Blogs e Colunistas

França

26/08/2014

às 13:58 \ Europa

“Hollande mente o tempo todo”

MVallsII

Mesmo antes de assumir a Presidência da França em maio de 2012, muitos franceses desconfiavam, mas  só um contingente em numero bem reduzido poderia ter afirmado com tanta autoridade quanto Arnaud Montebourg, até ontem, o todo-poderoso ministro da Economia: “François Hollande mente o tempo todo.”

A acusação pesada coaduna com a situação grave do país. A segunda maior economia da Europa estagnou. No primeiro semestre, a França registrou crescimento nulo e o governo socialista acha improvável chegar a hercúleo 1% até o fim do ano. O aumento renitente do desemprego deixou 3,6 milhões de inativos no mercado de trabalho. Jovens qualificados — os que podem e os que fazem acontecer — vão buscar oportunidades de trabalho fora da França.

Apesar da promessa de reduzir 50 milhões de euros nas despesas públicas, o governo de Hollande sob comando do primeiro-ministro Manuel Valls — anda dizendo que a esquerda francesa pode morrer — não atingirá a meta de 3,8% do Produto Interno Bruto. A recuperação da França patina enquanto outras economias da zona do euro se revitalizam.

Durante a campanha eleitoral o candidato Hollande apontou as finanças como “inimigo numero 1″. No governo, perdeu dois anos empenhado em fazer a política do vai e vem ao zig-zag e, na confusão, ficou no mesmo lugar. Os dados não mentem. Por mais das vezes, incomodam. E no caso, o efeito provoca nos responsáveis, o convite para releitura.

Em um primeiro instante, Hollande aumentou os impostos. Avançou a esperança de acabar com o rigor orçamentário. Mais para frente, prometeu cortar gastos, baixar impostos e incentivar as empresas. Os investidores não acreditaram. Mas não só eles. Só dois em cada dez franceses confiam no seu presidente. Hollande recebe a maior descrença popular entre todos os presidentes a criação da Quinta República em 1958.

A justificativa apresentada por Montebourg para abrir fogo contra Hollande foi a divergência na condução da política econômica. O ex-ministro criticou o alinhamento do presidente ao que chamou de obsessiva austeridade fiscal imposta pela Alemanha aos paises da União Européia. Segundo o ex-ministro, ela trará recessão e, em seguida, a deflação.

O discurso de Montebourg pega carona e replica na França a fala do primeiro-ministro italiano Matteo Renzi — teve o melhor desempenho entre seus pares na eleição para o Parlamento Europeu. Ele sustenta o abrandamento no controle de gastos adotados durante a crise da dívida e aproveita os seis meses de mandato da Itália na presidência da União Européia para reforçar a posição.

Na verdade, Montebourg, virtual candidato à sucessão de Hollande em 2017 — o considera carta fora do baralho a longo termo — tomou a frente de um grupo do Partido Socialista (PS), do qual fazem parte os ex-ministros Benoît Hamon (Educação) e Aurélie Fillipetti. É a dissidência insatisfeita com as medidas do governo.  Acham demasiadamente impopulares. Portanto, segundo eles, serão incapazes de tirar o PS da posição de terceira força política do país como demonstrado de forma inapelável nas recentes derrotas eleitorais.

Hollande com os rebeldes na rua, corre risco de perder sua maioria na Assembleia Legislativa em votações determinantes. O primeiro teste será aprovar o orçamento de 2015 em dezembro. Diante do racha do Partido Socialista, Hollande não teve melhor alternativa para manter a governabilidade que, apenas cinco meses depois de nomear Valls, mandar o primeiro-ministro formar um novo gabinete. Diga-se de passagem, a tarefa envolveu dificuldade inédita. Alguns socialistas recusaram integrar o governo e os verdes desertaram.

Desta vez, a escolha tem a lealdade como credencial obrigatória. Emmanuel Macron, ex-banqueiro chez Rothschild, conselheiro de Hollande, irá substituir Montebourg em um ministério da Economia mais reforçado. Michel Sapin, amigo de Hollande e atual ministro da Fazenda e Contas Públicas, a ex-mulher do presidente Ségolène Royal (Ecologia) e o veterano do PS Laurent Fabius (Relações Estrangeiras) permanecem no governo.

Pode ser que Hollande aproveite a crise e, finalmente, encontre alguma direção. Pode ser que o presidente francês promova reformas necessárias. Isso, em um país que não conseguiu reformar nem seu o Partido Socialista como fizeram seus equivalentes na Espanha, Inglaterra, Alemanha. Acredite se quiser.

Por Antonio Ribeiro

29/03/2014

às 9:33 \ Paris

Partida de damas: a briga pela prefeitura de Paris

Anne Hidalgo e NKM

Anne Hidalgo e Nathalie Kosciusko-Morizet

Homossexual assumido, o prefeito de Paris Bertrand Delanoë, político socialista entre os mais serenos da paisagem política francesa, decidiu se aposentar. O substituto não será um negro das Antilhas, índio Uaiana, da Guiana, ou francês de origem magrebina. Sabe-se, não é?, pertencer a uma minoria e, sobretudo, não ser homem branco, cai bem. Competência, honestidade e bom programa de governo são quase penduricalhos. Paris, capital da moda, não poderia ficar fora da tendência.

O próximo prefeito da cidade será fatalmente uma mulher. “A primeira da história”, como repetem sem cansar aqui, militantes, jornalistas e quem considera a situação, baita avanço da democracia moderna. Talvez aproveitem o momento. Mais para frente, decantado algum tempo, o cidadão fica alheio aos periféricos. Quer se saber a essência. Dito de outro modo: se votou para candidato bom ou ruim, seja ele azul, branco ou vermelho.

De acordo com previsões da Meteo France no domingo 30 de março as 19 horas e 59 minutos o sol vai se esconder no horizonte da capital francesa. No minuto seguinte, se saberá quem será a nova prefeita. Se a socialista Anne Hidalgo, de 55 anos de idade, atual vice-prefeita ou a postulante de centro-direita Nathalie Kosciusko-Morizet, de 41 anos de idade, ex-ministra e porta-voz do governo Nicolas Sarkozy.

No primeiro turno, houve surpresa. A favorita das pesquisas de opiniões Anne Hidalgo ficou em segundo lugar com 34% dos votos. Nathalie Kosciusko-Morizet saiu na frente com apertada vantagem de 1% — 8.472 votos. Os franceses para simplificar o nome longo e de pronuncia difícil, chamam a candidata da União por uma Maioria Popular (UMP) pelas iniciais NKM e os mais próximos dela, pelo sonoro apelido “Nakomô”.

A vitória parcial de NKM acompanhou a onda nacional das eleições municipais. A direita deu uma surra eleitoral nos socialistas punindo o presidente François Hollande pelo desempenho medíocre durante 16 meses de governo. Quase meio mandato jogado no lixo. O índice de desemprego ultrapassou 10%, a economia não decolou, os investidores estrangeiros correram e apesar do aumento de impostos, a dívida público acumulada lembra cova ampla e funda — 90,2% do Produto Interno Bruto (PIB). A expectativa é que os resultados definitivos das eleições ampliem a derrota do governo. Se confirmada a deblacle, cogita-se a queda do primeiro-ministro, o fusível do sistema presidencialista parlamentar francês. Como tora na lareira ou, digamos à brasileira, o carvão do churrasco, é mais util quando começa incandescer. Mas Paris não é a França.

A eleição municipal na capital é indireta. Isso porque a Paris tem, simultaneamente, estatuto de município e departamento. Primeiro, se elegem 163 membros do Conselho de Paris, os representantes na devida proporção de eleitores dos 20 distritos da metrópole, os chamados “arrondissements” — o menos populoso tem 1 eleito e o mais, 18. Os conselheiros escolhem o prefeito de Paris. A aliança com os Verdes — colheram quase 9% do sufrágio — alçou novamente Anne Hidalgo à posição de favorita em uma eleição cujos resultados reproduzem o mapa da Europa durante a Guerra Fria: oeste favorável à direita e o leste à esquerda.

As concorrentes participaram de debate no canal a cabo i>telé com transmissão também para a rádio RTL. Quem esperava propostas e confronto de idéias de candidatas que materializam a nova geração de políticos, assistiu duelo de insultos e interrupções sistemáticas na fala alheia.  Elevar o tom de voz foi a estratégia predominante. Se pela telinha percebeu-se espetáculo decepcionante, um dos mediadores da beligerância lembrou o duplo desconforto de motoristas retidos nos engarrafamentos com o radio sintonizado no debate: “Não estão entendendo nada, madames.”

Comparado com as dores de cabeça dos prefeitos brasileiros, os problemas do executivo parisiense parecem anedotas. A infra-estrutura construída para durar exige, no máximo, manutenção. Não há lugar no Paris intra-muros que fique a mais de 500 metros de uma estação de metrô. Os pontos de ônibus indicam através do rastreamento por GPS o momento exato em que o coletivo vai passar — e só não chega se houver greve. O sistema de bicicletas públicas com vasta rede de ciclovias e o carro elétrico compartilhado são exemplares. A cidade é um espanto de beleza arquitetônica — todo prédio residencial é obrigado a limpar a fachada a cada dez anos, o resto o governo cuida em troca de impostos elevados.

Contudo, o maior atrativo dos turistas brasileiros em Paris, situação que os locais acham natural como o mineral, é a possibilidade de sair de casa e voltar sossegado. Isso a qualquer hora do dia ou da noite. A cidade é segura. No entanto, NKM quer instalar mais câmeras de segurança e aumentar o efetivo de “policiais de proximidade”. Quer dizer, maior vigilância nos bairros residenciais. Hidalgo promete além mais policiais para cuidar das zonas sensíveis, criar uma “brigada contra o barulho e em favor da ecológia.”

O problema é o espaço. Se constrói pouco em Paris. A população aumenta, os jovens e quem procura melhores condições de trabalho na cidade, encaram mercado imobiliário restrito. E portanto, caro. Hidalgo diz que vai construir 10 mil novas moradias em conjuntos habitacionais — pelos padrões brasileiros são apartamentos de classe média. NKM, em contrapardita, visa programa de aquisição de casa própria com preços 25% inferiores ao mercado com a garantia de “deus pai”. Leia-se, o governo.

A postulante socialista afirma que criará 5 mil novas vagas em creches. Sustenta contra a corrente da crença popular que não aumentará os impostos e manterá o volume de investimentos da prefeitura: 8,5 bilhões de euros. A candidata da direita prefere incentivar a guarda infantil domiciliar entre famílias com tempo disponível. NKM promete investir 7 bilhões de euros por ano em Paris. Promete, se eleita, baixar imediatamente 100 milhões de euros em impostos locais devido a plano de redução nos gastos do governo de um bilhão de euros em 6 anos. Quem viver verá. Quem passou da adolescência, real e mental, custa acreditar.

Atualização:  A socialista Anne Hidalgo foi eleita prefeita de Paris com 92 conselheiros municipais como base de sustentação política. A União por uma Maioria Popular (UMP), partido de Nathalie Kosciusko-Morizet, elegeu 71 conselheiros nos 20 distritos da capital francesa. De origem espanhola e vice-prefeita durante 11 anos, Hidalgo declarou ao jornal Le Monde que pensava governar Paris todas as manhãs quando se maquiava.

LEIA TAMBÉM O POST DO BLOG DE PARIS: “Hénin, centro do mundo, agora sob nova administração

Por Antonio Ribeiro

23/03/2014

às 17:11 \ França

Onda azul: direita sai na frente em eleições municipais

Hollande

Os resultados do primeiro turno das eleições municipais na França coloca a direita (46,5%) a frente dos socialistas (37,7%). O índice de abstenção é o mais elevado dos últimos dos 40 anos. Entre os 45 milhões de eleitores inscritos, 36% não foram votar. Isso não significa apenas desinteresse, mas falta de confiança na classe política.

Embora as eleições sejam locais, o descontentamento com o governo de François Hollande cujo desempenho só 2 em cada 10 franceses aprovam, de acordo com as pesquisas de opinião, é claro e nítido. Desde 2012, os socialistas franceses não ganham eleições parciais no país.

Na capital Paris, Nathalie Kosciusko-Morizet com 35% dos votos, candidata da União por um Movimento Popular (UMP), partido do ex-presidente Nicolas Sarkozy, vai decidir o segundo turno apertado contra socialista Anne Hidalgo que obteve 34 % dos votos na sucessão do prefeito socialista Bertand Delanoë que anunciou sua aposentadoria.

Em Marselha, a segunda cidade mais populosa da França, o candidato do Partido Socialista (PS) ficou atrás do Front National (FN), o partido de extrema direita xenófoba. Os candidatos da UMP (39%), FN (23%) e o PS (20%) disputarão a triangular decisiva daqui uma semana, no 30 de março.

O Front National, partido de Marine Le Pen, colheu 4,7% dos votos a nível nacional e estará presente no segundo turno em 229 cidades entre as 36.664 da França. O resultado é inédito, mas ainda muito abaixo dos principais partidos franceses, a UMP e o PS. Trata-se de um imprecisão brutal sustentar que a França foi seduzida pelo o ideário da extrema-direita.

O grande vencedor das eleições municipais foi o ex-primeiro-ministro da França Alain Juppé, 68 anos de idade, reeleito pela quarta vez prefeito de Bordeaux com 61% dos votos no primeiro turno. O triunfo eleitoral do político com o índice de aprovação mais alto entre os franceses, o coloca como virtual candidato da UMP junto com Nicolas Sarkozy nas próximas presidenciais.

Juppé: “Combateremos o Front Nacional”

Juppé: “Combateremos o Front Nacional”

Por Antonio Ribeiro

04/02/2014

às 15:34 \ O Melhor de Paris

Ao vencedor, as batatas

batatasConte para um amigo brasileiro que você jantou ou almoçou com gente inteligente e interessante. No mais das vezes, ele vai querer saber qual o nome do restaurante. O europeu, em situação semelhante, se interessará, em um primeiro instante, pelo conteúdo da conversa que dominou a mesa. Em seguida, qual foi o prato que animou o papo. Se o interlocutor for um francês, bem provavelmente, vai querer saber se algum vinho regou a conversa. Aqui não vai nenhum julgamento de valor. Trata-se de simples observação. A vida como ela é.

Esta coluna é dedicada, sobretudo, ao leitor brasileiro ainda que há leitores em Portugal e alguns textos caem em provas do Quai d’Orsay para checar se diplomatas franceses entendem a idioma de Camões — pobres coitados. Então, apresso a dizer que o nome do restaurante é Le Severo. Já foi escrito aqui que no Severo come-se a melhor combinação em Paris do que os franceses equiparam ao nosso feijão com arroz, o prato de todos os dias. No caso local, o filé com fritas.

Voltei ao Severo acompanhado de gente inteligente e interessante — et des fines goules. A missão serviu, acredite se quiser, apenas para averiguar se a fama do lugar continua com algum lastro ou se deitou nos louros da glória como é o caso de muitos restaurantes parisienses. Isso com a ajuda do forno micro-ondas e de cardápios enfeitados para atrair os menos avisados. Alguns vão mais longe: contam com decoração pálida e fria que lembram refeitórios de hospital, mas em perfeita sincronia com a moda tão atual quanto efêmera.

Três almas carnívoras e o autor do Blog de Paris optaram pela pedida tradicional. Houve uma pequena variação para acomodar o paladar feminino e masculino. As moças pediram filé mignon com fritas (34 euros cada) e os rapazes, contra-filé com fritas (33 euros o prato). O quinto conviva tomou um afluente. Aventurou-se em um peito de leitãozinho com purê de batatas (18 euros, incluso o excesso de gordura). Nos minutos seguintes a chegada dos pedidos, sempre servidos por um garçom rabugento tal qual rege a a tradição, não houve quase papo. Não se pode dizer que murmúrios intercalados com estalos de elogios configuram uma conversa.

No entanto, foi prova forte que o Le Severo continua servindo o melhor filé com fritas de Paris. Ao que leva a crer, não brotou na última chuva. Não diria que é assim desde quando não era nascido, até porque o restaurante abriu as portas pela primeira vez 1989. Mas faz tempo. Vejamos uma boa razão. Ainda não tive o prazer de consultar, mas dizem que o Severo está repertoriado no “O guia dos guias”, a obra lista os cem melhores restaurantes do mundo de acordo com os autores José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, e Ricardo Amaral. Considere que a dupla está na área praticando o esporte desde os anos 50. Depois, faça os cálculos.

Se atrás de um grande homem, há sempre uma grande mulher, a condição primeira para uma steakhouse tornar-se uma celebridade é imperativo um bom fornecedor. O Severo tem e não muito longe do seu endereço no décimo quarto distrito de Paris, o açougue de Hugo Desnoyer. Ele não abastece só Severo, mas as cozinhas do Senado, da Assembléia Legislativa e somadas todas as estrelas dos restaurantes que confiam no açougueiro dá para formar a figura constelar de um touro limosino ligando 25 pontos.

Agora a parte divertida. Se você comprar um corte no Denoyer e empregar boa perícia no domínio do fogo, pode ser que consiga reproduzir em casa o filé suculento do Severo. O mais laborioso será encontrar os tempos perfeitos da dupla fritura das batatas que chegaram na Europa 40 anos depois que Pedro Álvares Cabral atracou no Brasil, mas levaram dois séculos para se transformar no tubérculo mais consumido do Velho Continente.

LEIA TAMBÉM NO BLOG DE PARIS O POST: “O melhor filé com fritas de Paris

Por Antonio Ribeiro

20/01/2014

às 11:00 \ França

Meu reino por uma lambreta

Richard III e a lambreta de François II

Richard III e a lambreta de François II

François Hollande, monarca da República Francesa, conhecida simplesmente como França, acha nada adequado falar de seu caso amoroso com a atriz Julie Gayet. Durante a última entrevista coletiva à imprensa no Palácio do Eliseu, sua alteza repeliu qualquer iniciativa neste sentido. No seu lugar, preferiu abordar os problemas econômicos do seu reino.

Um dos súditos do monarca, o cidadão francês Wilfried Hemmerle, captou a mensagem real. Proprietário de uma concessionária de veículos motorizados que deslocam-se de um ponto a outro sob duas ou três rodas, Hemmerle felicitou Hollande por usar lambreta. Ainda que o faça apenas nas suas escapadas noturnas para ver Julie, a amante, já seria um excelente exemplo.

Hemmerle lamentou, no entanto, em carta endereçada ao ministro da Industria, Arnaud Montebourg, que Hollande se faz transportar na garupa de um modelo de três rodas da fabricante italiana Piaggio. Lembrou ao socialista, ferrenho defensor da cruzada Made in France, a existência de um equivalente 100% francês, feito pela Peugeot na fabrica de Mandeure e cujo grupo controlador, a PSA, acaba de receber do estado francês a injeção de 800 milhões de euros (30%) em uma operação de aumento do capital.  “O Metropolis corresponde perfeitamente às necessidades do presidente”, garantiu.

O dono da concessionária se deu o trabalho de procurar na agenda de Hollande um momento mais calmo. Propôs ir com toda discrição ao palácio fazer uma demonstração para o eventual cliente e agentes do dispositvo de segurança real. A manobra astuciosa de Hemmerle faz parte de uma batalha para conquistar um mercado crescente de usuários de lambretas nos grandes centros urbanos franceses.

Estima-se que só em Paris e arredores existam 500 000 lambretas para funções que antes eram desempenhadas por cavalos. Diariamente, 150 000 delas rodam por vias e quando seus condutores são menos respeitosos, também pelas calçadas. Entre 2001 e 2010 houve um aumento de 34% nas vendas de scooters.

Isso se deve, sobretudo, porque na capital do reino de Hollande os engarrafamentos são constantes e as vagas de estacionamento são doze vezes inferior ao tamanho da frota. A situação dramática fez das multas a proprietários que deixam os veículos onde não podem e por tempo além do permitido a terceira maior receita da administração pública local. Possuir um carro em Paris, em termos de gastos, equivale a ter um dependente com doença incurável.

As contravenções de estacionamento vão de 17 a 33 euros. Se não forem pagas no prazo de 45 dias, as de segunda classe, consideradas pela legislação como “estorvo abusivo”,  podem chegar a 150 euros. A Agência Nacional de Tratamento Automatizado das Infrações, ANTAI na sigla em francês, prevê 35 milhões de multas para 2015. Elas totalizaram 22 milhões em 2010.

O inconveniente suplementar da lambretas, além da meteorologia ruim, circular sob efeito da chuva e da baixa temperatura, e da pouca segurança no tráfego, é o roubo fácil e generalizado. No primeiro trimestre de 2013, mais de 1.200 lambretas foram roubadas em Paris. Ano passado, o ator Gérard Depardieu, por exemplo, livrou-se de boa fisgada no bolso pelas incursões dos agentes do fisco. Mudou seu domicílio fiscal para fora da França. Mas sua lambreta não escapou da ação dos ladrões.

Os larápios são, na maioria, jovens entre 16 e 22 anos de idade, de acordo com dados oficiais da polícia. Atacam, no mais das vezes, nas noites de terça-feira entre 21h e 23h em bairros residenciais. O modelo mais apreciado dos mequetrefes, não é italiano nem francês. A preferencia é pelo japonês Yamaha T-MAX 500. O modelo permite maior mobilidade e rapidez nas fugas. Em certa medida, poderia ser útil para o Hollande.

LEIA NO BLOG DE PARIS O POST: “É ridículo

Por Antonio Ribeiro

17/01/2014

às 18:17 \ França

“É ridículo”

ridiculo

Imagine o que a imprensa francesa diria se fosse revelado pela revista americana People que estes dois aí ao lado, na montagem com fotografias das agências AP e Reuters, tem um caso amoroso depois de dois anos? Se o presidente Barack Obama, na calada da noite, fosse pródigo em escapadas de no lombo de uma lambreta com ajuda do serviço secreto para ver a amante, a atriz Jennifer Aniston, em um apartamento, um cafofo alugado como garçonnnière. E, em efeito, ao tomar conhecimento, a primeira-dama Michelle, diagnosticada com depressão nervosa, fosse internada no Hospital Johns Hopkins.

Pergunta-se, gastaria-se tanta tinta sobre papel, falatórios e bytes com debates sobre a privacidade de governantes  no varejo e do homo politicus no atacado?

Nos Estados Unidos, onde o chefe do executivo mora em uma Casa e não em um Palácio, tem-se a convicção plena de que, se o presidente mente para a mulher, ele é capaz de mentir com mais facilidade para nação. Portanto, merece desconfiança. Imagine também se sabatinado em entrevista coletiva a imprensa sobre seu caso com Aniston, Obama, tomasse sisudos ares marciais, como Hollande, e saísse com esta: “Isso aí, não é da sua conta.” Dito de outro modo:  Não é de interesse público. Segundo quem, cara pálida?

A paródia é semelhante à realidade atual na França.

Nicolas Sarkozy, ex-presidente disse o seguinte sobre o comportamento do atual, François Hollande: “É ridículo”. E é mesmo. Isso nos remete a outro ponto. Ou se preferir a outra comparação. Na França, há todo tipo de greve. Elas acontecem com frequencia em dias santos e nos feriados. Salvo, evidentemente, a da oposição ao governo. E jamais tão longas quanto a da oposição no Brasil. Questão de integridade e coragem.

LEIA TAMBÉM NO BLOG DE PARIS O POST: “Amor clandestino e oficial

Por Antonio Ribeiro

10/01/2014

às 14:03 \ França

Homem de preto: Hollande tem um caso para resolver

Men-in-BlackA certeza nasce da dúvida. Nos últimos meses, boatos davam conta de que François Hollande, que vive oficialmente com a jornalista Valérie Trierweiler, estava de namorada nova ou, pelo menos, mantinha um caso extraconjugal com a bela atriz francesa Julie Gayet, dezoito anos mais jovem que o presidente da França. Se as sete páginas ilustradas da revista de celebridades Closer, publicadas hoje, não trazem a prova cabal da relação secreta, elas transformam o que eram só rumores em uma suspeita que, caso fosse de natureza penal, motivaria investigação mais detida do Ministério Público.

Uma fotografia mostra um indivíduo, usando capacete e vestido de trajes pretos, saindo do prédio de estilo haussmaniano no elegante oitavo distrito de Paris onde mora Julie Gayet — a cinco minutos em percurso feito de scooter do Palácio do Eliseu, sede do governo francês. Até aí, nada. Poderia se tratar de qualquer cidadão da República ou mesmo de uma simulação. O mais intrigante é o seguinte: o que estaria fazendo alí, o guarda-costas de Hollande que aparece em outras fotografias tocando a campanhinha do prédio da atriz ou observando o mesmo indivíduo de negro montar na garupa de um scooter? A revista afirma também que o modelo de sapatos do homem de preto são iguais ao de Hollande os quais ele raramente abandona. O respeitado semanário L’Express reportou em dezembro do ano passado que a equipe de segurança presidencial estava preocupada com as freqüentes “escapadas noturnas” de Hollande. É pouco para defender a tese? Vejamos mais.

Julie Gayet

Julie Gayet

Sabatinada sobre o eventual caso em programas populares das TVs francesas nas quais promove o seu  último filme “Quai d’Orsay”, sátira em que faz o papel de uma voluptosa assessora do ministro das Relações Exteriores, Julie Gayet não negou nem confirmou o affair com o “presidente normal”. Continuou, sorridente e a vontade, falando do seu filme: “O presidente gostou muito do filme, sua mulher bem menos.” Em outra feita, disse que Trierweiler detestou seu filme.  A atriz, de 41 anos de idade, mãe de dois filhos e casada desde 2003 com o roteirista argentino Santiago Amigorena, participou de um videoclipe eleitoral do candidato Hollande à Presidência da França. Na época descreveu o candidato como “humilde, formidável e que escuta de verdade”. Gayet é militante ativa na campanha para Prefeitura de Paris da socialista Anne Hidalgo, amiga pessoal de Hollande.

Em um primeiro instante, François Hollande, de 59 anos de idade, reagiu de forma morna: “Tenho direito a vida privada”. Depois da publicação a reportagem, o Palácio do Eliseu informou que o presidente cogita medidas judiciais contra os responsáveis. A razão disso encontra-se na lei e na submissão da imprensa. Enquanto a maioria dos países ocidentais adotou o “direito de saber”, a França optou pela proteção do direito à vida privada – cuja quebra é punida não apenas pelo código civil mas também pelo criminal. Como não há definição legal muito precisa sobre o que seja “vida privada”, os tribunais cuidaram de fazer isso na prática, considerando violação severa a revelação sem consentimento pela imprensa de detalhes sobre as amizades, os laços familiares, a condição social, a inclinação política ou religiosa – e, certamente, dos casos amorosos. A proteção da lei vale para todos mas quem mais aproveita dela são os políticos e as celebridades.

Resumo da ópera: trata-se daqueles casos onde o copo pode estar metade cheio ou metade vazio. É muito pouco sustentar que uma revista ainda que de fofocas enfrentaria todo o arsenal judicial francês criando do nada um caso extra-conjugal do Presidente da França. Em contrapartida ainda não há elementos suficientes para provar completamente. O certo é que a imprensa deve fazer seu papel, independente do humor dos poderosos. É o caso. E vai sem dizer que a imprensa deve ser responsável. Não parece que ela não tenha sido.

Para arrematar: se ficar provada a conquista presidencial, Hollande que anda com a popularidade nas canelas, subirá em muito no conceito de alguns franceses.

Por Antonio Ribeiro

18/08/2013

às 7:42 \ Gente

O advogado dos diabos

Jacques Vergès

Fulminado por um ataque cardíaco aos 88 anos de idade, Jacques Vergès morreu no quarto onde Voltaire despediu-se da vida mais de dois séculos antes. O falecido foi um brilhante advogado francês. Talvez o mais famoso entre seus contemporâneos. Muitos, no entanto, preferem classificá-lo de astuto. O adjetivo inteligente tem boa cotação. O sobrenome Vergès esteve associado, quase sempre, a condenados os quais poucos topariam defender os interesses em juízo ou alhures. Contudo, astuto não é, completamente, satisfatório.

Os registros atestam que Vergès nasceu no dia 5 março de 1925, em Oubone, no Reino da Tailândia. O rebento foi  resultado de uma paixão do pai Raymond, engenheiro agrônomo e médico, á época, cônsul da França no antigo Sião. O seu nome era Khang, uma linda vietnamita, de acordo com fotografias. Todavia, Raymond só declarou o nascimento de Jacques, um ano depois que Khang deu à luz a Paul, o segundo filho. A descoberta de biógrafo não autorizado foi a única vez em que se tratou Vergès como filho de prostituta no senso factual do termo. Nas demais, foram insultos.

Sobre o assunto, Vergès nunca mostrou o menor complexo. Fez pouco caso quando confrontado a questão: “Estou nem, aí”. A frase de Vergès, em francês, Je m’en fous royalement, revela mais que um sentimento. Royalement, no caso, refere-se ao desdém típico da realeza. Embora mais sutil, em certo sentido, tratou de um coroamento à maneira de Bonaparte, o imperador que bateu o escanteio para si e, seguida ao chute, validou o gol.

Por mais das vezes, vendia a si em valor superfaturado. Isso para melhorar a média. Bar­bet Schroeder fez um filme sobre Vergès. Batizou a obra de “O advogado do terror”. Teve menos sucesso que o tema. Maître Vergès preferia ser o solitário no seu campo em detrimento da posição confortável no outro, entre os numerosos favoráveis a causas mais apreciadas. Quem considerar as dificuldades do duelo assimétrico – não o bíblico de David contra Golias, mas o romanesco de Alexandre Dumas, no qual o mosqueteiro D’Artagnan é protagonista – estará perto do desafio intelectual do qual Vergès tirava estímulo.

Ele não foi advogado do diabo, o responsável por contestar os méritos dos candidatos à beatificação e à canonização, na cúria romana. Vergès foi sim, advogado dos diabos.

Advogou para o terrorista venezuelano Ilich Ramírez Sánchez, conhecido por Carlos, o “Chacal”. Na ocasião, o provocaram indagando se seria capaz de defender Hitler? Vergès saiu-se com a seguinte: “Defendo até o George W. Bush com a condição de que o ex-presidente americano declare-se culpado.” Como se precisasse, “Chacal” contou a um juiz porque tinha escolhido Vergès: “Ele é mais perigoso do que eu.” Exagero. Vergès feria com outras armas, as palavras conspicuamente selecionadas e, quando acuado, afrontava com a insolência dos argumentos desafiadores. Invariavelmente, com voz suave.

Ex-resistente nas Forças Francesas Livres, Jacques Vergès foi o único advogado na defesa de Klaus Barbie, o chefe da Gestapo na cidade de Lyon, durante a ocupação nazista na França. Perdeu o processo por avaliação unânime dos jurados tal como o do “Chacal”. Mas contou que, durante o julgamento, sentia êxtase ao examinar os 40 advogados de acusação, sentados à sua frente: “Cada um deles valia um quarenta avos em relação a mim.”

De estatura baixa, olhava os adversários de cima. Arrogante? Aqui, vale lembrar Winston Churchill. Mais uma vez para quem conhece o Blog de Paris. Na maturidade, o primeiro-ministro britânico rememorou o seu modo: “Ah, se não eu tivesse sido arrogante.” Há fartas ocasiões que lhe dão razão. Porém, há margem para supor que Churchill tenha se enganado. Seria fácil considerá-lo grande ainda que desprovido de um de seus traços de personalidade mais marcantes. Vergès, por sua vez, temeu que de toda maneira o considerariam pequeno. As horas e os minutos, por enquanto, vão lhe dando razão.

De 1970 à 1978, Jacques Vergès desapareceu das telas de TV e dos radares. Suspeita-se que tenha trabalhado para o Khmer Vermelho, a sandice no Camboja liderada pelo genocida Pol Pot a quem Vergès se referia, em seus frequentes momentos de cinismo, como alguém discreto e sorridente. De fato era mesmo. O comunista Pol Pot exterminou 25% da população do seu país, estimada em 8 milhões durante sua tirania, sem fazer alarde ou careta.

Vergès tinha destreza para capturar a fama ainda que má. Isso em um primeiro instante. Em decorrência da conquista, ganhava dinheiro com a ajuda dela. Especialmente nos casos de réus convictos de que a condenação era apenas uma questão protocolar. Dinheiro era o alvo? Longe disso, mas foi complemento, indissociável, da celebridade.

Sinuoso, Vergès seguiu até o fim linha tida como reta pela sua geração no período de formação intelectual, o combate intransigente ao colonialismo. Quem poderia ser, no particular, melhor saco de pancadas que a França cujo desempenho, á época, era desastroso da Indochina a Argélia?

Vergès tomava o sistema judiciário francês e seus magistrados como os moinhos nos delírios de Dom Quixote. Parte do sistema, o atacava por dentro usando tribunais como trincheiras e palanques políticos. Segundo ele, o país de Robespierre não tinha moral para incriminar quem lutava pela independência ainda que pela via do terror. Após livrar da guilhotina uma terrorista argelina, casou-se com ela. Foi o pioneiro nos tribunais a propagar confusão semântica entre terrorista e combatente  engajado pela liberdade. “Tudo depende contra quem se luta”, repetia.

Numa percepção mais ampla, sustentava que o direito não tinha legitimidade para julgar o bem e o mal.  Seu jus postulandi poderia ter sido epitáfio fiel: “Minha lei ser é contra todas as leis, minha moral ser é contra qualquer moral.” Talvez seu maior legado tenha sido o de exigir reflexão do que só aparentemente não merece ser levado a sério.

Por Antonio Ribeiro

24/05/2013

às 15:36 \ Europa, Futebol

Batalha da Inglaterra: desta vez, os alemães ganharam


O futebol é um jogo simples: 22 homens correm atrás da bola durante 90 minutos e no final, os alemães ganham 
–  Gary Winston Lineker, atacante inglês

Um amigo que mora em Londres e conhece o apreço pela resiliência de Winston Churchill contra a tirania telefonou para contar anedota intelectualmente estimulante. “Estão dizendo aqui que, finalmente, o futebol alemão conseguiu que o Hitler tentou sem sucesso.” Em seguida, arrematou: “Invadir Londres.” Naturalmente, ele se referia à inédita final da Liga dos Campeões com ares de partida da Bundesliga no lendário Wembley Stadium. A decisão entre a equipe bávara Bayern de Munique e a renana Borrússia, de Dortmund, megalópole no Vale do Rhur.

Well, não se trata bem de uma invasão. O movimento está mais para passeio de fim de semana. Os esperados 150 000 torcedores alemães irão desembolsar boa parte de seus euros em hotéis – mais de 4 em cada 5 deles estão totalmente ocupados e os restantes tem disputadas diárias a 700 por cento acima do preço normal. Os pachecos teutos vão encher os restaurantes,  esvaziar o estoque de chope dos pubs e gastar com outras diversões. Tudo irá para os cofres dos insulares. Terminada a partida, os alemães voltarão para casa levando apenas lembranças. No melhor dos casos, a faixa de campeão da melhor competição mundial entre clubes de futebol. Intacto, o reino de Elizabeth II seguirá sua crise econômica um pouco mais abonado.

Contudo, a “invasão de Londres” é mais interessante pelos aspectos inerentes ao futebol, nem sempre notados, onde o rolar da bola é quase um detalhe se considerado seu efeito fora das quatro linhas que delimitam o campo de batalha do esporte de origem britânica. No Brasil, ele é uma espécie de mitologia nacional na qual Pele é Zeus, “o deus dos estádios”, parafraseando o locutor Waldir Amaral. Na Alemanha, seus melhores momentos estão associados à reconstrução do país e mais tarde, a supremacia econômica européia. O kaiser Franz Beckenbauer, no caso, faz figura de um Michelangelo na renascença boleira.

O “Milagre de Berna”, em 1954, quando a Alemanha Ocidental derrotou a favorita Hungria de Puskas conquistando a sua primeiro Copa do Mundo é visto pelos alemães como um símbolo consequente no meio do caminho entre o Tratado de Paris e o Tratado de Roma. Os acordos marcaram respectivamente o retorno do país à comunidade européia e o inicio do papel de líder econômico da União Européia. Desde então, o time alemão passou a ser temido no gramado como foi outrora uma coluna de tanques Panzer sob comando do General Rommel. O ano 1990, coincidiu a conquista do tricampeonato com a reunificação das Alemanhas.

Até no período de vacas magras o futebol foi um espelho. O terceiro milênio começou com a economia alemã paralisada, tal como a França hoje. O rombo do estado de bem-estar social era maior que o bolso do contribuinte. As leis laborais arcaicas minavam a baixa competitividade ao nordeste do Rio Reno. Na Eurocopa de 2000, ganha pela França – acabava de reduzir a jornada de trabalho semanal para 35 horas – o time alemão terminou em último lugar do seu grupo.

Enquanto a França ficou olhando para sua excentricidade e tentando persuadir o mundo a copiá-la, a federação alemã de futebol foi procurar bons exemplos alhures para reproduzir em casa. Na Espanha, descobriu o efeito das escolinhas de futebol do Barcelona e Real Madrid, times que mais para frente, dominariam o futebol europeu. Resultado: os times da primeira e segunda divisão alemã foram incentivados a criar academias de futebol para jovens talentos assim como emular o modelo educacional onde universidades trabalham de mãos dadas com empresas no mesmo objetivo: educar para atender as necessidades do mercado de trabalho. Em uma palavra: empregos!

O chanceler socialista Gerhard Schröder com a anuência de centrais sindicais consensuais flexibilizaram as regras laborais. A abertura alemã atraiu mão de obra qualificada de imigrantes e, simultaneamente, a Mannschaft, a seleção alemã, nunca teve tantos descendentes de imigrantes. Khedira, Ozil, Cacau, Gomez, Podolski. Tampouco, os clubes alemães tiveram tantos estrangeiros. A mais emblemática contratação é o técnico catalão Pep Guardiola. Muitos perguntam o que o ex-treinador do Barcelona que encantou os amantes do futebol ofensivo poderá melhorar no Bayern, finalista em Wembley? Talvez invadir Lisboa. Não como Napoleão, mas para a final da Liga dos Campeões versão 2014.

Por Antonio Ribeiro

14/04/2013

às 8:04 \ Europa

Curta e fina

A última na França dá conta de um diálogo no Vaticano:

– Olá, eu sou o Papa Francisco, o papa dos pobres.

– Encantado! Eu sou François Hollande, seu fornecedor!

LEIA TAMBÉM: “O canal e a mancha

Por Antonio Ribeiro
 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados