufrágio foram derrotados ou, como na Itália, perderam a maioria parlamentar. As políticas de rigor, o aumento do desemprego, a angustia sobre o futuro do sistema de aposentadoria e benefícios sociais, mas sobretudo, a falta de perspectiva na retomada do crescimento econômico jogam contra os governos que buscam a reeleição. Na França, este quadro não mudará antes do dia voto.

Nicolas Sarkozy é visto como o presidente cuja ação não impediu ou pior, agravou a degradação do cenário econômico e social de um país no qual os governos – de direita e esquerda – não conseguem equilibrar o orçamento desde 1974. Isso não é uma questão de justiça, se efetivamente Sarkozy tem muita responsabilidade  ou apenas parcial, mas trata-se da vida como ela é. O eleitor fará a pergunta classica  dos fins de mandatos: “Minha vida melhorou depois que ele assumiu a presidência?” Em outro aspecto, Sarkozy será penalizado por algo que, inquestionavelmente, não pode dividir o peso com ninguém, a decepção que causou em tantos que depositaram esperança em 2007 nas promessas que ele não cumpriu.

Tornou-se remota a lembrança do ministro do Interior de atitude determinada, linguagem franca que prometeu uma “ruptura” para arrancar a França do imobilismo e miserabilismo. Já não existe mais a confiança popular no candidato que prometeu livrar o país das garras do sindicalismo radical que impede reformas prementes e de recompensar quem trabalhasse duro, aumentando seu poder aqusitivo.

Aos olhos da maioria do eleitorado francês o governo Sarkozy parece ter beneficiado o mercado financeiro, a especulação, grupos de empresários e executivos de salários extremamente elevados. Gente “parecida com ele”, dizem. No campo das reformas estruturais, a única obra do presidente que merece relevo foi  a de conseguir aumentar a idade para a aposentadoria, de 60 para 62 anos. A liderança, sobretudo, no cenário europeu tem efeito relativo. Em todo caso, não é suficiente para aplacar a imagem antipática e muitas vezes considerada como inadequada para a Presidência.  O francês médio acha que o seu presidente deve ter grandeza, dignidade, ser refinado, distinto e despertar admiração intelectual. Não são bem as características de Sarkozy. As críticas mais fortes ao presidente dizem respeito mais ao seu jeito rompante de governar do que do seu governo em si. Algo que a primeira-dama Carla Bruni só elducorou em modesta medida.

Ainda resta alguma chance a Sarkozy? A resposta é sim. Porém com a condição  de que o Presidente da França consiga demonstrar e convencer os eleitores que o socialista François Hollande é ainda pior do que ele para o futuro do país. Mas com dizia Santo Agostinho, “É preciso entender para crer e crer para entender”. Sarkozy tem três meses para operar o milagre.

Por Antonio Ribeiro

15/12/2011

às 8:07 \ França

Jacques Chirac torna-se o primeiro presidente eleito da França condenado por corrupção

O ex-presidente da França Jacques Chirac foi condenado pelo Tribunal Correcional de Paris a dois anos de prisão com suspensão condicional da pena. A sentença inédita contra um  presidente eleito da França diz respeito ao financiamento ilegal de 2,2 milhões de euros do  antigo partido de Chirac, o Reagrupamento pela República (RPR). O julgamento abordou também a criação de trinta empregos fictícios na Prefeitura de Paris entre 1977 e 1995, período em que Chirac era prefeito da capital francesa. A maioria dos contratados trabalhavam na preparação da campanha presidencial de Chirac, eleito em maio de 1995. Os funcionários-fantasmas  recebiam salários do município – estima-se  o gasto do dinheiro dos contribuintes para pagar remunerações ilícitas em mais de um milhão de euros. O ex-presidente foi condenado por desvio de verbas públicas, abuso de confiança e conflito de interesses por “multiplicar as conexões entre seu partido e a municipalidade”.

“Jacques Chirac faltou com a obrigação de probidade que pesa sobre os responsáveis públicos a despeito dos interesses dos parisienses”, declarou o juiz Dominique Pauthe. O ex-presidente, de 79 anos de idade, que governou a França em dois mandatos consecutivos, entre 1995 e 2007, sempre negou as acusações e afirmou não ter cometido nenhuma falha penal ou moral. “Os franceses sabem que sou honesto”, diz ele.  Chirac não estava presente na sala de audiência durante a leitura da sentença. Os médicos do ex-presidente justificaram a ausência devido a severos problemas neurológicos responsáveis por provocar lapsos de memória. “Para mim, é inadequado comentar o assunto”, disse o atual presidente da França, Nicolas Sarkozy.

Suspensão condicional da pena é um instituto de direito penal com a finalidade de permitir que o condenado não se sujeite à execução de pena de curta duração que priva a liberdade. Dito de outro modo:  mesmo condenado, o réu  não vai preso. No caso de Chirac, a condenação, um choque para classe política francesa, tem elevado valor simbólico na luta contra a corrupção na França e independência da Justiça.

Há quatro meses da eleição presidencial na França, o julgamento histórico relança o velho debate sobre a imunidade total do Presidente da República segundo rege o artigo 67 da Constituição que protegeu Chirac de ser punido judicialmente durante cerca de 20 anos. Muitos  consideram o estatuto penal especial a uma bizarrice na democracia francesa: ser inatacável nos tribunais e, simultaneamente, como todos aqueles que estão sujeitos à justiça, o Presidente da República pode apresentar queixa contra quem bem lhe aprecer.

O marechal francês Philippe Petain, chefe não eleito do governo de Vichy, colaboracionista com os ocupantes nazistas na França, foi o primeiro chefe de estado francês condenado pela Justiça. No fim da Segunda Guerra Mundial, uma corte especial montada às pressas sentenciou o marechal à pena de morte por alta traição. A condenação foi, posteriormente, convertida em prisão perpétua pelo general Charles de Gaulle, à época chefe do governo provisório. A clemência fez parte da política gaulista de conciliação nacional no pós-guerra e em razão da idade avançada do marechal. Ele tinha 85 anos quando foi condenado. Em pena posterior, os franceses apagaram da memória a imagem do herói da Batalha de Verdun na Primeira Guerra Mundial. Não há mais uma só rua na França com o nome de Pétain. Assim como “lula-petismo”, mas por razões distintas, o termo “pétainisme” virou referência pejorativa na França.

Embora condenado em processo que durou 16 anos e ter recebido, quando político ativo, a alcunha de “Super Mentiroso”, Chirac não corre o mesmo risco de Pétain. A maioria dos franceses tem afeição pelo ex-presidente, duraz opositor à invasão anglo-americana do Iraque. Sua popularidade é robusta e alta. Bem, não tanta quanto a de Lula no Brasil, onde magistrados do Supremo Tribunal Federal (STF)  avisam da possível prescrição das acusações contra os 36 réus do mensalão, o maior show de corrupção do país, no qual a estrela do PT teve brilho indelével.

Leia o post do Blog de Pars: “Europa igual a ela mesma e Inglaterra idem

Por Antonio Ribeiro

03/11/2011

às 1:00 \ Moda

O laço da moda

Christine Lagarde com o noeud lavallière

Enquanto o primeiro-ministro grego George Papandreou parece ter atado um nó para enforcar o seu país, propondo realizar um referendo sobre o pacote de resgate à economia da Grécia, a elegante diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde foi para reunião dos países do G20 na Riviera Francesa com o laço da moda no colarinho. Inspirado no laço favorito dos pintores, artistas e intelectuais franceses do século XIX, o noeud lavallière é “o chic nas últimas” em Paris neste início de inverno europeu. La lavallière está associado ao nome de Louise Françoise de La Baume Le Blanc, duquesa de La Vallière e amante de Luis XIV.

Contudo, Lagarde não enrolou, manteve seu tradicional pragmatismo: “Tão logo o referendo seja realizado, e todas as incertezas sejam removidas, farei a recomendação ao comitê executivo do FMI para liberar a sexta parcela de nosso empréstimo para ajudar o programa econômico da Grécia.”

Este post não foi escrito só para elas. Os leitores podem ensiná-las a dar o laço. Em seguida, o passo-a-passo:

1. Escolha um lenço longo e estreito. Passe o lenço em volta do pescoço equilibrando igualmente cada extremidade e faça um nó simpes como no desenho, cruzando as duas pontas. 2. Dobre a parte de baixo como um acordeão. 3. Passe a ponta superior, por cima do plissado em acordeão.

4. Enlace a mesma extremidade por trás do plissado em acordeão. 5. Puxe ligeiramente para apertar o nó. 6. Afrouxe as extremidades para distribuir o laço de maneira elegante e equilibrada

Leia o post do Blog de Paris – “O sermão do casal Merkozy

Por Antonio Ribeiro

22/07/2011

às 21:26 \ Europa

De federação folgada a estado unitário frágil

Reunidos em Bruxelas, os chefes de estado e de governo dos dezessete países da zona do euro construíram um dispositivo. Os mais pessimistas acham que ele lembra uma bomba de efeito retardado. Outros percebem o plano de regaste à Grécia de 158 bilhões de euros – desta vez envolve credores privados com 49 bilhões de euros, como queria a chanceler alemã Angela Merkel  e o Banco Central Europeu e Sakozy faziam resistência – como um tubo de oxigênio incontornável para fazer respirar um paciente que se morresse, levaria para o buraco outros tantos com deficiência semelhante.

As analogias embora diferentes vão no mesmo sentido. O preço foi alto. Pior: a equação está longe de ser resolvida. Fundamentalmente, qual é o problema? A Grécia não consegue pagar com recursos próprios sua dívida pública equivalente a 150% do Produto Interno Bruto (PIB). Não há perspectivas que isso venha acontecer. O plano de reestruturação anunciado pelo governo do primeiro-ministro Georgios Papandreu tem efeitos limitados para restaurar a capacidade de pagamento e a anêmica economia República Helênica não gera o suficiente para tal propósito. O calote grego é favas contadas, mas só dito baixinho como o ruído das águas correntes e do ramalhar das árvores.

A principal consequência: os vizinhos europeus vão, através de doses homeopáticas, continuar pagando a conta grega – ela aumenta rapidamente enquanto as reservas dos benfeitores vai minguando. A maior parte do dinheiro vai sair do bolso do contribuinte europeu, sobretudo dos generosos alemães que pagam subsídios para cobrir gregos revoltados que sonegam impostos ou nem são taxados. E vão contribuir também para sobrevivência dos bancos que continuam a ter juros de 20% sobre as dívidas soberanas.

A ajuda a Grécia e eventualmente a Portugal, Irlanda, Itália Espanha representam a passagem de uma federação européia com margem de manobra e forte parceria comercial para um estado unitário frágil. Se os países europeus com bom desempenho econômico passarem a financiar sistematicamente as dividas monumentais cavadas pela delinquência administrativa de seus avaros vizinhos que fazem parte da união monetária, vão transformar o euro em pataca para colecionadores de moedas.

Por Antonio Ribeiro

11/06/2011

às 5:38 \ Europa

Alemanha: o átomo e a bactéria

Klakar, o projeto de usina nuclear que virou parque de diversão

Desde 1969, quando a primeira usina atômica alemã entrou em operação, a energia nuclear nunca matou uma mosca no país. Ajudou sim, a Alemanha aniquilada na Segunda Guerra tornar-se a principal economia da Europa, motor de desenvolvimento industrial com fundo benemérito para amenizar crises financeiras e monetárias dos vizinhos. Em contrapartida, quando o governo da chanceler Angela Merkel, em uma reviravolta de 180 graus nas suas convicções, decidiu desativar gradualmente toda produção nuclear desligando as 17 centrais do país até 2022, mais de trinta alemães morreram em menos de 20 dias devido à ação de uma cepa nociva da bactéria Escherichia coli – o foco são brotos de feijão, segundo o Instituto Robert Koch.

A primeira lição de fácil aprendizado demonstra nas últimas quatro décadas o singular movimento dos ambientalistas alemães cujo fervor lembra o de uma seita verde e a ação flerta com  a sabotagem e a coerção, empenhando mais força no combate  à fonte inofensiva que faz funcionar as geladeiras do que  ao conteúdo letal que elas eventualmente conservam. A outra, menos prosaica, desrespeita fronteiras. Independente do ideário, alguns políticos escolhem a demagogia no lugar do comprovado, na razão direta do aumento das chances de permanecerem no governo. Neste particular, o oportunismo não aparta a fome e a vontade de comer, mas incentiva a falsa idéia de que ambos são exatamente a mesma coisa.

Merkel tenta conter o avanço eleitoral da oposição, o Partido Verde e o Social Democrata, que tomou o acidente nuclear em Fukushima como munição da hora contra a eletricidade produzida a partir do átomo para chegar à frente das eleições em 2013. A classe política alemã surfa na onda do temor da população de acontecer em casa algo semelhante ao que se viu alhures – 250 000 alemães foram às ruas para pedir o fim da produção de energia de origem nuclear. O receio tem fundamento? Ele é compartilhado? Quais são suas consequências? Vejamos nos parágrafos seguintes.

A usina de Daiichi, em Fukushima, ficou de pé apesar dos abalos sísmicos e do tsunami de intensidade nunca antes registrada. Os compartimentos dos três reatores não foram danificados pela fúria da natureza, mas porque o sistema de refrigeração deixou de operar provocando o derretimento das barras de combustível nuclear. Se o sistema  de refrigeração estivesse protegido pelos envelopes de cimento armado e aço como os reatores, a central nuclear japonesa estaria funcionando até hoje.

Seria insatisfatório do ponto de vista lógico atribuir à energia derivada do urânio a responsabilidade do controle de segurança inadequado, a terceirização de serviços em um setor tão sensível. Sobretudo, não vem do urânio a fragilidade de coordenação das instâncias públicas e privadas pouco habituadas a operar de forma transparente, situação que permitiu dissimular falhas operacionais como no caso japonês.

Um acidente de avião não coloca em questão os benefícios trazidos pelo transporte aéreo. Voar é progresso e necessidade, imperativo ainda que implique o desafio permanente da Lei da Gravidade. O que se recomenda depois dos acidentes de qualquer natureza é a implementação de medidas preventivas e reguladoras como monitoramento efetivo. Países como os Estados Unidos, França, Inglaterra, Rússia e até a Ucrânia, onde está Chernobyl, palco do maior acidente nuclear, não tem planos para abandonar ou reduzir a produção de energia nuclear para fins pacíficos.

Para alguns países a carência de alternativas energéticas para impulsionar o crescimento econômico e, simultaneamente, reduzir a emissão de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera faz da energia nuclear fonte incontornável e de difícil substituição. Na França, onde 75% da eletricidade vem das centrais nucleares, o custo de produção do megawatt por hora é de apenas 45 euros. Em contrapartida,  gasta-se 80 euros para produzir um megawatt por hora através de fonte eólica terrestre e se as torres gigantes dos moínhos modernos estiverem no mar, o megawwatt por hora sai por 150 euros. A energia solar é quase cinco vezes mais cara, 200 euros o megawatt por hora. E devido à sua condição intermitente, toda energia renovável precisa ser combinada com uma base energética constante. Ninguém confia em um hospital cuja a eletricidade depende exclusivamente de quando  bate sol ou  sopra o vento.

O caso da China é ainda mais eloquente para contrariar a percepção de que a decisão alemã fez o nuclear entrar em tempos sombrios. O que se assiste no país que mais cresce economicamente é uma espécie de renascimento do átomo como fonte geradora de energia. Até 2020, prevê-se que a capacidade de produção nuclear chinesa vai passar dos atuais 10, 1 gigawatts para 63,3 gigawatts. Aliás, quando a Alemanha desligar sua ultima central atômica, o resto do mundo estará produzindo mais de 30% do que hoje de eletricidade derivada do urânio.

A escolha alemã da qual vão a reboque Suíça e Itália vai tornar a conta de eletricidade para o consumidor final mais cara – o alemão já paga duas vezes mais que os vizinho francês. O país irá depender da compra de energia da França, o hub atômico europeu, e do gás russo que, por sua vez, fluirá como rege a tradição, de acordo com o humor dos ocupantes do Kremlin, doravante com um formidável meio de pressão política. O aumento da importação de carvão natural pesará na balança comercial alemã.

Jürgen Grossmann, presidente da gigante RWE, uma das cinco maiores companhias de fornecimento de eletricidade e gás da Europa com 70 000 empregados escreveu à chanceler Merkel reclamando de medidas de uma “eco-ditadura”. Em entrevista ao jornal Süddeutsche Zeitung, Grossman alertou: “A desindustrialização da Alemanha não virá de uma vez, será um processo gradual, mas em breve teremos que lidar com uma economia sem alguns setores industriais chaves, companhias como a BASF e Thyssen-Krupp não estarão aqui mais.”

Previa-se que os alemães iriam reduzir em 2020 a emissão de gases de efeito estufa em 40% em relação ao nível de 1990. Agora, as previsões mais otimistas não vão alem de 33%, segundo Stephan Kohler, chefe da Agência Energética da Alemanha. O fim das usinas nucleares na Alemanha responsáveis por 23% da eletricidade do pais e um lucro de 7,5 bilhões de euros  representará um acréscimo de 370 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera.

A dramática mudança na política energética alemã transformará a paisagem do país para pior com a construção de termoelétricas, torres eólicas, energia solar e não menos onerosas para o bolso da população: 3 500 quilômetros de linhas de transmissão. A capacidade de armazenamento atual deverá ser multiplicada por 500. A Alemanha renunciou definitivamente à sua independência energética e, por conseqüência, de modelo econômico de sucesso invejado, em troca de um princípio duvidoso.

Por Antonio Ribeiro

11/04/2011

às 10:44 \ França

Lei contra burca entra em vigor – com detenções

Entrou em vigor hoje na França a lei que proíbe o uso do véu islâmico integral em lugares públicos. Trata-se da veste feminina que cobre o corpo dos pés a cabeça incluse o rosto e no caso da burca, até os olhos são dissimulados por tela que permite a visão. Três mulheres vestidas com o hijab e vários manifestantes da associação  Touche pas à ma constitution (Não toque na minha Constituição) que protestavam contra a lei, foram detidos em frente à Catedral Notre-Dame, em Paris.

Rachid Nekkaz, líder da associação, convocou os participantes pela internet: “Convido todas as mulheres livres que querem usar o véu nas ruas para engajarem-se em desobediência civil.” A polícia afirma que as prisões não foram em função do uso da vestimenta, mas devido a falta de aviso prévio e autorização para realizar a manifestação como determina a legislação do país.

A França, onde estima-se o número de habitantes muçulmanos em 6 milhões, a maior concentração da minoria na Europa, tornou-se o primeiro país do Velho Continente a adotar a interdição generalizada. Seguido a debate caloroso, os deputados da Assembléia Legislativa aprovaram a lei no dia 11 de outubro de 2010. Ela prevê multa de até 150 euros e  a  obrigação de receber aula sobre a cidadania francesa ministrada por agentes da ordem pública. Mas quem forçar as mulheres a usarem o véu islâmico integral, corre risco bem pior:  multa de  30 000 euros e pena de prisão de até um ano. Se a infração for contra menores, a pena dobra.

Segundo o Ministério do Interior, menos de 2 000 mil mulheres usam o véu integral na França.  Dirigir de burca pode, carro é espaço privado. Em transportes públicos, nos jardins, hospitais, escolas, supermercados, lojas, restaurantes, museus, cinemas, o traje mais antigo que o sugimento do Islã no Sécula VII – servia como proteção nas regiões desérticas – não é permitida. A a burca não é especificamente mencionada no Corão e nem no Hadith. Os policiais não podem retirar o véu das infratoras, mas devem conduzí-las à delegacia caso as mulheres recusarem retirar a parte que cobre o rosto.

A lei que proíbe o hijab, a burca, mas também máscaras e capuzes que escondem o rosto, entra em vigor no momento onde um debate público sobre o “lugar do Islã e a laicidade” foi proposto pelo governo de Nicolas Sarkozy. Isso a um ano das eleições presidencias. As pesquisas de intenções de voto indicam que se as eleições ocorressem agora,  Sarkozy seria eliminado já no primeiro turno pelos candidatos do Partido Socialista e do Front Nacional, partido xenófobo da extrema direita francesa que vê nas tradições muçulmanas, uma forte ameaça à identidade francesa.

Atualização:

Uma das mulheres detidas é a francesa filha de imigrantes marroquinos, Kenza Drider, de 32 anos, na fotografia abaixo, sendo escoltada por policiais à paisana. O militanismo islâmico teve o requinte de pagar a seu bilhete de trem TGV da Provence,  sul da França, até Paris só para participar dos protestos contra o banimento do véu islâmico integral em lugares públicos.  A senhora Drider passou três horas na delegacia e em seguida, foi liberada sem multa. Missão cumprida.

Drier: "Serei multada? E daí? Esta lei é uma agressão aos meus direitos europeus."

Por Antonio Ribeiro

19/02/2011

às 16:28 \ Economia

G20 Paris: Brasil sai bem de acordo paliativo

“O mais longo debate, a mais longa negociação”, foi assim que a ministra da Economia da França, Christine Lagarde, resumiu o caminho até a chegada de posição comum entre os representantes de países do G20, reunidos em Paris. Trata-se da definição de indicadores para aferir os desequilíbrios econômicos de países membros do grupo, acusados de causar a crise financeira mundial e a “guerra cambial”. São eles: dívidas públicas e déficits fiscais, poupança e empréstimo privados,  saldo da balança comercial e outros componentes do balanço de pagamentos, como o fluxo líquido de investimento.

Para acomodar a forte oposição da China,  segunda maior economia do mundo, a lista de parâmetros exclui a taxa de câmbio real e as reservas de moeda estrangeira. Os indicadores não serão metas a serem cumpridas obrigatoriamente pelos países. Nem serão quantitativos.  Eles servem para diagnosticar os desequilíbrios e, em etapa posterior, a base de sugestões para correções de rota. Não foi definido qual o peso de cada item nem a metodologia. No máximo quem não acompanhar fica com a imagem de patinho feio. Pressão moral.

Na reunião do G20 em Paris também foi descartada a discussão para criar estoques regionais de alimentos e regular preços para as commodites. Os grandes importadores de matéria-prima chamam de “volatilidade” o que é na verdade, a mais simples regra de mercado, a relação entre oferta e demanda. Neste particular, o Brasil com seu pujante agronegócio sai bem da reunião.  “Chegamos a um acordo de colocar os vários indicadores que interessavam ao Brasil. O principal para nós era a inclusão de contas externas, taxas de câmbio”, disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

A posição brasileira no encontro foi pragmática em defesa dos interesses nacionais, pendulando entre os dois protagonistas da reunião: China e EUA. No que diz respeito as reservas monetárias, os representantes brasileiros estiveram ao lado China, dona de 31% do total mundial. Em relação as taxas cambiais, o Brasil ombreou com os americanos, embora usando um misto de linguagem diplomática e de tecnocratas, contra a política chinesa de manter o yan desvalorizado para carburar exportações  – analistas estimam que o valor real  da divisa chinesa é mais de 30% acima da cotação oficial.

Mantega vem propondo valorizar os Direitos Especiais de Saque, o ativo financeiro cujo emissor global é o Fundo Monetário Internacional – a “moeda do FMI”. O ministro brasileiro sugere vincular o ativo a um conjunto mais amplo de moedas. Ou seja, o portador do DES poderia converter seu valor não só na média dos valores do dólar, libra esterlina, euros e yen, como acontece hoje, mas também em real e yuan, a divisa chinesa. Debate para quem tem fôlego de maratonista. A ministra Lagarde revelou onde houve consenso geral na reunião do G20 em Paris: “Todo mundo estava bem de acordo que o sistema monetário mundial não vai ser refeito em um dia nem mesmo em um ano.”

Por Antonio Ribeiro

27/10/2010

às 13:08 \ França

Parlamento adota reforma. No voto, eloquência dos números vence intransigência do grito

Os parlamentares da Assembléia Nacional francesa aprovaram definitivamente, por 336 votos a favor e  233 contra, a reforma previdenciária elevando o limite da idade mínima de 60 para 62 anos para aposentadoria no país. Proposta pelo presidente Nicolas Sarkozy, a mudança  provocou quase oito semanas de protestos organizados pelas centrais sindicais de ideário marxista. O caso da maior delas, a CGT. Derrotado no voto, o Partido Socialista promete entrar com recurso no Conselho Constitucional.

A manobra do PS prolonga as duas semanas regulamentares necessárias para o Executivo sancionar a lei. A mais alta instância do país, no que tange à conformidade dos preceitos legais com a Carta, tem prazo de um mês para apreciar a lei. O parecer favorável é dado como certo por juristas. A constitucionalidade da lei nunca foi ponto de arguição. Na verdade, a estratégia socialista tenta dar um pouco de oxigênio aos protestos, greves e bloqueios que estão perdendo força cada vez que o sol passa sobre o território francês.

A aprovação da reforma pelo Legislativo coincide com divulgação pelo Instituto Nacional da Estatística e dos Estudos Econômicos (INSEE) estimando aumento de 10 milhões de franceses com mais de 60 anos nas próximas cinco décadas. A França terá no horizonte do ano 2060, população de 73,6 milhões de indivíduos na qual o número de inativos será superior aos ativos, cotistas da Previdência. Ou seja, menos de 25% dos franceses terá que pagar aposentaria dos 75% restantes. Hoje, uma cinquentenária francesa cuja expectativa de vida é de 91 anos, tem 9 chances em 10 de comemorar seu centenário em 2060. O INSEE estima que no espaço de meio século, o país terá 200.000 indivíduos com mais de 100 anos – são apenas 15.000 atualmente. No mesmo período, a população jovem, com menos de 20 anos, vai diminuir em torno de 23%.

Se as previsões do INESS forem justapostas ao déficit, calculado entre 30 e 48 bilhões de euros, o barulho seria bem mais alto que se todos os franceses fossem às ruas para gritar contra a reforma -  o que não é o caso hoje. E não só. O impacto da mudança no regime de aposentadoria francês prevê zerar o rombo em 2018 – na verdade ela cobre 82% das despesas. Dois anos depois, o sistema começa novamente a fazer água. A partir de 2020, será necessário encontrar 45 bilhões de euros suplementares para manter o equilíbrio nas contas.

Na França, apenas 8% dos 29 milhões de indivíduos que vivem de salários, são sindicalizados – índice  menor que nos Estados Unidos (12%) e da vizinha Alemanha (19%). Ou seja, nem 3 milhões de almas em uma população de 64 milhões de pessoas. Os sindicalizados são, em sua maioria, funcionários públicos. Apesar da notável falta de legitimidade nos protestos, as centrais sindicais conseguem atrapalhar o bom funcionamento de setores importantes do país: transportes, saúde e educação.

Ao avizinhar-se 2020, tempo de um piscar de olhos, talvez  haja lembrança da determinação atual de Sarkozy, assim como acontece quando os vizinhos ingleses consultam sua história, não menos atribulada. Sem a convicção da “Dama de Ferro”, a ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, afrontando o radicalismo sindical inglês, qualquer reforma amarga, impopular, mas necessária, teria sido missão impossível no Reino Unido.

Por Antonio Ribeiro

 

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