Blogs e Colunistas

Carla Bruni

03/11/2011

às 9:22 \ Economia

G20: Abram os cofres

Depois de uma noite tensa devido à proposta grega de realizar referendo para plebiscitar ou não o pacote de resgate à economia da Grécia – 130 bilhões de euros e calote de metade da dívida com credores privados, cerca de 100 bilhões de euros –  a reunião do G20 em Cannes, no sul da França, começou com uma nota simpática. Barack Obama felicitou Nicolas Sarkozy pelo nascimento da sua filha Giulia. “Espero que ela herde a beleza da mãe e não a do pai”, disse Obama em referência a primeira-dama da França, à ex-modelo Carla Bruni. De fato, Sarkozy estava com feições de quem recebeu um presente grego.

Enquanto os chefes de estado do G20 (cerca de 80% do PIB global) seguem a tradicional coreografia das grandes reuniões, os assessores trabalham no rascunho do Plano de Ação para ser apresentado no fim do encontro. “O maior obstáculo na negociação é até que ponto a China aceitará acelerar uma flexibilização de sua política cambial e reduzir a acumulação de reservas para estimular o consumo doméstico”, revela Francisco Assis Moreira, correpondente do jornal Valor Econômico, que teve acesso ao esboço do documento. A proposta, visa sobretudo a China, é de que países com taxas de cambio inflexiveis e grandes reservas, abram o cofre para carburar o consumo interno. Neste aspecto, o aumento dos investimentos do governo Dilma Rousseff para melhorar a infraestrutura do Brasil é visto com entusiasmo.

Embora as atenções estejam voltadas para o encontro na Riviera francesa, a situação tensa na Grécia onde a sustentação política do  primeiro-ministro Papandreou vai ruindo rapidamente, é acompanhada com preocupação. Evangelos Venizelos, o ministro das Finanças da Grécia, um dos possíveis substitutos de Papandreou em eventual governo de união nacional se posicionou contra a realização de um plebiscito previsto para o dia 4 de dezembro. “A posição da Grécia dentro da zona do euro é uma conquista histórica que não pode ser colocada em dúvida, disse Venizelos. E arrematou expressando dissonância com o socialista Papandreou:  “Esta aquisição do povo grego não pode depender de um referendo.”

Leia o post do Blog de Paris - “O sermão do casal Merkozy

Por Antonio Ribeiro

19/10/2011

às 14:20 \ Economia

Terra azul corre risco de entrar no vermelho

Gagarin: "A Terra é azul"

Dê uma olhada no planeta. Assim feito o cosmonauta russo Yuri Alekseyevich Gagarin. Hoje é possivel sem entrar em cápsula espacial. Embarque no Google. Na Terra azul há várias questões relevantes nesta quarta-feira 19 de outubro de 2011. Embora aparentemente regional, há uma só pendenga com força suficiente para influenciar indiscriminadamente todos os terráqueos. Trata-se do plano europeu para tentar debelar a crise das dívidas soberanas e recapitalização dos bancos que investiram  na Grécia e em outros países da zona do euro com risco de insolvência. O pouso suave do crescimento econômico  chinês seria outra, mas é consequência.

Te diz? Não? Para Nicolas Sarkozy, sim. E muito. O presidente da França passou na Clínica de La Muette, no elgegante décimo sexto distrito de Paris, onde sua mulher Carla Bruni, d espera dar a luz a qualquer momento, ficou meia hora e, em seguida, rumou para Frankfurt, a maior cidade do estado alemão de Hesse. Lá, ele tem encontrou com a chancelar alemã Angela Merkel. Os dois estão na linha de frente para fabricar um mecanismo capaz de afugentar a crise. Agora com a urgência de abrandar as dívidas de dois pesos pesados: Itália e Espanha.

Fala-se na possibilidade de alavancar o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (EFSF, na sigla em inglês) de 440 bilhões de euros para 1 trilhão de euros. É dinheiro que parece não acabar mais. O ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schaeuble nega que se tenha chegado a uma cifra nas intensas negociações. Estima-se que para atender as necessidades imediatas de Grécia, Portugal e Irlanda seriam necessários 100 bilhões de euros. A recapitalização dos bancos consumiria mais 200 bilhões de euros. Há quem diga que apenas 80 bilhões de euros seriam suficientes. Apenas? No absoluto é muito, mas relativizado com o todo é apenas mesmo. Algo concreto deverá ser apresentado até dia 23 de outubro, quando da reunião dos países que usam o euro como moeda, em Bruxelas. Caso contrário, a Terra azul arrisca entrar no vermelho.

Atualização: A leitora Adriana Socci Barbosa informa que é menina. “A França pelo menos, ficará cor de rosa” escreve ela. Adiciono um dado de almanaque: Pela primeira vez na história da República Francesa um presidente se torna pai durante o mandato. A última vez que isso aconteceu foi no Segundo Império há 155 anos quando a imperatriz consorte Eugénie de Montijo deu à luz ao príncipe imperial Napoléon Eugéne, filho de Louis-Napoleon Bonaparte, o Napoleão III, sobrinho de Napoleão I. Ele governou a França de 1848 a 1870, primeiro como presidente e depois, como imperador. Foi contemporâneo do prussiano Otto von Bismark que unificou a Alemanha e da Rainha Victoria, da Inglaterra.

Por Antonio Ribeiro

13/05/2011

às 16:39 \ Gente

Woody Allen aumenta apostas na gravidez de Carla Bruni

O último Allen é bom. Mas a última do Allen é melhor ainda. No Festival de Cannes, para justificar a ausência de Carla Bruni no lançamento de ‘Midnight in Paris’, filme no qual a primeira-dama da França faz ponta, o diretor americano disse que era compreensível. Isso porque madame Sarkozy “passa por um momento maravilhoso”. Fina astúcia para promover seu filme repleto de clichês locais. Quem aposta que Carla está escondendo gravidez, ficou animado.

Em abril, a revista francesa de celebridades Closer, circulou com a notícia da enventual maternidade. Desde então, em duas oportunidades, confrontada com a pergunta se estava gravida,  Carla Bruni, de 43 anos, disse que não abordava questões de ordem pessoal por respeito ao trabalho do marido Nicolas, presidente da França. “Meus lábios estão fechados não por arrogância nem por apreço ao segredo”, disse Bruni. O Palácio Elisée não comenta o assunto nem desmente os rumores.

A primeira-dama apareceu de blusa larga, blazer preto, calças soltas e saltos rasos na recepção ao presidente da Coréa do Sul, Lee Myung-bak and a mulher Kim Yun-ok, em Paris.  Veja a fotografia que ilustra o post. Indícios? A revista francesa Gala sustenta que a ex-modelo e cantora dará à luz de um segundo filho(a) – o(a) primeiro(a) com Nicolas Sarkozy – em outubro. Caso a cegonha  – uma lenda da Alsácia – pousar no palácio presidencial, será a primeira vez que uma criança nascerá na sede do governo francês republicano.

Veja Carla Bruni em ‘Midnight in Paris’, o último fime de Woody Allen:

Por Antonio Ribeiro

31/08/2010

às 16:12 \ França

E os ciganos, madame?

A julgar pelo desinteresse dos franceses à carta aberta de sua primeira-dama ao governo do Irã, Carla poderia se chamar Marisa Letícia. A epístola clamando pela liberdade da iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani, que ainda aguarda sua sentença no corredor da morte, teve mais repercussão no Brasil do que no pais onde foi escrita. Aliás, mais do que em qualquer país da Europa.

Os poucos franceses que tomaram conhecimento da iniciativa, julgaram-na quase que um gesto protocolar. As grandes questões do momento na França são as deportações de ciganos e as propostas do governo Sarkozy de retirar a  nacionalidade de estrangeiros naturalizados franceses que atentarem contra a vida de autoridades do estado. E mais recentemente, a eventual expulsão dos autores de conduta que o governo classifica de “mendicância agressiva”.

As polêmicas nas quais o país se divide, fazem o ministro das Relações Exteriores, Bernard Kouchner, cogitar demissão e o primeiro-ministro, François Fillon, marcar distância do Presidente da República, mas madame Bruni-Sarkozy não deu um pio publicamente. Se na alcova do Palácio do Elyseé, ainda não se tem notícia.

Só agora, quando um editorial do jornal iraniano Kayhan, cujo editor-chefe é nomeado pelo líder supremo da teocracia persa, o aiatolá Ali Khamenei, chamou Carla e outros membros do governo de “prostitutas”,  que os franceses começaram dedicar alguma atenção ao episódio. Sucede que o insulto do Kayhan a Carla não é bem novidade. Ele tem relevância equivalente ao jornal cubano Granma noticiar que o terrorista Osama Bin Laden, turbante mais alto da Al Queda, ser agente da CIA, como sustentou recentemente o ditador Fidel Castro. É da natureza do escorpião.

Naturalmente, o Quai d’Orsay, o Itamaraty francês, replicou de imediato: “Nós fizemos saber às autoridades iranianas que as injurias proferidas pelo diário Kayhan e divulgadas por vários sites iranianos na internet contra personalidades francesas e madame Carla Bruni-Sarkozy são inaceitáveis.” E completou: “Fizemos passar a mensagem por vias diplomáticas habituais”. O governo iraniano respondeu que não subscreve os insultos do jornal. Aparentemente, vida segue.

Por Antonio Ribeiro

24/05/2010

às 12:55 \ Paris

Nature Capitale: 2 milhões de visitantes nos Campos

Avenida Champs Elysées "ocupada". Carla e Sakozy conversam com agricultores

Nicolas Sarkozy e Carla Bruni aproveitaram o feriado de Pentecostes na França para visitar a avenida Champs Elysées, vizinha ao palácio de mesmo nome, residência do casal presidencial. Depois de passear vinte minutos entre os jardins do Nature Capitale e seu visitantes, foram conversar com os agricultores franceses cujo salário médio mensal no ano passado foi de 1.215 euros, 34% em queda em relação à 2008. Os organizadores do evento — ocupa uma área de seis campos de futebol — querem levar a idéia para as ruas de Nova York e Berlim em 2011. Assista ao video aqui que mostra a montagem dos canteiros com 150 espécies vegetais de 11 regiões francesas.

Por Antonio Ribeiro

25/03/2010

às 6:00 \ Gente

Carla Bruni, redatora-chefe do Madame Figaro

carlaredatoraCalma lá. Sem susto. A França ainda não abraçou a sandice do controle da imprensa – hábito dos regimes totalitários que  o PT adora e  que governo Lula namora desde o início sem a anuência dos brasileiros.

A primeira-dama da França, Carla Bruni-Sarkozy, de 42 anos, comandou durante 3 semanas edição especial da revista Madame Figaro, o tradicional suplemento de fim de semana do jornal Le Figaro, publicação em rotogravura, repleta de anúncios de luxo separando as informações de interesse  feminino. A edição vai às bancas e aos assinantes dia 27 de março.

São destaques das 90 páginas editadas pela inusitada redatora-chefe: a entrevista com o cantor Bono, da banda U2, ” e uma reportagem sobre a Fundação Carla Bruni-Sarkozy que, segundo seus organizadores, tem por vocação “facilitar o acesso à cultura, à educação e ao saber afim de lutar conta as desigualdades sociais.” Há também receitas culinárias do cozinheiro do Palácio do Elisée e dicas para manter a forma e beleza,

Diariamente, Carla Bruni tem respondido questões dos leitores que vão ao ar em forma de vídeos no site do jornal. O leitor Olivier, por exemplo, quis saber como Carla conseguia conciliar tantas funções distintas dentro do seu cotidiano. Quer dizer, primeira-dama, compositora intéprete, presidente de fundação e ainda, esposa e mãe. Carla conta que tira de letra, salvo as dificuldades inerentes à vida simultânea de artista e de mãe.

As outras questões são sobre suas preferências musicais, sobre ecologia… uma candura só, de lado a lado. Carla diz que não gostaria que o marido fosse candidato nas eleições presidenciais de 2012. “Mas eu me adaptarei a qualquer decisão que ele tomar”, vai logo deixando claro.

A primeira-dama aproveitou para comentar os boatos sobre supostos casos extra-conjugais dela e de Nicolas Sarkozy: “Reproduzir rumores sem fundamento de fonte anônima, me parece uma deriva em uma democracia e risco para a credibilidade e nobreza de um ofício cujo sentido, baseia-se na integridade da informação.”

Não tem jeito, ela leva jeito.

Por Antonio Ribeiro

22/09/2009

às 11:42 \ Literatura

O presidente, a princesa e o canibal

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País de forte tradição literária, a França asssiste nos meses próximos às eleições, politicos que se convertem em autores. Eles, normalmente, lançam livros autobiográficos, plataformas eleitorais ou qualquer outro assunto capaz de colocá-los em evidência. Na semana que vem, sem nenhuma eleição no horizonte, será diferente. O ex presidente francês Valéry Giscard d’Estaing vai lançar La Princesse et le Président – A Princesa e o Presidente. O romance, antes de chegar às livrarias, já provocou muita tinta no papel da imprensa francesa e britânica. Isto porque alguns acham que VGE, dono de título de nobreza comprada, sugere ter havido relação amorosa e erótica entre um presidente francês e a princesa Diana, morta junto com playboy milionário de origem egípcia, em um acidente de carro em Paris.

Quem pensa encontrar no romance o relato de mais uma conquista feminina de Nicolas Sarkozy, marido da bela Carla Bruni, pode ficar decepcionado, mas não menos surpreso. A personagem do presidente francês tem todas as características deValéry Giscard d’Estaing, o autor do livro e membro da Academia Francesa de Letras. A história acontece nos anos 80, precisamente, no período em que VGE deixou o Palácio do Elysée, meses depois do casamento de Lady Diana com o príncipe Charles da Inglaterra, na época, já apaixonado pela atual mulher, Camilla Parker Bowles. As personagens tem exatamente as idades de VGE e Diana na época, 58 e 23 anos respectivamente. O autor descreve sua namorada assim: “Muito atraente, sempre nas primeiras páginas dos jornais e infeliz no amor.” E mais adiante: “Descobri que ela era uma gata, uma felina.”

A passagem que inicia a aventura acontece durante as comemorações do aniversário de 40 anos do Dia D, o desembarque das tropas aliadas nas praias da Normandia. O presidente Henri beija, literalmente, a mão da princesa Patrícia, colocada estrategicamente, como rege o jogo de sedução britânico antigo, sobre a mesa de um trem. Considerando que na reverência à francesa, o homem deve apenas se inclinar sem tocar com os lábios na pele feminina, o presidente começou ultrapassar as fronteiras ali. Mais para frente há um fim de semana em um castelo francês e diversos encontros em palácios republicanos e reais.

No entanto, a leitura do livro não deixa dúvidas que Giscard, de 83 anos, confunde desejos com realidade. O presidente francês do romance, por exemplo, foi reeleito. VGE queria muito ter sido. Uma manobra política do ex-presidente Jacques Chirac, “alta traição imperdoável”, segundo Giscard, barrou sua candidatura. A leitura do livro vale não pela eventual confluência com a verdade, mas pela habilidade e elegância que o narrador descreve os cenários. VGE disputou, nas páginas da prensa de corazon dos fins da década de 70, o título de galante conquistador das altas esferas com o ex-secretário de estado americano Henry Kissinger.

La Princesse et le Président alinha a prosa do ex-presidente com bons autores libertinos franceses que já não se fabricam mais. Raro ler nos romances franceses atuais linhas tecidas assim,Eu ainda a escuto dizer em inglês. Não é minha memória que me faz lembrar, mas o timbre da sua voz: ‘I wish that you love me’ ” No mínimo, é uma delicada tentativa de ser lembrado como um igual. Alguem que desejou uma princesa apagando o presidente que colocou anel de diamante no dedo de um canibal, o ditador africano Jean-Bédel Bokassa. Isso só VGE fez.

Por Antonio Ribeiro

05/08/2009

às 12:55 \ Bruni-Sarkozy

Férias em Cap Negre

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Por Antonio Ribeiro

05/08/2009

às 12:51 \ Bruni-Sarkozy

A bela dominou a fera

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Rosto angélico, ela tem silhueta quase perfeita. A destreza mental, a habilidade de atrair admiração sobre si está bem acima da média do mundo que a fez célebre — o ambiente onde a beleza reina sobre todas virtudes e abranda os piores defeitos. Contudo, Carla Bruni, primeira-dama da França, vem sendo louvada e, ça va de soi, criticada por mais um papel inusitado nos seus 41 anos de existência — eles parecem menos. A bela dominou a fera. Carla conseguiu imprimir ascendência na forte personalidade do marido Nicolas Sarkozy.

Pelo início — há quem diga: “pela fraqueza da carne”. A primeira-dama colocou o corpo do presidente francês, de 54 anos, sob sua tutela. Seguindo instruções de Bruni, Sarkozy abandonou o velho hábito de devorar chocolates, doces e sorvetes. Ele agora é do time que come com moderação. Frutas e queijos magros entraram no cardápio presidencial.

Três vezes por semana, o presidente corre e faz exercícios com Julie Imperiali, de 26 anos, a personal trainer de Carla, famosa por seu método que fortalece os músculos da região pélvica — espécie de Pilates, brevetado após toques pessoais da ex-bailarina e ginasta cuja máxima sustenta o fazer bem ao físico, conforta a alma.

Sarkozy é aluno exemplar na avaliação de Imperiali. Para outros, ele exagera na dose. Isto para agradar ou acompanhar – ou ambos — o ritmo de Carla, 14 anos mais jovem. A dedicação é tamanha que, depois do mal-estar durante 45 minutos de jogging sob calor de 30 graus, nos arredores da residência presidencial de La Lanterna, em Versalhes, seguido de internação hospitalar, o dedo acusador foi apontado para primeira-dama.

Verdade ou não, pondera-se, Sarkozy não tem queda por meias medidas. Obsessivo é um adjetivo justo. Cai lhe muito bem, ele não contesta. Um dado emblemático: Sarkozy voou 300.000 quilômetros em um ano, média de 820 quilômetros por dia para realizar visitas oficiais fora da França.

Já não se vê mais o presidente  francês com ostensivos relógios Rolex no pulso. Procure o mordomo? Não, busque a mulher. Aqui é inegável. Bruni acabou com o estilo Bling Bling do marido. O mau gosto típico de endinheirados sem refinamento, “o cheguei, olhem para mim”, motivo de escárnio. Doravante ou pós-Carla, Sarkozy lê as horas pelos ponteiros de um elegante Patek Philippe, presente do rapidíssimo casamento.

Os ternos presidenciais agora tem a sobriedade dos tons escuros. As camisas inglesas, brancas ou azuis claras, são marca  Hilditch & Key, pano de fundo para as gravatas negras ou, no máximo, cinza chumbo. Se a França, referência mundial de elegância, deve algo a italiana Bruni, é de ter feito seu presidente parecer presidente.

A influência não ficou só no visual. Carla operou em profundidade. Algo que pode, se sensibilidade houver, despertar admiração de Marisa Letícia à Michele Obama. Inspirar seria sugerir o impossível. Bruni despertou em Sarkozy o interesse pela literatura francesa — de Guy Maupassant a Françoise Sagan. Isto não é pouco em um país que se vê como o mais autêntico herdeiro da cultura ocidental.

No mês passado, em lance raro, Sarkozy surpreendeu os franceses declarando que estava lendo La Princesse de Clèves, livro anônimo da escritora Marie-Madalene de La Fayette, publicado em 1678. O romance histórico, considerado o pontapé inicial da prosa moderna francesa, relata um encrencado triangulo amoroso, parte incontornável do currículo escolar dos colegiais franceses.

A primeira-dama introduziu a obra de Bod Dylan no Palácio do Elysée, o autor americano que fez a cabeça dos Beatles com drogas e versos desconcertantes, a sua voz de taquara rachada foi fiel trilha sonora dos conturbados anos 60.

“Você não pode vencer só com o apoio dos intelectuais, mas não ganhará sem eles”, disse Sarkozy em uma surpreendente entrevista a revista Nouvel Observateur que deita lhe o malho muito antes do primeiro dia do seu mandato. Isto é  Carla Bruni, esculpida na toscana Carrara, sem tirar nem por. O presidente francês prepara sua reeleição. O seu melhor cabo eleitoral dorme debaixo dos lençóis de sua cama.

Por Antonio Ribeiro

27/07/2009

às 11:27 \ Nicolas Sarkozy

Como se nada tivesse acontecido


Como se nada tivesse acontecido, diz a letra. O maior sucesso de Carla Bruni, primeira-dama da França, poderia ter sido o fundo musical desta segunda-feira em Paris, quando Nicolas Sarkozy, de 54 anos, saiu caminhando do hospital militar Val-de-Grâce. O presidente francês foi internado no domingo, 25 de julho, devido a um mal estar sofrido durante corrida a pé de 45 minutos nos arredores da residência La Lanterna, em Versalhes. Ele permaneceu 21 horas no hospital.

O Palácio do Elysée emitiu uma nota diagnosticando a causa do internamento presidencial como “lipotimia durante robusto esforço físico sob forte calor (30º Celsius), sem desmaio, em um contexto ligado ao acúmulo de ritmo de trabalho importante.” A versão oficial pretende que houve um ligeiro cansaço. Algo inocente, um reflexo natural que baixa a pressão arterial e diminui a irrigação sanguínea no cérebro. Situação que metade das mulheres e um quarto dos homens passam, ao menos, uma vez durante a suas existências.

Ainda segundo o comunicado oficial, uma bateria de exames não detectou problema cardiovascular. Nenhum tratamento foi prescrito, apenas recomendação de repouso. A ministra da Economia, Christine Lagarde, substituiu o Sarkozy em cerimônia no Palácio do Elysée. A visita do presidente ao Mont-Saint Michel, prevista para amanhã, foi anulada. Sarkozy deverá presidir, na quarta-feira, o última reunião ministerial antes das três semanas de férias em Cap Nègre, na Riviera francesa.

A hiperatividade crônica do presidente francês sofreu um golpe duro deixando sua imagem arranhada. O episódio poderá diminuir o ritmo do presidente durante seu mandato. Na semana passada, além de cumprir sua rotina de trabalho normal, Sarkozy jantou com presidente do Egito, no Cairo, acompanhou sua mulher em um concerto em Nova York, homenagem a Nelson Mandela, e arrumou tempo e fôlego para assistir a etapa da Volta da França, nos Alpes, que exige maior esforço dos ciclistas.

Durante a campanha presidencial, Sarkozy prometeu transformar seu médico em vedete pelas sucessivas aparições em que ele comunicaria o estado de saúde do presidente — prática rara na tradição do executivo francês. Desde então, foi publicado, no dia 3 de julho, apenas uma nota de um parágrafo dizendo que tudo estava bem com Sarkozy. O autor do boletim não foi o médico, mas a assessoria de comunicação presidência. No dia 27 de outubro de 2007, Sarkozy foi operado, secretamente, para retirar um abscesso da garganta. Revelada a cirurgia, o Palácio do Elysée fez como se nada tivesse acontecido. A confirmação da intervenção só aconteceu três meses
depois.

Por Antonio Ribeiro

 

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