Blogs e Colunistas

Claude Guéant

22/03/2012

às 7:42 \ França

Palácio do Elysée confirma a morte de Mohammed Merah

RAID, a unidade de elite da políca francesa

Depois de um cerco de 32 horas, o terrorista foi morto. Cinco policiais foram  feridos, um deles gravemente, na invasão ao apartamento de Mohammed Merha situado no andar térreo de um prédio de cinco andares no numero 17 da Rue du Sergent-Vigné, em Toulouse, sudoeste da França.  Os policiais entraram pela porta e janela do apartamento do terrorista, autor de sete assassinatos a sangue frio. Neste momento, Merah estava no banheiro e saiu disparando , simultaneamente, uma pistola automática Colt 45 e uma mini metralhadora Uzzi 9 milímetros em direção aos agentes do RAID – sigla em francês para Procura, Assistência, Intervenção, Dissuação. Os homens do RAID responderam com 300 tiros. Um tiroteio intenso durou mais de 6 minutos.

Segundo o ministro francês do Interior, Claude Guéant, Merah saltou da varanda do apartamento com a arma na mão ainda atirando – Merah fez 30 disparos desde a chegada dos policiais ao seu domicílio. “Ele foi encontrado morto no chão”, informou Guéant. O procurador da república de Paris,  François Molins, revelou que Merah, que usava um colete a prova de balas debaixo de uma túnica negra, foi alvejado com um tiro na cabeça,  a causa de sua morte. O disparo foi feito por um franco atirador do RAID postado do lado de fora do apartamento. Os policiais encontraram os vídeos que foram feitos pelo assassino quando ele executou suas vítimas. As imagens fazem parte da investigação que continua em andamento.

Nicolas Sarkozy fará um pronunciamento na TV francesa às 10h, horário de Brasília.

Atualização: A autópsia do Instituto Médico Legal de Toulouse do corpo de Merha revelou que o assassino levou vinte tiros, essencialmente nas pernas e braços antes de receber dois mortais, um no abdome e outro, na cabeça.

Por Antonio Ribeiro

21/03/2012

às 6:13 \ França

Polícia cerca suspeito de massacre em Toulouse. Marine Le Pen tenta capturar o drama para a sua campanha eleitoral

No detalhe: o terrorista Mohammed Merah

As 3h10, hora local, 300 agentes do RAID, a unidade de elite da polícia francesa, cercaram um prédio de cinco andares no bairro residencial Croix-Daurade em Toulouse. No interior, está encurralado Mohammed Merah, francês de origem argelina, de 24 anos. Ele é suspeito de ser o autor dos assassinatos a sangue frio de três militares da Aeronáutica, um rabino e três crianças em uma escola judaica no Sudoeste da França. Desde a chegada do RAID, Merah abriu fogo atingindo um policial no joelho e feriu um outro sem gravidade.

O ministro francês do Interior, Claude Guéant, que acompanha pessoalmente a operação, afirmou que o suspeito alega ser um mujahedin (combatente de Alá) da rede terrorista Al Qaeda e que cometeu os massacres para vingar as crianças palestinas e em represália a presença das tropas francesas no Afeganistão, pais que o suspeito visitou duas vezes em 2010 e 2011. Merah viajou também, de acodo com informações  do Ministério do Interior, para a zona tribal do Paquistão onde foi treinado para o combate.

O assassino era monitorado há alguns anos pelo serviço francês de contraterrorismo, a Direção Central de Informação Interior (DCRI). “É alguém que tem ligações a pessoas que reclamam a filiação ao salafismo e ao jihadismo”, disse Guéant. (O salafismo prega o retorno  total aos valores e práticas do Islã do século VII e preconiza a jihad, a “guerra santa contra infiéis” como método para alcançar objetivos) Merah passou a infância no bairro de Izards, conhecido em Toulouse pelos problemas de tráfico de droga. Sua ficha policial é longa. O ministro do Interior, Claude Guéant, falou em “cerca de uma dezena de delitos, por vezes com violência”. O procurador da república de Paris, François Molins, precisa: “São quinze condenações inclusive 18 meses de prisão por roubo associado a ato violento.” Devido as condenações,  a tentativa (uma não duas) de Merah para se engajar na Legião Estrangeira foi recusada.

No inicio da madrugada, o psicopata telefonou para o canal de TV France24 reivindicando a autoria dos assassinatos pelos motivos mencionadas pelo ministro do Interior e um suplementar, a interdição do véu integral em locais públicos na França. Segundo a chefe de redação da France24, Ebba Kalondo, que falou com o suspeito durante 10 minutos, ele adiantou que se preparava para colocar online os vídeos que fez relativos aos assassinatos. “São apenas o começo, nada pode me deter”, disse com voz calma em um francês correto. Quando foi cercado, Merah, funileiro desempregado, planejava o assassinato um militar em Toulouse e mais dois outros, previamente indentificado por ele, nos próximos dias.

Os policiais levaram a mãe do suspeito ao local para tentar negociar uma rendição. Ela não quis dialogar com o filho porque estimou que não tinha  influência suficiente para convencê-lo a se entregar.  Um dos irmãos, sua namorada e a mãe de Merah estão sob custodia policial. A polícia diz ter encontrado explosivos e armas no carro de um dos irmão de Merah.

Guéant, uma espécie de “primeiro-ministro bis” pela proximidade com Sarkozy, contou que o suspeito arremessou um revolver Colt 45 de calibre 11,43 milímetros pela janela, mas está de posse de outras armas entre as quais, uma metralhadora  israelense mini-Uzi 9 milímetros e um fuzil de assalto russo Kalashnikov (AK-47). O porta-voz do Minitério do Interior afirmou que o objetivo é capturar Merah vivo. Os investigadores chegaram a Merah pelo protocolo de conexão a internet (em inglês: Internet Protocol, ou o acrónimo IP) do computador do seu irmão que o suspeito utilizou para trocar e-mail com a primeira vítima que colocou um scooter a venda online.

O primeiro candidato a Presidência da França que comentou o cerco foi Marine Le Pen, da extrema-direita. Até então, ela advertia os concorrentes para serem discretos e não tentar fazer uso político do massacre. “O risco fundamentalista foi subestimado no nosso país, agora é preciso conduzir a guerra contra estes grupos politico-religiosos fundamentalistas que mata nossas crianças”, disse ela. E arematou: “Um referendo sobre a pena de morte e prisão perpétua real se impõe.”

No Front Nacional, alguns militantes de extrema direita lembram do efeito eleitoral dos atentados terroristas de 1995 na França. As eleições legislativas parciais aconteceram logo depois da explosão de bombas na estação Saint Michel do metro parisiense. A votação nos candidatos do partido teve aumento significativo.

Leia o post do Blog de Paris: “Tragédia nacional, união nacional, reflexão nacional

Nota: O Mohammed Merah que foi preso em Kandahar no Afeganistão não é o assassino de Toulouse. É outro Mohammed Merah que foi detido em 2007 por fabricar explosivos e escapou durante uma revolta dos prisioneiros Talibã. O Merah de Toulouse esteve no Afeganistão pela primeira vez três anos depois, em 2010. As autoridades afegãs confirmaram se tratar de um homônimo.

 

Por Antonio Ribeiro

 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados