22/03/2011
às 7:09 \ DiplomaciaAlvorada e batucada
O princípio da não intervenção e respeito à soberania é posição tradicional da diplomacia brasileira. Isso vem lá de trás, dos tempos em que eram frequentes as intervenções estrangeiras nas Américas. Em um primeiro instante pelas potencias coloniais européias e depois pelos Estados Unidos. Ela foi substituída mais recentemente no governo Lula por ações incisivas, posicionamento querido ao ex-chanceler Celso Amorim com aval do ex-presidente. Achou-se durante oito anos que se poderia resolver qualquer pendenga, em qualquer lugar e que, no final, isso traria um papel mais relevante para o Brasil no cenário internacional. Não foi isso que aconteceu. O que modificou a percepção do Brasil no exterior foi a força da sua economia movida pelo espírito empreendedor dos brasileiros, da sociedade civil e não a diplomacia aventureira e de viés ideológico de Lula-Amorim.
A abstenção do Brasil na votação do Conselho de Segurança da ONU tem as vantagens e inconvenientes da neutralidade. O país não precisa sustentar posição quando não tem lastro, mas também não estreita alianças em horas graves. É tática de jogo catalogada nos anais da diplomacia desde priscas eras. Agora é, no mínimo, bizarro lavar as mãos na iminência de um massacre, quando o mais forte está pronto para esmagar o mais fraco. O caso de Srebrenica na Bósnia, em 1995, onde a comunidade internacional acompanhou impassível o assassinato de mais de 8.300 bósnios muçulmanos pelas tropas regulares e milícias da Serbia. Ainda com toda problemática na ação militar das forças de coalizão, evitou-se um massacre em Benghazi, reduto dos rebeldes contra o coronel Muamar Kadafi no leste da Líbia. Isso é simplesmente i ne gá vel. Contudo, as relações entre países são distintas das relações entre pessoas. Na grande maioria das vezes, elas não são conduzidas por princípios morais, mas por interesses de cada parte.
Isso nos remete a seguinte questão: o Brasil serve melhor aos seus interesses quando defende o cessar-fogo na Líbia? Detalhe edificante: o Itamaraty lamenta a perda de vidas que diz serem decorrentes do “conflito no país”, omitindo a responsabilidade do coronel Kadafi. Não é a posição de vasto consenso que sustentou a intervenção militar no norte da África. O Brasil sempre ganha quando alinha-se claramente com a maioria contra a tirania. Desta vez, tem a singularidade de reunir na linha de frente europeus, americanos e árabes. Nesta altura, o Brasil está em cima do muro e de costas para ela. As posições isoladas podem parecer altivas manifestações de auto afirmação e de independência, mas elas conseguem fragilizar até as grandes potencias – condição que força respeito no mundo atual não só pelo poderio bélico e econômico, mas também pela defesa de princípios e valores universais.
Para arrematar: seria bom saber se o Brasil informou ao presidente americano Barack Obama que, seguido à sua partida, o Itamaraty iria imediatamente soltar uma nota – acão coordenada nos bastidores com Rússia, China e Índia que se abstiveram na votação do Conselho de Segurança da ONU. É verdade que ela confirma uma posição já tomada, conhecida. Mas no mínimo, denota bom tom avisar que se irá enfatizar uma posição oposta ao empenho de país amigo e aliado. Caso contrário, fica a impressão de uma rasteira por trás. Se a visita de Obama ao Brasil – os americanos creem ter sido algo semelhante a final de semana de folga – tinha como objetivo principal alavancar as relações bilaterais entre os países, seria uma pena não expulsar completamente a velha desconfiança.
A nota do Itamaraty:
“Ao lamentar a perda de vidas decorrente do conflito no país, o Governo brasileiro manifesta expectativa de que seja implementado um cessar-fogo efetivo no mais breve prazo possível, capaz de garantir a proteção da população civil, e criar condições para o encaminhamento da crise pelo diálogo.
O Brasil reitera sua solidariedade com o povo líbio na busca de uma maior participação na definição do futuro político do país, em ambiente de proteção dos direitos humanos.
O Governo brasileiro reafirma seu apoio aos esforços do Enviado Especial do Secretário-Geral da ONU para a Líbia, Abdelilah Al Khatib, e do Comitê ad hoc de Alto Nível estabelecido pela União Africana na busca de solução negociada e duradoura para a crise.”
Tags: Abdelilah Al Khatib, Barack Obama, Celso Amorim, Conselho de Segurança da ONU, Dilma Rousseff, Estados Unidos, Líbia, Lula, Muamar Kadafi, ONU







Da Constituição hondurenha:
Resumo da ópera-bufa: o polichinelo capaz de presuadir a existência de santo na história recente de Honduras, tem lugar garantido de contorcionista no picadeiro do Cirque du Soleil. Foi bem por isso que escrevemos aqui : “Chamar hondurenho de golpista é fácil.” (O que fazem Lula e Celso Amorim). Chamar Cuba pelo nome, de ditadura, o que é também fato inquestionável, eles não tem coragem.




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