11/04/2013
às 13:16 \ EuropaO canal e a mancha
O inverno europeu persiste em ocupar período, por consenso científico concedido pelos ocidentais, próprio a primavera. Mas não é a apropriação meteorológica indevida a razão da semana atípica no Velho Continente. Faz tempo em que os dias não passam sem que a chanceler alemã Angela Merkel não seja acusada de responsável por alguma desventura do euro, a moeda comum de 17 países. Seguido de pedido que seus compatriotas paguem a conta. Desta vez, no entanto, as atenções concentraram-se no legado de Margaret Thatcher e no futuro de François Hollande.
Ainda que um e outro tenham confrontado problemas similares, poucos casais poderiam representar tão bem a antítese quanto a fenomenal diferença entre o francês e a inglesa. Nem mesmo a secular rivalidade entre os seus países, separados por bem mais que os 34 quilômetros na parte mais estreita do Canal da Mancha. E, certamente, mais profunda que os 174 metros de água fria e salgada.
Na longa linhagem de governantes, segundo preceitos da Revolução Francesa, o republicano Hollande lembra mais um monarca. A semelhança com a figura trágica de Louis XVI, o rei guilhotinado, honesto e bem intencionado, é notável. Hollande é a principal figura de uma aristocracia política. Independente da cor da bandeira. Tal qual no Antigo Regime, impacientes com a crise econômica e social, e sem que se aviste uma luz ao fundo do túnel, a maioria dos franceses não reconhece mais os privilégios dos seus eleitos como a contrapartida dos serviços prestados à sociedade.
Inegavelmente, Margaret Thatcher tinha mais ares de rainha que Elizabeth II. No entanto, a conservadora modernizou a sociedade inglesa como nenhum outro dito progressista fez em parte alguma no planeta. Estamos falando da Inglaterra dos anos 80. Um país que tinha mercado de trabalho mais engessado e dependente do diktat sindical que a França de 2013. Um ambiente político mais entravado que atual Itália. Uma monarquia, como poder moderador, menos respeitada que na Espanha hoje.
Não é por nada que mentes européias mais lúcidas clamam por mais thatcherismo do que buscam em Hollande, governante mais de promessas que promissor, como atalho para melhores tempos. Não é exatamente liberalismo que querem embora mal não faça para os tempos bicudos. Passivos como Hollande carburam extremismos e populismos. Desastrosos paliativos. Líderes como Thatcher provocam debates vibrantes. É aí, na fricção de energias, que emergem as soluções. Isso desde o Big Bang, a origem do universo
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Tags: Angela Merkel, Antigo Regime, Big Bang, Canal da Mancha, Elizabeth II, Espanha, Euro, Europa, França, François Hollande, Inglaterra, Itália, Louis XVI, Margaret Thatcher, populismo, Revolução Francesa






A batalha da rua Thereadneedle, adjacente ao Banco da Inglaterra, o BC britânico, na City de Londres, lendário centro do capitalismo, não será lembrada nos livros de história. Houve uma vítima fatal: o jornaleiro Ian Tomlinson, 47 anos de idade. Ela aconteceu pouco depois das 19h30, no dia 1 de abril de 2009, enquanto líderes das nações que possuem 80% das riquezas do planeta eram recebidos para jantar com a rainha Elizabeth II. Ian ia para casa depois do trabalho. Ele foi encontrado desmaiado no meio dos protestos contra a Reunião de Cúpula do G20. Cinco horas antes, os vândalos — a imprensa inglesa os chama de “anarquistas” — mostraram sua ira saqueando o Banco Real da Escócia, o RBS, na sigla em inglês. A polícia, sob uma torrente de objetos, abriu caminho entre os manifestantes para sua equipe de paramédicos tentar reanimar a vítima. A ambulância chegou em 10 minutos ao local. Ian morreu durante o trajeto para o hospital.


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