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Fernando Meirelles

03/10/2009

às 6:44 \ Rio 2016

A vantagem dos JO é o que falta nas administrações públicas

maracana-olimpico

Terminada a votação que concedeu ao Rio de Janeiro o direito de sediar os Jogos Olímpicos de 2016, a legião dos pequenezes marcou presença. Evidentemente não foi para comemorar o tamanho da oportunidade servida ao Brasil em bandeja de porcelana dinamarquesa. O pessoal do “mas” e do “porém”, dos azedos fantasiados de precavidos e dos pessimistas de plantão, sempre acha que falta água no chope da festa. O que carece é  grandeza de espírito e o mais básico bom senso.

Para quem tem alguma dúvida sobre o benefício da escolha olímpica, convida-se a lembrar como eram as cidades que acolheram os Jogos modernos e ver como elas ficaram depois de realizar o evento. Todas ganharam. Umas mais e outras, menos. Mas nenhuma perdeu. A julgar pela tradição, isso acontecerá também aos pés do Cristo Redentor onde se prevê um investimento de 14 bilhões de dólares.

As cidades podem melhorar sem sediar Jogos Olímpicos — ainda bem que chegar a modernidade não depende do ingresso olímpico. A vantagem de sediar a competição máxima do esporte mundial é o que muitas vezes falta nas administrações públicas. Um cronograma de realizações detalhado — e monitorado — para ser cumprido com data marcada para o término. E não tem conversa, antes de acender a Tocha Olímpica diante de dois terços da população mundial, tudo deve estar aprontado. No caso do Rio, é o dia 5 de agosto de 2016.

O desafio olímpico carioca é imenso e complexo, mas realizável. Transportes e hospedagem — 1 milhão de turistas e 15.000 atletas — são os pontos mais sensíveis do projeto. A questão do combate ao crime organizado pode-se encontrar boa inspiração no seguinte precedente: Olimpíadas foram realizadas com forte ameaça de terrorismo.

Desde 1856, quando o Barão de Coubertin transgrediu a proibição do imperador cristão Teodósio I, organizando em Atenas os primeiros Jogos da era moderna, a competição nunca deixou de acontecer porque a cidade escolhida não cumpriu o prometido. Porque no Rio seria diferente? Cada vez em que se anuncia uma cidade-sede, a cantilena “não vão conseguir entregar” é entoada quase como um hino. Começam os Jogos, o coro fica mudo.

Quando surge a velha rixa boboca, é bom lembrar que o Rio não venceu São Paulo, mas Madri. O Comitê Olímpico Brasileiro sob o comando de Carlos Nuzman levou os Jogos para o Brasil. Lula não venceu Obama coisa nenhuma, a proposta do Rio 2016 ganhou da candidatura apresentada por Chicago. O presidente brasileiro fez parte do pacote, contribuiu como um dos vários fatores que agradaram os  97 eleitores do Comitê Olímpico Internacional. Os vídeos de Fernando Meirelles, por exemplo, foram estupendos.

Haverá sempre erro de análise quando se considerar as questões não como elas são, mas sob o prisma das disputas domésticas.  É ruim porque meu desafeto gosta, é bom porque meu amigo aprecia? Pode ser uma indicação, mas não desempena a régua. Há motivos sim de se celebrar com carnaval temporão a escolha do Rio 2016.

Por Antonio Ribeiro

 

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