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Carla Bruni

05/08/2009

às 12:51 \ Bruni-Sarkozy

A bela dominou a fera

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Rosto angélico, ela tem silhueta quase perfeita. A destreza mental, a habilidade de atrair admiração sobre si está bem acima da média do mundo que a fez célebre — o ambiente onde a beleza reina sobre todas virtudes e abranda os piores defeitos. Contudo, Carla Bruni, primeira-dama da França, vem sendo louvada e, ça va de soi, criticada por mais um papel inusitado nos seus 41 anos de existência — eles parecem menos. A bela dominou a fera. Carla conseguiu imprimir ascendência na forte personalidade do marido Nicolas Sarkozy.

Pelo início — há quem diga: “pela fraqueza da carne”. A primeira-dama colocou o corpo do presidente francês, de 54 anos, sob sua tutela. Seguindo instruções de Bruni, Sarkozy abandonou o velho hábito de devorar chocolates, doces e sorvetes. Ele agora é do time que come com moderação. Frutas e queijos magros entraram no cardápio presidencial.

Três vezes por semana, o presidente corre e faz exercícios com Julie Imperiali, de 26 anos, a personal trainer de Carla, famosa por seu método que fortalece os músculos da região pélvica — espécie de Pilates, brevetado após toques pessoais da ex-bailarina e ginasta cuja máxima sustenta o fazer bem ao físico, conforta a alma.

Sarkozy é aluno exemplar na avaliação de Imperiali. Para outros, ele exagera na dose. Isto para agradar ou acompanhar – ou ambos — o ritmo de Carla, 14 anos mais jovem. A dedicação é tamanha que, depois do mal-estar durante 45 minutos de jogging sob calor de 30 graus, nos arredores da residência presidencial de La Lanterna, em Versalhes, seguido de internação hospitalar, o dedo acusador foi apontado para primeira-dama.

Verdade ou não, pondera-se, Sarkozy não tem queda por meias medidas. Obsessivo é um adjetivo justo. Cai lhe muito bem, ele não contesta. Um dado emblemático: Sarkozy voou 300.000 quilômetros em um ano, média de 820 quilômetros por dia para realizar visitas oficiais fora da França.

Já não se vê mais o presidente  francês com ostensivos relógios Rolex no pulso. Procure o mordomo? Não, busque a mulher. Aqui é inegável. Bruni acabou com o estilo Bling Bling do marido. O mau gosto típico de endinheirados sem refinamento, “o cheguei, olhem para mim”, motivo de escárnio. Doravante ou pós-Carla, Sarkozy lê as horas pelos ponteiros de um elegante Patek Philippe, presente do rapidíssimo casamento.

Os ternos presidenciais agora tem a sobriedade dos tons escuros. As camisas inglesas, brancas ou azuis claras, são marca  Hilditch & Key, pano de fundo para as gravatas negras ou, no máximo, cinza chumbo. Se a França, referência mundial de elegância, deve algo a italiana Bruni, é de ter feito seu presidente parecer presidente.

A influência não ficou só no visual. Carla operou em profundidade. Algo que pode, se sensibilidade houver, despertar admiração de Marisa Letícia à Michele Obama. Inspirar seria sugerir o impossível. Bruni despertou em Sarkozy o interesse pela literatura francesa — de Guy Maupassant a Françoise Sagan. Isto não é pouco em um país que se vê como o mais autêntico herdeiro da cultura ocidental.

No mês passado, em lance raro, Sarkozy surpreendeu os franceses declarando que estava lendo La Princesse de Clèves, livro anônimo da escritora Marie-Madalene de La Fayette, publicado em 1678. O romance histórico, considerado o pontapé inicial da prosa moderna francesa, relata um encrencado triangulo amoroso, parte incontornável do currículo escolar dos colegiais franceses.

A primeira-dama introduziu a obra de Bod Dylan no Palácio do Elysée, o autor americano que fez a cabeça dos Beatles com drogas e versos desconcertantes, a sua voz de taquara rachada foi fiel trilha sonora dos conturbados anos 60.

“Você não pode vencer só com o apoio dos intelectuais, mas não ganhará sem eles”, disse Sarkozy em uma surpreendente entrevista a revista Nouvel Observateur que deita lhe o malho muito antes do primeiro dia do seu mandato. Isto é  Carla Bruni, esculpida na toscana Carrara, sem tirar nem por. O presidente francês prepara sua reeleição. O seu melhor cabo eleitoral dorme debaixo dos lençóis de sua cama.

Por Antonio Ribeiro

27/07/2009

às 11:27 \ Nicolas Sarkozy

Como se nada tivesse acontecido


Como se nada tivesse acontecido, diz a letra. O maior sucesso de Carla Bruni, primeira-dama da França, poderia ter sido o fundo musical desta segunda-feira em Paris, quando Nicolas Sarkozy, de 54 anos, saiu caminhando do hospital militar Val-de-Grâce. O presidente francês foi internado no domingo, 25 de julho, devido a um mal estar sofrido durante corrida a pé de 45 minutos nos arredores da residência La Lanterna, em Versalhes. Ele permaneceu 21 horas no hospital.

O Palácio do Elysée emitiu uma nota diagnosticando a causa do internamento presidencial como “lipotimia durante robusto esforço físico sob forte calor (30º Celsius), sem desmaio, em um contexto ligado ao acúmulo de ritmo de trabalho importante.” A versão oficial pretende que houve um ligeiro cansaço. Algo inocente, um reflexo natural que baixa a pressão arterial e diminui a irrigação sanguínea no cérebro. Situação que metade das mulheres e um quarto dos homens passam, ao menos, uma vez durante a suas existências.

Ainda segundo o comunicado oficial, uma bateria de exames não detectou problema cardiovascular. Nenhum tratamento foi prescrito, apenas recomendação de repouso. A ministra da Economia, Christine Lagarde, substituiu o Sarkozy em cerimônia no Palácio do Elysée. A visita do presidente ao Mont-Saint Michel, prevista para amanhã, foi anulada. Sarkozy deverá presidir, na quarta-feira, o última reunião ministerial antes das três semanas de férias em Cap Nègre, na Riviera francesa.

A hiperatividade crônica do presidente francês sofreu um golpe duro deixando sua imagem arranhada. O episódio poderá diminuir o ritmo do presidente durante seu mandato. Na semana passada, além de cumprir sua rotina de trabalho normal, Sarkozy jantou com presidente do Egito, no Cairo, acompanhou sua mulher em um concerto em Nova York, homenagem a Nelson Mandela, e arrumou tempo e fôlego para assistir a etapa da Volta da França, nos Alpes, que exige maior esforço dos ciclistas.

Durante a campanha presidencial, Sarkozy prometeu transformar seu médico em vedete pelas sucessivas aparições em que ele comunicaria o estado de saúde do presidente — prática rara na tradição do executivo francês. Desde então, foi publicado, no dia 3 de julho, apenas uma nota de um parágrafo dizendo que tudo estava bem com Sarkozy. O autor do boletim não foi o médico, mas a assessoria de comunicação presidência. No dia 27 de outubro de 2007, Sarkozy foi operado, secretamente, para retirar um abscesso da garganta. Revelada a cirurgia, o Palácio do Elysée fez como se nada tivesse acontecido. A confirmação da intervenção só aconteceu três meses
depois.

Por Antonio Ribeiro

03/04/2009

às 14:35 \ Diplomacia

“Espelho, espelho meu, há alguém mais bela do que eu?”

Espelho: “Sim, o Lula.”

Por Antonio Ribeiro

12/02/2009

às 15:24 \ Bruni-Sarkozy

A noite em que Sarkozy conheceu Carla Bruni


A propaganda francesa tem Jacques Séguéla no alto da prateleira. O talento do publicitário de origem catalã ajudou consumidores desejarem produtos na França e alhures. Ele é conhecido, sobretudo, pela campanha eleitoral que levou François Mitterrand à presidência. Ficou gravado na memória popular um cartaz com o retrato de Mitterrand contra o fundo de uma paisagem bucólica do interior da França. Tão eficaz que Sarkozy copiou a idéia na ultima eleição presidencial. O título era: A Força Tranquila. Mitterrand que Séguéla fez lixar as pontas dos dentes caninos para evitar semelhança com vampiro, não era visto como força tranquila. O presidente que governou a República francesa por mais tempo era impiedoso com aliados e desdenhava os inimigos.

Um feito recente trouxe lustre à fama de Séguéla. Foi o publicitário que apresentou Sarkozy à Carla Bruni em jantar na sua casa, especialmente preparado para ocasião. As vésperas de completar 77 anos, Séguéla lançou Autobiographie Non Autorisée (Autobiografia Não Autorizada). No livro, o autor conta detalhes do primeiro encontro, em novembro de 2007, do casal presidêncial. Se Séguéla foi fiel aos fatos, não houve amor a primeira vista, mas uma confluência de personalidades parecidas. O flerte não encetou a relação. O que atiçou a atração mútua foi o tórrido diálogo destemido de provocações. A imprensa francesa, por enquanto, não publicou uma linha sobre a noite que seu presidente criticou as pernas de Mick Jagger e pediu a mão de Carla — com a promessa de fazer algo melhor do que a relação da atriz Marilyn Monroe e Jack Kennedy.

Segundo Séguéla, o diálogo, usando a informalidade da segunda pessoa do singular, foi o seguinte:

Sarkozy: Minha fama não é pior que a sua.

Bruni: Eu já te conheço sem nunca ter te encontrado. Entendo tudo de você… Você faz amor com muitas porque ninguém faz amor com você. Eu sei tudo de você porque sou igual a você.

E como a noite era uma criança, foram indo.

Sarkozy: Estarei na primeira fila do seu próximo concerto. Anunciaremos o nosso casamento. Você verá, faremos melhor que Marilyn Monroe e Jack Kennedy.

Bruni: Casamento? Nunca! De agora em diante eu só viverei com um homem que me fizer um filho.

Sarkozy: Eu já criei cinco. Por que não um sexto?

Sarkozy, que não bebe uma gota de álcool, teria dito no ouvido de Carla: “Aposto que você não tem coragem de me beijar na boca agora, em frente a todo mundo.” Bruni ficou em silêncio. Mas quando Sarkozy preveniu que não seria fácil sair com ele devido o assédio dos paparazzi, Carla retrucou de imediato: “No que diz respeito ao trato com a imprensa de celebridades, você é um amador. Tive encontros com o Mick Jagger durante oito anos sem que ninguém soubesse de nada. Passamos por várias capitais no mundo e nenhum paparazzi jamais nos flagrou.”

O silêncio da imprensa francesa reflete a relutância — reforçada pela lei — de tocar na vida privada de quem está no poder. O livro de Séguéla vai na direção oposta, aborda a intrigante psicologia de um dos mais poderosos lideres da Europa cujas decisões são determinantes para França. Em outro trecho da Autobiografia, o autor revela uma confidência de Sarkozy. Algo que presidente considera “um dos momentos mais bonitos da minha vida”, a dele, bem entendido: “Minha ida a Casa Branca acompanhado por três mulheres, símbolos da França e que os Estados Unidos não esperavam. Que orgulho! Eu cuidei de cada detalhe. Disse a Rama Yade (jovem negra, ministra dos Direitos Humanos) que era bonita demais para usar seus vestidos espalhafatosos. Encorajei Rachida Dati (ministra da Justiça de origem argelina) conservar a sua elegância. Vá com um dos seus vestidos Dior. Aconselhei Christine Lagarde (ministra da Economia e Finanças) deixar as jóias no cofre. Uma ministra da Economia não vai encontrar o presidente americano usando colar de pérolas.”

Por Antonio Ribeiro

26/01/2009

às 23:43 \ Brasil-França

Parole, parole, parole


Fabio Fazio, jornalista da RAI: Gostaria de fazer uma pergunta muito sensivel sobre um assunto recente, uma ferida aberta na Itália. A extradição frustrada do ex-terrorista Cesare Battisti. Dizem que você influenciou a recusa do Brasil na extradição.

Carla Buni: Estou contente por me perguntar sobre o assunto. Eu não tive papel nenhum, absolutamente nenhum. Isso é um assunto do governo brasileiro. Estou muito surpresa de que a impprensa italiana possa pensar que influenciei a recusa. A não extradição ou a extradição de Battisti é uma responsabilidade do governo brasileiro. Eu não me permitiria jamais, não é minha ideologia, nunca quis defender Battisti. Nem me vem à cabeça tal tipo de coisa. Fico contente de poder te dizer, aos italianos e às vítimas do terrorismo dos Anos de Chumbo. Nunca fiz, não o farei jamais.  Além do mais, é muito deplace (fora do lugar), como se diz na França. Jamais a mulher de um presidente da República poderia ir falar com o presidente brasileiro sobre um assunto que não diz respeito nem à França. Eu achei quase… Para mim foi uma calúnia.  Realmente, uma calúnia. Estou contente de poder desmentir com minhas proprias palavras. Não o fiz jamais, jamais tive a intenção de fazer. Não sei de onde vem esta… Sim, não se explica de onde vem esta suposição…. Não explica o fato. Talvez venha da viagem oficial que meu marido fez ao Brasil, mas devo dizer que esta decisão é uma decisão brasileira, o Brasil é um país imenso que toma suas próprias decisões.

Comentário:

Carla diz 2 vezes que esta contente com a pergunta.

Carla diz 2 vezes que esta contente em desmentir a acusção.

Há margem para supor que Carla sabia, antecipadamente, que seria perguntada sobre seu papel na recusa da extradição. Ou mesmo que possa ter havido um arranjo antes da entrevista. Isto pelo número de vezes que ela diz estar contente, seja com a pergunta e seja com a oportunidade de desmentir, o que no fundo dá no mesmo. Ou seja, Bruni disse 4 vezes a mesma coisa.

Carla diz 3 vezes que não influenciou a recusa de extradição.

Carla diz 3 vezes que a decisão coube, exclusivamente, ao Brasil

Resta pouca dúvida que Carla Bruni foi municiada antes de responder. A insistêcia da primeira-dama da França reafirmar que decisão foi soberana, exclusivamente do Brasil, revela cautela para evitar incidente com o Brasil. Tipicamente um receio diplomático. Neste particular, Bruni disse 6 vezes a mesma coisa.

A fala da primeira-dama lembra muito o discurso de Sarkozy em situações análogas.

A uníca parte da resposta em que a primeira-dama parece mais próxima da espontanedade é quando ela se dirige diretamente às vitimas do terrorismo da extrema esquerda na Itália, durante os Anos de Chumbo. Ela conhece isso de perto.

O vídeo da entrevista (em italiano) está aqui. Tire suas próprias conclusões. A resposta em questão está depois do 9º minuto do vídeo.

Escute aqui a inesquecível canção italiana Parole, parole, parole

Por Antonio Ribeiro

26/01/2009

às 13:41 \ Terrorismo

Carla Bruni nega ter ajudado o terrorista


Carla Bruni-Sarkozy, primeira-dama da França de origem italiana, negou ter usado sua influência junto ao governo brasileiro para a obtenção de asilo político, impedindo a extradição de Cesare Battisti para Itália. Em 1988, o terrorista Battisti, um dos líderes do grupo extremista italiano Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), foi condenado à prisão perpétua pelo Tribunal de Justiça de Milão. Trata-se do resultado dos julgamentos de 4 homicídios: o do agente penitenciário Antonio Santoro, Pierluigi Torregiani, Lino Sabbadin e Andrea Campagna. O Tribunal de Recursos de Milão, confirmou as condenações e a Corte de Cassação, última instância do Poder Judiciário italiano, ratificou três delas. Em 1993, o Tribunal de Recursos confirmou a condenação no caso de Torregiani, anulada por problemas formais. Battisti está foragido da Itália desde 1981.

O terrorista viveu na França, onde em 2004 a Corte de Cassação acatou o pedido italiano de extradição. Desde 2004, Battisti esconde-se no Brasil. Recentemente, ele ajuda o país a perpetuar uma triste condição: o refúgio com chancela oficial de condenados. A lista de criminosos que beneficiaram da leniência da Justiça brasileira figura, só para ficar nos mais famosos, o maior ladrão inglês, Ronald Biggs, o ex-ditador paraguaio Alfredo Stroessner, o homicida com fins terroristas das FARC, Olivério Medina. Acometido de atavismo jurídico bizarro, o Brasil foi escolha sem hesitação do diretor Alfred Hitchcock para enviar o aristocrático fugitivo da justiça Alex Sebastian, personagem interpretado por Claude Rains no filme Interlúdio (Notorious, 1946).

Entrevistada no programa ‘Che Tempo que fa”, do canal italiano RAI, sobre sua participação no asilo político concedido a Bastisti, Carla Bruni foi categórica: “ Eu não tive papel nenhum, absolutamente nenhum, isso é um assunto do governo brasileiro.” A mulher de Sarkozy adicionou: “Eu não me permito jamais, não é minha ideologia, nunca quis defender Battisti, nem me vem a cabeça tal coisa, fico contente de responder à pergunta e dizer aos parentes e amigos das vítimas nos Anos de Chumbo.” No início de janeiro, o jornal italiano La Stampa noticiou que Carla aproveitou suas férias junto com Sarkozy, no Brasil, para pedir clemência por Battistti a Lula. “Estou muito surpresa que a imprensa italiana possa pensar que eu tive um papel na recusa de extradição, imaginar que a mulher de um presidente possa falar de assunto deste tipo com o chefe de outro estado é uma calúnia.”

Um comunicado do Domus Civitas, associação italiana de vítimas do terrorismo, afirmou também que Carla Bruni intercedeu pessoalmente junto à Lula para recomendar a recusa da extradição.

Por Antonio Ribeiro

23/01/2009

às 14:25 \ Gente

A mulher que faz Sarkozy transpirar


Engana-se quem pensa que o nome dela é Carla. Francesa, 26 anos de idade, rosto formoso, corpo escultural, ela se chama Julie Imperiali. Duas vezes por semana, no mínimo, acompanha, vestida de abrigo esportivo justo, o presidente francês, nos jardins do Palácio do Eliseu, lugar que no governo passado, apenas o cachorrinho Sumô, da família Chirac, exercitava. A jovem preparadora física ou se preferem, “a personal”, cuida de Sarkozy desde abril do ano passado. O presidente perdeu 4 quilos, dois números da calça, mudou radicalmente sua postura e agora, corre mais rápido mantendo o ritmo constante de 10 km/h, durante 45 minutos. Em um país, onde o chefe do executivo faz questão de mostrar-se vendendo energia o tempo todo, Julie pode ser considerada tão necessária para Sarkozy quanto um ministro.

O treinamento de Julie consiste, sobretudo, em controlar os músculos da região do períneo, a base do tronco. O que vem a ser isso? “Imagine que você sente uma vontade louca de urinar, retenha-se”, explica ela. Na percepção de Julie, o corpo humano é uma casa: os ombros são o teto, os músculos dorsais, abdominais e oblíquos são os pilares de sustentação. A região do períneo é o solo. Sem uma base sólida, tudo desmorona. “Meu trabalho exige 40% de esforço físico e 60% de concentração mental”, afirma a personal.

Será que, finalmente, foi descoberto o segredo do famoso tônus presidencial? Sarkozy, de 53 anos de idade, tem vontade de ferro, disciplina prussiana e gosta de resultados concretos. Não foi diferente com Julie que conheceu depois do seu casamento com Carla Bruni de quem Julie já cuidava da silhueta desde o nascimento de Aurélian, o filho da primeira-dama — durante muito tempo, o controle da região do períneo era recomendado apenas para o pós-parto. “Quando eu chego ao palácio, ele já está pronto e motivado”, conta Julie que corrigiu o hábito do presidente de correr, correr sem pensar no corpo. Durante os exercícios, Sarkozy, “aluno exemplar”, não reclama. Julie ensinou o presidente alongar-se para expulsar as tensões e mudou seus hábitos alimentares. Sarkozy era compulsivo com chocolates. Agora, o presidente que não bebe álcool, dissociou os açucares lentos das proteínas. Come pasta e carne apenas com legumes. Prefere barra de cereais ao tradicional sanduíche francês de presunto com queijo.

Há um informação que o serviço de imprensa do Eliseu não confirma: Julie diz que seu treinamento, patenteado com nome de Tectonic Wellbeing, aumenta a libido de quem o prática. Nos homens, o método diminuiria a ejaculação precoce e as mulheres, chegariam ao orgasmo com mais rapidez. O resultado comprovado indica que os homens perdem o brioche (pneuzinhos), o excesso de gordura em torno da cintura. As mulheres desenvolvem um ventre como tábua, os ombros ficam abertos e os seios, empinados. Isso porque o Teotonic trabalha a postura.

Julie, ex-campeão francesa de aeróbica e professora no Ritz Health Club, dá aula particulares para famosos e endinheirados — roda Paris em uma possante motocicleta. Na lista dos clientes cuja maioria são mulheres, esta a ex-modelo holandesa Karen Mulder. Ela cobra de 140 à 210 euros a hora. Mas aqui vai uma boa notícia: lições de Julie Imperiali podem ser acompanhadas na internet por apenas 1 euro. Ela prescreve uma rotina de 20 minutos de exercícios diários, explica o programa alimentar e acompanha o progresso do internauta. A inscrição é feita no site da preparadora física criado junto com o marido Marc. Julie garante que seu método pode fazer qualquer um ter a rapidez do Speedy Sarko ou ser tão esbelta quanto Carla Bruni.

Assista aqui uma aula de Julie em frente as Pirâmides do Egito e na Córsega, a bela ilha do Mediterrâneo.

Por Antonio Ribeiro

20/01/2009

às 13:03 \ Diplomacia

Bonsai e baobá

Quando pronunciar 35 palavras, Barack Obama será empossado o 44º Presidente dos EUA. O juramento com a mão esquerda na bíblia de Lincoln, feito no alto da escadaria do Congresso, colocará Nicolas Sarkozy na sua justa medida. Nos últimos seis meses, aproveitando o vazio deixado pelo fim de mandato de George W. Bush, o presidente francês fez o que pode para ser o líder mais visível entre seus colegas no cenário internacional. Ele conseguiu. A personalidade ativa de Sarkozy atraiu todos holofotes, sobretudo, nos conflitos do Caucásio e Oriente Médio e nos encontros de alto escalão para tratar da crise financeira mundial. O presidente da França, sistematicamente, contestou a liderança dos EUA. A chegada do carismático presidente canhoto e de tez amorenada que conquistou mais simpatizantes em torno do mundo do que compatriotas que votaram nele, irá deixar mais claro que embora estrela cadente, Sarkozy comanda uma potência econômica e militar mediana. A França pesa, mas não é determinante. Sarkozy pode até parecer, mas não é a coisa real. A imagem dos presidentes americano e francês voltará a ser o que foi antes do parêntesis Sarkozy, lembrará um baobá ao lado de um bonsai.

Sarkozy restaurou a relação de confiança entre a França e os EUA — países que vivem em permanente conflito de interesses apesar nunca terem guerreado entre si — depois da invasão anglo-americana no Iraque. O presidente francês, bem ao seu estilo, ambiciona uma posição para França nunca antes conquistada: ser o interlocutor número 1 dos EUA na Europa. Este papel sempre foi ocupado pela Inglaterra. A aposta de Sarkozy, uma vez mais, tenta ganhar diante da apatia do adversário. No caso, o tímido primeiro-ministro britânico Gordon Brown, mergulhado na crise financeira do seu país e amaeaçado pelo aumento na popularidade do seu concorrente nas próximas eleições, o jovem conservador David Cameron. Obama e Sarkozy tem pontos em comum. O maior deles é o reforço no controle e regras do mercado financeiro mundial. Eles já se encontraram durante uma visita de Obama à Paris e deverão se rever em abril, na reunião de Cúpula da OTAN, em Estrasburgo. Mas não será surpresa uma visita informal do presidente francês a Washington, nas próximas semanas. Sarkozy divide fascínio e ciúme do presidente americano de ascensão fulgurante que lhe rouba a cena. No mundo, Obama desperta um misto de expectativa e esperança depois da desastrosa diplomacia do governo Bush. Sarkozy, por sua vez, provoca mais curiosidade através da sua mulher Carla Bruni, e pela inesgotável energia.

Por Antonio Ribeiro

07/11/2008

às 15:12 \ França

“Quem paga o gaiteiro escolhe a música”

A primeira-dama da França, Carla Bruni-Sarkozy, não faz parte do governo. Mesmo se fizesse, não seria difícil saber quem é a mulher mais elegante do executivo francês. Isso porque a ex-atleta de nado sincronizado, Christine Lallouette Lagarde, de 56 anos, comanda o Ministério de Economia, da Indústria e do Emprego. A primeira mulher a ocupar o cargo. Lagarde é também vereadora em Paris. Ontem à noite, ela estava atrasada para o nosso encontro. Passou o dia explicando aos senadores porque a França, ano que vem, terá um crescimento econômico pífio. Sua projeção estima de 0,2% à 0,5% do Produto Interno Bruto — o FMI calcula que ele será ainda menor e desconfia da possibilidade de não haver algum. Se a França mergulha na recessão, Madame Lagarde, não parece perder o fôlego.

Sorriso cativante, Lagarde chegou às 20h15, no sétimo andar do Ministério de Economia quase às moscas. Cumprimentou os presentes e foi logo, segundo rege a sua educação refinada, pedindo desculpas. Não foi o atraso de um quarto de hora a sua primeira preocupação, embora ele tenha sido mencionado logo em seguida. Lagarde lamentou o desconhecimento dos detalhes da sua viagem ao Brasil. Sábado, 7 de novembro, ela desembarca às 13 horas em São Paulo para a reunião do G-20 Financeiro, grupo formado pela União Européia, pelos membros do G-8 (os sete paises mais ricos e a Rússia), pela Austrália e pelos emergentes – Brasil, Argentina, México, Coréia do Sul, China, Índia, Indonésia, Arábia Saudita, África do Sul e Turquia. A crise financeira mundial criou um déficit no sono da ministra. “Dormirei no avião,” disse Lagarde quando perguntada pelo Blog de Paris, se planejava algum descanso no Brasil.

A mesa estava repleta de quitutes e bebericos sem álcool. Emergiu a dúvida se estavam ali para manter a boca cheia de quem iria sabatinar a ministra ou se serviam para amenizar a fome de Lagarde. Em todo caso, a ministra, ex-estagiária do parlamentar republicano do Maine, William Cohen, Secretário da Defesa de Bill Clinton, mostrou apetite em responder. Falou, sem papas na língua, atitude rara em políticos franceses. A conversa esquentou quando foi abordada a reivindicação brasileira para ter maior participação nos poderes decisórios do Fundo Monetário Internacional. Lagarde sorriu: “O Brasil sempre pede muito, mas há um adágio irlandês adequado para a situação, quem paga o gaiteiro escolhe a música.” Lagarde afirmou que se o governo Lula não colocar mais recursos no Fundo, a situação ficará igual. Clara, direta, mas cuidadosa para não ferir suscetibilidades, emendou: “Comment va Celzô?” A referência ao ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, serviu para a ministra fazer saber da sua “adoração” pelo Brasil. Como o colega brasileiro tem sentimento análogo em relação a França, segundo Lagarde, ficou a impressão que estamos nos melhores dos mundos.

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, vem apregoando seu desejo de refundir o capitalismo — ele será colocado a mesa de discussão na Cúpula de Washington, a reunião dos chefes de estado e de governo do G20, no dia 15 de novembro. O que isso significa na prática? Lagarde baixou a bola para evoluir em um terreno que domina. “Não vou embarcar em grandes discussões ideológicas. Prefiro dizer que a proposta francesa vai no sentido do aumento da regulamentação dos mercados, de maior transparência nas atividades de investidores e operadores, redução dos riscos, fiscalização de operações em paraísos fiscais. Apesar do FMI já ter passado por uma reforma interna meticulosa, a ministra defende uma reorganização do Fundo. A França quer o organismo como coordenador financeiro internacional, monitorando a iminências das crises para possibilitar uma prevenção mais efetiva. A ministra nega que a França propõe, como foi do entendimento alemão, transformar o G20 em uma espécie de governança financeira planetária. “Ninguém é louco de acreditar que podemos organizar um governo econômico mundial.”

Há na França uma percepção de que a crise financeira mundial trouxe, finalmente, a vitória do modelo de intervenção do estado exercido no país desde o Rei Sol, Louis XIV. A Inglaterra e o EUA, economias liberais, estariam mais flexíveis para aceitar as propostas francesas. A vasta experiência internacional, a passagem pela iniciativa privada nos EUA, no escritório de advocacia Baker & McKenzie,  sedimentou em Lagarde a convicção de que a jactância pode emperrar os mais simples dos acordos. A ministra, em contrapartida, dá primazia ao trabalho conjunto no G-20 para chegar a denominadores comuns. Sua passagem pelo Brasil, onde 500 empresários nacionais vão encontrar 150 representantes de pequenas e médias empresas francesas, Lagarde quer preparar as bases de um novo Breton Woods, o tratado que rege o sistema financeiro internacional desde 1944.

No final da conversa, madame Lagarde, de tailleur verde, ornado por um colar de jade chinês, pediu sugestões do que fazer durante seu curto tempo livre em São Paulo — ela vai se hospedar no Hotel Hilton. “Madame la Ministre, a culinária é o que há de melhor naquela selva de pedras ou pegue o avião e vá para o Rio.” Lagarde quis saber sobre o ano da França no Brasil. O jornalista inflou bochecha e a espetou com o dedo indicador — o gesto entre os franceses significa conversa mole. “Aprecio o ceticismo nos homens”, disse. “Madame la Ministre, as relações entre as empresas brasileiras e francesas estão muito mais avançadas, produzem mais resultados que o salamaque entre os governos.” Lagarde olhou para os assessores e disse: “Concordo.”

Por Antonio Ribeiro

12/08/2008

às 14:12 \ Bruni-Sarkozy

Sarkozy vai ao Brasil, mas é Carla que todos esperam

Nicolas Sarkozy, que esteve hoje em Moscou para mediar o conflito entre os russos e os georgianos, vai visitar oficialmente o Brasil nos dias 23 e 24 de dezembro deste ano. O presidente francês vai se hospedar com Carla Bruni no quarto 601, a suíte presidencial do Hotel Copacabana Palace, no Rio. No primeiro dia da visita, Sarkozy tratará com Lula de questões entre o Brasil e a União Européia, da qual o francês é o presidente rotativo com mandato de seis meses. No último dia da visita oficial, Sarkozy abordará assuntos bilaterais e irá inaugurar o Ano da França no Brasil. Os franceses mantêm ainda em segredo se depois da viagem oficial, Carla ficará no Brasil para passar o Natal com seu pai que vive em São Paulo. A primeira-dama francesa é a capa da edição deste mês da revista Vanity Fair com o seguinte pergunta: Ela é a próxima Jacqueline Bouvier Kennedy Onassis? Não será surpresa se o casal presidencial francês decidir permanecer Rio para assistir os fogos de artifício do Réveillon. O Brasil é o maior parceiro comercial da França na América Latina, Sarkozy tem aproveitado seus mandatos para tentar aumentar zonas de influência francesa em permanente declínio no mundo.

Por Antonio Ribeiro

 

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