31/08/2009
às 8:32 \ Fórmula 1O risco de perder também a moral

Parece prova de Fórmula 1 sob chuva torrencial. Primeiro, a pouca visibilidade do comunicado da Federação Internacional de Automobilismo. A FIA confirma que “está em curso uma investigação sobre eventuais fatos ocorridos no passado.” Contudo, muitos sabem do perigo à frente. Trata-se da acusação de que na 14º volta do GP de Cingapura 2008, o piloto Nelson Angelo Piquet jogou, deliberadamente, sua Renault contra a mureta de proteção. A manobra bizarra teria sido ordenada por Flavio Briatore, chefe da escuderia franco-inglesa .
O acidente forçou a entrada do carro de segurança na pista, contribuição decisiva para a vitória do asturiano bicampeão do mundo Fernando Alonso, e na época, companheiro de equipe de Nelsinho. Em efeito, a ousada estratégia da Renault com prematura parada nos boxes exigia, ao menos, uma intervenção do safety car para alinhar Alonso com o tempo dos concorrentes. A vitória foi a primeira da escuderia e de Alonso na temporada. Depois da prova, o piloto louvou a entrada do safety car como grande fator de sorte: “Incrível, ainda não acredito que ganhamos a corrida.”
A investigação de uma empresa independente encomendada pela FIA, ainda sob o comando do admirador do nazismo Max Mosley, sucede a lorota contata pelo piloto inglês Lewis Hamilton e um diretor da escuderia McLaren-Mercedes aos comissários no Grande Prêmio da Australia, em março deste ano.
O felliniano Flavio Briatore, “capo mafioso italiano” em línguas mais ferinas e a quem Nelsinho chamou de “meu carrasco” encaixa sem sobras nem apertos nas acusações. Mas o mundo da Fórmula 1 é igual ao outro que gira a volta do Sol. A população não está dividia entre bonzinhos e malvados. Quem cumpre ordem demente não limpa sua barra, suja ainda mais. Quer dizer que, se Nelsinho não tivesse sido demitido da Renault no dia 4 de agosto de 2009, um ano depois a revelação da eventual armação ainda estaria coberta sob manto do segredo? O piloto brasileiro cujo contrato previa a obrigação de obter, no mínimo, 20% dos resultados de Alonso, não evitou a guerra e pode ficar também com a vergonha — a previsão de Sir Wiston Churchill.
Se não bastar o exemplo de casa – o pai Nelson Piquet Souto Maior além dos três títulos mundiais, deixou marca indelével de sua personalidade — Nelsinho pode aproveitar a folga do desemprego para ver um filmaço de Stanley Kubrick, estrelado pelo ator americano Kirk Douglas. Glória feita de Sangue conta a história do general francês George Broulard na Primeira Guerra que ordenou ataque suicida cujo resultado foi a tragédia.
Desde que Rubens Barrichello sentou no cockpit de uma Ferrari paira acusação inédita na história dos pilotos brasileiros de Fórmula 1, a que eles concorrem para vitória dos outros. A recompensa do favor seria a permanência nas grandes equipes. O desempenho de Felipe Massa provou que ele corre para vencer. Barrichello, ainda que não perca oportunidade para perder boa oportunidade, vem lutando para ganhar o campeonato com sua Brawn-Mercedes. Justiça seja feita, o ex-escudeiro de Michael Schumacher nunca jogou o carro na mureta para ajudar o piloto alemão subir ao pódio.
Tags: Brawn-Mercedes, Esporte, Felipe Massa, Ferrari, Flavio Briatore, Fórmula 1, Kirk Douglas, Michael Shumacher, Nelsinho Piquet, Nelson Piquet, Stanley Kubrick, velocidade









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